AREsp 2706504 - DECISAO
O agravo foi improvido porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a condenação com base nas provas dos autos, concluindo que a desconstituição das provas exigiria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ, além de observar que cabia à defesa demonstrar fato impeditivo da pretensão acusatória, nos...
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- Parties
- Agravante: IVAN EXPEDITO VIEIRA NASCIMENTO; Respondente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgado No STJ
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Apropriação Indébita, Súmula 7/stj, Ônus Da Prova, Negação De Prestação Jurisdicional, Valoração De Provas
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Parties
IVAN EXPEDITO VIEIRA NASCIMENTO
Agravante
Ministério Público Federal
Respondente
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgado No STJ
Legal Issues
- 1 Ausência de provas aptas a justificar a condenação por apropriação indébita
- 2 Alegada violação dos arts. 386, III e VII do Código de Processo Penal
- 3 Alegada violação do art. 156 do CPP
Ratio Decidendi
O agravo foi improvido porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a condenação com base nas provas dos autos, concluindo que a desconstituição das provas exigiria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ, além de observar que cabia à defesa demonstrar fato impeditivo da pretensão acusatória, nos termos da súmula n. 83/STJ.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por IVAN EXPEDITO VIEIRA NASCIMENTO, em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (e-STJ fl. 576): APELAÇÃO CRIMINAL - Apropriação indébita (art.168, §1º, inciso III, do Código Penal) - Acusado que, na condição de advogado da vítima e, portanto, em razão dessa profissão, apropriou-se, indevidamente, da quantia de R$32.563,97 (trinta e dois mil e quinhentos e sessenta e três reais e noventa e sete centavos), valor este que estava em sua posse por conta do processo judicial - Demonstrada a livre e manifesta vontade de se apropriar do numerário que não lhe pertencia e somente tinha a posse porque fora contratado na condição de causídico da parte - Condenação mantida - Pena-base fixada acima do mínimo legal em razão do elevado valor apropriado pelo acusado- Agravantes da reincidência e relativa à calamidade pública afastadas - Penas readequadas- Regime aberto - Substituição da pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos - Recurso parcialmente provido. Nas razões do recurso especial, alega a defesa violação do artigo 386, III e VII, do Código de Processo Penal. Busca a absolvição do recorrente ante a ausência de provas hábeis a justificar a condenação pelo crime de apropriação indébita. Aponta violação ao sistema trifásico pelo deslocamento das qualificadoras para a exasperação da pena-base. Apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 649/659), o recurso foi inadmitido pelo Tribunal de origem com fundamento no óbice da Súmula 7/STJ (e-STJ fls. 662/664), dando ensejo à interposição do agravo ora apreciado. O Ministério Público Federal, instado a se manifestar nesta instância, opinou pelo não provimento do agravo (e-STJ fls. 696/699). É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O Tribunal a quo reconheceu a higidez das provas obtidas no curso da instrução, em especial as declarações da vitima alinhadas aos demais elementos probatórios dos autos, que forneceram subsídios suficientes para conclusão condenatória pela prática do crime de apropriação indébita, cuja desconstituição, tal como pretende a defesa, não pode ser realizada sem nova incursão no conjunto fático-probatório, providência incabível em sede de recurso especial, ante o óbice contido na Súmula 7/STJ. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APROPRIAÇÃO INDÉBITA EM RAZÃO DA PROFISSÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. CONDENAÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. ADVOGADO. APROPRIAÇÃO DE VERBA TRABALHISTA DEVIDA À SUA CLIENTE. PRETENSÃO DE ABSOLVIÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. COMPROVAÇÃO DE FATO IMPEDITIVO DA PRETENSÃO CONDENATÓRIA. ÔNUS DA DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 83/STJ. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. QUESTÃO NÃO APRECIADA OU SUSCITADA NA ORIGEM. SÚMULAS 282 E 356/STF. 1. Não configura a negativa de prestação jurisdicional a adoção de solução jurídica contrária aos interesses da parte, tendo em vista que foram apreciados, de modo fundamentado, todos os pontos necessários ao deslinde da controvérsia. 2. Apesar de a defesa sustentar que não houve a valoração dos elementos probatórios trazidos aos autos, tais documentos foram sopesados, mas não foram considerados suficientes para comprovar a alegada negativa de autoria, o que não constitui ilegalidade, não tendo sido demonstrada, assim, a violação aos arts. 232, § 1º, 563 e 564, V, do CPP, aplicando-se, no ponto, a súmula n. 284/STF. 3. Quanto à violação dos arts. 155 e 386, VII, do CPP, conforme a jurisprudência desta Corte, a consumação do delito de apropriação indébita ocorre com a inversão do domínio de coisa alheia móvel que se encontra legitimamente na posse do agente, o qual passa a dela dispor como se fosse o seu proprietário, tendo a condenação, no caso, sido devidamente fundamentada. 4. Tendo a condenação sido embasada nas provas colhidas nos autos, as quais demonstraram que o agente se apropriou de verba trabalhista devida à sua cliente, da qual tinha posse temporária em razão de sua profissão de advogado, bem como que a defesa não comprovou as suas alegações referentes à existência de fato impeditivo da pretensão acusatória, a pretensão de absolvição demandaria o revolvimento fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula n. 7/STJ. 5. Quanto à violação do disposto no art. 156 do CPP, as instâncias de origem decidiram em consonância com a jurisprudência desta Corte, segundo a qual cabe à defesa a comprovação de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão acusatória, tendo incidência, no caso, a súmula n. 83/STJ. De toda forma, se o depósito teria sido simulado, a questão deveria gravitar em torno dos R$ 48.000,00, e não apenas dos R$ 8.000,00 dados como apropriados indevidamente. 6. A questão referente à inversão do ônus probandi não chegou a ser apreciada pelo Tribunal de origem, nem foi suscitada nas razões dos embargos declaratórios, o que enseja a aplicação dos enunciados das súmulas 282 e 356/STF. 7. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 2.126.673/DF, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 11/10/2022, DJe de 17/10/2022). Cumpre, ainda, registrar que cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático e probatório a fim de analisar a existência de provas suficientes a absolver, condenar ou desclassificar a imputação feita ao acusado, porquanto é vedado, na via eleita, o reexame de provas, conforme disciplina o enunciado n. 7 da Súmula desta Corte (AgRg no AREsp 1.150.564/SC, Relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, DJe 15/2/2018). Ante o exposto, nego provim ento ao agravo . Intimem-se. EMENTA