REsp 2164113 - ACORDAO
A desconstituição da conclusão das instâncias ordinárias sobre insuficiência probatória e atipicidade da conduta é vedada em razão da Súmula 7 do STJ, não sendo possível o reexame do conjunto fático-probatório; ademais, o princípio da consunção não se aplica entre o crime de parcelamento irregular do solo urbano e...
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- Parties
- Agravante: RODRIGO MARQUES SEIXAS FONTELES; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Julgamento De Agravo Regimental Contra Decisão Que Não Conheceu Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Associação Criminosa, Crimes Ambientais, Parcelamento Irregular Do Solo Urbano, Princípio Da Consunção, Súmula 7 Do STJ
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Parties
RODRIGO MARQUES SEIXAS FONTELES
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Julgamento De Agravo Regimental Contra Decisão Que Não Conheceu Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Possibilidade de desconstituir conclusão das instâncias ordinárias sobre insuficiência probatória e atipicidade da conduta diante da vedação ao reexame de fatos e provas (Súmula 7 do STJ)
- 2 Aplicabilidade do princípio da consunção entre os crimes de parcelamento irregular do solo urbano e os crimes ambientais
Ratio Decidendi
A desconstituição da conclusão das instâncias ordinárias sobre insuficiência probatória e atipicidade da conduta é vedada em razão da Súmula 7 do STJ, não sendo possível o reexame do conjunto fático-probatório; ademais, o princípio da consunção não se aplica entre o crime de parcelamento irregular do solo urbano e os crimes ambientais, pois protegem bens jurídicos distintos e são praticados em momentos diferentes, de modo que os crimes ambientais não configuram crime-meio para o parcelamento.
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Negado provimento ao agravo regimental.
- Manter decisão que não conheceu do recurso especial, nos termos do art. 255, § 4º, inciso I, do RISTJ.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/12/2025 a 17/12/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA Direito Penal. Agravo Regimental. Associação criminosa. Crimes ambientais. Parcelamento irregular do solo urbano. Princípio da consunção. inocorrência. Súmula 7 do STJ. Agravo regi mental não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de recurso especial, nos termos do art. 255, § 4º, inciso I, do RISTJ. 2. A parte agravante sustenta ausência de provas para a configuração do delito de associação criminosa, previsto no art. 288 do Código Penal, e a atipicidade da conduta. Argumenta também que não houve demonstração de que o imóvel objeto da ação penal possui características de solo urbano, o que afastaria a incidência da Lei n. 6.766/79. 3. Alega que os crimes ambientais previstos nos arts. 40, 40-A, § 1º, e 48 da Lei n. 9.605/1998 configuram crime meio para o delito de parcelamento irregular do solo urbano, previsto no art. 50, I, parágrafo único, I e II, da Lei n. 6.766/79, devendo ser reconhecido o princípio da consunção. 4. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do agravo regimental. II. Questão em discussão 5. Há duas questões em discussão: (i) saber se é possível desconstituir a conclusão das instâncias ordinárias acerca da insuficiência probatória e da atipicidade da conduta, considerando a vedação ao reexame de fatos e provas prevista na Súmula 7 do STJ; e (ii) saber se é aplicável o princípio da consunção entre os crimes de parcelamento irregular do solo urbano e os crimes ambientais. III. Razões de decidir 6. A decisão das instâncias ordinárias sobre a insuficiência probatória e a atipicidade da conduta é soberana na avaliação dos fatos e provas, sendo vedado o reexame do conjunto fático-probatório, conforme a Súmula 7 do STJ. 7. O princípio da consunção não se aplica entre os crimes de parcelamento irregular do solo urbano e os crimes ambientais, pois tratam-se de infrações que protegem bens jurídicos distintos e que foram praticadas em momentos diferentes. Os crimes ambientais não configuram crime meio para o crime de parcelamento de solo urbano, uma vez que este não depende daqueles para sua consumação. IV. Dispositivo e tese 8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: Dispositivos relevantes citados:CP, art. 288; Lei n. 6.766/79, art. 50, I, parágrafo único, I e II; Lei n. 9.605/1998, arts. 40, 40-A, § 1º, e 48; RISTJ, art. 255, § 4º, inciso I. Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no REsp 2.137.155/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 23.09.2024, DJe 30.09.2024; STJ, AgRg no AREsp 2.403.204/SP, Rel. Min. Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 30.09.2024, DJe 03.10.2024; STJ, AgRg no AREsp 1035520/PA, Rel. Min. Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 28.06.2018; STJ, REsp 1745308/MG, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 14.05.2019.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por RODRIGO MARQUES SEIXAS FONTELES contra a decisão de fls. 911/918, que, nos termos do art. 255, § 4º, inciso I, do RISTJ, não conheceu do presente recurso especial. Nas razões recursais, a defesa repisa as alegações de fundo, sustentando, de início, que o mero acordo verbal não cumprido e trazido aos autos exclusivamente em "confissão" do recorrente é insuficiente para a configuração do delito de associação criminosa, previsto no art. 288 do Código Penal, não satisfazendo, tal postura, a tipicidade da conduta. De igual modo, aduz que a violação ao art. 50, I, c/c parágrafo único, I e II, da Lei n. 6.766/79, decorre da ausência de demonstração de que o imóvel da ação penal possui característica de solo urbano, sendo este o objeto tutelado pela aludida legislação especial, sem o qual deverá ser afastada a incidência da norma. Defende que deve ser reconhecida a consunção, ao argumento de que as infrações do art. 40 e art. 40-A, § 1º, e art. 48, todos da Lei de Crimes Ambientais, foram meios para a prática do delito do art. 50, I, parágrafo único, I e II, da Lei n. 6.766/79. Ainda, alega que os delitos da Lei n. 6.766/79 dispõe sobre loteamento ou desmembramento do solo, enquanto as infrações da Lei de Crimes Ambientais versam sobre as consequeências e meios para a perpetuação daqueles ilícitos. Requer a reconsideração da decisão agravada e, não sendo o caso, postula a submissão do recurso ao órgão colegiado para que seja dado provimento ao presente agravo regimental e, consequentemente, ao recurso especial interposto. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do agravo regimental (fls. 953/954). É o relatório. EMENTA Direito Penal. Agravo Regimental. Associação criminosa. Crimes ambientais. Parcelamento irregular do solo urbano. Princípio da consunção. inocorrência. Súmula 7 do STJ. Agravo regi mental não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de recurso especial, nos termos do art. 255, § 4º, inciso I, do RISTJ. 2. A parte agravante sustenta ausência de provas para a configuração do delito de associação criminosa, previsto no art. 288 do Código Penal, e a atipicidade da conduta. Argumenta também que não houve demonstração de que o imóvel objeto da ação penal possui características de solo urbano, o que afastaria a incidência da Lei n. 6.766/79. 3. Alega que os crimes ambientais previstos nos arts. 40, 40-A, § 1º, e 48 da Lei n. 9.605/1998 configuram crime meio para o delito de parcelamento irregular do solo urbano, previsto no art. 50, I, parágrafo único, I e II, da Lei n. 6.766/79, devendo ser reconhecido o princípio da consunção. 4. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do agravo regimental. II. Questão em discussão 5. Há duas questões em discussão: (i) saber se é possível desconstituir a conclusão das instâncias ordinárias acerca da insuficiência probatória e da atipicidade da conduta, considerando a vedação ao reexame de fatos e provas prevista na Súmula 7 do STJ; e (ii) saber se é aplicável o princípio da consunção entre os crimes de parcelamento irregular do solo urbano e os crimes ambientais. III. Razões de decidir 6. A decisão das instâncias ordinárias sobre a insuficiência probatória e a atipicidade da conduta é soberana na avaliação dos fatos e provas, sendo vedado o reexame do conjunto fático-probatório, conforme a Súmula 7 do STJ. 7. O princípio da consunção não se aplica entre os crimes de parcelamento irregular do solo urbano e os crimes ambientais, pois tratam-se de infrações que protegem bens jurídicos distintos e que foram praticadas em momentos diferentes. Os crimes ambientais não configuram crime meio para o crime de parcelamento de solo urbano, uma vez que este não depende daqueles para sua consumação. IV. Dispositivo e tese 8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. A desconstituição da conclusão das instâncias ordinárias acerca da insuficiência probatória e da atipicidade da conduta esbarra na vedação ao reexame de fatos e provas, conforme a Súmula 7 do STJ. 2. O princípio da consunção não se aplica entre os crimes de parcelamento irregular do solo urbano e os crimes ambientais, pois tratam-se de infrações que protegem bens jurídicos distintos e que foram praticadas em momentos diferentes. Dispositivos relevantes citados:CP, art. 288; Lei n. 6.766/79, art. 50, I, parágrafo único, I e II; Lei n. 9.605/1998, arts. 40, 40-A, § 1º, e 48; RISTJ, art. 255, § 4º, inciso I. Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no REsp 2.137.155/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 23.09.2024, DJe 30.09.2024; STJ, AgRg no AREsp 2.403.204/SP, Rel. Min. Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 30.09.2024, DJe 03.10.2024; STJ, AgRg no AREsp 1035520/PA, Rel. Min. Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 28.06.2018; STJ, REsp 1745308/MG, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 14.05.2019. VOTO A despeito dos argumentos da parte agravante, a decisão impugnada deve ser mantida incólume. Conforme restou assentado na decisão monocrática recorrida, referente à alegação de ausência de provas para comprovar a associação criminosa e a prática dos crimes ambientais e de parcelamento irregular do solo, "as instâncias ordinárias, no que diz com as teses de insuficiência probatória e atipicidade da conduta, são soberanas na avaliação dos fatos e das provas e chegar a conclusão diversa daquela encontrada na origem demandaria reexame de fatos e provas" (fl. 916). Assim, desconstituir a conclusão alcançada na origem esbarra, impreterivelmente, no verbete sumular n. 7 deste Tribunal Superior. Com efeito: "3. Para desconstituir o entendimento firmado pelo Tribunal de origem seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. 4. Agravo não provido." (AgRg no REsp n. 2.137.155/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 30/9/2024.) "3. Para modificar o entendimento adotado pelo Tribunal de origem de modo a concluir pela absolvição, seria necessário reexaminar o conjunto probatório dos autos, providência vedada a teor da Súmula 7 do STJ." (AgRg no AREsp n. 2.403.204/SP, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 3/10/2024.) Por sua vez, também se mostra inviável aplicar o princípio da consunção entre os crimes de parcelamento de solo urbano e dano ambiental, na medida em que os crimes ambientais não podem configurar crime meio para o crime de parcelamento de solo, porquanto este não depende daqueles para sua consumação. A propósito, vê-se que se trata de infrações que protegem bens jurídicos distintos, que foram praticados em momentos diferentes, não havendo que se falar em crime meio e fim, de sorte que, por isso mesmo, não há consunção entre eles. Nesse sentido, AgRg no AREsp n. 1035520/PA, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, DJe 28/6/2018 e RECURSO ESPECIAL. CRIME AMBIENTAL. ART. 29, DA LEI N. 9.605/1998 e REsp n. 1745308/MG, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, DJe 14/5/2019. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo regimental. É o voto.