AREsp 1813123 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão implicaria reexame de prova e do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ) e porque alegações de violação de súmula não constituem afronta a dispositivo de lei federal, o que impede o conhecimento do recurso e prejudica o dissídio...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JOSE REINALDO PIMENTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Admissibilidade, Agravo Conhecido E Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial do particular.
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade Rural, Aposentadoria Híbrida, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Honorários Recursais
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JOSE REINALDO PIMENTA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Admissibilidade, Agravo Conhecido E Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 preenchimento do requisito etário para aposentadoria híbrida
- 2 reexame fático-probatório e incidência da Súmula 7/STJ
- 3 possibilidade de análise de violação de súmulas em recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão implicaria reexame de prova e do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ) e porque alegações de violação de súmula não constituem afronta a dispositivo de lei federal, o que impede o conhecimento do recurso e prejudica o dissídio jurisprudencial.
Court Disposition
Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial do particular.
Orders
- Fixam-se os honorários recursais em 1% sobre a base de cálculo definida pelo Tribunal de origem, a ser acrescido ao montante total, respeitados os limites e os critérios previstos nos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015, bem como as regras da gratuidade da justiça caso presente.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. NÃO PREENCHIMENTO DO REQUISITO ETÁRIO.ALTERAÇÃO DO JULGADO. INVIABILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. VIOLAÇÃO A ENUNCIADO SUMULAR. NÃO CABIMENTO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR. 1. Agrava-se de decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por JOSE REINALDO PIMENTA, com fundamento nas alíneasae c do inciso III do art. 105 da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL. COMPLEMENTAÇÃO POR PROVA TESTEMUNHAL. TRABALHO URBANO DENTRO DO PERÍODO DE CARENCIA. APOSENTADORIA HÍBRIDA. REQUISITO ETÁRIO DO TRABALHADOR URBANO NÃO CUMPRIDO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA REFORMADA. 1. Sentença proferida na vigência do CPC/1973: remessa oficial conhecida de ofício, inaplicabilidade dos §§ 2º e 3º do artigo 475 do CPC, eis que ilíquido o direito reconhecido e não baseado em jurisprudência ou Súmula do STF ou do STJ. 2. A concessão do benefício pleiteado pela parte autora exige a demonstração do trabalho rural, cumprindo-se o prazo de carência, mediante início razoável de prova material, corroborada com prova testemunhal, ou prova documental plena. 3. Não obstante a parte autora tenha colacionado início de prova material da atividade campesina, corroborada pela prova testemunhal, também há comprovação nos autos do exercício de atividade urbana, por longo período. 4. O caso seria de aposentadoria híbrida (art. 48, § 3º, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 11.718/08): soma do tempo de trabalho rural e urbano, com o requisito etário do trabalhador urbano (65 anos). 5. A ausência do preenchimento do requisito etário inviabiliza a soma do tempo de trabalho rural e urbano para a concessão da aposentadoria híbrida. 6. Honorários advocatícios arbitrados em R$ 1000,00 (um mil reais), ficando suspensa a execução, enquanto perdurar a situação de pobreza da parte autora pelo prazo máximo de cinco anos, quando estará prescrita. 7. Coisa julgada secundum eventum litis, permitindo o ajuizamento de nova demanda pelo segurado na hipótese de alteração das circunstâncias verificadas na causa. 8. Apelação e remessa oficial, providas para julgar improcedente o pedi (fls. 302/307). 2. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 323/326). 3. Nasrazões do seurecurso especial (fls. 329/345), a parte agravante sustenta, além de divergência jurisprudencial, violação doart. 11, VII, alínea a,da Lei 8.213/1991 e da Súmula 577/STJ, argumentando, em síntese, que:(a) há provas materiais e testemunhais suficientes para a comprovação do labor rural, razão pela qual faz jus ao reconhecimento da condição de segurado especial; e (b) preenche os requisitos necessários para a concessão da aposentadoria rural por idade. 4. Devidamente intimada (fls. 346), a parte agravada deixou de apresentar as contrarrazões (fls. 347). 5. Sobreveio o juízo negativo de admissibilidade (fls. 348), fundado no óbice da Súmula 7/STJ,razão pela qual se interpôs o presente agravo em recurso especial, ora em análise. 6. É o relatório. 7. A irresignação não merece prosperar. 8.Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 9. Com relação ao alegado preenchimento dos requisitosexigidos para a percepção do benefício de aposentadoria rural por idade, o Tribunal de origem assim se manifestou sobre o tema: 10. Não obstante a parte autora tenha colacionado início de prova material da atividade campesina, corroborada pela prova testemunhal, também há comprovação nos autos do exercício de atividade urbana, por longo período. 11. O caso seria de aposentadoria híbrida (art. 48, § 3º, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 11.718/08): soma do tempo de trabalho rural e urbano, com o requisito etário do trabalhador urbano (65 anos). No caso, a parte nasceu em 05/06/1953. 12. A ausência do preenchimento do requisito etário inviabiliza a soma do tempo de trabalho rural e urbano para a concessão da aposentadoria híbrida(fls. 303/304). 10. Com efeito, a Corte regional reconheceu que a parte agravante exercera, durante longo período, atividade urbana, razão por que realizou a contagem cumulativa do tempo de labor rural e urbano, para avaliar o atendimento das exigências legais para a concessão da aposentadoria híbrida, concluindo, ao final, pela ausência do preenchimento do requisito etário. 11. Dessa forma, a adoção de entendimento diverso, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não de valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o seguimento do recurso especial. Sendo assim, incide a Súmula 7 do STJ, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 12. Ainda, em relação à Súmula 577/STJ, o recursoespecial não é a via recursal adequada para exame de ofensa a enunciadode súmula, por não se enquadrar no conceito de tratado ou lei federal de que trata o art. 105, inciso III, alínea a, da CF/1988. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015 NÃO CARACTERIZADA. ALEGADA OFENSA À SÚMULA 519/STJ. INVIABILIDADE. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ESCOADO O PRAZO PARA PAGAMENTO VOLUNTÁRIO. CABIMENTO.RESP 1.134.186/RS. REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. (..). 2. Quanto ao afrontamento à Súmula 519/STJ, é vedado ao STJ analisar violação de súmula porque o termo não se enquadra no conceito de lei federal. (..). 7. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1.889.960/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/2021, DJe 01/03/2021). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR QUE CULMINOU NA SUA DEMISSÃO. VERIFICAÇÃO QUE DEPENDE NO REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE. NÃO CABIMENTO DE RECURSO ESPECIAL POR VIOLAÇÃO À SÚMULA. (..). 3. De outro lado, no que se refere à alegada infringência à Súmula 343/STJ, esta Corte firmou entendimento de que enunciado ou súmula de tribunal não equivale a dispositivo de lei federal, restando desatendido o requisito do art. 105, III, a, da CF. Nesse sentido, sobressaem os seguintes precedentes: REsp 1.347.557/DF, Rel.Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 5/11/2012; AgRg no Ag 1.307.212/MS, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe 7/12/2012. (..). 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.468.730/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/10/2019, DJe 04/11/2019). 13.Por fim, no que concerne à divergência jurisprudencialdecorrente do dispositivo de lei federal apontado como violado, é pacífico o entendimento desta Corte Superior no sentido de queos mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a apreciaçãodo dissídio jurisprudencial.Nesse sentido, cito os seguintes julgados deste Superior Tribunal de Justiça, naquilo que interessa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO ORDINÁRIA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015 E DOS ARTS. 186 E 927 DO CÓDIGO CIVIL/2002. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS NÃO RECONHECIDA PELO TRIBUNAL A QUO. REVISÃO. INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. 1. Não se conhece de Recurso Especial no que se refere à violação aos arts. arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil/2015 e aos arts. 186 e 927 do Código Civil/2002 quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. (..) 3. A revisão desse entendimento implica reexame de matéria fático-probatória, o que atrai o óbice da Súmula 7/STJ. Precedente: AgInt no AREsp 1.587.838/RJ, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 24.4.2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.839.027/MS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19.6.2020. 4. Assinale-se, por fim, que fica prejudicada a apreciação da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1.878.337/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2020, DJe 18/12/2020). AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO. 3, 17%. DISPOSITIVO DE LEI TIDO POR VIOLADO QUE NÃO SUSTENTA A TESE RECURSAL APRESENTADA. INCIDÊNCIA DO ÓBICE DA SÚMULA 284/STF.ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. REVISÃO, DE OFÍCIO, PELO JUIZ. POSSIBILIDADE. HIPOSSUFICIÊNCIA COMPROVADA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AFERIÇÃO DO GRAU DE SUCUMBÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO PREJUDICADO. (..) 5. Os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a análise do dissídio jurisprudencial. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.503.880/PE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/02/2018, DJe 08/03/2018). 14. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial do particular. 15. Por fim, nos termos do que dispõe o art. 85, § 11, do CPC/2015, fixam-se os honorários recursais em 1% sobre a base de cálculo definida pelo Tribunal de origem, que deverá ser acrescido ao montante total, respeitados os limites e os critérios previstos nos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015, bem como as regras da gratuidade da justiça caso presente. 16. Publique-se. Intimações necessárias.