AREsp 2702295 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para conhecer do recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem fundamentadamente rejeitou a aplicação da atenuante do art. 66 do CP: a prisão preventiva em regime mais gravoso não foi considerada circunstância relevante que evidenciasse menor culpabilidade, a aplicação da...
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- Parties
- Agravante/recorrente: HEITOR DIAS DE OLIVEIRA; Tribunal Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS - TJGO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgado Pelo Superior Tribunal De Justiça (decisão Sobre Agravo E Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Atenuante Inominada (art. 66 Do Cp), Dosimetria Da Pena, Súmula 231 Do STJ, Inadmissão De Recurso Especial (súmula 7 Do Stj)
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Parties
HEITOR DIAS DE OLIVEIRA
Agravante/recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS - TJGO
Tribunal Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgado Pelo Superior Tribunal De Justiça (decisão Sobre Agravo E Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 cabimento da atenuante inominada prevista no art. 66 do CP
- 2 se a prisão preventiva em regime mais gravoso configura circunstância relevante para atenuação
- 3 limitação imposta pela Súmula 231 do STJ quanto à redução da pena abaixo do mínimo legal
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para conhecer do recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem fundamentadamente rejeitou a aplicação da atenuante do art. 66 do CP: a prisão preventiva em regime mais gravoso não foi considerada circunstância relevante que evidenciasse menor culpabilidade, a aplicação da atenuante é discricionária e não poderia, de qualquer modo, reduzir a pena abaixo do mínimo legal em face da Súmula 231 do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Negar provimento ao recurso especial
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo de HEITOR DIAS DE OLIVEIRA, contra decisão proferida no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS - TJGO, que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido no julgamento da APELAÇÃO CRIMINAL n. 5275033-66.2020.8.09.0173. Consta dos autos que o agravante foi condenado pela prática dos delitos tipificados no art. 121, § 2º, II, c/c o art. 14, II, ambos do Código Penal - CP e no art. 14 da Lei n. 10.826/2003 (tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido), à pena total de 6 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, e 10 dias-multa (fl. 1.037). Recurso de apelação interposto pela defesa foi parcialmente provido para "reduzir a pena do apelante para 6 anos de reclusão, mantido o regime inicial semiaberto" (fl. 1.152). O acórdão ficou assim ementado: "Tentativa de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Condenação júri. Pena: 6 anos e 9 meses de reclusão, regime inicial semiaberto, e 10 dias-multa. Apelação da defesa sustentando reforma do processo de dosimetria, com a redução da pena-base para o mínimo legal; o reconhecimento da atenuante da confissão; o reconhecimento da atenuante inominada do art. 66, do CP e aplicação da detração. (1) A exasperação da pena-base atendeu os critérios aceitos pela jurisprudência. (2) A orientação jurisprudencial é no sentido de que o apelante fará jus à atenuante de confissão quando houver admitido a autoria do crime, mesmo que seja ela parcial, qualificada, extrajudicial ou retratada. (3) A mera alegação de que o apelante permaneceu preso preventivamente, em situação mais gravosa que a condenação não é suficiente para ensejar a aplicação da atenuante do art. 66, do CP. (4) Despicienda a análise da tese de detração do período de prisão cautelar, se o desconto não conduz à alteração do regime inicial de cumprimento da pena, como no caso vertente. (5) Recurso conhecido e parcialmente provido" (fl. 1.154). Em sede de recurso especial, a defesa apontou violação ao art. 66 do CP, tendo em vista que o TJGO deixou de reconhecer a presença de relevante circunstância posterior ao crime para fins de atenuação da pena do recorrente. Para tanto, alega que o cumprimento antecipado de mais de 9 meses da pena em regime mais gravoso do que o aplicado concretamente ao recorrente configura caso de aplicação da atenuante inominada prevista no referido artigo legal apontado como objeto de violação. Aduz que houve manifesta violação ao direito à liberdade do recorrente, já que nem mesmo após condenado mereceu a imposição em regime fechado, tendo sido prejudicado em seus direitos de personalidade pelo fato de ter suportado uma penalidade mais severa do que a concretamente aplicada. Requer o redimensionamento da pena do recorrente, a partir da aplicação da atenuante inominada em seu favor. Contrarrazões (fls. 1.179/1.183). O recurso especial foi inadmitido no TJGO em razão do óbice da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça - STJ (fls. 1.190/1.192). Em agravo em recurso especial, a defesa impugnou o referido óbice (fls. 1.197/1.203). Contraminuta (fls. 1.208/1.209). Os autos vieram a esta Corte, sendo protocolados e distribuídos. Aberta vista ao Ministério Público Federal, este opinou pelo não conhecimento do agravo em recurso especial (fls. 1.222/1.227). É o relatório. Decido. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. Sobre a violação ao art. 66 do CP, o TJGO não reconheceu o cabimento da atenuante inominada em favor do recorrente, nos seguintes termos do voto do relator (grifos acrescidos): "Em relação à atenuante inominada o art. 66 do CP, nos termos da jurisprudência: "somente pode ser reconhecida a existência da atenuante inominada quando houver uma circunstância, não prevista expressamente em lei, que permita ao Juiz verificar a ocorrência de um fato indicativo de uma menor culpabilidade do agente." (STJ, AgRg no HC n. 827.678/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 30/8/2023). A mera alegação de que o apelante permaneceu preso preventivamente e em situação mais gravosa que a condenação não é relevante o suficiente para ensejar a aplicação da atenuante do art. 66, do CP. Isso porque sua incidência deve estar atrelada apenas a circunstância extremamente relevante no caso concreto apta a evidenciar menor culpabilidade do agente, o que não se verificou no caso. Logo, descabida a aplicação da atenuante em questão. Ademais, a pena intermediária já foi redimensionada para o mínimo legal (Súmula, 231 do STJ)" (fls. 1.151/1.152). Extrai-se do trecho acima que o TJGO concluiu pela não configuração da atenuante prevista no art. 66 do CP, porquanto o fato do recorrente ter sido preso preventivamente em regime mais gravoso do que o regime imposto pelo acórdão condenatório não se traduz em uma circunstância apta a evidenciar reduzido grau de culpabilidade do recorrente. De fato, tal entendimento encontra amparo na jurisprudência desta Corte, pois esta se posiciona no sentido de que "somente pode ser reconhecida a existência da atenuante inominada quando houver uma circunstância, não prevista expressamente em lei, que permita ao Juiz verificar a ocorrência de um fato indicativo de uma menor culpabilidade do agente" ( AgRg no AREsp n, 1.809.203/SP, Relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, Dje 22/3/2021) (AgRg no AREsp n. 1.976.758/TO, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/2/2022, DJe 15/2/2022). Somado a isso, a aplicação da atenuante prevista no art. 66 do CP está no campo da discricionariedade do magistrado sentenciante, considerando que a redação do referido artigo legal é clara que a pena "poderá" (e não deverá) ser atenuada de acordo com o caso concreto, de modo a não se tratar, portanto, de direito subjetivo do apenado em obter tal benefício. Nesse sentido, precedente desta Corte (grifos acrescidos): AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FURTO. CRIME DE TRÂNSITO. CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR EM ESTADO DE EMBRIAGUEZ. APLICAÇÃO DA ATENUANTE INOMINADA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO FUNDAMENTADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O art. 66 do Código Penal prevê que "a pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei", estando a aplicação da referida atenuante no campo da discricionariedade do julgador, que, consoante o caso concreto, pode ou não autorizar sua incidência. 2. No caso concreto, o Tribunal de origem rejeitou fundamentadamente a aplicação da atenuante pois a realização do exame de alcoolemia, ainda que voluntária, não é o único meio de prova para a demonstração do delito previsto no art. 306 do CTB, não sendo, portanto, condição especialmente relevante para a imputação do delito. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 839.406/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023.) Dessa forma, entendo que restou fundamentada a negativ a feita pelo TJGO, diante da ausência de circunstância relevante que demonstrasse menor culpabilidade do recorrente, considerando que a permanência do recorrente em prisão preventiva em regime fechado não é motivo hábil para tanto. Ademais, conforme consta do trecho do acórdão recorrido acima, a aplicação da atenuante inominada também restaria obstado em razão do enunciado da Súmula n. 231 do STJ, que prevê que "a incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal". Vale destacar, por fim, que, recentemente, a Súmula n. 231 STJ foi objeto de proposta de revisão neste Sodalício, decidindo-se, contudo, pela manutenção de sua vigência, a partir da proclamação do resultado de julgamento dos REsps n. 1.869.764/MS, 2.052.085/TO e 2.057.181/SE pela Terceira Seção. Confira-se ementa, a título ilustrativo: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. PROPOSTA DE REVISÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE E IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DA PENA ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL. PRECEDENTE VINCULANTE EM REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 158. ESTABILIDADE, INTEGRIDADE E COERÊNCIA DO SISTEMA DE UNIFORMIZAÇÃO DE PRECEDENTES. POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO RESTRITA AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRINCÍPIOS DA RESERVA LEGAL, DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA E DA PROPORCIONALIDADE. INDISPONIBILIDADE JUDICIAL DOS LIMITES MÍNIMO E MÁXIMO DA PENA. VALIDADE DA SÚMULA 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ANTE A METODOLOGIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA INSTITUÍDA PELO CÓDIGO PENAL. INSTITUTOS DA JUSTIÇA PENAL NEGOCIADA. REQUISITOS ESPECÍFICOS. RECURSOS ESPECIAIS DESPROVIDOS. I - Os Recursos Especiais n.º 1.869.764-MS, n.º 2.052.085-TO e n.º 2.057.181-SE foram afetados à Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça para reavaliação do enunciado da Súmula n.º 231 do STJ, que estabelece a impossibilidade de que a incidência de circunstância atenuante reduza a pena abaixo do mínimo legal. O relator propôs a superação do entendimento consolidado (overruling), com modulação de efeitos para evitar a modificação de decisões já transitadas em julgado. II - Existem duas questões em discussão: (i) ante a existência do tema 158 da repercussão geral, avaliar se é possível a superação do entendimento enunciado pela Súmula n.º 231, STJ, pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça; e (ii) examinar a (im)possibilidade de incidência de atenuante induzir pena abaixo do mínimo legal. III - O precedente firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 158 da repercussão geral (RE n.º 597.270) estabelece, com eficácia vinculante, que a incidência de circunstância atenuante genérica não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal, em respeito aos princípios constitucionais da reserva legal, da proporcionalidade e da individualização da pena. IV - A função de uniformização jurisprudencial atribuída ao Superior Tribunal de Justiça não autoriza a revisão de tese fixada em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, dado o caráter vinculante desses precedentes, em atenção à estabilidade, à integridade e à coerência do sistema de uniformização de precedentes. V - Não se extrai da atuação do Supremo Tribunal Federal nenhum indicativo de que a Corte esteja inclinada a rever o Tema 158, o que impossibilita a aplicação do instituto do anticipatory overruling pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça. VI - No plano judicial, a discricionariedade do magistrado deve respeitar os limites mínimos e máximos estabelecidos em lei, em conformidade com o princípio da reserva legal, que veda a modificação dos parâmetros previstos pelo legislador. VII - O método trifásico de dosimetria da pena adotado pelo Código Penal (art. 68, CP) limita a discricionariedade judicial na segunda fase e impõe o respeito ao mínimo e máximo legal, de modo que as circunstâncias atenuantes não podem resultar em penas abaixo do mínimo abstratamente cominado pelo tipo penal. VIII - A fixação de penas fora dos limites legais implicaria violação ao princípio da legalidade e usurpação da competência legislativa, o que comprometeria a separação de poderes e criaria um sistema de penas indeterminadas, incompatível com a segurança jurídica. IX - O surgimento de institutos de justiça penal negociada, como a colaboração premiada e o acordo de não persecução penal, não justifica a revisão do entendimento da Súmula n.º 231, STJ, pois esses instrumentos possuem requisitos próprios e são aplicados em contextos específicos que não alteram a regra geral estabelecida para a dosimetria da pena. Recursos especiais desprovidos. Teses de julgamento: 1. A incidência de circunstância atenuante não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal, conforme o entendimento vinculante do Supremo Tribunal Federal no Tema 158 da repercussão geral. 2. O Superior Tribunal de Justiça não possui competência para revisar precedentes vinculantes fixados pelo Supremo Tribunal Federal. 3. A circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal. (REsp n. 1.869.764/MS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, relator para acórdão Ministro Messod Azulay Neto, Terceira Seção, julgado em 14/8/2024, DJe de 18/9/2024.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA