AREsp 2824001 - DECISAO
Conheço do agravo e do recurso especial, mas nego provimento porque o Tribunal de origem, examinando as provas, concluiu que o atraso injustificado na entrega do lote ultrapassou quatro anos, configurando ludíbrio ao consumidor e dano moral; que alegações de culpa exclusiva de terceiro e de caso fortuito/força maior...
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- Parties
- Agravante / Recorrente: HUMBERTO SOARES DE OLIVEIRA; Apelada / Ré: Realiza Empreendimentos Imobiliários; Terceiro Mencionado / Responsável Por Viabilidade Técnica (alegação Do Recorrente): CAGEPA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada: Conheço Do Agravo, Conheço Do Recurso Especial E Nego Provimento
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Atraso Na Entrega De Imóvel/loteamento, Dano Moral, Responsabilidade Civil, Caso Fortuito/força Maior, Súmula 7/stj, Inversão Da Cláusula Penal, Lucros Cessantes
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Parties
HUMBERTO SOARES DE OLIVEIRA
Agravante / Recorrente
Realiza Empreendimentos Imobiliários
Apelada / Ré
CAGEPA
Terceiro Mencionado / Responsável Por Viabilidade Técnica (alegação Do Recorrente)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada: Conheço Do Agravo, Conheço Do Recurso Especial E Nego Provimento
Legal Issues
- 1 Se a culpa exclusiva de terceiro (CAGEPA) afasta a responsabilidade da promitente vendedora
- 2 Se o atraso na entrega de lote não edificado enseja dano moral indenizável
- 3 Se entraves administrativos/configurações do empreendimento configuram caso fortuito/força maior apto a excluir responsabilidade
Ratio Decidendi
Conheço do agravo e do recurso especial, mas nego provimento porque o Tribunal de origem, examinando as provas, concluiu que o atraso injustificado na entrega do lote ultrapassou quatro anos, configurando ludíbrio ao consumidor e dano moral; que alegações de culpa exclusiva de terceiro e de caso fortuito/força maior implicariam revolvimento do conjunto fático-probatório, medida vedada pela Súmula 7/STJ; e que o valor fixado de R$ 5.000,00 é proporcional, razão pela qual não se concede provimento ao recurso.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Negado provimento ao recurso especial
- Majoro de 15% para 16% os honorários sucumbenciais fixados na origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por HUMBERTO SOARES DE OLIVEIRA, contra decisão que não admitiu o recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, o qual foi apresentado em face de acórdão proferido pelo Tribunal do Estado da Paraíba, assim ementado (e-STJ, fls. 267-269): "PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA SUSCITADA PELA PRIMEIRA APELANTE. PARTE QUE FIGUROU NO PACTO COMO PROMITENTE VENDEDORA E ADMINISTRADORA. LIDE CONSUMERISTA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REJEIÇÃO. - "(..) A empresa ré Realiza Empreendimentos Imobiliários atuou em conjunto na atividade de comercialização do imóvel questionado, figurando-se como vendedora e administradora do empreendimento no contrato firmado entre as partes, devendo, dessa forma, responder solidariamente perante o consumidor. (..) VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA a Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento aos apelos, nos termos do voto do relator." (TJPB, 0800344-04.2017.8.15.0601, Rel. Des. Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, APELAÇÃO CÍVEL, 4ª Câmara Cível, juntado em 14/12/2021) APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. CONSTRUÇÃO DE LOTEAMENTO. ATRASO NA ENTREGA. SUPERAÇÃO CONSIDERÁVEL DO LAPSO TEMPORAL DIVULGADO. MORA INJUSTIFICADA. RECONHECIMENTO DA CULPA EXCLUSIVA DOS PROMOVIDOS. ABALO EXTRAPATRIMONIAL CONFIGURADO. PLEITO DE REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. RAZOABILIDADE DO VALOR FIXADO. INVERSÃO DA CLÁUSULA PENAL. CABIMENTO. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. DESPROVIMENTO DAS SÚPLICAS APELATÓRIAS. - "(..). 2. Decorrendo a resolução do contrato de culpa exclusiva da construtora, que não entregou o imóvel na data contratada, torna-se necessário retornar as partes ao status quo ante, sem retenção da quantia paga a título de entrada. 3. A mera alegação da ocorrência de situação de caso fortuito e/ou força maior, consubstanciada em posterior verificação de inviabilidade técnica local para abastecimento de água, não justifica o atraso na entrega do imóvel prometido à venda, uma vez que tal justificativa consiste em . (..)". risco do próprio empreendimento imobiliário (TJDF; Proc 00062.00-33.2014.8.07.0011; Ac. 116.6529; Primeira Turma Cível; Relª Desª Simone Lucindo; Julg. 24/04/2019; DJDFTE 03/05/2019) - No caso em disceptação é evidente que os transtornos suportados pelo autor não se enquadram como mero aborrecimento, especialmente porque o atraso injustificado na entrega do imóvel já ultrapassava 4 (quatro) anos quando da prolação da sentença em primeiro grau - isso quando considerada a data de pactuação, 10 de junho de 2013, como termo inicial do prazo (ante a ausência de notícia do lançamento do empreendimento, como menciona a avença) - circunstância que deve ser considerada pelo julgador, nos exatos termos do que preceitua o artigo 493 do CPC/2015, estando evidenciado o ludíbrio ao consumidor e consequente lesão a direito da personalidade. - "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL. IMÓVEL. ENTREGA. ATRASO INJUSTIFICADO E DESARRAZOADO. DANO MORAL. . VALOR. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado naCONFIGURAÇÃO vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Na hipótese, o dano moral foi reconhecido por força do atraso injustificado Precedentes. 3. O valor fixado a títulopelo prazo de 2 (dois) anos na entrega de imóvel. de indenização por danos morais baseia-se nas peculiaridades da causa. Assim, afastando-se a incidência da Súmula nº 7/STJ, somente comporta revisão pelo Superior Tribunal de Justiça quando irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu na hipótese dos (STJ, AgInt no R Esp 1877364/SP, Rel. Ministroautos. 4. Agravo interno não provido." RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 08/02/2021, D Je 12/02/2021) - Na espécie, considerando todos os referidos fatores, sobretudo o injustificado e expressivo atraso na entrega do empreendimento imobiliário, entendo que o quantum de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) se revela proporcional e adequado às circunstâncias do caso concreto, razão pela qual, neste ponto, a sentença não merece nenhum reparo. - "(..) a Segunda Seção desta Corte Superior, ao analisar o tema em testilha, fixou a tese segundo a qual "no contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, havendo previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, deverá ela ser considerada para a fixação da indenização pelo inadimplemento do vendedor. As obrigações heterogêneas (obrigações de fazer e de dar) serão convertidas em dinheiro, por arbitramento judicial" (REsp 1614721/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em (STJ, AgInt no R Esp22/05/2019, D Je 25/06/2019). 3. Agravo interno não provido." 1783450/RO, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 13/08/2019, D Je 20/08/2019) - Quanto ao suposto equívoco do julgador primevo quando da inversão da cláusula penal, registro que não se vislumbra tal circunstância, visto que a condenação dos réus ao pagamento, a título de multa, da "quantia equivalente a 2% sobre cada parcela dos valores quitados pelo autor" se coaduna inequivocamente com o disposto na cláusula terceira da avença, a qual prevê que o atraso no pagamento sujeitaria o comprador a pagar, ao vendedor, (ID 15988052 -"multa de mora, no valor de 2% sobre as parcelas devidas" Pág. 2), não tendo o juízo a quo, como alegam os apelantes, imputado nenhuma penalidade mensal." Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 358-371). Em suas razões recursais (e-STJ, fls. 381-410), a parte recorrente apontou violação dos arts. 14, § 3º, II, do Código de Defesa do Consumidor; 186 e 927 do Código Civil de 2002; bem como dissídio jurisprudencial. Sustentou, em síntese, que o atraso na entrega do loteamento foi causado exclusivamente pela CAGEPA, responsável pela análise de viabilidade técnica para o abastecimento de água, argumentando que, segundo os arts. 186, 927 e 932 do CC, a culpa de terceiro exclui a responsabilidade do recorrente e que o art. 14, §3º, II, do CDC também isenta o fornecedor de serviços de responsabilização em casos de culpa exclusiva de terceiros. Ademais, argumenta que o imóvel em questão era apenas um lote de terreno, e não uma unidade habitacional destinada à moradia, o que impede a ocorrência de danos morais pelo atraso na entrega; que o STJ tem precedentes que excluem a incidência de danos morais em casos de atraso na entrega de imóveis destinados a investimento e não à residência, pois a frustração nesse contexto seria de natureza exclusivamente patrimonial, e não moral. Contrarrazões às fls. 414-420. O recurso recebeu crivo negativo de admissibilidade na origem, ascendendo a esta Corte Superior por meio da interposição de agravo. É o relatório. Decido. No caso, o Tribunal de origem decidiu que a responsabilidade pelo atraso na entrega do loteamento não pode ser atribuída à CAGEPA, uma vez que as "medidas para resolução dos entraves burocráticos são de incumbência do demandado", ademais, esclareceu que o atraso injustificado por mais de 4 anos ultrapassa o mero aborrecimento, gerando o dever de indenizar, como se depreende do seguinte excerto do acórdão (e-STJ, fls. 274-279): "Conquanto o segundo apelante defenda que o atraso na entrega do loteamento se deu em decorrência da demora da análise de viabilidade técnica referente ao abastecimento de água na localidade, de responsabilidade da CAGEPA, tal acontecimento decorre do risco do próprio empreendimento, cujas medidas para resolução dos entraves burocráticos são de incumbência do demandado. .. Todavia, no caso em disceptação é evidente que os transtornos suportados pela autora não se enquadram como mero aborrecimento, especialmente porque o atraso injustificado na entrega do imóvel já ultrapassava 4 (quatro) anos quando da prolação da sentença em primeiro grau - isso quando considerada a data de pactuação, 10 de junho de 2013, como termo inicial do prazo (ante a ausência de notícia do lançamento do empreendimento, como menciona a avença) - circunstância que deve ser considerada pelo julgador, nos exatos termos do que preceitua o artigo 493 do CPC/2015, estando evidenciado o ludíbrio ao consumidor e consequente lesão a direito da personalidade. .. Na espécie, considerando todos os referidos fatores, sobretudo o injustificado e expressivo atraso na entrega do empreendimento imobiliário, entendo que o quantum de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) se revela proporcional e adequado às circunstâncias do caso concreto, razão pela qual, neste ponto, a sentença não merece nenhum reparo." (Sem grifo no original). Com efeito, esta Corte Superior entende que não constituem hipóteses de caso fortuito ou de força maior apta a afastar a responsabilidade civil: chuvas em excesso, falta de mão-de-obra, desaquecimento do mercado, embargo do empreendimento, entraves administrativos, entre outros aspectos. Tais eventos fazem parte do risco do negócio, devendo ser considerados quando da fixação do cronograma de obras. Nesse contexto, a modificação do entendimento lançado no v. acórdão recorrido, nos moldes em que ora postulada, para a verificação da ocorrência de caso fortuito ou força maior (fato de terceiro) capaz de excluir a responsabilidade da agravante pelo descumprimento do contrato, demandaria o revolvimento de conjunto fático-probatório dos autos, procedimento vedado nesta Corte, em face do óbice da Súmula 7 do STJ. Corroboram esse entendimento: PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. LUCROS CESSANTES. JULGAMENTO FORA DOS LIMITES DA LIDE. OCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. DANOS MORAIS. AFASTAMENTO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Inexiste afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 2. Segundo a jurisprudência do STJ, "a decisão que julga além dos limites da lide não precisa ser anulada, devendo ser eliminada a parte que constitui o excesso" (AgInt no AREsp n. 1.339.385/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 9/4/2019, DJe 12/4/2019). 2.1. Da petição inicial constou apenas o pedido de condenação das empresas ao pagamento de indenização por danos emergentes, a título de reembolso dos aluguéis que despendera, ante o atraso na entrega da obra. A sentença condenou as empresas ao pagamento de lucros cessantes, mesmo inexistindo requerimento nesse sentido. A Corte local manteve os lucros cessantes. 2.2. Em tais condições, impõe-se a reforma do aresto impugnado no ponto, para afastar a referida condenação, assim como para determinar a devolução dos autos ao Tribunal a quo para exame do pedido da adquirente relativo ao reembolso dos aluguéis vencidos e vincendos. 3. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem interpretação de cláusula contratual ou revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmulas n. 5 e 7 do STJ). 3.1. No caso, reconhecer caso fortuito, força maior e fato de terceiro, no atraso da entrega do imóvel, exigiria o reexame de matéria fática, medida inviável em recurso especial. 4. O mero atraso na entrega do imóvel é incapaz de gerar abalo moral indenizável, sendo necessária uma consequência fática capaz de acarretar dor e sofrimento indenizável por sua gravidade. Precedentes. 4.1. O Tribunal de origem analisou as provas dos autos para concluir pela existência de danos morais indenizáveis, pois a situação a que a agravada foi exposta teria ultrapassado o mero dissabor. Alterar esse entendimento demandaria o reexame de provas, inviável em recurso especial. 5. Agravo interno a que se dá parcial provimento." (AgInt no AREsp n. 2.502.591/RJ, relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Quarta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024 - sem grifo no original). "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C PEDIDO CONDENATÓRIO - COMPRA E VENDA DE LOTE NÃO EDIFICADO - ATRASO NA ENTREGA DAS OBRAS DE INFRAESTRUTURA - INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS QUE FIXARAM LUCROS CESSANTES PRESUMIDOS. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE RÉ/CONSTRUTORA. Hipótese: Cinge-se a questão controvertida em averiguar se, no caso de atraso da entrega de infraestrutura relativa a imóvel não edificado (terreno/lote), é cabível presumir que houve prejuízo do adquirente a ensejar o pagamento de lucros cessantes. 1. Incidência do óbice da súmula 7/STJ quanto à alegada culpa exclusiva de terceiro pelo atraso na entrega do empreendimento, porquanto não constituem hipóteses de caso fortuito ou de força maior apta a afastar a responsabilidade civil: chuvas em excesso, falta de mão-de-obra, desaquecimento do mercado, embargo do empreendimento, entraves administrativos, entre outros aspectos. Tais eventos encerram res inter alios acta em virtude do risco do negócio pertencer à prestadora do serviço, que constitui empresa especializada na atividade de implantação de empreendimento imobiliário, cabendo-lhe a previsão de adequado cronograma de obras, principalmente no tocante à obtenção de licenças ambientais. 2. Em regra, não é cabível o pagamento de lucros cessantes (indenização estabelecida na forma de aluguel mensal, com base em valor locatício de imóvel assemelhado) decorrente do atraso na entrega das obras de infraestrutura de terreno/lote não edificado, dada a inviabilidade de presunção do prejuízo experimentado em razão da injusta privação do seu uso. 3. Agravo interno acolhido para reconsiderar a deliberação monocrática agravada e, em análise ao reclamo subjacente, dar parcial provimento ao recurso especial, a fim de afastar a presunção de prejuízo ao comprador, com a consequente cassação do acórdão e determinação do retorno dos autos ao Tribunal de origem a fim de que à luz das características do imóvel não edificado e das provas constantes dos autos, analise a questão dos lucros cessantes/perda de uma chance." (AgInt no REsp n. 2.015.374/SP, relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, relator para acórdão Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 10/6/2024 - sem grifo no original). Avançando, não se pode olvidar que a jurisprudência desta Corte se consolidou no sentido de que "o mero descumprimento contratual, caso em que a promitente vendedora deixa de entregar o imóvel no prazo contratual injustificadamente, embora possa ensejar reparação por danos materiais, não acarreta, por si só, danos morais, salvo se as circunstâncias do caso concreto demonstrarem a efetiva lesão extrapatrimonial" (AgInt no REsp 1.719.311/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, julgado em 22/05/2018, DJe de 28/05/2018). Entretanto, também é entendimento desta Corte que o atraso excessivo na entrega do imóvel pode configurar causa de dano moral indenizável. No presente caso o acórdão consignou que "o atraso injustificado na entrega do imóvel já ultrapassava 4 (quatro) anos quando da prolação da sentença em primeiro grau", e com isso considerou estar "evidenciado o ludíbrio ao consumidor e consequente lesão a direito da personalidade". Destaca-se que alterar esse entendimento demandaria o reexame de provas, inviável em recurso especial. Nesse sentido: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 182/STJ. NÃO INCIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. COMPRA E VENDA. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. CULPA DE TERCEIRO. SÚMULA 7/STJ. LUCROS CESSANTES. PREJUÍZO PRESUMIDO. TERMO FINAL. EFETIVA DISPONIBILIZAÇÃO DAS CHAVES. DANOS MORAIS. ATRASO EXCESSIVO. INDENIZAÇÃO DEVIDA. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. O atraso na entrega do imóvel enseja pagamento de indenização por lucros cessantes durante o período de mora do promitente-vendedor, sendo presumido o prejuízo do promitente-comprador. Precedentes. 2. A jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido do "cabimento de indenização por lucros cessantes até a data da efetiva disponibilização das chaves por ser este o momento a partir do qual os adquirentes passam a exercer os poderes inerentes ao domínio, dentre os quais o de fruir do imóvel" (AgInt nos EDcl no REsp 2.088.069/RS, Relator Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024). 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, " o simples inadimplemento contratual em razão do atraso na entrega do imóvel não é capaz, por si só, de gerar dano moral indenizável. Entretanto, sendo considerável o atraso, alcançando longo período de tempo, pode ensejar o reconhecimento de dano extrapatrimonial" (AgInt nos EDcl no AREsp 676.952/RJ, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 3/4/2023). 4. Na espécie, caracterizado o atraso excessivo na entrega do bem, é legítima a condenação das promitentes-vendedoras ao pagamento de indenização por dano moral, pois não se verifica, diante da circunstância, a ocorrência de mero inadimplemento contratual. 5. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e, em novo exame, conhecer do agravo para negar provimento ao recurso especial." (AgInt no AREsp n. 2.495.844/PE, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 1/7/2024, DJe de 2/8/2024 - sem grifo no original). "PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. LUCROS CESSANTES. JULGAMENTO FORA DOS LIMITES DA LIDE. OCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. DANOS MORAIS. AFASTAMENTO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Inexiste afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 2. Segundo a jurisprudência do STJ, "a decisão que julga além dos limites da lide não precisa ser anulada, devendo ser eliminada a parte que constitui o excesso" (AgInt no AREsp n. 1.339.385/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 9/4/2019, DJe 12/4/2019). 2.1. Da petição inicial constou apenas o pedido de condenação das empresas ao pagamento de indenização por danos emergentes, a título de reembolso dos aluguéis que despendera, ante o atraso na entrega da obra. A sentença condenou as empresas ao pagamento de lucros cessantes, mesmo inexistindo requerimento nesse sentido. A Corte local manteve os lucros cessantes. 2.2. Em tais condições, impõe-se a reforma do aresto impugnado no ponto, para afastar a referida condenação, assim como para determinar a devolução dos autos ao Tribunal a quo para exame do pedido da adquirente relativo ao reembolso dos aluguéis vencidos e vincendos. 3. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem interpretação de cláusula contratual ou revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmulas n. 5 e 7 do STJ). 3.1. No caso, reconhecer caso fortuito, força maior e fato de terceiro, no atraso da entrega do imóvel, exigiria o reexame de matéria fática, medida inviável em recurso especial. 4. O mero atraso na entrega do imóvel é incapaz de gerar abalo moral indenizável, sendo necessária uma consequência fática capaz de acarretar dor e sofrimento indenizável por sua gravidade. Precedentes. 4.1. O Tribunal de origem analisou as provas dos autos para concluir pela existência de danos morais indenizáveis, pois a situação a que a agravada foi exposta teria ultrapassado o mero dissabor. Alterar esse entendimento demandaria o reexame de provas, inviável em recurso especial. 5. Agravo interno a que se dá parcial provimento." (AgInt no AREsp n. 2.502.591/RJ, relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Quarta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024 - sem grifo no original). "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEL. COMISSÃO DE CORRETAGEM. PRESCRIÇÃO TRIENAL. TERMO INICIAL. SÚMULA 568/STJ. DANOS MORAIS. ATRASO EXPRESSIVO E PECULIARIDADES PRESENTES. POSSIBILIDADE. CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. DANOS MORAIS. VALOR ADEQUADO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. 1. "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está sedimentada no sentido de que em demandas objetivando a restituição dos valores pagos a título de comissão de corretagem em que a causa de pedir é a rescisão do contrato por inadimplemento do vendedor, o prazo prescricional da pretensão da restituição de valores tem início após a resolução, sendo inaplicável o prazo prescricional trienal" (AgInt no REsp 1.853.761/SP, Relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 18/5/2021, DJe de 24/5/2021). 2. "No caso concreto, o Tribunal de origem concluiu que o atraso verificado provocou mais que mero dissabor, sendo devida a indenização por danos morais. Alterar esse entendimento demandaria o reexame das provas produzidas nos autos, vedado em recurso especial" (AgInt no REsp 1.684.875/RO, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe de 30/10/2017). 3. O valor arbitrado pelas instâncias ordinárias a título de danos morais somente pode ser revisado em sede de recurso especial quando irrisório ou exorbitante. No caso, o montante fixado em R$ 10.000,00 (dez mil reais) não se mostra irrisório nem desproporcional aos danos suportados pela parte autora, considerando o atraso por período expressivo e ocorrência de fatos que impedem a construção de casa no lote objeto de compra e venda. 4. Agravo interno desprovido." (AgInt no REsp n. 2.059.554/AC, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023 - sem grifo no original). Por fim, em razão da aplicação da Súmula 7/STJ não é possível conhecer do alegado dissídio jurisprudencial, uma vez que as conclusões do acórdão impugnado estão baseadas nas circunstâncias fático-probatórias do caso concreto, o que implica em falta de identidade entre os paradigmas. Diante do exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar provimento. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro de 15% para 16% os honorários sucumbenciais fixados na origem. Publique-se. EMENTA