AREsp 2685435 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por ausência de indicação expressa do dispositivo de lei federal supostamente violado, o que constitui deficiência de fundamentação que impede a exata compreensão da controvérsia e atrai a aplicação por analogia da Súmula 284 do STF.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ERICK OLIVEIRA SANTOS; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Juízo Prévio De Admissibilidade (decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Art. 33, Caput, Lei N. 11.343/2006 (tráfico De Drogas), Admissibilidade De Recurso Especial, Deficiência De Fundamentação, Súmula 284/stf (aplicada Por Analogia), In Dubio Pro Reo
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ERICK OLIVEIRA SANTOS
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Juízo Prévio De Admissibilidade (decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 falta de indicação do dispositivo de lei federal supostamente violado
- 2 incidência da Súmula 284 do STF por analogia diante de deficiência de fundamentação
- 3 inadmissibilidade do recurso especial por não permitir a exata compreensão da controvérsia
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por ausência de indicação expressa do dispositivo de lei federal supostamente violado, o que constitui deficiência de fundamentação que impede a exata compreensão da controvérsia e atrai a aplicação por analogia da Súmula 284 do STF.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ERICK OLIVEIRA SANTOS agrava de decisão que não admitiu seu recurso especial interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (Apelação Criminal n. 0509211-24.2019.8.05.0001). Consta dos autos que o recorrente foi condenado pela prática do crime previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. Nas razões do recurso especial, a defesa pede a absolvição do réu e a revisão da dosimetria da pena. O recurso especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento do agravo, para que seja negado conhecimento ao recurso especial. Decido. De plano, verifico que a defesa deixou de indicar, expressamente, qual o dispositivo de lei federal foi objeto de violação, o que impede o conhecimento do recurso especial. O Superior Tribunal de Justiça tem a função primordial, por meio do recurso especial, de uniformizar a interpretação e a aplicação do direito federal infraconstitucional. Com isso, o conhecimento do recurso, seja ele interposto pela alínea "a" ou pela alínea "c" do permissivo constitucional, exige, necessariamente, a indicação do dispositivo de lei federal que se entende por contrariado. Nesse sentido: "A ausência de indicação do dispositivo de lei federal supostamente contrariado na instância ordinária caracteriza deficiência na fundamentação, o que dificulta a compreensão da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF." (AgRg no AREsp n. 356.998/DF, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 9/2/2015). Assim, denoto a falta de fundamentação do apelo especial, circunstância que atrai a incidência da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, aqui aplicada por analogia: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Essa, aliás, também foi a compreensão do Ministério Público Federal, que, em seu parecer, assim se manifestou, no que interessa (fl. 592): 5. O agravo é tempestivo e o fundamento lançado na decisão agravada foi satisfatoriamente impugnado, razão pela qual deve ser conhecido. No entanto, o recurso especial não reúne condições para o seu conhecimento, tendo em vista o disposto no verbete nº 284/STJ: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." 6. Isso porque a defesa se limitou a transcrever o interior teor do voto condutor do acórdão recorrido e, na sequência, apenas sustentar que a fragilidade probatória implica a aplicação do brocardo in dubio pro reo (fls. 524/535). Ou seja, não restaram apontados o permissivo constitucional em que a irresignação especial se sustenta, os dispositivos legais tidos por violados e, também, eventuais dissídios jurisprudenciais. À vista do exposto, conheço do agravo, para não conhecer do recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA