AREsp 2585108 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o acolhimento da pretensão exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula nº 7/STJ, e porque o entendimento repetitivo do Tema nº 970/STJ afasta a cumulação da multa moratória com lucros cessantes, não com danos morais, não havendo...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ERBE INCORPORADORA 001 S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Atraso Na Entrega De Imóvel, Danos Morais, Multa Contratual, Reexame Fático Probatório, Súmula Nº 7/stj, Tema Nº 970/stj
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Parties
ERBE INCORPORADORA 001 S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
Legal Issues
- 1 Existência de dano moral em razão do atraso na entrega de imóvel
- 2 Possibilidade de reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial (Súmula nº 7/STJ)
- 3 Incidência do Tema nº 970/STJ sobre a cumulação da cláusula penal moratória com lucros cessantes e sua relação com danos morais
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o acolhimento da pretensão exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula nº 7/STJ, e porque o entendimento repetitivo do Tema nº 970/STJ afasta a cumulação da multa moratória com lucros cessantes, não com danos morais, não havendo elementos suficientes para reformar a decisão que reconheceu dano moral.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
3 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/08/2024 a 02/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEL. DANOS MORAIS. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. MULTA CONTRATUAL. TEMA Nº 970/STJ. 1. O recurso especial é inviável quando a modificação do acórdão recorrido demanda o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, conforme dispõe a Súmula nº 7/STJ. 2. A Segunda Seção, em recurso repetitivo, firmou entendimento de que a cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes (Tema nº 970/STJ). 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por ERBE INCORPORADORA 001 S.A. contra a decisão (e-STJ fls. 621/623) que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial . Em suas razões, a agravante defende a ausência de necessidade de revisar o conteúdo fático-probatório dos autos. Sustenta a inexistência de danos morais nos casos de simples atraso na entrega de unidade imobiliária e a violação do Tema nº 970/STJ ao argumento de impossibilidade de cumulação de multa contratual e danos morais. Impugnação apresentada às e-STJ fls. 637/646 . É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEL. DANOS MORAIS. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. MULTA CONTRATUAL. TEMA Nº 970/STJ. 1. O recurso especial é inviável quando a modificação do acórdão recorrido demanda o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, conforme dispõe a Súmula nº 7/STJ. 2. A Segunda Seção, em recurso repetitivo, firmou entendimento de que a cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes (Tema nº 970/STJ). 3. Agravo interno não provido. VOTO A insurgência não merece prosperar. Com efeito, no que se refere aos danos morais, o tribunal de origem, à luz da prova dos autos, concluiu por sua existência no caso, conforme se extrai da leitura do voto condutor, merecendo destaque o seguinte trecho: "(..) O caso dos autos não versa sobre hipótese de simples descumprimento contratual, a implicar um aborrecimento banal e corriqueiro. Bem ao revés, o atraso no cumprimento das obrigações de construir e entregar o imóvel montou, após o prazo de tolerância, a cerca de 15 (quinze meses). (..) O drama da perspectiva da perda de um alto investimento de recursos arduamente poupados - aliado à contração de uma dívida para a vida inteira -, conjugado com a frustração de inúmeros projetos e planos que soem acompanhar uma aquisição de tal porte, configuram o efetivo dano moral, muito além do simples dissabor cotidiano" (e-STJ fls. 440/441). Nesse contexto, o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a natureza excepcional da via eleita, conforme dispõe a Súmula nº 7/STJ. A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. ATRASO DEMASIADAMENTE LONGO E INJUSTIFICADO NA ENTREGA DE IMÓVEL. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Inexiste a alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma clara e fundamentada, quanto aos pontos alegados como omissos. 2. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que o mero inadimplemento contratual não causa, por si só, abalo moral indenizável, mas o excessivo atraso na entrega de unidade imobiliária enseja compensação por dano extrapatrimonial. Precedentes. 3. A revisão da matéria, tanto em relação a caracterização do dano moral no caso, como em relação ao valor arbitrado para a indenização , implica o imprescindível reexame das provas constantes dos autos, o que é defeso na via especial, ante o que preceitua a Súmula n. 7/STJ. Agravo improvido" (AgInt no AgInt no AREsp 2.205.837/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe 29/2/2024 - grifou-se).
Ademais, nos termos do Tema nº 970/STJ, firmou-se a seguinte tese: " A cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação, é, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes." Assim, a Segunda Seção, em recurso repetitivo, firmou entendimento de que a cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes, e não com os danos morais, como defende o ora agravante. Confira-se: "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO. SIMPLES INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. SÚMULA Nº 7/STJ. LUCROS CESSANTES. CLÁUSULA PENAL. MULTA MORATÓRIA. TEMA Nº 970. SÚMULA Nº 568/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que o mero descumprimento contratual, caso em que a promitente vendedora deixa de entregar o imóvel no prazo contratual injustificadamente, não acarreta, por si só, danos morais. 2. A Segunda Seção, em recurso repetitivo, firmou entendimento de que a cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes (Tema nº 970/STJ). 3. Agravo interno não provido" (AgInt no REsp 1.909.706/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 11/3/2024, DJe 18/3/2024). Assim, as razões do recurso não são suficientes para reformar a decisão atacada, que merece ser mantida por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o v oto.