REsp 1949117 - DECISAO
Houve omissão do Tribunal de origem quanto à existência de coisa julgada relativa ao índice de correção monetária, questão imprescindível para a solução da controvérsia; por violação do art. 1.022 do CPC/2015 e diante da ausência de informação sobre a data do trânsito em julgado, declarou-se a nulidade do acórdão...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Provimento E Anulação De Acórdão De Embargos De Declaração Com Retorno Dos Autos À Origem
- Outcome
- recurso especial provido em parte para anular o acórdão dos embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem
- Legal Topics
- Atualização Monetária, Honorários Advocatícios, Coisa Julgada, Embargos De Declaração, Omissão Judicial
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Provimento E Anulação De Acórdão De Embargos De Declaração Com Retorno Dos Autos À Origem
Legal Issues
- 1 omissão quanto à existência de coisa julgada sobre o índice de correção monetária
- 2 aplicação do índice de correção monetária em execução/previdenciária (TR vs INPC)
- 3 cabimento dos embargos de declaração para suprir omissão prevista no art. 1.022 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Houve omissão do Tribunal de origem quanto à existência de coisa julgada relativa ao índice de correção monetária, questão imprescindível para a solução da controvérsia; por violação do art. 1.022 do CPC/2015 e diante da ausência de informação sobre a data do trânsito em julgado, declarou-se a nulidade do acórdão que apreciou os embargos de declaração e determinou-se o retorno dos autos à Corte de origem para que a matéria omitida seja expressamente analisada.
Court Disposition
recurso especial provido em parte para anular o acórdão dos embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem
Orders
- Anular o acórdão prolatado em sede de embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo para novo julgamento dos embargos de declaração
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto peloINSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com respaldonas alíneas "a" e"c"do permissivo constitucional, contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃOassim ementado (e-STJ fl. 84): PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PROVIMENTO. Não se desconhece o julgamento do Plenário do C. Supremo Tribunal Federal que, em sessão de 25/03/2015, que apreciou as questões afetas à modulação dos efeitos das declarações de inconstitucionalidade proferidas nas ADIs n. 4.357 e 4.425, definindo seu âmbito de incidência apenas à correção monetária e aos juros de mora na fase do precatório. No julgamento do RE 870.947, porém, de relatoria do Ministro Luiz Fux, reconheceu-se a existência de nova repercussão geral sobre correção monetária e juros a serem aplicados na fase de conhecimento. O Colendo Supremo Tribunal Federal, por maioria, decidiu pela não modulação de efeitos da decisão anteriormente proferida no RE 870.947 a respeito do tema em comento. Razoável considerar-se, destarte, que a correção monetária e os juros de mora incidirão em conformidade ao decidido pela Primeira Turma do E. Superior Tribunal de Justiça no Recurso Repetitivo Resp n. 1.492.221, que estabeleceu tese para as condenações em ações previdenciárias (INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91, e juros de mora segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança). Devem os honorários advocatícios corresponder a 10% (dez por cento) da diferença entre o valor oferecido pela parte devedora e o acolhido pela decisão judicial, nos termos do art. 85, §§ 2º e 3º, I, do CPC/2015. Agravo de instrumento provido. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 114/124). Em suas razões, a autarquia recorrente aponta violação dos arts. 11, 489, II e § 1º, IV, e 1.022 do CPC/2015, por negativa de prestação jurisdicional e cerceamento de defesa, visto que o Tribunal de origem rejeitou os aclaratórios sem se pronunciar acerca da impossibilidade de utilização deparâmetros diferentes dos fixados no título judicial que transitou em julgado, o qual determinou expressamente a aplicação da Lei n. 11.960/2009, que prevê a TR como índice de correção monetária. Com amparo nos arts. 502, 503, 506, 507, 508, 509, parágrafo 4º, 966, IV, do CPC/2015, art. 6º, § 3º, da LINDBe arts. 884 e 885 do Código Civil de 2002,defende a observância do índice de atualização monetária estipulado no título judicial, ante a imutabilidade da coisa julgada, alegandoque o desrespeito à coisa julgada implicará no enriquecimento sem causa da parte impugnada em detrimento da Previdência Social. Sem contrarrazões.Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem às e-STJ fls. 147/150. Passo a decidir. Verifico que a preliminar merece prosperar. O art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 prevê que os embargos de declaração serão cabíveis quando houver, no acórdão ou na sentença, omissão contradição, obscuridade ou erro material, in verbis: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I- esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II- suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III- corrigir erro material. Para a admissão do recurso especial com base no referido dispositivo, a omissãotem que ser manifesta, ou seja, imprescindível para o enfrentamento da quaestio. No presente caso, assiste razão aoora recorrente, tendo em vista que, muito embora otematenhasido suscitadonorecursointegrativo,a Corte Regional não exprimiu juízo de valor acerca da existência da coisa julgada em relação ao índice de correção monetária. Impende ressaltar que, para o afastamento da tese recursal, necessário se faz o exame acerca dadatade trânsito em julgado, a fim de se verificar se ocorreu antes ou depois do julgamento dos recursos proferidos por esta Corte e pelo Supremo Tribunal Federal nos Temas 905 e 810, respectivamente. No entanto, como tal informação não consta do julgado recorrido, descabida a adoção do prequestionamento ficto. Assim, estando configurada a negativa de prestação jurisdicional, faz-se necessária a declaração de nulidade do acórdão que apreciou os embargos declaratórios, para que o vício seja sanado pelo Tribunal de origem. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 1.022 DO CPC/2015. OFENSA CARACTERIZADA.QUESTÃO NÃO EXAMINADA E IMPRESCINDÍVEL À SOLUÇÃO DA CONTROVÉRSIA. 1. A falta ou manifestação insuficiente a respeito de questão deduzida a tempo e modo pelo embargante e imprescindível à solução do litígio viola o artigo 1.022 do CPC/2015. 2. Agravo conhecido para dar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à origem para novo julgamento dos embargos de declaração.(AREsp 1.553.983/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/05/2020, DJe 17/06/2020). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. OMISSÃO CONFIGURADA. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. Considerando que a Corte de origem deixou de se manifestar sobre ponto pertinente à lide, expressamente ventilado pela parte recorrente e indispensável à apreciação do apelo extremo, é inegável a violação do art. 535, II, do CPC, o que impõe o reconhecimento de nulidade do acórdão, bem como a determinação de novo julgamento dos embargos de declaração, para que seja sanada a omissão apontada. 2. Tem-se que a interpretação sistemática do art. 530 do CPC leva à conclusão de que estão afastadas das hipóteses de cabimento de Embargos Infringentes contra acórdão que, por maioria, reforma sentença proferida com base no art. 267 do CPC, qual seja, a que leva à extinção do feito sem julgamento do mérito, como na hipótese dos autos. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1.346.569/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2014, DJe 25/11/2014). TRIBUTÁRIO. ISSQN. EXECUÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO DA CORTE A QUO, A DESPEITO DA OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, SOBRE QUESTÃO RELEVANTE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA NOVO JULGAMENTO DOS ACLARATÓRIOS. 1. A análise das decisões proferidas pelo Tribunal de origem (e-STJ, fls. 355/365 e 417/424), em cotejo com os recursos da sociedade contribuinte (e-STJ, fls. 305/309 e 403/414), revela que houve omissão no acórdão recorrido sobre "(a) a argumentação quanto à falta de instauração de procedimento administrativo com a finalidade de apurar a responsabilidade tributária da Recorrente, circunstância que redundaria na nulidade do título executivo, nos moldes do que prescreve o inciso, I, do artigo 618 do Código de Processo Civil, e ainda, (b) a circunstância envolvendo o suposto desrespeito às regras previstas pelos artigos 106, 134, parágrafo único e 144 do Código Tributário Nacional" (e-STJ, fl. 459), matéria relevante ao deslinde da controvérsia. 2. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é firme no entendimento de que deve a parte vincular a interposição do recurso especial à violação do art. 535 do Código de Processo Civil, quando, mesmo após a oposição de embargos declaratórios, o tribunal a quo persiste em não decidir questões que lhe foram submetidas a julgamento, por força do princípio tantum devolutum quantum appellatum ou, ainda, quando persista desconhecendo obscuridade ou contradição arguidas como existentes no decisum. 3. Por restar configurada a agressão ao disposto no art. 535 da legislação processual, impõe-se a declaração de nulidade do acórdão que julgou os embargos declaratórios, a fim de que o vício no decisum seja sanado. 4. Recurso especial provido para anular o acórdão dos embargos de declaração, determinando o retorno dos autos à Corte de origem, a fim de que se manifeste, expressamente, a respeito do quanto alegado em sede declaratória. (REsp 1313492/SP, Rel. Ministra DIVA MALERBI, DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2016, DJe 31/03/2016). Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao recurso especial do INSS para anular o acórdão prolatado em sede de embargos declaratórios e determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo, a fim de que seja analisada a questão omitida. Publique-se. Intimem-se.