REsp 2210388 - DECISAO
Precedentes desta Corte autorizam o reconhecimento da atenuante do art. 65, III, "d" do CP mesmo no caso de confissão extrajudicial ou informal; no caso concreto a confissão informal prestada perante policiais foi considerada idônea e mencionada no título condenatório como elemento corroborador, motivo pelo qual...
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- Parties
- Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Recorrido: réu
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- nega provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Atenuante Da Confissão, Art. 65, III, "d" Do Código Penal, Confissão Informal, Dosimetria Da Pena, Súmula 545/stj
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Recorrente
réu
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 caracterização da atenuante prevista no art. 65, III, "d" do Código Penal
- 2 validade da confissão informal/extrajudicial como atenuante
- 3 necessidade de formalização da confissão perante autoridade para fins de atenuante
Ratio Decidendi
Precedentes desta Corte autorizam o reconhecimento da atenuante do art. 65, III, "d" do CP mesmo no caso de confissão extrajudicial ou informal; no caso concreto a confissão informal prestada perante policiais foi considerada idônea e mencionada no título condenatório como elemento corroborador, motivo pelo qual deve ser mantida a atenuante e negado provimento ao recurso especial.
Court Disposition
nega provimento ao recurso especial
Orders
- Nega provimento ao recurso especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO interpõe recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, na Apelação Criminal n. 0816042-57.2023.8.19.0042. Consta dos autos que o recorrente foi condenado à pena de 5 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, mais multa, pela prática do crime de tráfico de drogas. O recorrente aponta violação do art. 65, III, "d", do CP e 199 do CPP. Aduz que a confissão informal não pode ser considerada como atenuante; a confissão deve ser formalizada perante autoridade competente. Requer a cassação do acórdão para afastar a atenuante da confissão informal. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo provimento do recurso (fls. 428-432). Decido. O Tribunal de Justiça reconheceu, de ofício, a atenuante da confissão, pois o réu admitiu a prática do delito "perante os policiais militares, reposnáveis por sua abordagem e prisão em flagrante" (fl. 56). Ao fixar a correta interpretação do art. 65, III, "d", do Código Penal, em conjunto com a Súmula 545/STJ, a jurisprudência desta Corte reconhece que "o réu fará jus à atenuante do art. 65, III, "d", do CP quando houver admitido a autoria do crime perante a autoridade, independentemente de a confissão ser utilizada pelo juiz como um dos fundamentos da sentença condenatória, e mesmo que seja ela parcial, qualificada, extrajudicial ou retratada" (REsp n. 1.972.098/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 14/6/2022, DJe de 20/6/2022). Nesse sentido cito, ainda, o AgRg no HC n. 904.213/PA, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 27/5/2024, DJe de 3/6/2024. Prevalece a interpretação de que a lei não indica, como requisito para a caracterização da atenuante, a utilização da confissão espontânea para formação da convicção judicial. Assim, deve ser homenageada a expectativa legal na diminuição da pena imposta. Além disso, "a confissão espontânea, ainda que informal, deve ser reconhecida como atenuante na dosimetria da pena" (AgRg no REsp n. 2.090.644/RJ, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 9/4/2025, DJEN de 15/4/2025, destaquei). No caso, a confissão informal do réu foi explicitada pelos policiais condutores e tais depoimentos, que constam da sentença e do acórdão recorrido, foram reconhecidos como meio idôneo de prova. Assim, a admissão que o réu teria feito dos fatos foi mencionada no título penal para corroborar a condenação e a sua legitimidade, de modo que deve ser reconhecida a atenuante do art. 65, III, "d", do Código Penal. Assim, o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência deste Superior Tribunal. À vista do exposto, nego provimento ao recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA