REsp 1965951 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque, nos termos da jurisprudência desta Corte (Tema 642/STJ e REsp 1.354.908/SP), o segurado especial deve comprovar o exercício da atividade rural até o momento imediatamente anterior ao implemento do requisito etário, em número de meses correspondente à carência, e o...
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- Parties
- Recorrente: Pedrina de Paula Barbosa; Recorrido: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado Recurso Especial Negado Provimento Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade Rural, Comprovação Da Atividade Rural, Carência, Ônus Da Prova, Prova Testemunhal, Tutela Antecipada, Honorários De Sucumbência, Recursos Repetitivos (tema 642/stj)
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Parties
Pedrina de Paula Barbosa
Recorrente
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado Recurso Especial Negado Provimento Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 comprovação da atividade rural no período imediatamente anterior ao implemento do requisito etário em número de meses idêntico à carência
- 2 admissibilidade da prova testemunhal para complementar documentos anteriores ao período de carência
- 3 efeitos da insuficiência de prova material e extinção sem resolução de mérito
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque, nos termos da jurisprudência desta Corte (Tema 642/STJ e REsp 1.354.908/SP), o segurado especial deve comprovar o exercício da atividade rural até o momento imediatamente anterior ao implemento do requisito etário, em número de meses correspondente à carência, e o conjunto probatório apresentado foi insuficiente para demonstrar tal requisito, não havendo assim direito à aposentadoria por idade rural.
Court Disposition
nego provimento ao recurso especial
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Aplico o art. 85, § 11, do CPC, nos seguintes termos: 1) se, na origem, foi aplicado o art. 85, § 3º, elevo os honorários ao percentual máximo da faixa respectiva; 2) se, na origem, foi utilizado o art. 85, § 2º, adiciono 10 pontos percentuais à alíquota aplicada, não podendo superar o teto previsto; 3) se...
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto por Pedrina de Paula Barbosa, com fundamento nas alíneas "a" e "c" do inciso III do art. 105 da CF/1988, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Regiãoassim ementado (e-STJ, fl. 124): PREVIDENCIÁRIO: APOSENTADORIA POR IDADE. TRABALHADOR RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL INSUFICIENTE. EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. RESP REPETITIVO 1352721/SP. TUTELA ANTECIPADA. ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA. 1. A ausência de conteúdo probatório eficaz a instruir a inicial implica a carência de pressuposto de constituição e desenvolvimento válido do processo, impondo a sua extinção sem resolução do mérito e a consequente possibilidade de a parte autora intentar novamente a ação, caso reúna os elementos necessários a tal iniciativa. 2. Parte autora condenada no pagamento das despesas processuais e dos honorários advocatícios, observados os benefícios da assistência judiciária gratuita (arts. 11, § 2º, e 12, ambos da Lei 1.060/50, reproduzidos pelo § 3º do art. 98 do CPC), já que deu causa à extinção do processo sem resolução do mérito. 3 - Revogados os efeitos da tutela antecipada (recurso representativo de controvérsia - REsp nº 1.401.560/M. Repetibilidade dos valores recebidos pela parte autora em virtude de tutela de urgência concedida, a ser vindicada nestes próprios autos, após regular liquidação. 4 - De ofício, processo extinto sem resolução do mérito. Prejudicada a apelação do INSS. A recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts. 11, VII, § 1º, 39, I, 48, §§ 1º e 2º, 106 e 143 da Lei n. 8.213/1991. Defende que, " .. embora os documentos carreados aos autos não tenham sido emitidos nos últimos 15 (quinze) anos anteriores ao requerimento administrativo .. "(e-STJ, fl. 143), não haveria impedimento aseu uso, pois não há necessidade de que abranjam todo o período alegado, desde que sejam corroborados por prova testemunhal. Sustenta o direito à aposentadoria por idade rural, visto que exerceu o trabalho rural durante toda sua vida em regime de economia familiar. Admitido o recurso especial na origem (e-STJ, fl. 156), foram os autos remetidos a esta Corte de Justiça. É o relatório. O Tribunal de origem não reconheceu o direito ao benefício pela ausência de demonstração do exercício de atividade rural em período imediatamente anterior ao implemento do requisito etário sob a seguinte fundamentação (e-STJ, fl. 122): Feitas essas considerações, no caso concreto, a idade mínima exigida para a obtenção do benefício restou comprovada pela documentação trazida aos autos, onde consta que a parte autora nasceu em 30/07/1958, implementando o requisito etário em 2013. A parte autora deveria ter comprovado o labor rural, mesmo que de forma descontínua, no período imediatamente anterior ao implemento da idade, ao longo de, ao menos, 180 meses, conforme determinação contida no art. 142 da Lei nº 8.213/91. Para a comprovação do exercício da atividade rural, a parte autora apresentou os seguintes documentos: sua CTPS em branco (fls. 94/97); sua certidão de casamento, datada de 1976, em que consta a profissão da autora como "doméstica" e de seu marido como "lavrador" (fl. 100) e certidões de nascimento de seus filhos - 1979, 1983 onde o seu marido está qualificado como lavrador (fls. 98/99). Os documentos colacionados são anteriores ao período de carência, de sorte que, a prova testemunhal, por si só, não se presta à comprovação do efetivo exercício pela parte autora da atividade rural pelo período de carência exigido. Considerando que o conjunto probatório foi insuficiente à comprovação da atividade rural pelo período previsto em lei, seria o caso de se julgar improcedente a ação, não tendo a parte autora se desincumbido do ônus probatório que lhe cabe, ex vi do art. 373, I, do CPC/2015. No caso, o acórdão recorrido seguiu o entendimento firmado nesta Corte Superior segundo o qual o segurado deve comprovar o exercício da atividade rural, ainda que descontínua, no período imediatamente anterior ao implemento do requisito etário ou requerimento do benefício, em número de meses idêntico à carência, conforme a exigência contida no art. 143 da Lei n. 8.213/1991. Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR IDADE, NA CONDIÇÃO DE RURÍCOLA. SEGURADO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA NO PERÍODO IMEDIATAMENTE ANTERIOR AO IMPLEMENTO DO REQUISITO ETÁRIO. NECESSIDADE. RESP 1.354.908/SP, JULGADO SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/73. TEMA 642/STJ. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. I. Trata-se, no caso, de Recurso Especial interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/73. II. O Plenário do Superior Tribunal de Justiça, na sessão realizada dia 02/03/2016 (Ata de Julgamento publicada em 08/03/2016), por unanimidade, aprovou o Enunciado Administrativo 1, firmando a posição de que a vigência do novo Código de Processo Civil, instituído pela Lei 13.105, de 16/03/2015, iniciou-se em 18 de março de 2016. De igual modo, na sessão realizada em 09/03/2016, em homenagem ao princípio tempus regit actum - inerente aos comandos processuais -, o Plenário desta Corte também sedimentou o entendimento de que a lei a reger o recurso cabível e a forma de sua interposição é aquela vigente à data da publicação da decisão impugnada, ocasião em que o sucumbente tem a ciência exata dos fundamentos do provimento jurisdicional que pretende combater ("Enunciado Administrativo nº 2: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça"). III. Na origem, trata-se de ação de ajuizada pela parte ora recorrente em face do INSS, objetivando a concessão de aposentadoria por idade, na condição de rurícola, como segurada especial. O Juízo de 1º Grau julgou procedente o pedido. IV. O Tribunal de origem, porém, deu provimento à Apelação do INSS e reformou a sentença, ao fundamento de que "a autora em seu depoimento pessoal, prestado em novembro de 2010 (fl. 113), afirma, expressamente, "que parou de trabalhar na roça há aproximadamente 10 anos", ou seja, parou de trabalhar "na roça", desde novembro/2000, aproximadamente. Assim, considerando que a autora implementara a idade exigida pelo §1º do art. 48 da Lei nº 8.213/91, em 21.05.2005 (fls. 13), verifica-se que não comprovação do lavor rural no período imediatamente anterior ao requerimento. (..) não há comprovação do cumprimento da exigência contida no art. 143 da Lei nº 8.213/91, quanto ao exercício do labor rural no período imediatamente anterior ao requerimento, pelo que não cabe a concessão do benefício de aposentadoria por idade rural". V. O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento desta Corte, firmado sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 642/STJ), no sentido de que "o segurado especial tem que estar laborando no campo, quando completar a idade mínima para se aposentar por idade rural, momento em que poderá requerer seu benefício. Se, ao alcançar a faixa etária exigida no artigo 48, § 1º, da Lei 8.213/1991, o segurado especial deixar de exercer atividade rural, sem ter atendido a regra transitória da carência, não fará jus à aposentadoria por idade rural pelo descumprimento de um dos dois únicos critérios legalmente previstos para a aquisição do direito. Ressalvada a hipótese do direito adquirido em que o segurado especial preencheu ambos os requisitos de forma concomitante, mas não requereu o benefício" (STJ, REsp 1.354.908/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 10/02/2016). VI. Recurso Especial improvido. (REsp n. 1.598.013/RJ, relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/6/2020, DJe de 26/6/2020). PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. REQUISITO. CARÊNCIA NÃO COMPROVADA. 1. Esta Corte possui entendimento consolidado no sentido de que, para fins de obtenção de aposentadoria rural por idade, é necessário não apenas o exercício de atividade laboral em número de meses idêntico à carência do referido benefício, mas que o trabalhador permaneça nas lides campesinas até o momento imediatamente anterior ao requerimento ou até às vésperas do preenchimento do requisito etário. 2. A Primeira Seção, no julgamento do REsp. 1.354.908/SP, sob o rito do art. 543-C do CPC, DJe 10/02/2016, Rel. Min. MAURO CAMBPELL MARQUES, consolidou o entendimento no sentido de que apenas se revela possível excetuar a regra que impõe o exercício de atividade rural até o momento imediatamente anterior ao requerimento administrativo na hipótese em que o segurado tenha desenvolvido seu mister no campo pelo número de meses correspondente ao exigido para fins de carência, até o momento em que implementado o requisito etário. Trata-se de resguardar o direito adquirido daquele que, não obstante o cumprimento dos requisitos necessários, não tenha requerido, de imediato, a aposentadoria rural por idade. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.786.781/RS, relator Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/8/2019, DJe de 2/9/2019). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, II, do RISTJ e na Súmula 568/STJ, nego provimento ao recurso especial. Aplico o art. 85, § 11, do CPC, nos seguintes moldes: 1) no caso de ter sido aplicado na origem o art. 85, §3º, elevo os honorários ao percentual máximo da faixa respectiva; 2) no caso de ter sido utilizado na origem o art. 85, § 2º, adiciono 10 (dez) pontos percentuais à alíquota aplicada a título de honorários advocatícios, não podendo superar o teto previsto na referida norma; 3) em se tratando de honorários arbitrados em montante fixo, majoro-os em 10% (dez por cento). Restam observados os critérios previstos no § 2º do referido dispositivo legal, ressalvado-seque, no caso de eventual concessão da gratuidade da justiça, a cobrança será regulada pelo art. 98 e seguintes do CPC. Publique-se. Intimem-se.