HC 974770 - DECISAO
Por se tratar de habeas corpus impetrado após o trânsito em julgado com finalidade de impugnar matéria passível de revisão criminal, o writ substitui a via revisional e implica supressão de instância; como a competência do STJ para revisar condenações limita-se às hipóteses de seus próprios julgados (art.105, I, e,...
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- Parties
- Paciente: LUIZ EDUARDO TRAVASSO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Aumento De Pena Pelo Emprego De Arma De Fogo, Provas Extrajudiciais E Contraditório, Trânsito Em Julgado, Competência Do Superior Tribunal De Justiça, Supressão De Instância
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Parties
LUIZ EDUARDO TRAVASSO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de habeas corpus apresentado após trânsito em julgado visando substituir revisão criminal
- 2 Competência do STJ para processar revisão criminal limitada às hipóteses de seus próprios julgados (art. 105, I, e, CF)
- 3 Possibilidade de análise de causa de aumento de pena baseada em provas extrajudiciais no habeas corpus
Ratio Decidendi
Por se tratar de habeas corpus impetrado após o trânsito em julgado com finalidade de impugnar matéria passível de revisão criminal, o writ substitui a via revisional e implica supressão de instância; como a competência do STJ para revisar condenações limita-se às hipóteses de seus próprios julgados (art.105, I, e, CF), o habeas corpus não é conhecido, nos termos do art.210 do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus sem pedido de liminar impetrado em favor de LUIZ EDUARDO TRAVASSO em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 4 anos e 8 meses de reclusão no regime semiaberto e 10 dias-multa, como incurso nas sanções do art. 157, § 2º, I, do Código Penal. A impetrante sustenta que a condenação é ilegal, pois a causa de aumento de pena pelo emprego de arma de fogo foi aplicada com base em provas frágeis, colhidas na fase extrajudicial, sem contraditório judicial, e que a arma utilizada seria de airsoft, não constituindo arma de fogo, o que violaria o princípio da legalidade penal. Requer a concessão da ordem para afastar a causa de aumento prevista no inciso I do § 2 º do art. 157 do Código Penal e, consequentemente, reduzir a pena imposta ao paciente. Subsidiariamente, caso não seja conhecido d o habeas corpus, requer a concessão da ordem de ofício, diante da manifesta ilegalidade. Prestadas as informações, o Ministério Público manifestou-se pelo não conhecimento. É o relatório. O presente writ, impetrado em 15/1/2025 com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, com trânsito em julgado em 4/8/2022 (fl. 374). Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, instrumento que não pode ser manejado no caso, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária. Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). 2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA