REsp 1967614 - DECISAO
Conheceu‑se em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou‑se provimento, por não configurar negativa de prestação jurisdicional, por serem as razões recursais dissociadas dos fundamentos suficientes do acórdão recorrido (incidência das Súmulas 283 e 284 do STF por analogia), e por estar correta a fixação dos...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade Híbrida, Erro Material, Honorários Advocatícios, Reafirmação Da DER, Atualização Monetária, Juros De Mora, Contagem De Tempo Rural
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 negativa de prestação jurisdicional (art. 1022 do CPC)
- 2 condenação em honorários advocatícios e base de cálculo (art. 85 do CPC)
- 3 reafirmação da data de início do benefício (DER)
Ratio Decidendi
Conheceu‑se em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou‑se provimento, por não configurar negativa de prestação jurisdicional, por serem as razões recursais dissociadas dos fundamentos suficientes do acórdão recorrido (incidência das Súmulas 283 e 284 do STF por analogia), e por estar correta a fixação dos honorários sucumbenciais na origem, dada a insurgência do INSS quanto ao reconhecimento de tempo rural, aplicando‑se art. 85 §3º I do CPC e Súmula 111/STJ.
Court Disposition
recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido
Orders
- Conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Instituto Nacional do SeguroSocial contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. APOSENTADORIA POR IDADE HÍBRIDA. APLICAÇÃO DAS LEIS N.11.718/2008 E N. 8.213, ART. 48, § 3º. REAFIRMAÇÃO DA DER. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. 1. Identificado erro material no dispositivo da sentença, quanto ao reconhecimento de período de labor rural, adequada a correção de ofício. 2. É devida a aposentadoria por idade mediante conjugação de tempo rural e urbano durante o período aquisitivo do direito, a teor do disposto na Lei n. 11.718/08, que acrescentou § 3.º ao art. 48 da Lei n. 8.213/91, contanto que cumprido o requisito etário de 60 (sessenta) anos para mulher e de 65 (sessenta e cinco) anos para homem e a carência mínima exigida. 3. Superior Tribunal de Justiça concluindo o julgamento do Tema1007, admitiu a contagem do tempo rural remoto e fixou a seguinte tese: "o tempo de serviço rural, ainda que remoto e descontínuo, anterior ao advento da Lei 8.213/1991, pode ser computado para fins da carência necessária à obtenção da aposentadoria híbrida por idade, não tenha sido efetivado o recolhimento das contribuições, nos termos do art. 48, § 3o. da Lei 8.213/1991, seja qual for a predominância do labor misto exercido no período de carência ou o tipo de trabalho exercido no momento do implemento do requisito etário ou do requerimento administrativo." 4. A reafirmação da DER, para a data em que o segurado implementa os requisitos amolda-se à própria natureza continuativa da relação jurídica previdenciária, cabendo ao Poder Judiciário reportar-se à situação de fato e de direito existente por ocasião da entrega da prestação jurisdicional, facultando-se, obviamente, à autarquia, a impugnação do tempo de contribuição posterior, em atenção ao contraditório. 5. Na hipótese, computado o tempo de serviço laborado após a DER e posterior ao ajuizamento da ação, é devida a aposentadoria por idade híbrida a contar da data de preenchimento dos requisitos para tanto. 6. O Supremo Tribunal Federal reconheceu no RE 870947, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do uso da TR, sem modulação de efeitos. 7. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1495146, em precedente também vinculante, e tendo presente a inconstitucionalidade da TR como fator de atualização monetária, distinguiu os créditos de natureza previdenciária, em relação aos quais, com base na legislação anterior, determinou a aplicação do INPC, daqueles de caráter administrativo, para os quais deverá ser utilizado o IPCA-E. 8. Ao julgar o Tema n.º 995, o Superior Tribunal de Justiça fixou entendimento de que seriam devidos juros de mora pelo INSS, nos casos de reafirmação da DER para data posterior ao ajuizamento da ação, apenas em caso de não cumprimento da Autarquia da determinação de implantação do benefício, no prazo de 45 dias. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nasrazões de recurso especial fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, aponta o o recorrente violaçãoaos artigos 85, caput,927, III, e 1022, II, do CPC. Aponta negativa de prestação jurisdicional ao argumento de que "não foi apreciada pela Corte de origem a tese levantada pelo embargante acerca da impossibilidade de condenação em honorários advocatícios sobre o valor da condenação, nos termos da decisão proferida pelo E. STJ no REsp 1.727.063 - SP. Dessa forma, a Corte de Origem não apreciou o sentido e o alcance do artigo 85, caput, do CPC, e do artigo 389 do CC." Assevera que "não seguiu os parâmetros da Corte Superior no que se refere à condenação em honorários advocatícios, uma vez que condenou o INSS ao pagamento de honorários advocatícios sobre as parcelas vencidas, ainda que não tenha havido insurgência quanto à reafirmação da DER". Contrarrazões ao recurso especial apresentadas às e-STJ fls. 335/337. É o relatório. Decido. Inicialmente, necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3/STJ. Depreende-se do acórdão recorrido que o Tribunal de origem, de modo fundamentado, resolveu de forma integral a controvérsia posta, discorrendo acerca do critério de fixação dos honorários de sucumbência na espécie, nos seguintes termos: Tendo em vista que a sentença foi publicada sob a égide do novo CPC, é aplicável quanto à sucumbência aquele regramento. Considerando a natureza previdenciária da causa, bem como a existência de parcelas vencidas, e tendo presente que o valor da condenação não excederá de 200 salários mínimos, os honorários de sucumbência devem ser fixados originariamente em 10% sobre as parcelas vencidas, nos termos do artigo 85, §3º, inciso I, do CPC. Conforme a Súmula n.º 111 do Superior Tribunal de Justiça, a verba honorária deve incidir sobre as prestações vencidas até a data da decisão de procedência (acórdão). Por se tratar de benefício concedido mediante reafirmação da DER, com cômputo de tempo de serviço posterior ao processo administrativo e ao próprio ajuizamento da ação, poderia ser cogitado o afastamento da condenação ao pagamento da verba honorária, pois em tese o INSS não teria dado causa à propositura do feito. Adoto, no ponto, entendimento já assentado nesta 6ª Turma, segundo o qual tal pretensão somente teria amparo caso o único objeto da demanda fosse o pleito de reafirmação da DER. No entanto, no presente caso, há pedido de reconhecimento de tempo de labor rural, contra o qual a autarquia se insurgiu, dando, assim, causa ao ajuizamento da presente demanda, pelo que devidos os honorários de sucumbência. Registre-se, em tempo, que a alteração do termo inicial do benefício, mediante reafirmação da DER, reduz o montante devido a título de parcelas vencidas, o que já acarreta, por si só, redução nos próprios honorários de sucumbência. Na linha da jurisprudência do STJ, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, tampouco em vício, quando o acórdão impugnado aplica tese jurídica devidamente fundamentada, promovendo a integral solução da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses da parte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015 INEXISTENTE. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO CONCEDIDO ANTES E APÓS A CF/1988. MATÉRIA SOB ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA RESERVADA AO STF. 1. Inexiste a alegada negativa de prestação jurisdicional, visto que a Corte de origem apreciou todos os pontos relevantes ao deslinde da controvérsia de modo integral e adequado, não padecendo o acórdão recorrido de qualquer omissão, contradição ou obscuridade. 2. O Tribunal a quo resolveu a questão da revisão do benefício previdenciário com fundamentação eminentemente constitucional, razão pela qual não é possível sua revisão na via eleita. 3. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.740.348/RS, SEGUNDA TURMA, Relator Ministro Herman Benjamin, DJe 22/11/2018) Não configurada, portanto, a alegada violação ao artigo 1022 do CPC/2015. Ademais, o recorrente não rebate a fundamentação do acórdão recorrido no sentido de que poderia ser cogitado o afastamento da condenação ao pagamento da verba honorária, pois em tese o INSS não teria dado causa à propositura do feito se o único objeto da demanda fosse o pleito de reafirmação da DER ,entretanto,"no presente caso, há pedido de reconhecimento de tempo de labor rural, contra o qual a autarquia se insurgiu, dando, assim, causa ao ajuizamento da presente demanda, pelo que devidos os honorários de sucumbência". Estando as razões recursais totalmente dissociadas das conclusões do Tribunal de origem, não há como afastar, incidem, espécie, os óbices das Súmulas 283/STF e 284/STF, que dispõem, respectivamente: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"; "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Sobre o tema: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 211/STJ. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. IMPROCEDÊNCIA DA DEMANDA. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULAS NºS 283 E 284/STF. (..) 3. Não pode ser conhecido o recurso especial que não traz impugnação específica dos fundamentos suficientes do acórdão recorrido, atraindo a incidência da Súmula nº 283/STF, aplicada por analogia. 4. A exposição de razões dissociadas do que foi disposto na decisão agravada revela deficiência na fundamentação do recurso e impede a exata compreensão da controvérsia a ser dirimida. Incidência, por analogia, da Súmula nº 284/STF. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1467295/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe 17/10/2019) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. ART. 1.025 DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADOS. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DOS FUNDAMENTOS DO JULGADO ATACADO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 283 E 284 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. (..) 3. A ausência de impugnação, nas razões do especial, de fundamento autônomo e suficiente à manutenção do acórdão estadual atrai, por analogia, o óbice da Súmula 283/STF. 4. É inadmissível o inconformismo por deficiência na sua fundamentação quando as razões do recurso estão dissociadas do que decidido no acórdão recorrido. Aplicação da Súmula 284/STF. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1813226/PE, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe 06/09/2019) Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III e IV, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ, e na Súmula 568/STJ, conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Intimem-se. Publique-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ.ART. 1022 DO CPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA.RRAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DAS CONCLUSÕES DO ACÓRDÃO RECORRRIDO. SÚMULAS 284/STF E283/STF. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO.