AREsp 2510814 - ACORDAO
O agravo interno foi negado provimento porque o acolhimento das teses dos agravantes exigiria reexame do acervo fático-probatório, obstado pela Súmula 7/STJ, e porque não foi demonstrado cotejo analítico apto a caracterizar dissídio jurisprudencial; assim, não se verificou violação direta das normas invocadas do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: FABIANO VALDELE SILVANO; Agravante: GABRIELLA LIGOCKI PEDRO SILVANO; Agravada: TERRA NOVA RODOBENS INCORPORADORA IMOBILIARIA - PALHOCA II - SPE LTDA.; Agravada: RNI NEGOCIOS IMOBILIARIOS S.A.; Agravada: IMOBILIARIA RODOBENS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Atraso Na Entrega Do Imóvel, Dano Moral, Reexame De Provas, Súmula 7/stj, Dissídio Jurisprudencial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FABIANO VALDELE SILVANO
Agravante
GABRIELLA LIGOCKI PEDRO SILVANO
Agravante
TERRA NOVA RODOBENS INCORPORADORA IMOBILIARIA - PALHOCA II - SPE LTDA.
Agravada
RNI NEGOCIOS IMOBILIARIOS S.A.
Agravada
IMOBILIARIA RODOBENS LTDA.
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno
Legal Issues
- 1 Cabimento de indenização por dano moral em razão de atraso na entrega de imóvel
- 2 Incidência da Súmula n. 7/STJ quanto ao reexame de matéria fático-probatória
- 3 Comprovação de dissídio jurisprudencial e exigência de cotejo analítico
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado provimento porque o acolhimento das teses dos agravantes exigiria reexame do acervo fático-probatório, obstado pela Súmula 7/STJ, e porque não foi demonstrado cotejo analítico apto a caracterizar dissídio jurisprudencial; assim, não se verificou violação direta das normas invocadas do Código Civil que justificasse reforma do acórdão recorrido.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/03/2025 a 17/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. DANOS MORAIS. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 7/STJ). 2. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de agravo interno interposto contra decisão, por meio da qual, a presidência desta Corte Superior negou provimento ao agravo em recurso especial, com base na aplicação da Súmula 7/STJ. Em suas razões, a parte agravante alega que: "O recurso especial interposto apontou não só violação direta, como também divergência jurisprudencial relativa aos arts. 186, 187 e 927 do Código Civil, no que concerne à configuração do dano moral, em virtude do atraso excessivo na entrega do imóvel adquirido, o qual, ao ultrapassar a esfera do mero dissabor, justifica a reparação pecuniária visada" (e-STJ, fl. 761). Refuta a aplicação da Súmula 7/STJ, destacando que "comprovou que, ainda que verificados o ato ilícito, o dano e o nexo causal, em que pese o juízo de primeira instância ter aplicado corretamente a legislação infraconstitucional, o TJSC, ao reformar a sentença, violou frontal e diretamente os dispositivos do Código Civil, uma vez que afastaram o direito à reparação do dano" (e-STJ, fl. 762). A parte agravada apresentou impugnação (e-STJ, fls. 775 - 791), destacando que "a r. decisão encontra-se em completa conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça quanto ao não cabimento de danos morais em caso de inadimplemento contratual" (e-STJ, fl. 783). É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. DANOS MORAIS. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 7/STJ). 2. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI (Relatora): O agravo interno não comporta acolhimento. Transcrevo, por oportuno, os fundamentos da decisão agravada (e-STJ, fls. 752 - 755): Cuida-se de agravo apresentado por FABIANO VALDELE SILVANO e OUTRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL E RECURSO ADESIVO. INDENIZATÓRIA. INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPROMISSO DE VENDA E COMPRA DE FRAÇÃO IDEAL DE UNIDADE AUTÔNOMA. ALEGADO ATRASO NA ENTREGA DA OBRA. PLEITOS DE RESTITUIÇÃO EM DOBRO DO VALOR PAGO A TÍTULO DE COMISSÃO DE CORRETAGEM E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. RECURSOS DE AMBOS OS LITIGANTES. DANOS MORAIS. TESE COMUM. APELO DAS RÉS PARA AFASTAMENTO DA CONDENAÇÃO. RECURSO ADESIVO DOS AUTORES VISANDO A MAJORAÇÃO DO QUANTUM. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL QUE. POR SI SÓ. NÃO CONFIGURA PREJUÍZO EXTRAPATRIMONIAL PASSÍVEL DE INDENIZAÇÃO. SÚMULA 29 DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE PROVA DE CIRCUNSTÂNCIA EXCEPCIONAL CAPAZ DE CONFIGURAR ABALO ANÍMICO INDENIZÁVEL. DEVER DE INDENIZAR NÃO CONFIGURADO. SENTENÇA REFORMADA. REDISTRIBUIÇAO DOS ÔNUS DE SUCUMBENCIA. RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO E PROVIDO. RECURSO ADESIVO PREJUDICADO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação e divergência jurisprudencial atinente à interpretação dos arts. 186, 187 e 927 do CC, no que concerne à configuração do dano moral, tendo em vista que o atraso excessivo na entrega do imóvel adquirido, ultrapassou o mero dissabor, não se resumindo à simples descumprimento contratual, trazendo a seguinte argumentação: O acórdão recorrido merece ser revisto, eis que foi prolatado contrariando Lei Federal, nos termos do art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, violando diretamente os artigos 186, 187 e 927, todos do Código Civil CC (Lei 10.406/2002) .. Ilustres Julgadores, ao contrário do que afirma a respeitável decisão recorrida, os recorrentes têm direito a reparação por dano moral, a medida que demonstraram documentalmente, bem como com fundamento expresso em lei federal que houve violação de seus direitos, decorrente de ato ilícito, que extrapolou o mero descumprimento contratual, uma vez que não se está falando em simples atraso, mas sim em excessivo e significativo atraso, que incontestavelmente afetaria a vida de qualquer pessoal que estivesse na situação dos recorrentes. Os recorrentes se encarregaram de demonstrar toda a conduta ilícita praticada pelas recorridas com o descumprimento contratual, o que ultrapassou o mero dissabor, pois a entrega do imóvel foi realizado com um ano de atraso, ultrapassando todas as dilações de prazos e, por óbvio, afetando gravemente a vida dos recorrentes, que passaram todo este tempo sem residência e com incerteza de quando o imóvel seria entregue, e este cenário foi claramente reconhecido pelo Juízo a quo. Ainda que o TJSC alegue a aplicação de sua súmula 29, mesmo assim a situação dos recorrentes enquadra-se na hipótese de exceção da súmula, vez que, não só houve a configuração de ato ilícito por descumprimento contratual, mas também houve comprovadamente dano a moral dos recorrentes que se viram sem residência para morar por um ano e sem a certeza de quando a entrega do imóvel ocorreria, ficando os recorrentes, durante todo esse período, tomando medidas para sanar temporariamente os contratempos que a falta do imóvel para residir ocasionou (fls. 639-641). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: In casu, não se vislumbra a ocorrência de dano moral indenizável na medida em que os autores igualmente não se desincumbiram do ônus de comprovar o prejuízo extrapatrimonial alegado. Para sua comprovação, não basta a alegação de que tiveram frustrado o sonho da casa própria, adiada a celebração do matrimônio ou, ainda, suposta privação do uso do bem (fl. 572). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem quanto à presença ou não dos elementos que configuram o dano moral indenizável exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial. Confiram-se os seguintes julgados: AgRg no REsp 1.365.794/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 9/12/2013; AgInt no AREsp 1.534.079/ES, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1.341.969/DF, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 26/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.658/PB, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 18/8/2020; e AgInt no AREsp 1.528.011/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Além disso, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a", que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ também impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido". (AgInt no AREsp 1.402.598/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22/5/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.521.181/MT, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019; AgInt no AgInt no REsp 1.731.585/SC, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 26/9/2018; e AgInt no AREsp 1.149.255/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 13/4/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. Relevante se faz a reprodução de trecho do relatório do acórdão local onde consta (e-STJ, fl. 569): FABIANO VALDELE SILVANO e GABRIELLA LIGOCKI PEDRO SILVANO propuseram "ação de indenização por danos materiais e morais" perante o Juízo da 2ª Vara Cível da comarca de Palhoça, contra TERRA NOVA RODOBENS INCORPORADORA IMOBILIARIA - PALHOCA II - SPE LTDA., RNI NEGOCIOS IMOBILIARIOS S.A., e IMOBILIARIA RODOBENS LTDA. Forte no princípio da celeridade e utilizando das ferramentas informatizadas, adota-se o relatório da sentença recorrida, por sintetizar o conteúdo dos autos (evento 36, da origem), in verbis: Resumidamente, expuseram que em março de 2010 celebraram com a primeira ré contrato de promessa de compra e venda de bem imóvel, tendo por objeto unidade autônoma do condomínio "Moradas Palhoça II", com previsão de entrega para março de 2011. Seguiram afirmando que, embora adimplentes com suas obrigações, a obra não foi entregue no prazo previsto, mas somente em 14/11/2012 (grifamos). Por isso, requereram a condenação da parte contrária ao pagamento de indenização por danos materiais (restituição dos valores pagos a título de comissão de corretagem), bem como danos morais. Conforme destacado na decisão supra reproduzida, após a análise de fatos e provas levados aos autos, a Corte de origem concluiu pela ausência de danos morais na hipótese. No ponto a parte não apresentou nenhum fundamento novo capaz de alterar a decisão agravada, que segue mantida por seus próprios fundamentos. Aplica-se o enunciado 7 da Súmula do STJ. Por outro lado, o período de atraso referido no trecho do relatório acima reproduzido não se revela excessivo a ponto de justificar a presunção de sua ocorrência. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE. NOVA ANÁLISE. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NÃO VERIFICAÇÃO. RELAÇÃO CONTRATUAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. INADIMPLEMENTO. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. DANO MORAL. CABIMENTO. SÚMULA N. 83 DO STJ. INCIDÊNCIA. REEXAME DE ELEMENTOS FÁTICO- PROBATÓRIOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. INCIDÊNCIA. CLÁUSULA PENAL. INVERSÃO. PROPORCIONALIDADE. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS E REEXAME DE ELEMENTOS FÁTICO- PROBATÓRIOS DOS AUTOS. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. TEMA N. 971 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inexiste ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o tribunal de origem aprecia, com clareza e objetividade e de forma motivada, as questões que delimitam a controvérsia, ainda que não acolha a tese da parte insurgente. 2. "Na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda de imóvel submetido ao Código de Defesa do Consumidor, deve ocorrer a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente comprador integralmente, em caso de culpa exclusiva do promitente vendedor/construtor, ou parcialmente, caso tenha sido o comprador quem deu causa ao desfazimento" (Súmula n. 543 do STJ). 3. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido encontra-se em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Súmula n. 83 do STJ). 4. O simples inadimplemento contratual, em regra, não configura dano moral indenizável, devendo haver consequências fáticas capazes de ensejar o sofrimento psicológico. 5. Não se admite a revisão do entendimento do tribunal de origem quando a situação de mérito demandar o reexame do acervo fático- probatório dos autos, tendo em vista a incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 6. Aplicam-se as Súmulas n. 5 e 7 do STJ ao caso em que o acolhimento das teses defendidas no recurso especial implicar, necessariamente, a intepretação de cláusulas contratuais e o reexame de elementos fático-probatórios dos autos. 7. "No contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, havendo previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, deverá ela ser considerada para a fixação da indenização pelo inadimplemento do vendedor (Tema n. 971 do STJ). 8. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.538.988/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 25/9/2024.) CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. ATRASO NA ENTREGA DA UNIDADE. INOVAÇÃO DE TESE NO RECURSO DE APELAÇÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. COBRANÇA DE LUCROS CESSANTES. MATÉRIA DECIDIDA PELO TRIBUNAL ESTADUAL A PARTIR DA INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULA DO CONTRATO. SÚMULA N. 5 DO STJ. OCORRÊNCIA DE SITUAÇÃO EXCEPCIONAL QUE DEMONSTROU A EXISTÊNCIA DO DANO MORAL VINDICADO. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Trata-se de ação de obrigação de fazer cumulada com indenização por danos materiais e morais, em decorrência do descumprimento do contrato de promessa de compra e venda de imóvel firmado entre as partes, no que se refere ao prazo de entrega da obra. 2. Nos termos do 1.013, § 1º, do CPC, à exceção das questões de ordem pública, a apelação devolve ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada, bem como das questões suscitadas e discutidas no processo, sendo vedado o conhecimento de matéria não veiculada oportunamente perante o magistrado de primeiro grau, o que se verifica, no caso, no tocante à alegação de exceção do contrato não cumprido. 3. Segundo o entendimento da Corte local, na espécie, não houve cumulação entre lucros cessantes e multa contratual, mas, tão somente, o pagamento de multas compensatória e moratória, conforme disposição livremente pactuada entre as partes. Para ultrapassar a convicção firmada no Tribunal estadual, seria necessária a interpretação da referida cláusula contratual, o que não se admite nesta sede excepcional, ante o óbice da Súmula n. 5 do STJ. 4. No caso, a fixação da indenização por danos morais decorreu de situação excepcional que configurou ofensa ao direito da personalidade do promitente-comprador, extrapolando a esfera do mero inadimplemento contratual, não podendo a questão ser revista nesta via excepcional, ante a incidência da Súmula n. 7 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.243.799/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 11/9/2024.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA N. 7 DO STJ. ENTREGA DE OBRA. ATRASO EXCESSIVO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. SÚMULA N. 83 DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A ausência de enfrentamento da matéria pelo tribunal de origem impede o acesso do recurso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito do prequestionamento. 2. O mero inadimplemento contratual em razão do atraso na entrega do imóvel não é capaz, por si só, de gerar dano moral indenizável. Nada obstante, se se trata de longo período de atraso, como no caso de mais de dois anos, pode ensejar o reconhecimento de dano extrapatrimonial. 3. Agravo interno provido em parte para se conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.356.797/BA, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 22/8/2024.) Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.