REsp 1288303 - DECISAO
Reconhecida a omissão, o Tribunal acolheu parcialmente os embargos de declaração com efeitos infringentes, decidindo que, na hipótese concreta de dívida civil relativa a obrigações condominiais, o art. 1º-F da Lei 9.494/97 se aplica exclusivamente aos juros de mora, não sendo aplicável à correção monetária, em...
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- Parties
- Embargante: Instituto de Previdência do Estado de São Paulo - IPESP; Embargado: Condomínio
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgamento/decisão Proferida
- Outcome
- Embargos de declaração acolhidos em parte com efeitos infringentes; parcial provimento ao recurso especial para admitir a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 apenas aos juros de mora.
- Legal Topics
- Art. 1º F Da Lei 9.494/97, Correção Monetária, Juros Moratórios, Despesas Condominiais, Repercussão Geral
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Parties
Instituto de Previdência do Estado de São Paulo - IPESP
Embargante
Condomínio
Embargado
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgamento/decisão Proferida
Legal Issues
- 1 omissão sobre alegação de ofensa ao art. 1º-F da Lei 9.494/97
- 2 aplicabilidade do art. 1º-F às condenações da Fazenda Pública quanto à correção monetária e aos juros de mora
- 3 incidência do art. 1º-F em dívida de natureza civil/condominial
Ratio Decidendi
Reconhecida a omissão, o Tribunal acolheu parcialmente os embargos de declaração com efeitos infringentes, decidindo que, na hipótese concreta de dívida civil relativa a obrigações condominiais, o art. 1º-F da Lei 9.494/97 se aplica exclusivamente aos juros de mora, não sendo aplicável à correção monetária, em conformidade com a jurisprudência do STJ e decisões do STF.
Court Disposition
Embargos de declaração acolhidos em parte com efeitos infringentes; parcial provimento ao recurso especial para admitir a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 apenas aos juros de mora.
Orders
- Dar parcial provimento ao recurso especial unicamente para admitir a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 em relação aos juros de mora.
- Intimem-se.
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DECISÃO Trata-se de embargos de declaração contra decisão de fls. 191/192, que negou provimento ao agravo em recurso especial por entender que a matéria de fundo sobre a relação condominial já se encontra pacificada no âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por não ter sido o dissídio devidamente demonstrado, bem como por entender que a questão relativa à ciência do condomínio acerca da transação não está prequestionada. O Instituto de Previdência do Estado de São Paulo - IPESP, ora embargante, alega que a decisão é omissa em relação à alegação de ofensa ao art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei nº 11.960/2009. Postula o acolhimento dos embargos para que a referida omissão seja sanada. Intimada a parte contrária para impugnar os embargos, não houve manifestação. Relatados, passo a decidir. Há de se reconhecer que a decisão deixou de se manifestar em relação à alegação de ofensa ao art. 1º-F da Lei 9.494/97. Com efeito, o referido dispositivo invocado nas razões do recurso especial do instituto embargante possui a seguinte redação: Art. 1º-F. Nas condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza e para fins de atualização monetária, remuneração do capital e compensação da mora, haverá a incidência uma única vez, até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança. A sentença, proferida em 7.7.2009 (antes, portanto, da Lei nº 11.960, de 29.7.2009), assim havia estipulado(fl. 90): JULGO PROCEDENTE a presente ação para o fim de, extinguindo o processo nos termos do artigo 269, inciso I, do CPC, condenar o requerido a pagar ao autor a quantia apontada na inicial, corrigida monetariamente desde cada inadimplemento, bem como os juros de mora de 1% ao mês a contar da citação. Em apelação, o Tribunal assim se manifestou (fl. 114/115): Por fim, correta a fixação dos juros moratórios no patamar de 1%, em conformidade com o que estipula o art. 1.336, § 1º do Código Civil. O apelante alega que deveria ser aplicado ao caso, o art. 406 do Código Civil, no entanto, verifica-se que referido dispositivo legal também foi aplicado ao presente caso, pois, limita o percentual dos juros moratórios de acordo com a taxa em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. Devendo ser interpretado tal dispositivo legal com o art. 161, § 1º do CTN, que fixa o percentual de 1% ao mês para o cálculo dos juros de mora. Portanto, correta fixação dos juros pelo MM. Juiz "a quo", devendo ser mantidos. Trata-se, no caso concreto, de ação de cobrança relativa a despesas condominiais movidas pelo condomínio contra o Instituto de Previdência ora recorrente. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a respeito da interpretação da norma invocada pelo embargante, sedimentou seu posicionamento por ocasião de julgamento de recurso especial sob o rito dos repetitivos (TEMA 905), no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART.1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art.1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. Em se tratando de dívida de natureza tributária, não é possível a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) - nem para atualização monetária nem para compensação da mora -, razão pela qual não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 6. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp 1495146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 02/03/2018) De igual modo, o Supremo Tribunal Federal, também em precedente qualificado, sob o regime de repercussão geral (TEMA 810/STF), firmou a seguinte tese a respeito da norma invocada: Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. REGIME DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS INCIDENTE SOBRE CONDENAÇÕES JUDICIAIS DA FAZENDA PÚBLICA. ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.960/09. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO CRITÉRIO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. VIOLAÇÃO AO DIREITO FUNDAMENTAL DE PROPRIEDADE (CRFB, ART. 5º, XXII). INADEQUAÇÃO MANIFESTA ENTRE MEIOS E FINS. INCONSTITUCIONALIDADE DA UTILIZAÇÃO DO RENDIMENTO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO ÍNDICE DEFINIDOR DOS JUROS MORATÓRIOS DE CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA, QUANDO ORIUNDAS DE RELAÇÕES JURÍDICO-TRIBUTÁRIAS. DISCRIMINAÇÃO ARBITRÁRIA E VIOLAÇÃO À ISONOMIA ENTRE DEVEDOR PÚBLICO E DEVEDOR PRIVADO (CRFB, ART. 5º, CAPUT). RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput), no seu núcleo essencial, revela que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, os quais devem observar os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito; nas hipóteses de relação jurídica diversa da tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto legal supramencionado. 2. O direito fundamental de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII) repugna o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, porquanto a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. 3. A correção monetária tem como escopo preservar o poder aquisitivo da moeda diante da sua desvalorização nominal provocada pela inflação. É que a moeda fiduciária, enquanto instrumento de troca, só tem valor na medida em que capaz de ser transformada em bens e serviços. A inflação, por representar o aumento persistente e generalizado do nível de preços, distorce, no tempo, a correspondência entre valores real e nominal (cf. MANKIW, N.G. Macroeconomia. Rio de Janeiro, LTC 2010, p. 94; DORNBUSH, R.; FISCHER, S. e STARTZ, R. Macroeconomia. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 2009, p. 10; BLANCHARD, O. Macroeconomia. São Paulo: Prentice Hall, 2006, p. 29). 4. A correção monetária e a inflação, posto fenômenos econômicos conexos, exigem, por imperativo de adequação lógica, que os instrumentos destinados a realizar a primeira sejam capazes de capturar a segunda, razão pela qual os índices de correção monetária devem consubstanciar autênticos índices de preços. 5. Recurso extraordinário parcialmente provido. (RE 870947, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 20/09/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-262 DIVULG 17-11-2017 PUBLIC 20-11-2017) Posteriormente, a Suprema Corte apreciou a questão em controle concentrado de constitucionalidade, quando do julgamento da ADI 5.348, de seguinte ementa: EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 1º-F DA LEI N. 9.494/1997, ALTERADO PELA LEI N. 11.960/2009. ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO DA CADERNETA DE POUPANÇA COMO CRITÉRIO DE CORREÇÃO MONETÁRIA EM CONDENAÇÕES DA FAZENDA PÚBLICA. INCONSTITUCIONALIDADE. 1. Este Supremo Tribunal declarou inconstitucional o índice de remuneração da caderneta de poupança como critério de correção monetária em condenações judiciais da Fazenda Pública ao decidir o Recurso Extraordinário n. 870.947, com repercussão geral (Tema 810). 2. Assentou-se que a norma do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, pela qual se estabelece a aplicação dos índices oficiais de remuneração da caderneta de poupança para atualização monetária nas condenações da Fazenda Pública, configura restrição desproporcional ao direito fundamental de propriedade. 3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (ADI 5348, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 11/11/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-260 DIVULG 27-11-2019 PUBLIC 28-11-2019) Inquestionável, portanto, ser incabível a correção monetária nos moldes postulados pelo ora embargante, devendo ser afastada a pretensão contida no recurso especial também no ponto. De outro lado, tendo em vista a ressalva feita no julgamento de repercussão geral quanto aos juros moratórios para hipóteses não tributárias, melhor sorte encontra a pretensão, eis que, no caso, como já mencionado, trata-se de dívida civil relativa a obrigações condominiais. Assim, admissível tão somente a aplicação dos juros moratóriossegundo o índice de remuneração da caderneta de poupança, não sendo aplicável o mesmo critério para a atualização monetária, conforme os precedentes acima. Diante do exposto, acolho os embargos de declaração, com excepcionalíssima atribuição de efeitos infringentes, para dar parcial provimento ao recurso especial, unicamente para admitir a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 em relação aos juros de mora. Intimem-se.