REsp 1952207 - DECISAO
O Tribunal concluiu que não houve omissão no acórdão recorrido; as astreintes foram fixadas de forma proporcional ao reiterado descumprimento da ordem judicial e não se mostram exorbitantes; a revisão do quantum das multas em Recurso Especial implicaria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ;...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecimento Parcial; Recurso Não Provido; Fase De Cumprimento De Sentença
- Outcome
- Conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Astreintes (multa Cominatória), Revisão De Multa, Proporcionalidade, Prequestionamento, Omissão E Embargos De Declaração, Súmula 7/stj
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Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecimento Parcial; Recurso Não Provido; Fase De Cumprimento De Sentença
Legal Issues
- 1 alegada omissão no acórdão (art. 1.022, II, CPC)
- 2 alegada ofensa aos arts. 497, 537 §1º I e 814 do CPC
- 3 alegada ofensa aos arts. 412, 884 e 886 do CC
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que não houve omissão no acórdão recorrido; as astreintes foram fixadas de forma proporcional ao reiterado descumprimento da ordem judicial e não se mostram exorbitantes; a revisão do quantum das multas em Recurso Especial implicaria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ; e houve ausência de prequestionamento sobre determinados dispositivos, impedindo seu exame nesta instância.
Court Disposition
Conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, nego-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Recurso Especial interposto, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão assim ementado (fl. 100, e-STJ): Agravo de instrumento. Cumprimento de sentença. Decisão que acolheu parcialmente a impugnação ao cumprimento de sentença para reduzir o valor da multa anteriormente fixada. Agravada que foi condenada ao pagamento de multa de RS 10.000,00 (dez mil reais) para cada negativação indevida que fosse realizada contra a Agravante, tendo realizado dezoito, culminando em multa de RS 180.000.00 (cento e oitenta mil reais). Decisão que diminuiu o valor de cada negativação indevida para RS 1.000,00 (mil reais). Impossibilidade. Se o montante total devido se tornou elevado, tal fato se deu em decorrência dos descumprimentos reiterados promovidos pela Agravada. A multa por descumprimento deve ser proporcional à obrigação imposta. Os valores envolvidos na ação originária impõem que o valor da multa por descumprimento seja mantido tal como inicialmente fixado no valor de R$10.000,00 (dez mil reais) por cada ato de desobediência praticado pela Agravada. Para evitar a incidência da multa bastava à Agravada não realizar a negativação da pessoa jurídica ora Agravante. Tendo a Agravada preferido desobedecer a decisão dezoito vezes, de rigor que seja realizado o pagamento somado por cada descumprimento. Ademais, a multa não se revela exorbitante se analisada sob o prisma da demanda originária, das empresas envolvidas e por cada ato de descumprimento praticado. Decisão reformada. RECURSO PROVIDO. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fls. 120-124, e-STJ). A parte recorrente alega violação aos arts. 497, 537, § 1º, I, 814 e 1.022, II, do CPC e aos arts. 412, 884 e 886 do CC. Afirma que o acórdão recorrido é nulo, porquanto foi omisso na análise de algumas questões de direito (fl. 134, e-STJ). Aduz que o valor fixado a título de astreintesé excessivo, exagerado e "desproporcional, afrontando, diretamente, princípios basilares do ordenamento pátrio"(fl. 136, e-STJ). Salienta que os juros de mora e a correção monetária não devem incidir sobre as astreintes arbitratadas pelo Juízo (fl. 142, e-STJ). Sem contrarrazões. É o relatório. Decido. Os autos deram entrada no Gabinete em 16.8.2021. A irresignação não merece acolhida. Constato que não se configurou a ofensa aos arts. 489 e 1.022, II, do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, como lhe foi apresentada. Ademais, verifica-se que o acórdão impugnado está bem fundamentado, inexistindo omissão ou contradição.Confiram-se: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/15 E ART. 12 DA LEI N. 8.429/92. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. ENTENDIMENTO FIRMADO POR JURISPRUDÊNCIA DO STJ. NÃO OBRIGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 489 DO CPC/15. VÍCIOS. AUSÊNCIA. PROPORCIONALIDADE. SANÇÕES. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. ALEGAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO 7 DA SÚMULA DO STJ. I - Trata-se, na origem, de ação civil pública por ato de improbidade administrativa, decorrente de descumprimento injustificado e reiterado de ordem judicial objetivando condenação do agravante na suspensão dos direitos políticos; proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada julgando procedente o pedido. Nesta Corte, conheceu-se em parte do recurso especial e, na parte conhecida, foi negado provimento. II - O agravante alega violação do art. 1.022, II, do Código de Processo Civil e do art. 12 da Lei n. 8.429/92, bem como sustenta existir divergência jurisprudencial. No tocante à alegada omissão do Tribunal de origem, não lhe assiste razão. O acórdão recorrido não se ressente de omissão, porquanto apreciou a controvérsia com fundamentação suficiente, embora contrária ao interesse do recorrente. III - É fácil perceber que o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais declinou, de forma suficiente, dos motivos por que considerou correto o procedimento adotado pelo Juiz de primeiro grau. A pretexto de que haveria omissão no acórdão, pretende o recorrente, na realidade, a modificação do v. aresto impugnado. IV - Conforme entendimento pacífico desta Corte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS n. 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóte.ses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. V - Para além do alegado vício de fundamentação e omissão, suscitou o recorrente a violação do art. 12 da Lei de Improbidade Administrativa, tendo em conta a sustentada desproporcionalidade da sanção imposta. Na forma como aplicada e à luz da conduta descrita no acórdão recorrido, inexiste desproporção que justifique a excepcional intervenção corretiva do STJ. A propósito, a orientação remansosa nesta Corte é de que, apenas no caso de patente afronta ao princípio da proporcionalidade, afigura-se possível a revisão das sanções aplicadas pela prática de ato de improbidade administrativa. VI - Portanto, falta ao recurso especial fundado na alínea a do inciso III do art. 105 da CF requisito específico de admissibilidade. Consequência disso é a inadmissibilidade do recurso também quanto à alegada existência de dissídio jurisprudencial (CF, art. 105, III, c). Afinal, se não analisado o mérito da decisão recorrida, o que esbarraria no óbice na Súmula n. 7 do STJ, não há como investigar se a interpretação dada ao caso é divergente da empregada nos outros julgamentos expostos. VII - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.812.069/MG, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe 26/5/2021) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. VÍCIOS DE INTEGRAÇÃO NÃO CONFIGURADOS. 1. Nos termos do que dispõe o artigo 1.022 do CPC/2015, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. 2. No caso dos autos, não há vício a ensejar esclarecimento ou a integração do que decidido no julgado. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1.739.212/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 28/5/2021) O Tribunal bandeirante, quando do exame dos Embargos de Declaração (fls. 129-124, e-STJ), teve a oportunidadede mais uma vezesclarecer que a multa foi fixada "em valor tão alto quanto necessário para que não fosse desrespeitada a decisão que vedava a negativação da Autora, ao passo que a Embargante realizou 18 (dezoito) negativações indevidas". Segue trecho do acórdão recorrido: No caso em tela, já foram esclarecidas as razões pelas quais o recurso da Embargada comporta provimento, especialmente, por se ter entendido que a multa foi fixada em valor tão alto quanto necessário para que não fosse desrespeitada a decisão que vedava a negativação da Autora, ao passo que a Embargante realizou 18 (dezoito) negativações indevidas. A indicada afronta aos arts. 884 e 886 do CC e ao art. 497 do CPC não pode ser analisada, pois o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre esses dispositivos legais. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. A propósito cito: AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PLANO APROVADO. ADQUIRENTE DE UNIDADE IMOBILIÁRIA. ATÉ O MOMENTO, FORMALMENTE, NÃO CONSTA COMO CREDOR DAS RECUPERANDAS. INCLUSÃO QUE DEVE SER OBJETO DE IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO. NECESSIDADE DE ASSINATURA DO INSTRUMENTO DE DISTRATO. DISCUSSÃO EM SEDE PRÓPRIA. EMPREENDIMENTO SUJEITO A PATRIMÔNIO DE AFETAÇÃO. PLANO CONTÉM PREVISÃO DE CREDORES FUTURAMENTE OPTAREM SOBRE O MODO DE PAGAMENTO DE SEUS CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE. LEGALIDADE DOS ÍNDICES DE JUROS PREVISTOS (TR E IPCA). PRAZO DE SUPERVISÃO JUDICIAL PRORROGADO ATÉ QUE FINDA A CARÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. PRETENSÃO RECURSAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS COMO VIOLADOS. SÚMULA 211 DO STJ. INCIDÊNCIA. REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO E PROBATÓRIO. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Para que se configure o prequestionamento da matéria, ainda que implícito, há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno dos dispositivos legais tidos como violados, a fim de que se possa, na instância especial, abrir discussão sobre determinada questão de direito, definindo-se, por conseguinte, a correta interpretação da legislação federal (Súm.211/STJ). 2. O exame da pretensão recursal exigiria a alteração das premissas fático-probatórias estabelecidas pelo v. acórdão e a reinterpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos dos enunciados das Súmulas 5 e 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1.641.123/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 30/4/2021) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ÁGUA. CONDOMÍNIO. ILEGALIDADE DA COBRANÇA DA TARIFA MÍNIMA, MULTIPLICADA PELO NÚMERO DE ECONOMIAS. APONTADA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. INCONFORMISMO. ALEGADA INFRINGÊNCIA AOS ARTS. 6º, IV E VI, 39, I, V E X E 51, IV E X, DO CDC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211 DO STJ. ÚNICO HIDRÔMETRO. TARIFA PROGRESSIVA. CONSUMO TOTAL MEDIDO. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. (..) IV. Não tendo o acórdão hostilizado expendido juízo de valor sobre os arts. 6º, IV e VI, 39, I, V e X e 51, IV e X, do CDC, a pretensão recursal esbarra em vício formal intransponível, qual seja, o da ausência de prequestionamento - requisito viabilizador da abertura desta instância especial -, atraindo o óbice da Súmula 211/STJ. V. Segundo o entendimento do STJ, "em casos de condomínios, em que existe apenas um hidrômetro a auferir o consumo global de água, deve ser aplicada a tabela progressiva, proporcionalmente ao consumo total medido, a fim de que, quanto maior o consumo, maior a tarifa a ser suportada pelo condomínio, de acordo com o escalonamento preestabelecido" (STJ, AgRg no REsp 997.405/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/11/2009). No mesmo sentido: STJ, AgInt no REsp 1.745.659/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/09/2019; AgInt no AgInt no REsp 1.841.266/RJ, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/03/2021; EDcl no REsp 625.221/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJ 25/05/2006. No caso, o acórdão recorrido encontra-se em conformidade com o aludido entendimento. VI. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 859.442/RJ, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/4/2021) Passo agora a analisar a suposta infringência ao art. 537, § 1º, I, do CPC. O Tribunal estadual reconheceu a faculdade do magistrado de "reduzir o valor alcançado pela multa cominatória ao verificar que a quantia se tornou excessiva e desproporcional." Contudo, a Corte a quo entendeu que "a multa foi fixada em valor tão alto quanto necessário para que não fosse desrespeitada a decisão que vedava a negativação da Autora." Ademais, ficou assentado no acórdão recorrido que a recorrente descumpriu reiteradamente ordens judiciais que proibiam a negativação e a manutenção do nome da recorrida no banco de dados de instituições de proteção ao crédito. Além disso, se houver minoração do valor da multas para R$ 18.000,00 (dezoito mil reais), fragilisar-se-á este meio de coerção, visto que "a Ré consiste em gigante do mercado da telecomunicação no país." Portanto, a interpretação realizada pela Corte bandeirante, do dispositivo legal em comento, está correta, porquanto seguiu literalmente os preceitos determinados na norma. Quanto ao valor da multa, o STJ não pode avançar na sua apreciação na via estreita do Recurso Especial, sob pena de colidir com o enunciado da Súmula 7/STJ. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO RECURSO ESPECIAL. CIVIL. AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ASTREINTES. REVISÃO. REEXAME DE ACERVO FÁTICO PROBATÓRIO. INADMISSIBILIDADE. 1. Ação de manutenção de posse em fase de cumprimento de sentença. 2. "A decisão que comina astreintes não preclui, não fazendo tampouco coisa julgada." (REsp n º 1.333.988/SP, Segunda Seção) 3. A revisão dos valores da multa cominatória enseja o remanejo do acervo probatório, o que vedado na via estreita do recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.698.588/GO, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, DJe 2/12/2020) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXECUÇÃO DE ASTREINTES. MULTA (ASTREINTES) FIXADA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. VALOR DA MULTA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Na origem, cuida-se de Agravo de Instrumento interposto contra decisão que, nos autos de Ação Indenizatória, indeferiu a dilação probatória nos autos já sentenciados e em fase de execução. O Tribunal de origem negou provimento ao Agravo de Instrumento aviado. 2. Infere-se, portanto, como consignado pela Corte de origem, que a demanda originária foi proposta em 6/5/2014, tendo sido deferida a antecipação de tutela naqueles autos para que o serviço fosse instalado no prazo de 48 horas, sob pena de multa diária, restando, ao final confirmada a tutela deferida e procedente o pedido de indenização por danos morais. 3. Verifica-se que, com o trânsito em julgado, iniciou-se a execução de astreintes promovida pela agravada por descumprimento da obrigação imposta judicialmente. Dessa forma, a despeito de a agravante tentar o acautelamento de mídia a fim de comprovar a impossibilidade de cumprir a obrigação de fazer, esgotou-se a possibilidade de rever a matéria revestida dos efeitos preclusivos da coisa julgada, evidenciando o acerto da decisão ora vergastada. 4. A questão central ora discutida está relacionada tão somente se o montante devido em razão das astreintes atende ao critério da razoabilidade. 5. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que o valor arbitrado a título de astreintes somente pode ser revisto excepcionalmente, quando irrisório ou exorbitante, sob pena de ofensa ao disposto na Súmula 7 do STJ, o que não ocorre, na espécie, visto tratar-se de execução de multa por descumprimento injustificado de ordem judicial por parte do ora recorrente. 6. Nesse contexto, não sendo o caso de manifesta exorbitância, inafastável a incidência da Súmula 7/STJ, in casu. "Rever o entendimento consignado pela Corte local quanto à não exorbitância das astreintes arbitradas requer revolvimento do conjunto fático-probatório, visto que a instância a quo utilizou elementos contidos nos autos para alcançar tal entendimento. Aplicação da Súmula 7/STJ" (STJ, AgInt no AREsp 929.114/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 1º/2/2017). No mesmo sentido: STJ, AgInt no AREsp 763.760/PE, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 12/5/2016; AgRg no AREsp 844.841/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 15/4/2016. 7. Por fim, cumpre mencionar que o Tribunal de origem entendeu pela "inequívoca a má-fé e a intenção procrastinatória da agravante, eis que formula pretensão absolutamente infundada, manejando o presente recurso de agravo de instrumento, na tentativa de obter a apreciação de matéria contra a qual não se insurgiu oportunamente. A atitude da ora agravante e de seu patrono configura o proceder temerário na prática de atos processuais rechaçado pelo ordenamento jurídico, uma vez que agita o recurso com escopo meramente protelatório, em patente abuso de direito. A toda evidência, a agravante se utiliza de procedimento escuso com o intuito de prolongar deliberadamente o andamento do feito, o que constitui litigância de má-fé, nos termos do art. 80, VII do Código de Processo Civil de 2015". 8. Recurso Especial não provido. (REsp 1.781.575/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 24/6/2020) PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE TUTELA JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. OBRIGAÇÃO DE FAZER E MULTA COMINATÓRIA. IMPOSIÇÃO DE OFÍCIO PELO JUIZ. PODER GERAL DE EFETIVAÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO EM DESFAVOR DO AGENTE PÚBLICO. POSSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. QUANTUM DA SANÇÃO E INSUFICIÊNCIA DO PRAZO ASSINALADO PARA CUMPRIMENTO DA DECISÃO. REVISÃO. SÚMULA 7 DO STJ. APLICAÇÃO. 1. O Plenário do STJ decidiu que "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). 2. Inexiste violação do art. 535 do CPC/1973 quando o Tribunal de origem aprecia fundamentadamente a controvérsia, apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como constatado na hipótese. 3. O Superior Tribunal de Justiça, sob o rito dos recursos representativos da controvérsia, firmou a compreensão de que o § 5º do art. 461 do CPC/1973 permite ao juiz que, diante do caso concreto, adote qualquer medida que se revele necessária à satisfação do bem da vida almejado pelo jurisdicionado. Trata-se do "poder geral de efetivação", concedido ao juiz para dotar de efetividade as suas decisões (REsp 1.474.665/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, Primeira Seção, DJe 22/06/2017). 4. É possível ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, fixar multa diária cominatória (astreintes), ainda que contra a Fazenda Pública, em caso de descumprimento de obrigação de fazer, "independentemente de requerimento do autor", pois, nos termos do art. 11 da Lei n. 7.437/1985, "a hipótese de imposição de astreintes é ope legis e, em consequência, obrigatória, caso paire a mínima dúvida sobre o acatamento voluntário futuro da decisão judicial" (REsp 1.723.590/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, julgado em 08/05/2018, DJe 26/11/2018). 5. Hipótese em que o Tribunal de origem, ancorado naquele preceito do CPC/1973 e no âmbito do processo coletivo, afastou a alegação de julgamento extra petita, ao fundamento de que, embora inexistisse pedido expresso para fiscalizar outros empreendimentos, essas providências (obrigação de fazer) foram impostas para "evitar os loteamentos irregulares", com o fito de "garantir a efetivação de tutela especifica ou a obtenção do resultado prático equivalente". 6. O art. 11 da Lei n. 7.347/85 autoriza o imposição de multa cominatória não apenas ao ente estatal "mas também pessoalmente às autoridades ou aos agentes públicos responsáveis pela efetivação das determinações judiciais" (REsp 1.111.562/RN, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, Segunda Turma, julgado em 25/08/2009, DJe 18/09/2009). 7. Carece do indispensável requisito do prequestionamento, a atrair a aplicação da Súmula 282 do STF, o apelo especial que ventila tema não examinado na origem, tampouco citado nos embargos de declaração opostos. 8. Salvo em casos excepcionais, não é cabível, na via estreita do recurso especial, a revisão do montante fixado a título de multa cominatória (astreintes), ante a impossibilidade de análise de fatos e provas, conforme a Súmula 7 do STJ. 9. In casu, o Tribunal a quo, "levando em consideração os critérios de proporcionalidade razoabilidade", reduziu o valor da multa para quantum que não se mostra flagrantemente desproporcional a justificar o transpasse do aludido óbice sumular. 10. Reputar insuficiente o novo prazo assinalado no acórdão guerreado (30 dias) para a efetivação da obrigação imposta não depende de simples análise do critério de valoração da prova, mas do reexame dos elementos de convicção postos no processo, providência incompatível com a via estreita do recurso especial, de acordo com a Súmula 7 do STJ. 11. Agravo interno desprovido. (AgInt no AgInt no REsp 1.430.917/RN, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe 12/12/2019) Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, nego-lhe provimento, com fulcro no art .932 do CPC. Publique-se. Intimem-se.