HC 674452 - DECISAO
Negou-se a ordem porque o habeas corpus não é cabível para reexaminar o conjunto probatório que justificou a condenação por associação criminosa, e porque as circunstâncias fáticas demonstradas nos autos (roubo de carga com arma, concurso de agentes, restrição de liberdade) justificam legitimamente a fixação do...
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- Parties
- Paciente: MARCOS DOS SANTOS; Órgão Ministerial: Ministério Público Federal; Tribunal De Origem: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; Corréu: Luciano; Corréu: Márcio; Corréu: Washington
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 June 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- denego a ordem
- Legal Topics
- Associação Criminosa, Roubo De Carga, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Habeas Corpus, Fixação Do Regime Prisional
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Parties
MARCOS DOS SANTOS
Paciente
Ministério Público Federal
Órgão Ministerial
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
Tribunal De Origem
Luciano
Corréu
Márcio
Corréu
Washington
Corréu
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 possibilidade de revisão do acervo probatório em habeas corpus
- 2 legalidade da condenação por associação criminosa (art. 288, parágrafo único, CP)
- 3 adequação do regime inicial fechado diante da gravidade concreta do crime
Ratio Decidendi
Negou-se a ordem porque o habeas corpus não é cabível para reexaminar o conjunto probatório que justificou a condenação por associação criminosa, e porque as circunstâncias fáticas demonstradas nos autos (roubo de carga com arma, concurso de agentes, restrição de liberdade) justificam legitimamente a fixação do regime inicial fechado.
Court Disposition
denego a ordem
Orders
- Denegar a ordem.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO MARCOS DOS SANTOSalegasofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido peloTribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeirona Apelação n. 0103016-43.2016.8.19.0021. A defesa pleiteia a absolvição doréuem relação ao crime de associação criminosa, ante a fragilidade probatória, bem como o abrandamento do regime. Indeferida a liminar (fls. 94-95) e dispensadas as informações, veio o parecer do Ministério Público Federal (fls. 98-109), que opinou pelo não conhecimento dowrit. Decido. Extrai-se dos autos que o paciente foi condenado, em primeira instância, pela prática do delito descrito no art. 157, § 2º, I, II e V, do Código Penal, e absolvido pelo crime do art. 288, parágrafo único, do mesmo diploma legal. A Corte estadual entendeu devidamente comprovado o delito de associação criminosa, razão pela qual deu provimento ao apelo da acusação para condenar o paciente. Confira-se (fls. 64-65, grifei): Em razões de apelação, o Parquet, inconformado com a absolvição do apelado em relação ao artigo 288, parágrafo único, do C. P., pretende a condenação na forma denúncia, alegando que o réu e os demais estavam associados entre si, com o uso de arma de fogo, formando um grupo estruturado com o proposito de praticar crimes contra o patrimônio, especificamente roubos de carga. Para tanto, o Ministério Público informa que os corréus foram denunciados pelo mesmo delito de roubo de carga, com o mesmo modus operandi, fato ocorrido em 2016, no processo de nº. 0042394-95.2016.8.19.0021. Com razão o recorrente, porquanto a prova coligida aos autos aponta que Marcos estava associado, de forma estável, com demais indivíduos, para a prática do delito de roubo de carga com uso de arma de fogo. Não obstante o apelado não figurar como um dos denunciados no processo indicado pelo Ministério Público (nº. 0042394-95.2016.8.19.0021), ficou demonstrado que a atividade do grupo era feita de forma organizada, reiterada, exercendo cada um uma função. Isso porque as vítimas ouvidas em juízo afirmaram que, em cada parada que faziam, durante o período em que ficaram sob o domínio do corréu Luciano, este negociava a venda das mercadorias com pessoas que já conhecia o grupo e o esquema delitivo. Diante dos depoimentos dos ofendidos, ficou claro que o roubo de carga era cometido de forma habitual, considerando que a organização criminosa já conhecia os vendedores e ia diretamente aos estabelecimentos, com o próprio veículo da empresa lesada, bem como com seus funcionários, para efetuarem a venda e entrega dos produtos roubados, o que reforça os argumentos da estabilidade, organização e divisão de tarefas do grupo criminoso. Ademais, o policial civil informou em juízo que, ao ser preso em flagrante, o corréu Luciano, de maneira espontânea, disse que queria colaborar e forneceu o nome e endereço de seus comparsas, que estavam atuando em conjunto no delito e foi assim que a polícia chegou até Washington, Márcio e o apelado Marcos. Aqui devemos novamente aplicar a Súmula 70 do E. TJRJ, validando o depoimento do agente da lei na condenação, pois não teria motivos para incriminar falsamente pessoas que nem sequer conhecem. Para isso, argumentos sérios e graves teriam que ser levantados. Não é o caso dos autos. A prova oral produzida reforça os argumentos de que o recorrido e demais elementos atuavam em conluio, de maneira estável e permanente na prática de crimes como o dos autos. Vale frisar que, em consulta ao andamento do processo que tramitou em face dos corréus (nº. 0063374-63.2016.8.19.0021), verifiquei que, em 2º grau, reconheceu-se a autoria, também, do delito de associação criminosa, com a consequente condenação de Luciano, Márcio e Washington nas penas do art. 288, parágrafo único do CP, conforme a denúncia. Assim, deve ser dado provimento ao apelo ministerial para condenar Marcos, também, pelo crime do art. 288, Parágrafo Único, do C. P. Assim, a instância antecedente, após a análise das provas que instruíram o feito, reputou comprovadas a autoria e a materialidade do delito aptas a condenar opaciente. Para se infirmar tal conclusão é necessário imiscuir-se no exame do acervo probatório, o que evidencia a impossibilidade de este Superior Tribunal apreciar o pedido formulado nowrit. Ação constitucional de natureza mandamental, o habeas corpus tem como escopo precípuo afastar eventual ameaça ao direito de ir e vir, cuja natureza urgente exige prova pré-constituída das alegações, não comportando dilação probatória, como no caso. Ilustrativamente: .. 2. Avia estreita do habeas corpus não se presta ao revolvimento da matéria fática, como ocorre quando a decisão é atacada sob alegações de má apreciação das provas e de desclassificação da conduta, devendo a coação ser manifestamente ilegal. 3. Estabelecida a pena definitiva em 5 anos e 10 meses de reclusão, sendo primário o agente e favoráveis as circunstâncias judiciais, o regime semiaberto é o adequado à prevenção e à reparação do delito, nos termos do art. 33 do Código Penal. 4. Habeas corpus não conhecido, mas ordem concedida de ofício para fixar o regime inicialmente semiaberto para o cumprimento da pena reclusiva. (HC n. 270.011/SP, Rel. MinistroNefi Cordeiro, 6ª T., DJe 22/4/2016, destaquei). A Corte Estadual, depois de haver determinado a pena final para os delitos em 7 anos e 3 meses de reclusão,fixou o regime fechado para início do seu cumprimento, por se tratar de "roubo de carga realizado com emprego de arma de fogo, concurso de agentes e restrição de liberdade de três vítimas" (fl. 66, grifei). Quanto à pretensão de fixação do regime semiaberto, cumpre enfatizar que esta Corte tem decidido que o modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, aoquantumde reprimenda imposto. É dizer, para a escolha do regime prisional, devem ser observadas asdiretrizes dos arts. 33 e 59, ambos do Código Penal, além dos dados fáticos da conduta delitiva que, se demonstrarem agravidade concretado crime, poderão ser invocados pelo julgador para a imposição de regime mais gravoso do que o permitido peloquantumda pena (HC n. 279.272/SP, Rel. MinistroMoura Ribeiro, 5ª T., DJe 25/11/2013; HC n. 265.367/SP, Rel. MinistraLaurita Vaz, 5ªT., DJe 19/11/2013; HC n. 213.290/SP, Rel. MinistraMaria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 4/11/2013; HC n. 148.130/MS, Rel. MinistroSebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 3/9/2012). Diante da fundamentação oferecida pelas instâncias de origem,não verifico a apontadailegalidade na fixação do regime inicial fechado, quando apontados dados fáticos suficientes a indicar a gravidade concreta do crime -na espécie, a prática deroubo de carga, com emprego de arma de fogo, concurso de agentes e restrição de liberdade de três vítimas -, ainda que oquantumda pena seja inferior a oito anos (art. 33, § 3º, do CP). Logo, em que pese a insurgência ora deduzida, noto que a fundamentação apresentadademonstra, sem dúvidas, a maior gravidade do comportamento ilícito, o que justifica, de maneira idônea, a fixação do regime fechado. À vista do exposto, denego a ordem. Publique-se e intimem-se.