REsp 2174724 - ACORDAO
A cláusula contratual que transfere de forma genérica e absoluta ao lojista a responsabilidade por chargebacks é abusiva e contraria a boa-fé objetiva e à função social do contrato; a repartição de riscos é admissível nas relações interempresariais, mas a responsabilização exclusiva do lojista só se admite quando demonstrado o descumprimento de deveres contratuais e que sua conduta foi decisiva para o êxito do ato fraudulento; no caso concreto não houve prova de conduta temerária ou negligente do lojista, devendo ser mantido o acórdão estadual que declarou a nulidade da cláusula e a indevida retenção dos valores pela instituição de pagamento.
- Parties
- Recorrente: PAGAR.ME INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTO S/A; Recorrido: KRAUSPENHAR E HARTMANN COMERCIO E REPRESENTACAO DE MAQUINAS AGRICOLAS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial (ação De Reparação De Danos Materiais) / Julgado Recurso Especial Conhecido E Desprovido Pela Terceira Turma
- Outcome
- Recurso especial conhecido e desprovido
- Legal Topics
- Arranjo De Pagamentos, Chargeback, Cláusula Abusiva, Boa Fé Objetiva, Repartição De Risco Contratual, Responsabilidade Contratual
Case Brief
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Parties
PAGAR.ME INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTO S/A
Recorrente
KRAUSPENHAR E HARTMANN COMERCIO E REPRESENTACAO DE MAQUINAS AGRICOLAS LTDA
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial (ação De Reparação De Danos Materiais) / Julgado Recurso Especial Conhecido E Desprovido Pela Terceira Turma
Legal Issues
- 1 abusividade de cláusula que imputa exclusivamente ao lojista a responsabilidade pelo chargeback
- 2 repartição de risco contratual entre agentes do arranjo de pagamento
- 3 condições para responsabilização exclusiva do lojista por contestações/cancelamentos de transações
Ratio Decidendi
A cláusula contratual que transfere de forma genérica e absoluta ao lojista a responsabilidade por chargebacks é abusiva e contraria a boa-fé objetiva e à função social do contrato; a repartição de riscos é admissível nas relações interempresariais, mas a responsabilização exclusiva do lojista só se admite quando demonstrado o descumprimento de deveres contratuais e que sua conduta foi decisiva para o êxito do ato fraudulento; no caso concreto não houve prova de conduta temerária ou negligente do lojista, devendo ser mantido o acórdão estadual que declarou a nulidade da cláusula e a indevida retenção dos valores pela instituição de pagamento.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e desprovido
Orders
- Manutenção do acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo que declarou abusiva a cláusula e determinou a liberação dos valores retidos
- Majoração dos honorários advocatícios para 18% sobre o valor atualizado da condenação, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
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Judgment text and source record
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