REsp 1891528 - DECISAO
Verificou-se que o acórdão recorrido consignou, como premissa fática insuscetível de reexame, que a esquizofrenia paranóide é espécie de alienação mental prevista no rol do art. 186, § 1º, da Lei 8.112/1990, o que assegura a conversão da aposentadoria proporcional em integral; por isso, acolheram‑se os embargos de...
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- Parties
- Embargante: ANTONIO AUGUSTO SANTOS; Embargada: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Acolhidos Com Efeitos Infringentes
- Outcome
- Acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial da União.
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Invalidez, Esquizofrenia Paranóide, Alienação Mental, Omissão Em Acórdão, Art. 1.022 Do CPC
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Parties
ANTONIO AUGUSTO SANTOS
Embargante
União
Embargada
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Acolhidos Com Efeitos Infringentes
Legal Issues
- 1 Omissão quanto à premissa de que a esquizofrenia paranóide é espécie de alienação mental
- 2 Efeito dessa premissa para a conversão de aposentadoria proporcional em integral nos termos do art. 186, § 1º, da Lei 8.112/1990
- 3 Natureza taxativa ou exemplificativa do rol do art. 186, § 1º, da Lei 8.112/1990
Ratio Decidendi
Verificou-se que o acórdão recorrido consignou, como premissa fática insuscetível de reexame, que a esquizofrenia paranóide é espécie de alienação mental prevista no rol do art. 186, § 1º, da Lei 8.112/1990, o que assegura a conversão da aposentadoria proporcional em integral; por isso, acolheram‑se os embargos de declaração com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso especial da União.
Court Disposition
Acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial da União.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por ANTONIO AUGUSTO SANTOS contra a decisão de minha relatoria de fls. 504/511. Nas razões de seu recurso (fls. 517/524), a parte embargante aponta omissão quanto ao fundamento do acórdão recorrido de que " .. é portador de ESQUIZOFRENIA PARANOIDE que é considerada uma ESPÉCIE DO GÊNERO ALIENAÇÃO MENTAL, e em razão disso, o autor faria faz a aposentadoria integral" (fl. 519). Argumenta que, "independentemente do rol do artigo 186, parágrafo 2º da Lei 8.112.90 ser considerado TAXATIVO ou EXEMPLIFICATIVO, POR CONCLUSÃO LÓGICA, se a ESQUIZOFRENIA PARANOIDE for considerada uma ESPÉCIE DO GÊNERO ALIENAÇAO MENTAL, o autor faz jus a uma aposentadoria com proventos integrais" (fl. 522). Requer que o recurso seja acolhido com efeitos infringentes. A parte adversa apresentou impugnação (fls. 530/531). É o relatório. A alegada ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil tem por base suposta omissão da decisão quanto à premissa posta no acórdão recorrido de que a esquizofrenia paranóide é uma espécie de alienação mental, para fins de enquadramento no art. 186, § 1º, da Lei 8.112/1990. Conforme o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, presente algum dos vícios - omissão, contradição ou obscuridade -, e apontada a violação do art. 1.022 do CPC no recurso especial, deve ser anulado o acórdão proferido pelo Tribunal de origem ao examinar os embargos de declaração lá opostos, retornando-se os autos à origem para nova apreciação do recurso. A propósito, cito estes julgados: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015 CONFIGURADA. ACÓRDÃO ESTADUAL OMISSO QUANTO A PONTO ESSENCIAL AO DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Decisão atacada que deu provimento ao recurso especial da parte ora agravada para, reconhecendo violação ao art. 1.022 do CPC/2015, anular o acórdão que julgou os aclaratórios e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento dos embargos de declaração, como entender de direito, sanando a omissão reconhecida. 2. Fica configurada a ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo, apesar de devidamente provocado nos embargos de declaração, não se manifesta sobre tema essencial ao deslinde da controvérsia. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.914.275/PB, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 28/6/2021, DJe de 9/8/2021.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/73 CONFIGURADA. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE TEMA ESSENCIAL PARA DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Na hipótese de o eg. Tribunal local deixar de examinar questão nevrálgica ao desate do litígio, fica caracterizada a violação ao art. 535 do CPC/73. 2. Reconhecida a existência de omissão essencial para o deslinde da controvérsia, deve-se determinar o retorno dos autos ao eg. Tribunal de origem para novo julgamento dos embargos de declaração, como entender de direito, sanando os vícios ora reconhecidos. 3. Acolhida a alegada ofensa ao art. 535 do CPC/73, fica prejudicada a análise das demais teses trazidas no apelo nobre. 4. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e dar parcial provimento ao recurso especial e, reconhecendo a violação ao art. 535, II, do CPC/73, anular o v. acórdão de fls. 201/203, determinando o retorno dos autos ao eg. Tribunal a quo para promover novo julgamento dos embargos de declaração, como entender de direito. (AgInt no AREsp n. 218.092/RJ, relator Ministro Lázaro Guimarães - Desembargador Convocado do TRF da 5ª Região, Quarta Turma, julgado em 2/8/2018, DJe de 8/8/2018.) Extraio do acórdão recorrido que o Tribunal de origem, para além de considerar que o art. 186, § 1º, da Lei 8.112/1990 apresenta rol meramente exemplificativo das doenças/moléstias - argumento que foi fundamentadamente rechaçado pela decisão embargada com fulcro na pacífica jurisprudência desta Corte Superior -, apresentou fundamento autônomo para confirmar o direito do servidor à conversão de aposentadoria proporcional em integral, qual seja, a esquizofrenia paranóide é uma espécie de alienação mental. Vejamos este pertinente trecho do voto condutor do acórdão (fl. 375 - sem destaque no original): De acordo com as informações prestadas pelo perito do Juízo, o autor é portador de Esquizofrenia Paranóide (CID F20.0), doença grave e incurável, iniciada quando da primeira crise no ano de 1986. A rigor, trata-se de patologia não contemplada, na norma legal, dentre as doenças que autorizam a aposentadoria por invalidez com proventos integrais. Entretanto, este Tribunal vem se posicionando no sentido de enquadrar a Esquizofrenia Paranóide como espécie do gênero alienação mental, reconhecendo à servidor portador da reportada doença o direito à concessão de aposentadoria por invalidez com proventos integrais, nos termos do art. 186, § 1º, da Lei n. 8.112/90: .. . Considerando, pois, a insindicabilidade dessa premissa fática e sua independência quanto à discussão sobre a taxatividade ou não do rol do art. 186, § 1º, da Lei 8.112/1990, certo é que a doença apresentada pela parte recorrente - esquizofrenia paranóide - é uma espécie da alienação mental, que está expressamente elencada como uma das doenças graves, contagiosas ou incuráveis, a justificar a aposentadoria integral do servidor. Portanto, conforme as premissas fáticas consignadas no acórdão recorrido, ficou reconhecido que a esquizofrenia paranóide é uma espécie de alienação mental, a qual está expressamente prevista no rol do art. 186, § 1º, da Lei 8.112/1990, de modo a assegurar o direito à conversão da aposentadoria proporcional para integral do servidor, parte ora embargante. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial da União. Publique-se. Intimem-se. EMENTA