AREsp 1867629 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a alegação de caso fortuito/força maior foi genérica e demandaria reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7/STJ; o Tribunal a quo já concluiu pela não ocorrência de força maior, entendendo que os eventos invocados...
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- Parties
- Agravante: TGMB 045 EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS SPE LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Denegação De Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Atraso Na Entrega Do Imóvel, Caso Fortuito/força Maior, Lucros Cessantes, Cláusula Penal Moratória, Reexame Do Conjunto Fático Probatório (súmula 7/stj), Restituição De Parcelas Pagas, Habite Se
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Parties
TGMB 045 EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS SPE LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Denegação De Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 se o atraso na entrega do imóvel se caracteriza por caso fortuito/força maior apto a excluir responsabilidade (art. 393 CC)
- 2 se a alegação genérica de força maior impede a manutenção da condenação
- 3 se é possível o reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a alegação de caso fortuito/força maior foi genérica e demandaria reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7/STJ; o Tribunal a quo já concluiu pela não ocorrência de força maior, entendendo que os eventos invocados decorrem do risco empresarial e não excluem a responsabilidade da construtora. Foi também majorado em 1% o honorário de sucumbência com fundamento no art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Majoro em 1% sobre o valor da condenação os honorários advocatícios devidos pela parte recorrente aos patrono recorrido.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo de TGMB 045 EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS SPE LTDA contra decisão que inadmitiu recurso especial fundado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, interposto contra v. acórdão do Eg. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA DA UNIDADE IMOBILIÁRIA. INADIMPLEMENTO. MULTA MORATÓRIA. LUCROS CESSANTES. CUMULAÇÃO COM CLÁUSULA PENAL MORATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. TEMA 970, STJ. DESPESAS DE CORRETAGEM. TEMA 938, STJ. 1. O contrato de promessa de compra e venda de unidade imobiliária na planta é regido pelo Código de Defesa do Consumidor, uma vez que o comprador é consumidor, porque adquiriu a unidade imobiliária como destinatário final do produto, e, as construtoras, fornecedoras, a teor do que dispõem os arts. 2º e 3º, do CDC. 2. Quando o promitente vendedor extrapola o prazo previsto no contrato para a entrega do imóvel, mesmo considerando o período de tolerância (180 dias), configura-se a sua mora, devendo, assim, responder pelos prejuízos causados aos promitentes compradores, na forma do art. 395, do CC. 3. Não há de se falar em caso fortuito e força maior aptos a excluir a responsabilidade da construtora por atraso na entrega de imóvel, se os acontecimentos alegados não foram invencíveis a ponto de se caracterizar fato extraordinário, havendo a possibilidade de previsão e ausente o elemento surpresa, necessário para a exclusão da responsabilidade. 4. A expedição do habite-se, por si só, não é suficiente para evidenciar o cumprimento do contrato pela promitente vendedora, o que somente se verifica com a efetiva disponibilidade do bem, caracterizada pela entrega das chaves 5. Nos julgamentos dos Recursos Especiais nº 1.635.428/SC e 1.498.484/DF, o colendo STJ definiu por meio do Tema 970, a seguinte tese: "a cláusula penal moratória tem a finalidade de indenizar pelo adimplemento tardio da obrigação, e, em regra, estabelecida em valor equivalente ao locativo, afasta-se sua cumulação com lucros cessantes".6. Não comprovada a má-fé na cobrança da comissão de corretagem, a devolução da quantia deve se dar de forma simples. 7. Apelo do autor parcialmente provido. Apelo da parte ré parcialmente provido." (e-STJ fl. 443/444) Os embargos de declaração opostos por foram rejeitados, com aplicação de multa de dois por cento (2%) sobre o valor atualizado da causa, com base no art. 1.026, § 2º, do CPC. (e-STJ fl.476/482) Nas razões do recurso especial, o agravante alega violação do art. 393 do CC,sustentando, em síntese, que a reprogramação da data de conclusão do empreendimento imobiliário em questão decorreu de motivos alheios à vontade da recorrente, os quais se caracterizam como caso fortuito/força maior, aptos a afastar qualquer responsabilidade pelos danos oriundos do referido atraso. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. Nas razões recursais, a recorrente apontou violação ao artigo 393 do CC, sustentando que o atraso na entrega do imóvel em questão decorreu de motivos alheios à sua vontade, os quais se caracterizam como caso fortuito/força maior, razão pela qual não lhe pode ser imposta qualquer penalidade. Ocorre que a recorrente faz alegação genérica que de que houve caso fortuito ou força maior, uma vez que no recurso especial nem mesmo esclarece quais os motivos do atraso na entrega do imóvel, de modo que tornando patente a falha de fundamentação do apelo especial, circunstância que atrai a incidência do nº 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. A propósito: AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA. CASO FORTUITO NÃO RECONHECIDO NA ORIGEM. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. TERMO FINAL PARA A ENTREGA DO IMÓVEL. QUESTÃO QUE DEMANDA REVISÃO DO CONTRATO FIRMADO ENTRE AS PARTES E DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 5 E 7/STJ. LUCROS CESSANTES PRESUMÍVEIS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. 1. A afirmação genérica de que houve caso fortuito a justificar o atraso na entrega da obra, e que o contrato previa tal hipótese, não é suficiente para afastar a condenação ao pagamento de indenização a título de lucros cessantes, pois, não tecendo o recurso uma linha sequer a respeito do que teria configurado o caso fortuito, a incidência da Súmula 284/STF ressoa inequívoca na espécie. 2. Ademais, "Essa Corte já se pronunciou em inúmeras oportunidades no sentido de que a inversão das conclusões da Corte local para afirmar, por exemplo, que o excesso de chuvas e a escassez de mão de obra configuram fatos extraordinários e imprevisíveis, enquadrando-se como hipóteses de caso fortuito ou força maior, demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos" (REsp 1.536.354/DF, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe 20/6/2016). 3. A tese de que o "habite-se" deve ser considerado como termo final para a entrega do imóvel em razão de expressa previsão contratual nesse sentido, esbarra no óbice das Súmulas 5 e 7/STJ. 4. "Nos termos da jurisprudência do STJ o atraso na entrega do imóvel enseja pagamento de indenização por lucros cessantes durante o período de mora do promitente vendedor, sendo presumido o prejuízo do promitente comprador" (EREsp 1341138/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 9/5/2018, DJe 22/5/2018). 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1752994/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 08/04/2019) Além disso, a Corte de origem, ao analisar a referida alegação de ocorrência de caso fortuito e força maior, assim decidiu: "Com relação às alegações de excesso de chuvas, falta de mão de obra e de materiais, é certo que decorrem do risco empresarial e seu ônus não pode ser transferido ao consumidor." (e-STJ fl. 445) Nesse contexto, a modificação de tal entendimento lançado no v. acórdão recorrido demandaria o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, a teor do que dispõe a Súmula 7 deste Pretório. Neste sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA DO BEM. FORÇA MAIOR. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 7 DO STJ. RESTITUIÇÃO INTEGRAL DAS PARCELAS PAGAS. SÚMULA 543 DO STJ. JUROS DE MORA. CITAÇÃO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal de origem reputou não configurada a hipótese de caso fortuito ou de força maior, hábil a justificar o descumprimento do prazo estabelecido no contrato para entrega da obra. Nesse contexto, rever a conclusão da Corte a quo demandaria a incursão no acervo probatório dos autos, providência vedada a teor da Súmula 7/STJ. 2. O STJ possui firme o entendimento no sentido de que na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda de imóvel submetido ao Código de Defesa do Consumidor, deve ocorrer a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente comprador - integralmente, em caso de culpa exclusiva do promitente vendedor/construtor, ou parcialmente, caso tenha sido o comprador quem deu causa ao desfazimento" (Súmula 543/STJ). 3. No caso de ilícito contratual, os juros de mora são devidos a partir da citação. Precedentes. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1815791/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 10/12/2020, DJe 02/02/2021) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro em 1% sobre o valor da condenação os honorários advocatícios devidos pela parte recorrente aos patrono recorrido. Publique-se.