HC 985332 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a pretensão de reconhecimento da atenuante inominada demandaria reexame do conjunto probatório e não há flagrante ilegalidade suficiente para autorizar o habeas corpus substitutivo de recurso.
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- Parties
- Paciente: EDCARLOS ALVES DE OLIVEIRA SOBRINHO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento Do Habeas Corpus
- Outcome
- não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Atenuante Inominada, Artigo 66 Do Código Penal, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Reexame De Provas
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Parties
EDCARLOS ALVES DE OLIVEIRA SOBRINHO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento Do Habeas Corpus
Legal Issues
- 1 reconhecimento da atenuante inominada (art. 66 CP)
- 2 cabimento de habeas corpus como substituto de recurso
- 3 presença de flagrante ilegalidade
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a pretensão de reconhecimento da atenuante inominada demandaria reexame do conjunto probatório e não há flagrante ilegalidade suficiente para autorizar o habeas corpus substitutivo de recurso.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de EDCARLOS ALVES DE OLIVEIRA SOBRINHO, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO, em razão do julgamento da apelação criminal n. 0002592-33.2022.8.17.5810. Consta dos autos que o paciente foi inicialmente condenado pelo Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de Cabo de Santo Agostinho, à pena de 7 (sete) anos, 7 (sete) meses e 6 (seis) dias de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado, e ao pagamento de 48 (quarenta e oito) dias-multa, por infração ao artigo 157, § 2º, inciso VII, por três vezes, na forma do art. 70, todos do Código Penal (fls. 127-139). A defesa interpôs apelação criminal ao Tribunal de Justiça, que negou provimento ao recurso (fls. 9-23). Na presente impetração, busca-se a concessão da ordem para que seja reconhecida a atenuante inominada prevista no artigo 66 do Código Penal, em razão do linchamento sofrido pelo paciente após a prática delitiva. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento (fls. 339-341). É o relatório. DECIDO. A controvérsia nos autos refere-se a uma possível ilegalidade flagrante, caracterizada pela negativa ao reconhecimento da atenuante inominada prevista no artigo 66, caput, do Código Penal. A presente impetração investe contra acórdão, funcionando como substituto do recurso próprio, motivo pelo qual não deve ser conhecida. A 3ª Seção, no âmbito do HC 535.063-SP, de relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/06/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Também não vislumbro a presença de coação ilegal que desafie a concessão da ordem de ofício, em observância ao § 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. No caso em apreço, o impetrante busca a aplicação da circunstância atenuante prevista no artigo 66 do Código Penal, sob argumento de que o paciente foi alvo de agressões por populares. Entretanto, o Tribunal local bem analisou o requerimento formulado, afastando os argumentos sustentados pela defesa, sobretudo em razão de a atenuante inominada ser aplicada somente quando o juiz verificar a ocorrência de fato indicativo de menor culpabilidade do agente, o que não ocorreu na espécie. Nesse sentido é o entendimento desta Corte Superior que dispõe que "somente pode ser reconhecida a existência da atenuante inominada quando houver uma circunstância, não prevista expressamente em lei, que permita ao Juiz verificar a ocorrência de um fato indicativo de uma menor culpabilidade do agente" (AgRg no AREsp 1809203/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 9/3/2021, DJe 22/3/2021). Nesse contexto, para que fosse possível afastar a conclusão das instâncias originárias de que o linchamento do paciente configurou um fator indicativo de menor culpabilidade, seria necessário reexaminar todo o conjunto de fatos e provas, o que não é cabível em uma ação mandamental. A esse respeito: .. 3 . Na espécie, as instâncias ordinárias, soberanas na apreciação dos fatos e das provas juntadas ao processo, consideraram que não ficou demonstrada a situação de vulnerabilidade apontada pelos réus. Sendo assim, para alcançar conclusão diversa e aplicar a atenuante prevista no art. 66 do Código Penal, imperioso seria o revolvimento do arcabouço probatório carreado aos autos, procedimento inviável na via estreita do habeas corpus. Precedentes . .. (HC 391028-SC, relator Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Data de Julgamento: 12/09/2017, SEXTA TURMA, DJe 25/09/2017) De toda sorte, não vislumbro a presença de coação ilegal que desafie a concessão da ordem nos termos do artigo 654, § 2º, do Código de Processo Penal. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA