HC 996270 - DECISAO
Não se verificou confissão válida nos autos (o depoimento extrajudicial negou autoria, atribuindo guarda de bens a pedido do tio), de modo que a atenuante do art. 65, III, "d" do CP não se aplica; a mera transcrição da versão do réu na sentença não equivale a utilização dessa versão como fundamento da decisão; não...
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- Parties
- Paciente: ANDRÉ TOMAZ LUCIO; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Atenuante Da Confissão, Dosimetria Da Pena, Habeas Corpus Como Substituto De Recurso, Ilegalidade Flagrante
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Parties
ANDRÉ TOMAZ LUCIO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 reconhecimento da atenuante da confissão
- 2 uso do habeas corpus para revisão da dosimetria
- 3 existência de ilegalidade flagrante que justifique concessão de ofício
Ratio Decidendi
Não se verificou confissão válida nos autos (o depoimento extrajudicial negou autoria, atribuindo guarda de bens a pedido do tio), de modo que a atenuante do art. 65, III, "d" do CP não se aplica; a mera transcrição da versão do réu na sentença não equivale a utilização dessa versão como fundamento da decisão; não há flagrante ilegalidade apta a autorizar o habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio; assim, o habeas corpus não foi conhecido.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de ANDRÉ TOMAZ LUCIO contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL no julgamento da apelação criminal. Na hipótese, o impetrante busca o reconhecimento da atenuante da confissão, uma vez que teria sido utilizada para fundamentar a condenação do réu. E, no caso de reconhecimento, que seja compensada com a reincidência. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento ou denegação da ordem (fls. 88-94). É o relatório. DECIDO. O habeas corpus se configura como remédio constitucional de cognição sumária, ou seja, não implica em exame aprofundado da prova, sendo a cognição pautada pelo juízo da verossimilhança das alegações com limites estreitos. Além disso, o Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento visa preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Assim, o habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de recurso próprio ou revisão criminal, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício. Nesse sentido, encontram-se: EMENTA AGRAVO INTERNO EM HABEAS CORPUS. DECISÃO CONDENATÓRIA TRANSITADA EM JULGADO. UTILIZAÇÃO DO HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. INVIABILIDADE. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE EVIDENTE. HABEAS CORPUS INDEFERIDO. 1. É inviável a utilização de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal. 2. A revisão da fração aplicada na dosimetria da pena-base é inadmissível na via estreita do habeas corpus, que não comporta dilação probatória. 3. Ausência de ilegalidade evidente na dosimetria quando presentes fundamentos idôneos para fixação da pena-base acima do mínimo legal. 4. Agravo interno desprovido.(STF - HC: 214879 SP 0118683-38.2022.1.00.0000, Relator: NUNES MARQUES, Data de Julgamento: 21/06/2022, Segunda Turma, Data de Publicação: 30/06/2022). DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. DOSIMETRIA. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA DO ART. 33, § 4º, DA LEI 11.343/2006. REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS. APREENSÃO E QUASE MEIA TONELADA DE ENTORPECENTES E CIRCUNSTÂNCIAS QUE DEMONSTRAM NÃO SE TRATAR DE TRAFICÂNCIA EVENTUAL. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. NÃO CABIMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus substitutivo de recurso próprio ou revisão criminal, em razão da ausência de flagrante ilegalidade. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em determinar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão de habeas corpus de ofício. III. Razões de decidir 3. A jurisprudência do STJ e do STF não admite habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 4. Não se verificou flagrante ilegalidade ou constrangimento ilegal que justificasse a concessão de habeas corpus de ofício. 5. A revisão da dosimetria da pena em habeas corpus é restrita a situações de manifesta ilegalidade ou abuso de poder. 6. O afastamento do tráfico privilegiado foi devidamente motivado, haja vista não apenas a quantidade de droga apreendida (1/2 tonelada de entorpecentes), mas também as circunstâncias concretas que indicam que não se trata de traficante eventual, não cabendo reexame de fatos e provas na instância especial. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.(AgRg no HC n. 933.895/PR, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 30/10/2024.) AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS. PLEITO DE IMPROCEDÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO. REEXAME PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O habeas corpus, ação constitucional de rito célere e de cognição sumária, não é meio processual adequado para analisar a tese de insuficiência probatória para a condenação. Hipótese em que as instâncias ordinárias, com base no acervo probatório, incluindo o depoimento de testemunhas e a apreensão de relevante quantidade de entorpecentes e dinheiro, concluíram que o paciente praticou o ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, o que inviabiliza a respectiva absolvição. Entendimento em sentido contrário demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório, providência inviável na via estreita do habeas corpus. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 925.626/ES, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 25/10/2024. No entanto, nada impede que, de ofício, este Tribunal Superior constate a existência de ilegalidade flagrante, circunstância que ora passo a examinar. A controvérsia reside na ausência de reconhecimento da atenuante da confissão quando da dosimetria da pena. O acórdão em análise apresentou fundamentação adequada, afastando sua incidência, conforme excerto seguinte (fls. 326): A defesa pugna pelo reconhecimento da confissão espontânea. A confissão espontânea, quando utilizada como fundamento para a condenação, é de reconhecimento obrigatório para fins de atenuação da pena, nos termos da Súmula 545 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), independentemente de ser total, parcial ou qualificada. No entando, no caso em análise, o réu, ao ser ouvido pela autoridade policial, não confessou a prática delitiva. Em seu depoimento extrajudicial (p. 14), limitou-se a alegar que estava apenas guardando os bens para seu tio buscando, assim, justificar sua posse dos objetos, e não admitir a autoria do furto. Dessa forma, sua versão não pode ser considerada como confissão válida para fins de aplicação da atenuante prevista no art. 65, inciso III, alínea "d", do Código Penal, pois não houve reconhecimento do crime, mas sim uma tentativa de afastar sua responsabilização penal A defesa alega que a confissão teria sido utilizada para fundamentar a decisão, o que não ocorreu. Conforme trechos elencados na própria petição inicial, é possível observar que houve somente a transcrição ou menção ao que havia sido alegado pelo próprio acusado, não se tratando de trecho em que se fundamentou a decisão. A simples transcrição da tese do réu na sentença não indica que ela foi utilizada como fundamentação, razão pela qual acertou o Tribunal de Justiça ao afastar a incidência da atenuante. E, não sendo o caso de se reconhecer a atenuante, resta prejudicado o pedido secundário. Verifica-se, no caso, que houve a devida fundamentação para afastamento da confissão. Não há flagrante ilegalidade a ser reconhecida pela estreita via do habeas corpus, razão pela qual deve ser mantida a decisão de origem. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA