AREsp 1972192 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a matéria discutida exigiria revolvimento do conjunto fático-probatório (análise de provas e das conclusões do Tribunal de origem quanto à existência de animus associativo em 'boca de fumo'), vedado pela Súmula n. 7 do STJ; assim mantiveram-se as...
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- Parties
- Agravante: LUAN BRITO CARVALHO; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Associação Para O Tráfico, Tráfico De Drogas, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj
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Parties
LUAN BRITO CARVALHO
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação do art. 35 da Lei nº 11.343/06 quanto à falta de comprovação do dolo de estabilidade e permanência para configuração do crime de associação para o tráfico
- 2 Impedimento de reexame de matéria fático-probatória na via do recurso especial em razão da Súmula n. 7 do STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a matéria discutida exigiria revolvimento do conjunto fático-probatório (análise de provas e das conclusões do Tribunal de origem quanto à existência de animus associativo em 'boca de fumo'), vedado pela Súmula n. 7 do STJ; assim mantiveram-se as conclusões da instância ordinária quanto à caracterização da associação para o tráfico.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por LUAN BRITO CARVALHO e OUTRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, assim resumido: APELAÇÃO - TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO (ART. 33 E 35 DA LEI N. 11.343/06) - COMÉRCIO DE DROGA EM "BOCA DE FUMO" - CONFIGURAÇÃO - RECURSO PROVIDO. I - O comércio de entorpecentes realizado por duas ou mais pessoas em "boca de fumo", local em que a droga é distribuída rotineiramente, em pequenas quantidades, a qualquer hora do dia ou da noite, atividade organizada, ainda que de forma rudimentar, com divisão de tarefas entre os habitantes do local, que se desenvolve durante razoável período de tempo, configura o crime de associação para o tráfico, tipificado no artigo 35, da Lei nº 11.343/2006, pois a rotina e a regularidade na distribuição caracteriza o vínculo associativo estável necessário para distinguir tal atividade da mera reunião ocasional de pessoas. II - Recurso provido. De acordo com o parecer. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 35 da Lei nº 11.343/06, no que concerne à falta de comprovação do dolo de estabilidade e permanência para a configuração do crime de associação para o tráfico de drogas, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): No concernente ao delito previsto no art. 35 da Lei 11.343/2066, temos com toda certeza que a r. sentença do juízo de primeiro grau estava correta ao entender pela absolvição pelo delito de Associação para o tráfico, todavia o v. acórdão merece reparo ao entender pela condenação, sem fundamentação hábil para tanto. .. No caso vertente a absolvição do delito de Associação para o tráfico, faz-se necessária, tendo em vista que as provas reunidas nos presentes autos não demonstram a existência de um vínculo associativo estável com o corréu, o que se faz ver pela simples leitura do v. acórdão. Desta forma, configurada está a atipicidade da conduta, em razão da inexistência de vínculo associativo permanente e com fins de futuras outras ações. .. No caso dos autos, verifica-se tão somente um mero concurso de agentes para prática do ilícito, configurando dedicação a atividades criminosas, um concurso necessário para a prática do crime em questão, mas não o crime de Associação para o tráfico especificamente, que exige o dolo de se associar com estabilidade e permanência para a prática de tráfico de drogas. .. De onde se conclui que, por não haver provas seguras do necessário vínculo associativo, permanente e com fins de futuras outras ações, a absolvição dos Recorrentes é medida de Justiça! (fls. 589/594). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: "No caso destes autos, em que se consumou pelo menos um crime de tráfico, as circunstâncias demonstram, acima de qualquer dúvida razoável, a presença do animus associativo necessário à configuração do crime de associação para o tráfico de drogas, tipificado no artigo 35 da Lei nº 11. 343/06. Como visto, o comércio de entorpecentes era realizado por mais de uma pessoa, em uma das chamadas "bocas de fumo", local em que a droga é distribuída rotineiramente, normalmente em pequenas quantidades, a qualquer hora do dia ou da noite, atividade organizada, ainda que de forma rudimentar, com divisão de tarefas entre os habitantes do local, que se desenvolve durante razoável período de tempo. Não fosse a extensão temporal, a habitualidade, a rotina e a constância, o local jamais atingiria o status, a fama de "boca de fumo". Tal atividade contrapõe-se ao comércio esporádico, eventual, daí ser prova inconteste de que aquele que ali milita faz de tal comércio um meio de vida, caracterizando entre os participantes de tal comércio ilícito o vínculo associativo estável e permanente exigível para configurar o delito autônomo de associação para o tráfico. .. Pelas provas colhidas, extrai-se que, a equipe da Força Tática recebeu denúncias anônimas de que no endereço situado à Rua Noca Dauzaker, nº 1425 e 1429, Jardim Água Boa, na cidade de Dourados, a pessoa de Luis estaria realizando o tráfico de drogas. Os Policiais Militares que atenderam à ocorrência, Eduardo Vernes Endres e Caio Venancio Medeiros dos Santos, afirmaram, em Juízo, reiteraram suas declarações anteriores (f. 241 e 374), sendo que Eduardo esclareceu que em um primeiro momento todos os infratores negaram os fatos, porém, em um momento posterior, Luís confirmou que a droga era dele e de Luan, explicando que Luan era sócio na compra dos entorpecentes que Luís as guardava na residência de Jorgem, possuindo inclusive a chave do imóvel. Já o Policial Caio esclareceu que Luan assumiu que os acusados estavam associados para a prática da mercancia e que possivelmente isso já acontecia há mais de um mês; que Luan já era uma pessoa conhecida pelas autoridades e que, por essa razão, realizaram as diligências após a denúncia sobre o tráfico. Brenda Chaves Petricioli, esposa de Luís, relatou, na delegacia (f. 22/23), que estava morando na casa do acusado há um mês e que na data dos fatos estava dormindo quando foi acordada por Luan gritando que a polícia estava entrando na casa; Narrou que logo em seguida os policiais entraram, pedindo para ela sair e que eles encontraram drogas no balcão da cozinha; que tinha conhecimento que a droga pertencia a Luís, visto que ele realiza a mercancia há muito tempo, pois desde que começou a se relacionar ele nunca trabalhou e mesmo assim arcava com as despesas da casa; que nunca viu Luan comprar os tóxicos, contudo este sempre estava na residência para "fumar" com Luis, pois são amigos, e, sobre os narcóticos encontrados na casa de Jorgem, narra que não sabe de quem é a propriedade, só ouviu Luís confessando ser dele. Embora esta testemunha não tenha sido localizada para ser ouvida em Juízo, estando em lugar incerto e não sabido, seu relato é confirmado pelos depoimentos dos policiais, conforme visto acima, no sentido de que, no local, funcionava uma "boca de fumo" e que isso já ocorria há algum tempo" (fls. 566/568). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que para dissentir da conclusão do Tribunal de origem seria necessária a incursão no conjunto fático-probatório carreado aos autos. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA A HONRA. CALÚNIA. ART. 138, CAPUT, COMBINADO COM ART. 141, II, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. .. PLEITO ABSOLUTÓRIO.AUSÊNCIA DE DOLO, ERRO DE TIPO E ATIPICIDADE DA CONDUTA. ÓBICE DO REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, CONFORME SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 2. Ante o que constou no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça, para se concluir pela absolvição do agravante por falta de dolo, erro de tipo ou atipicidade da conduta, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do STJ. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.127.790/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 12/02/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. .. AFRONTA AOS ARTS. 17 E 18, AMBOS DO CP. CARACTERIZAÇÃO DE CRIME IMPOSSÍVEL. DOLO DA CONDUTA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. VEDAÇÃO. PEDIDO DE DESCLASSIFICAÇÃO E DE DIMINUIÇÃO DO QUANTUM FIXADO À TÍTULO DE MULTA. MATÉRIAS PROBATÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE. PLEITO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. REEXAME DE PROVAS. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. .. . .. 2. Cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático probatório a fim de analisar a existência de provas suficientes a embasar o decreto condenatório, ou a ensejar a absolvição, bem como analisar a existência de dolo na conduta do agente e as possíveis excludentes de ilicitude ou mesmo eventual ocorrência de uma das excludentes de culpabilidade aplicáveis ao caso. Compete, também, ao Tribunal a quo, examinar o quantum a ser fixado a título de prestação pecuniária, com base nas condições econômicas do acusado. Incidência da Súmula 7 deste Tribunal. 3. É assente que "a averiguação da existência ou não do nexo de dependência entre as condutas, capaz de afirmar pela incidência ou não do princípio da consunção, esbarra no óbice da Súmula 07 desta Corte, na medida em que exige incursão na matéria fático-probatória dos autos, o que é inviável na via especial." (REsp 810.239/RS, Rel, Min. GILSON DIPP, QUINTA TURMA, DJ 09/10/2006) . .. 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 824.317/RS, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 28/03/2016.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO. DECISÃO DE IMPRONÚNCIA. ALEGADA PRESENÇA DE PROVAS DA MATERIALIDADE DO CRIME. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "É assente que cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático e probatório a fim de analisar se, ao final da primeira fase do procedimento escalonado do juri, há provas ou não para pronunciar, impronunciar, desclassificar ou absolver sumariamente o acusado, bem como verificar se, por ocasião da decisão de pronúncia, eventual qualificadora se mostra improcedente ou descabida. Incidência do enunciado 7 da Súmula deste STJ" (AgRg no AREsp n. 636.030/BA, relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 1º/3/2016, DJe de 9/3/2016). .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.474.204/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 08/09/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. .. 3. CONTROVÉRSIA SOBRE A JUSTA CAUSA. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO ARCABOUÇO FÁTICO PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. .. 3. O entendimento da Corte local se assentou no arcabouço probatório que subsidiou o oferecimento da denúncia. Assim, eventual conclusão em sentido contrário, para se afirmar que há justa causa para a ação penal, demandaria indevida incursão no arcabouço dos autos, o que não se admite na via eleita, nos termos do óbice do enunciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Como é de conhecimento, a análise de eventual violação da norma infraconstitucional não pode demandar o revolvimento dos fatos e das provas carreados aos autos, porquanto as instâncias ordinárias são soberanas no exame do acervo probatório. Dessa forma, não é dado a esta Corte Superior se imiscuir nas conclusões alcançadas pelas instâncias ordinárias, acerca da ausência de justa causa para a ação penal, em virtude da ausência de indícios mínimos de autoria. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp n. 1.624.540/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 04/12/2018, DJe 14/12/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes, que versam sobre outras hipóteses de aplicação do enunciado da Súmula n. 7/STJ: AgRg no AREsp 1.648.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 13/10/2020; AgRg no AgRg no AREsp 1.780.664/PB, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 22/02/2021; AgRg no AREsp 1.375.089/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019; AgRg no REsp 1.821.134/MT, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 10/12/2019; AgRg no AREsp 1.275.084/TO, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/06/2019; AgRg no AREsp 1.348.814/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 04/02/2019; AgRg no AREsp 1.480.030/BA, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AgRg nos EDcl no AREsp 1.344.238/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 12/12/2018; AgRg no AREsp 589.412/MG, relator. Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, DJe de 02/02/2015; AgRg no AREsp 1.433.019/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 05/04/2019; AgRg no AREsp 1.733.622/GO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 08/02/2021; REsp 1.621.899/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 07/12/2020; AgRg nos EDcl no AREsp 1.713.529/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 21/09/2020; REsp n. 1.777.169/AL, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/05/2019; AgRg no REsp n. 1.767.963/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 26/08/2020; AgRg no AREsp n. 1.738.871/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 27/11/2020; AgRg no AgRg no REsp n. 1.845.089/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 23/11/2020; AgRg no REsp n. 1.679.603/GO, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 19/02/2018; AgRg no REsp n. 1.857.774/RS, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 30/06/2020; AgRg no AREsp n. 1.213.878/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.