REsp 2164222 - DECISAO
Constatada a prova documental inicial complementada por depoimento pessoal e testemunhal, o tribunal de origem corretamente concluiu que o Apelado exercia atividade rural em momento imediatamente anterior ao requerimento administrativo; o exercício eventual de atividade urbana não afasta automaticamente a qualidade...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente / Apelante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática Do Relator (conhecimento Em Parte E Negação De Provimento)
- Outcome
- Conheço em parte do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade Rural, Segurado Especial, Comprovação De Atividade Rural, Vínculos Urbanos (120 Dias), Tema 301 TNU, Honorários Sucumbenciais
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente / Apelante
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática Do Relator (conhecimento Em Parte E Negação De Provimento)
Legal Issues
- 1 se o exercício de atividade urbana por períodos superiores a 120 dias descaracteriza a condição de segurado especial
- 2 se houve comprovação do retorno ao trabalho rural em momento imediatamente anterior ao requerimento administrativo
- 3 aplicabilidade do Tema 301 da TNU sobre cômputo do tempo de trabalho rural
Ratio Decidendi
Constatada a prova documental inicial complementada por depoimento pessoal e testemunhal, o tribunal de origem corretamente concluiu que o Apelado exercia atividade rural em momento imediatamente anterior ao requerimento administrativo; o exercício eventual de atividade urbana não afasta automaticamente a qualidade de segurado especial quando observada a regra dos 120 dias prevista no Tema 301 da TNU; ademais, o reexame do acervo probatório é vedado nesta instância em razão da Súmula 7/STJ. Assim, conheceu-se em parte do Recurso Especial e, nessa extensão, negou-se provimento ao recurso, mantendo-se o acórdão regional salvo quanto ao reparo indicado sobre critérios de atualização/juros...
Court Disposition
Conheço em parte do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Conheço em parte do Recurso Especial e nego-lhe provimento
- Publique-se e intimem-se
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo INSTITUTO SOCIAL DO SEGURO SOCIAL contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região no julgamento de apelação, assim ementado (fls. 244/245e): PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. SEGURADO ESPECIAL. CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR IDADE. COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. VÍNCULO URBANO. RETORNO AO LABOR RURAL. TEMA 301 - TNU. PROVA DOCUMENTAL E TESTEMUNHAL. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. 1 - Trata-se de apelação interposta pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS em face de r. sentença proferida pelo juízo na qual foi julgado procedente o,pedido autoral, condenando o INSS a conceder o benefício de aposentadoria por idade, na qualidade de segurado especial, a partir da data do requerimento administrativo, bem como ao pagamento das parcelas atrasadas. 2 - Pretende o Apelante a reforma da sentença, objetivando a denegação do benefício de Aposentadoria Rural por Idade em razão da inexistência da condição de segurado especial, tendo em vista que o Apelado teria mantido vínculos urbanos por mais de 120 dias. 3 -O Requisito etário (idade mínima) fora devidamente comprovado pela cópia da carteira de identidade, onde consta como data de nascimento 04/10/1956. Portanto,à época do requerimento administrativo junto ao INSS, o Apelado já havia atingido os 60 anos exigidos por lei. 4 -Verifica-se, de fato, que o Apelado laborou na zona rural durante boa parte de sua vida. 5 - Documentos apresentados: Certidão de casamento constando o Apelado como agricultor (29/12/1995); Projeto hora de plantar (10/02/2000, 07/02/2014, 2013); Declaração do exercício de atividade rural (05/12/2016); Declaração do proprietário do imóvel rural (07/10/2016); e Recibo de entrega do ITR (2016). 6 - Acerca dos vínculos urbanos, a Turma Nacional de Uniformização, ao julgar o Tema 301, esclareceu que o trabalho remunerado por até 120 dias no ano deve ser desconsiderado, não impactando na caracterização da condição de segurado especial quando houver retorno ao campo, situação em que se recupera o enquadramento na condição de segurado especial. 7 -No caso concreto, apesar de não haver prova robusta do retorno do Apelado ao labor rural, o acervo probatório (documental) anexado pelo Apelado, somado à declaração do proprietário da terra, à declaração de exercício de atividade rural e aos depoimentos pessoal e testemunhal, é possível concluir que o Apelado exercia atividade rural em momento imediatamente anterior ao requerimento administrativo. 8 - Assiste razão ao INSS no seu Recurso quanto à atualização determinada na r. sentença recorrida, que fixou a correção monetária segundo o Manual de Orientaçãode Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal e acrescidas dos juros de mora à razão de 1% (um por cento) ao mês, quando os índices legais e constitucionais, já incorporados no manual de cálculos do Conselho da Justiça Federal - CJF, são diversos, devendo, pois, prevalecer, para a atualização (correçãomonetária e juros de mora) os índices e a forma de cálculo indicados nesse manual,vigentes na data da efetiva execução, sendo, por isso, parcialmente provido o recurso de apelação do INSS para esse reparo. 9 - Apelação parcialmente provida. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 285/286e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: i. Art. 1.022 do Código de Processo Civil - houve omissão acerca da alegação de que o cônjuge da parte autora é trabalhador urbano e recebe remuneração superior a um salário mínimo; e ii. Arts. 11, VII, §§ 1º e 9º, III, 48, §2º, c/c 25, II, 142 e 143 da Lei n. 8.213/1991 - descaracteriza a condição de segurado especial da parte autora, o fato de ter exercido atividade urbana por mais de 120 dias. Sem contrarrazões, o recurso foi admitido (fl. 356e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 9.3.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III e IV, do estatuto processual, combinado com os arts. 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a negar provimento a recurso ou a pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. O Recorrente sustenta a existência de omissão no acórdão recorrido, não sanada no julgamento dos embargos de declaração, acerca da comprovação do labor rural. Ao prolatar o acórdão mediante o qual os embargos de declaração foram analisados, o tribunal de origem enfrentou a alegação de existência de vínculos urbanos nos seguintes termos (fls. 283/284e): No caso em tela, da análise do CNIS apresentado pelo INSS, verifica-se que constam vínculos urbanos durante alguns períodos, senão vejamos: (..) O requerimento administrativo foi protocolado em 29/11/2016, quatro meses após o término do vínculo com o município de Canindé/CE. Acerca da obtenção de vínculos urbanos, a Turma Nacional de Uniformização firmou a seguinte tese: TEMA 301: Cômputo do Tempo de Trabalho Rural I. Para a aposentadoria por idade dotrabalhador rural não será considerada a perda da qualidade de segurado nos intervalosentre as atividades rurícolas. Descaracterização da condição de segurado especial II. Acondição de segurado especial é descaracterizada a partir do 1º dia do mês seguinte ao daextrapolação dos 120 dias de atividade remunerada no ano civil (Lei 8.213/91, art. 11, §9º, III); III. Cessada a atividade remunerada referida no item II e comprovado o retorno aotrabalho de segurado especial, na forma do art. 55, parág. 3º, da Lei 8.213/91, o trabalhador volta a se inserir imediatamente no VII, do art. 11 da Lei 8.213/91, ainda queno mesmo ano civil. Referido tema autoriza a contagem do tempo de trabalho rural descontínuo, sem desqualificar o segurado especial, devendo ser exigido a imediatidade do trabalho rural, quando do requerimento do benefício. No caso, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da controvérsia e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO EXAMINOU O MÉRITO DA CONTROVÉRSIA EM VIRTUDE DA INCIDÊNCIA À ESPÉCIE DA SÚMULA N. 7 DESTA CORTE. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO. SÚMULA N. 315/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). IV - O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: Mediante análise dos autos, verifica-se que o acórdão embargado concluiu pela impossibilidade de se analisar o mérito do recurso especial em razão da incidência, no ponto, da Súmula n. 7/STJ. Tal situação impede, por si só, o conhecimento desta via de impugnação, pois não se admite a interposição de embargos de divergência na hipótese de não ter sido analisado o mérito do recurso especial, a teor da Súmula n. 315 desta Corte Superior: "Não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial." V - Nesse mesmo sentido trago à colação julgado desta Corte Especial: AgInt nos EREsp n. 1.960.526/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023. VI - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: E Dcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. VII - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.991.078/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, julgado em 9/5/2023, DJe de 12/5/2023). Depreende-se da leitura do acórdão integrativo que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.990.124/MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe de 14.8.2023; 1ª Turma, EDcl no AgInt nos EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.745.723/RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 7.6.2023; e 2ª Turma, EDcl no AgInt no AREsp n. 2.124.543/RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 23.5.2023). O recorrente sustenta que o fato de o segurado ter registro de lapsos de trabalho urbano seria razão suficiente para sua descaracterização de segurado especial. Contudo, ao contrário do que faz crer o recorrente, o dispostivo de lei, apontado pela própria Autarquia, tão somente, assegura ao segurado especial o direito de exercício de atividade urbana em período não superior a 120 dias, sem prejuízo da contagem no ano civil como carência para fins de concessão de benefício rural, permitindo que o trabalhador tenha outras funções especialmente em período de entresafra, ao assim dispor: III - exercício de atividade remunerada em período não superior a 120 (cento e vinte) dias, corridos ou intercalados, no ano civil, observado o disposto no § 13 do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE URBANA. PERÍODO SUPERIOR AO PERMITIDO. QUALIDADE DE SEGURADA ESPECIAL. PERDA . 1. Para disciplinar eventuais períodos descontínuos de atividade rural, o legislador trouxe uma inovação, por meio da Lei n. 11.718/2008, ao inciso III do § 9º do art. 11 da Lei n. 8.213/1991, o qual permite o exercício de atividade remunerada pelo segurado especial, em período de entressafra ou do defeso não superior a 120 (cento e vinte) dias. 2. Uma vez demonstrado que a agravante exerceu atividade urbana por período superior a 36 (trinta e seis) meses no período de carência para a aposentadoria rural por idade, afastada está sua condição de segurada especial. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.131.185/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 24/4/2023, DJe de 26/4/2023.) PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. VÍNCULOS URBANOS. ART. 11, § 9º, III, DA LEI 8.213/1991 COM A REDAÇÃO ANTERIOR À LEI 11.718/2008. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE URBANA NO PERÍODO DE CARÊNCIA. ADOÇÃO, POR ANALOGIA, DOS PRAZOS DO PERÍODO DE GRAÇA. ART. 15 DA LEI 8.213/1991. PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO ESPECIAL. REVALORAÇÃO DAS PROVAS. POSSIBILIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça orienta-se no sentido de que o exercício de atividade urbana, por si só, não afasta a condição de segurado especial. Assim, o trabalhador que implemente a idade mínima e comprove o exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, por tempo igual ao número de meses correspondentes à carência exigida, faz jus ao benefício de aposentadoria rural por idade, nos moldes definidos no art. 143 da Lei 8.213/1991. 2. Com o advento da Lei 11.718/2008, ficou definido que o exercício de atividade remunerada não superior a 120 (cento e vinte) dias, corridos ou intercalados, correspondentes ao período de entressafra, não descaracterizava a condição de segurado especial. No que toca ao período de serviço rural exercido anteriormente à Lei 11.718/2008, diante da ausência de previsão legal para disciplinar os períodos descontínuos de atividade rural permitidos, esta Corte Superior decidiu, no julgamento do AgRg no REsp 1.354.939/CE, de relatoria do Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, ser possível a aplicação analógica do art. 15 da Lei 8.213/1991, que dispõe sobre a manutenção da qualidade de segurado àquele que, por algum motivo, deixa de exercer a atividade contributiva durante o denominado período de graça. 3. Para se chegar à conclusão de que a parte não possuía a qualidade de segurada especial, bastou analisar os elementos constantes no próprio acórdão recorrido, sendo inaplicável a Súmula 7/STJ. A revaloração jurídica dos fatos já delineados pelas instâncias ordinárias é admitida nesta instância especial. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.768.946/PR, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF5), Primeira Turma, julgado em 3/10/2022, DJe de 5/10/2022.) PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. COMPROVAÇÃO DO EXERCÍCIO DO LABOR RURAL PELO PERÍODO DE CARÊNCIA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual, para a concessão do benefício de aposentadoria por idade rural, é necessário o preenchimento de forma concomitante dos requisitos de idade (55 anos de idade para mulher e 60 anos para homem) e de carência, previstos nos arts. 48 e 143 da Lei n. 8.213/1991. 2. Ademais, a lei exige o exercício de atividade rural em período integral ou descontínuo, conforme preceitua o art. 48, § § 1º e 2º da Lei 8.213/1991. 3. Na hipótese dos autos, a Corte Regional concluiu que houve o preenchimento do requisito etário e da carência, em obediência ao que preceituam os arts. 48 e 143 da Lei n. 8.213/1991, e que os períodos de trabalho urbano não foram suficientes para descaracterizar a condição de trabalhador rural do autor. 4. Considerando que a decisão foi lastreada no acervo fático-probatório dos autos, verifica-se que a análise da controvérsia demanda reexame de provas, o que é inviável no Superior Tribunal de Justiça, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 5. Recurso Especial do qual não se conhece. (REsp n. 1.703.389/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/12/2017, DJe de 19/12/2017.) Vale registrar que mesmo que o trabalhador rural perca a qualidade de segurado especial em dado momento, não há qualquer óbice nos dispositivos apontados pela Autarquia ou contidos na Lei n. 8.213/1991 de que o segurado possa retomar tal qualidade, somando-se os períodos descontínuos de trabalho, desde que, consequentemente, sejam descartados da contagem os anos em que houve exercício urbano. Com efeito, a legislação expressamente assegura o exercício da atividade rural, ainda que de forma descontínuo, nos termos dos arts. 39, I e 48, § 2º, da Lei n. 8.213/1991, de modo que a intercalação de trabalho rural e urbano não descaracteriza, por si só, a qualidade de segurado do autor, apenas impossibilita a contagem como carência rural do ano em que exercidos mais de 120 dias de labor urbano. Nesse prisma, verifico que os dispositivos apontados como violados não têm comando normativo suficiente para infirmar os fundamentos do aresto recorrido ou para embarsar a tese sustentada, circunstância que atrai, por analogia, a incidência do entendimento da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal. Ademais, o tribunal de origem, após minucioso exame dos elementos fáticos contidos nos autos, consignou haver inicio de prova material corroborada por prova testemunhal confirmando que o segurado readquiriu a qualidade de segurado especial, exercendo a atividade até a data do requerimento administrativo, nos seguintes termos (fls.242e): Assim, tendo em vista que os vínculos de emprego não descaracterizam a qualidadede segurado especial do Apelado, resta analisar se restou comprovado o exercíciode atividade rural em regime de economia familiar no período imediatamente anteriorao requerimento do benefício. Compulsando os autos, verifico que, com o intuito de comprovar o labor rural, foianexado aos autos declaração do proprietário da terra (07/10/2016) e Declaração doexercício de atividade rural pelo sindicato (emitido em 05/12/2016). Com relação à declaração do proprietário do imóvel rural, sabe-se que, a princípio,não serve como como início de prova material, pois, a teor do art. 408 do CPC, odocumento particular não prova os fatos nela declarados, mas apenas a ciência dofato, não sendo suficiente, tal documento, à comprovação do efetivo exercício daatividade rural. Contudo, em que pese o documento supracitado, por si só, não ser apto acomprovar o labor rural em período imediatamente anterior ao requerimento,entendo que a declaração do exercício de atividade rural, somada ao depoimentopessoal e à prova testemunhal foram suficientes para complementá-lo. Explico. Conforme consta do CNIS do Apelado, o Recorrido obteve outros vínculos urbanosanteriormente, tendo, após o término deles, retornado ao labor rural, conformecomprovado por todo acervo probatório acostado aos autos. Além disso, a Declaração do exercício de atividade rural pelo sindicato foiconfeccionada em 05/12/2016, após o encerramento do vínculo empregatício ,portanto. No caso concreto, apesar de não haver prova robusta do retorno do Apelado aolabor rural, entendo que pelo acervo probatório anexado pelo Apelado, somado àdeclaração do proprietário da terra, à declaração de exercício de atividade rural eaos depoimentos pessoal e testemunhal, é possível concluir que o Apelado exerciaatividade rural em momento imediatamente anterior ao requerimento administrativo. In casu, rever tal entendimento, com o objetivo de acolher a pretensão recursal, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 7 desta Corte, assim enunciada: "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO. INÍCIO DE PROVA MATERIAL, COMPLEMENTADA POR PROVA TESTEMUNHAL. POSSIBILIDADE. SÚMULAS 7 E 83/STJ. APLICAÇÃO. 1. Procede o pedido de aposentadoria rural por idade quando atendidos os requisitos previstos nos artigos 11, VII, 48, § lº, e 142 da Lei 8.213/1991. 2. Comprovados o implemento da idade mínima (60 anos para homens e 55 anos para mulheres) e o exercício de atividade rural por tempo igual ao número de meses correspondente à carência exigida, ainda que a comprovação seja feita de forma descontínua, é devido o benefício de aposentadoria rural por idade à parte autora. 3. Para o reconhecimento do tempo rural não é necessário que o início de prova material seja contemporâneo a todo o período de carência exigido, desde que a sua eficácia probatória seja ampliada pela prova testemunhal colhida nos auto s (REsp 1.650.963/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 20.4.2017). 4. Dessume-se que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual posicionamento do STJ, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". 5. É inviável, ainda, analisar a tese defendida no Recurso Especial de que "o exercício de atividade rural não ficou comprovado, pois se valeu unicamente de documentos em nome do cônjuge, que exerceu atividade urbana", pois inarredável a revisão do conjunto probatório dos autos para afastar as premissas fáticas estabelecidas pelo acórdão recorrido de que "os documentos juntados consubstanciam robusta prova material, corroborada pela testemunhal, do labor rural da autora". Aplica-se o óbice da Súmula 7/STJ. 6. Agravo conhecido para não conhecer do Recurso Especial . (AREsp n. 1.539.221/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/9/2019, DJe de 11/10/2019). No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 9.3.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Impende destacar que a Corte Especial deste Tribunal Superior, na sessão de 9.11.2023, concluiu o julgamento do Tema n. 1.059/STJ (Recursos Especiais ns. 1.864.633/RS, 1.865.223/SC e 1.865.553/PR, acórdãos pendentes de publicação), fixando a tese segundo a qual a majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento e limitada a consectários da condenação. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18/05/2017), embora tal elemento possa influir na sua quantificação. Nessa linha a compreensão da Corte Especial deste Tribunal Superior (v.g.: AgInt nos EAREsp 762.075/MT, Rel. Min. Felix Fischer, Rel. p/ acórdão Min. Herman Benjamin, DJe de 7.3.2019). Assim, tratando-se de recurso sujeito ao Código de Processo Civil de 2015 e configurada a hipótese de improvimento do recurso, de rigor a fixação de honorários recursais em desfavor da Recorrente, majorando em 20% (vinte por cento) o valor arbitrado pelas instâncias ordinárias, a teor do art. 85, § 3º, I a V, § 4º, II, e § 11, do codex, observados os percentuais mínimos/máximos de acordo com o montante a ser apurado em liquidação . Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do RISTJ, CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial, e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Publique-se e intimem-se. EMENTA