AREsp 1882993 - DECISAO
Conheceu-se do agravo; o recurso especial não poderia prosperar quanto às questões federais suscitadas por ausência de prequestionamento e por tratar-se de matéria decidida com fundamento em legislação estadual, óbices que impedem a apreciação pela Corte especial; entretanto, afastou-se a multa imposta nos embargos...
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- Parties
- Agravante / Recorrente: ALLIAGE S.A. INDÚSTRIAS MÉDICO ODONTOLÓGICA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo E Provimento Parcial)
- Outcome
- Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial apenas para afastar a multa aplicada nos embargos de declaração
- Legal Topics
- Apreensão De Mercadorias, Documento Fiscal Idôneo, ICMS Vs ISS, Prequestionamento, Súmula 7/stj, Súmula 211/stj, Súmula 280/stf, Multa Em Embargos De Declaração, IRDR
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Parties
ALLIAGE S.A. INDÚSTRIAS MÉDICO ODONTOLÓGICA
Agravante / Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça (conhecimento Do Agravo E Provimento Parcial)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por ausência de prequestionamento
- 2 incidência do ICMS em operações envolvendo consultórios odontológicos adquiridos para ativo imobilizado
- 3 legalidade da apreensão de mercadorias por ausência de documento fiscal idôneo
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo; o recurso especial não poderia prosperar quanto às questões federais suscitadas por ausência de prequestionamento e por tratar-se de matéria decidida com fundamento em legislação estadual, óbices que impedem a apreciação pela Corte especial; entretanto, afastou-se a multa imposta nos embargos de declaração por não restar demonstrado intuito manifestamente protelatório, nos termos da jurisprudência do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial apenas para afastar a multa aplicada nos embargos de declaração
Orders
- Conheço do agravo.
- Dou parcial provimento ao recurso especial apenas para afastar a multa aplicada nos embargos de declaração (art. 1.026, § 2º, do CPC).
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de agravo contra decisão que inadmitiu orecurso especialinterposto porALLIAGE S.A.INDÚSTRIASMÉDICO ODONTOLÓGICA, com amparo no art. 105, III, "a"e "c", da CF/1988, em oposição a acórdão doTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO assim ementado (e-STJfl.265): AGRAVO INTERNO - MANDADO DE SEGURANÇA - APREENSÃO DE MERCADORIAS - DENEGAÇÃO DA ORDEM - AUSÊNCIA DE DOCUMENTO FISCAL IDÔNEO A DEMONSTRAR A REGULARIDADE DA OPERAÇÃO - INFRAÇÃO MATERIAL DE CARÁTER PERMANENTE - LEGALIDADE NA APREENSÃO - IRDR Nº 1012269-81.2017.8.11.0000 - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO NOVO - MERO INCONFORMISMO COM O JULGADO - DECISÃO MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. A Lei Estadual nº. 7098/98 e o Regulamento do ICMS/MT preconizam que qualquer transporte de mercadoria deve ser acompanhado de documento fiscal idôneo e previamente emitido, a fim de se demonstrar a regularidade da operação, bem como ser apresentada quando da entrada ou saída do Estado. A ausência de documentação fiscal idônea a demonstrar a legitimidade da operação, configura infração material de caráter permanente e se enquadra na tese fixada no IRDR nº 1012269-81.2017.8.11.0000. Limitando-se o agravante a demonstrar mero inconformismo como julgado e não trazendo argumentos capazes de infirmar a decisão agravada, o não provimento do recurso é medida que se impõe. Os embargos de declaração opostos foram desacolhidoscom fixação de multa. Alega a agravante, nas razões do especial, além de divergência jurisprudencial,violação doart.5º combinado com o item 4.12 da lista de serviços da Lei complementar n. 116/2003; e1.026, § 2º, do CPC. Argumenta que"não havia a obrigação de recolhimento do ICMS para o Estado do Mato Grosso. A uma porque a tarifa interna do ICMS só é devida por empresas comerciais que contribuem para o ICMS. A duas porque o adquirente dos consultórios era prestador de serviço odontológico, portanto, consumidor final sujeito apenas ao recolhimento do ISS, vez que os consultórios foram adquiridos para a formação do seu ativo fixo utilizados para o desenvolvimento da atividade profissional" (e-STJfl. 318). Assevera, ainda, que deveria ser "afastada a multa aplicada pelo arresto recorrido, uma vez que os embargos de declaração jamais tiveram o intuito de protelar indevidamente a demanda." (e-STJfl. 324). A negativa de admissibilidade teve por fundamento o óbice da Súmula 7/STJ. É o relatório. Impugnados os pressupostos da decisão combatida, passo à análise do recurso especial. Observa-se que oart.5º combinado com o item 4.12 da lista de serviços da Lei Complementar n. 116/2003e as teses a eles vinculadas não foram objeto de debate e deliberação pela Corte de origem, mesmo com a oposição dos embargos de declaração, uma vez que o Tribunal de origem tratou a demanda com fundamento naLei estadual n. 7.098/1998,o que redunda em ausência de prequestionamento da matéria, aplicando-se ao caso a orientação firmada na Súmula 211/STJ ("Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo."). A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. 1. Não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal a quo julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. 2. A indicada afronta do art. 458 do CPC não pode ser analisada, pois o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre esse dispositivo legal. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. .. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.583.885/DF, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/5/2016, DJe 1º/6/2016). Quanto ao prequestionamento, ressalta-se que, "para que se configure o prequestionamento, não basta que o recorrente devolva a questão controvertida para o Tribunal, em suas razões recursais. É necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como seja exercido juízo de valor sobre os dispositivos legais indicados e a tese recursal a eles vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não, ao caso concreto" (AgInt no AREsp 1.064.761/PE, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 24/10/2017). Sobre o tema: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO.INSURGÊNCIA DO AGRAVANTE. 1. As questões postas à discussão foram dirimidas pelo órgão julgador de forma suficientemente ampla, fundamentada e sem omissões, portanto, deve ser afastada a alegada violação ao artigo 535 do CPC/73. Precedentes. 2. A ausência de enfrentamento da matéria objeto da controvérsia pelo Tribunal de origem impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência da Súmula 211/STJ. Precedentes. 2.1. Não há contradição em se afastar a alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC/15 e, ao mesmo tempo, não conhecer do mérito da demanda por ausência de prequestionamento, desde que o acórdão recorrido esteja adequadamente fundamentado. 3. No recurso de agravo previsto no art. 525 do CPC/73, é dever da parte recorrente juntar cópias legíveis das peças que formam o instrumento, sob pena de não conhecimento do reclamo. Precedentes. 4. No caso, a recorrente não logrou demonstrar a divergência jurisprudencial nos moldes exigidos pelos artigos 541, parágrafo único, do CPC e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. Isto porque a interposição de recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional reclama o cotejo analítico dos julgados confrontados a fim de restarem demonstradas a similitude fática e a adoção de teses divergentes, máxime quando não configurada a notoriedade do dissídio. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1.672.334/MG, Rel. Min. MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 11/5/2020, DJe 19/5/2020). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. IPI, PIS E COFINS. CORREÇÃO MONETÁRIA. NATUREZA ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RECUSA OU DEMORA INJUSTIFICADA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ). 2. Não há violação do art. 535 do CPC/1973 quando o órgão julgador, de forma clara e coerente, externa fundamentação adequada e suficiente à conclusão do acórdão embargado. 3. Só há incidência de correção monetária sobre créditos escriturais de IPI, PIS e COFINS a serem ressarcidos em espécie quando houver recusa ou demora ilegítima por parte do Fisco. Súmula 411/STJ. 4. Hipótese em que o Tribunal regional, com base nos fatos e provas dos autos, consignou expressamente que não houve oposição ou resistência ilegítima do Fisco, que acolheu os pleitos na seara administrativa e reconheceu os créditos em pecúnia a serem aproveitados pela recorrente. 5. A inversão do julgado demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado na instância especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 6. O fundamento de que a Lei n. 10.822/2003, em seu art. 13 c/c o art. 15, inciso VI, veda expressamente a correção monetária aos créditos de PIS e de COFINS não foi impugnado nas razões do recurso especial. Súmula 283/STF. 7. Ausência de prequestionamento do art. 108, inciso I, do CTN, a atrair a aplicação da Súmula 211/STJ, quando o conteúdo do preceito de lei federal suscitado na peça recursal não foi examinado na origem, mesmo após a oposição de embargos de declaração. 8. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.171.401/SP, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/4/2020, DJe 4/5/2020). Do mesmo modo, ainda que superado tal óbice, o recurso não mereceria provimento, uma vez que o Tribunal de origem decidiu a questão com fundamento na Lei estadual n. 7.098/1998. Dessemodo,mostra-se inviável a apreciação recursal em face da impossibilidade de manifestação acerca da legislação local. Presença do óbice descrito na Súmula 280/STF. Por fim, não evidenciado o intuito manifestamente protelatório dos embargos de declaração, é descabida a aplicação da multa processual prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC. Nos termos da Súmula 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados comnotório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório.". A propósito: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. SÚMULA 182/STJ. NÃO INCIDÊNCIA.RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. DESAPARECIMENTO DE RESTOS MORTAIS.EXUMAÇÃO ANTECIPADA. RESPONSABILIDADE DA ADMINISTRADORA DO CEMITÉRIO RECONHECIDA NA ORIGEM. REEXAME DE PROVA. SÚMULA 7/STJ. QUANTUM INDENIZATÓRIO. DANO MORAL. VALOR RAZOÁVEL. AGRAVO INTERNO PROVIDO.RECURSO ESPECIAL PROVIDO EM PARTE. .. 3. A multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015 não é automática e depende de decisão fundamentada. Não evidenciado o intuito manifestamente protelatório dos embargos de declaração, deve ser afastada a multa imposta pela Corte local (Súmula 98/STJ). 4. Agravo interno provido para conhecer do agravo e dar parcial provimento ao recurso especial, a fim de afastar a multa aplicada. (AgInt nos EDcl no AREsp 1.663.033/RJ, Rel. Min. RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 19/10/2020, DJe 16/11/2020). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE.INEXISTÊNCIA. ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO ESTADUAL. SÚMULA 280/STF. EXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 1.026, § 2º DO CPC/15. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. Não se configura a alegada ofensa ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 2. O fundamento central da controvérsia é de cunho eminentemente amparado em legislação local, a saber, Leis Municipais 15.889/2013 e 16.272/2015, razão pela qual inviável a discussão em Recurso Especial acerca de suposta afronta a matéria local, sendo defesa sua apreciação pelo STJ. Aplicação, por analogia, da Súmula 280/STF, in verbis: "Por ofensa a direito local não cabe Recurso Extraordinário". 3. O presente recurso não pretende aferir a interpretação da norma legal, mas a reanálise de documentos e fatos, já cristalizados em dois graus de jurisdição. Logo, não há como modificar a premissa fática adotada na instância ordinária no presente iter procedimental. E, se a violação do dispositivo legal invocado perpassa pela necessidade de fixar premissa fática diversa da que consta do acórdão impugnado, inviável o apelo nobre. 4. Assim, é evidente que alterar as conclusões adotadas pela Corte de origem, como defendida nas razões recursais, demanda novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em Recurso Especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 5. A multa imposta com base no art. 1.026, § 2º do CPC/15 deve ser afastada quando os Embargos de Declaração tenham sido opostos com visível propósito de prequestionamento, de modo a elidir o seu caráter protelatório, como assentado na Súmula 98 do STJ e na jurisprudência consolidada do STJ. 6. Agravo conhecido para conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação ao art. 1.022 do CPC/2015, e, nessa parte, dar-lhe parcial provimento para afastar a multa do artigo 1.026, § 2º, do CPC/2015. (AREsp 1.653.176/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 2/6/2020, DJe 21/8/2020). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, V, do CPC/2015, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "c", do RISTJ, conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especialapenas para afastar a multa aplicada nos embargos de declaração, com fundamento noart. 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se.