AREsp 2162206 - ACORDAO
Por insuficiente prequestionamento de matérias suscitadas (arts. 6º da LINDB e 8º e 9º da MP 1711/2017) e pela ausência da efetiva discussão dessas questões no acórdão recorrido, o recurso especial não pode ser conhecido, incidindo a Súmula 211 do STJ; adicionalmente, o prequestionamento ficto só opera quando esta...
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- Parties
- Agravante: VILSON TERRES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual De 07/08/2025 a 13/08/2025
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Ausência Parcial De Prequestionamento, Súmula 211 Do STJ, Dissídio Jurisprudencial Prejudicado, Prequestionamento Ficto
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Parties
VILSON TERRES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual De 07/08/2025 a 13/08/2025
Legal Issues
- 1 prequestionamento da análise ao art. 6º, caput e § 1º, da LINDB e aos arts. 8º e 9º da MP 1711/2017
- 2 incidência da Súmula 211 do STJ sobre questões não apreciadas pelo Tribunal a quo
- 3 condicionamento do prequestionamento ficto ao reconhecimento de omissão ou negativa de prestação jurisdicional (art. 1025 do CPC/2015)
Ratio Decidendi
Por insuficiente prequestionamento de matérias suscitadas (arts. 6º da LINDB e 8º e 9º da MP 1711/2017) e pela ausência da efetiva discussão dessas questões no acórdão recorrido, o recurso especial não pode ser conhecido, incidindo a Súmula 211 do STJ; adicionalmente, o prequestionamento ficto só opera quando esta Corte reconhece omissão/erro/contradição/obscuridade nos termos do art. 1025 do CPC/2015, de modo que o exame do dissídio jurisprudencial fica prejudicado, motivo pelo qual o agravo interno foi negado provimento.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Agravo interno não provido.
- Incidência da Súmula 211 do STJ quanto às questões não prequestionadas.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 07/08/2025 a 13/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA PARCIAL DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. 1. Quanto à análise ao art. 6º, caput e § 1º, da LINDB e aos arts. 8º e 9º da MP 1711/2017, a matéria não foi objeto de exame pelas instâncias ordinárias, mesmo após o julgamento dos embargos de declaração. É cediço neste STJ que não basta a alegação da questão nas razões do recurso para tê-la como prequestionada, sendo indispensável a efetiva discussão da matéria no acórdão recorrido. 2. Assim, em razão da falta do indispensável prequestionamento, não pode ser conhecido o recurso especial, incidindo o teor da Súmula 211 deste STJ: "inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição dos embargos declaratórios, não foi aprecia 3. Quanto ao prequestionamento ficto, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que "o art. 1025 do CPC/2015 condiciona o prequestionamento ficto ao reconhecimento por esta Corte de omissão, erro, omissão, contradição ou obscuridade, ou seja, pressupõe o provimento do recurso especial por ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, com o reconhecimento da negativa de prestação jurisdicional sobre a matéria" (AgInt no AREsp n. 2.528.396/RS, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 4/9/2024). 4. Por fim, resulta claro que a análise do dissídio jurisprudencial está prejudicada, tendo em vista que o óbice aplicado ao recurso especial pela alínea a prejudica o exame do especial manejado pela alínea c do permissivo constitucional para questionar a mesma matéria. 5. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto pelo VILSON TERRES contra a decisão que conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento, em razão da inexistência de violação ao art. 1.022 do CPC, de aplicação da Súmula 211 deste STJ, da impossibilidade de este STJ apreciar infringência à resolução e da prejudicialidade do exame do dissídio jurisprudencial. Argumenta a parte agravante, em síntese, que o "entendimento deve ser reformado, pois a matéria objeto do exame especial foi amplamente prequestionada no Tribunal de origem e todas as ofensas verificadas foram amplamente e profundamente enfrentadas, através de fundamentação e impugnação específica ao caso em tela (fl. 348). Defende, ainda, "afastadas quaisquer prejudiciais de análise do dissídio jurisprudencial trazido no recurso" (fl. 352). Por fim, pugna pela reconsideração da decisão agravada ou pela submissão da questão ao Colegiado. Como certificado nos autos, transcorreu in albis o prazo para impugnação. É o relatório. EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA PARCIAL DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. 1. Quanto à análise ao art. 6º, caput e § 1º, da LINDB e aos arts. 8º e 9º da MP 1711/2017, a matéria não foi objeto de exame pelas instâncias ordinárias, mesmo após o julgamento dos embargos de declaração. É cediço neste STJ que não basta a alegação da questão nas razões do recurso para tê-la como prequestionada, sendo indispensável a efetiva discussão da matéria no acórdão recorrido. 2. Assim, em razão da falta do indispensável prequestionamento, não pode ser conhecido o recurso especial, incidindo o teor da Súmula 211 deste STJ: "inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição dos embargos declaratórios, não foi aprecia 3. Quanto ao prequestionamento ficto, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que "o art. 1025 do CPC/2015 condiciona o prequestionamento ficto ao reconhecimento por esta Corte de omissão, erro, omissão, contradição ou obscuridade, ou seja, pressupõe o provimento do recurso especial por ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, com o reconhecimento da negativa de prestação jurisdicional sobre a matéria" (AgInt no AREsp n. 2.528.396/RS, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 4/9/2024). 4. Por fim, resulta claro que a análise do dissídio jurisprudencial está prejudicada, tendo em vista que o óbice aplicado ao recurso especial pela alínea a prejudica o exame do especial manejado pela alínea c do permissivo constitucional para questionar a mesma matéria. 5. Agravo interno não provido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para desconstituir os fundamentos da decisão ora agravada torna inalterado o entendimento nela firmado. Ab initio, destaco que o agravante apenas impugnou os capítulos referentes a Súmula 211/STJ e a prejudicialidade de se examinar o dissídio jurisprudencial. Assim sendo, precluiu qualquer debate sobre a infringência ao art. 1.022, II, do CPC e a impossibilidade de este STJ apreciar violação à resolução administrativa. Quanto à análise aos arts. 6º, caput, § 1º, da LINDB e 8º e 9º da MP 1711/2017, a matéria não foi objeto de exame pelas instâncias ordinárias, mesmo após o julgamento dos embargos de declaração. É cediço neste STJ que não basta a alegação da questão nas razões do recurso para tê-la como prequestionada, sendo indispensável a efetiva discussão da matéria no acórdão recorrido. Assim, em razão da falta do indispensável prequestionamento, não pode ser conhecido o recurso especial, incidindo o teor da Súmula 211 deste STJ: "inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição dos embargos declaratórios, não foi apreciado pelo Tribunal a quo". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. ART. 927, III, DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO REALIZADO. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte já se firmou no sentido de que "não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado" (AgInt no AREsp n. 2.536.934/BA, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 21/8/2024). 2. A despeito da oposição de embargos de declaração, não foi configurado o prequestionamento exigido para o recurso especial, nos termos do enunciado n. 211 da Súmula do STJ. .. 4. Agravo interno não provido (AgInt no AREsp n. 2.578.117/RN, Relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 14/10/2024). Quanto ao prequestionamento ficto, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que "o art. 1025 do CPC/2015 condiciona o prequestionamento ficto ao reconhecimento por esta Corte de omissão, erro, omissão, contradição ou obscuridade, ou seja, pressupõe o provimento do recurso especial por ofensa ao art. 1022 do CPC/2015, com o reconhecimento da negativa de prestação jurisdicional sobre a matéria" (AgInt no AREsp n. 2.528.396/RS, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 4/9/2024). Por fim, resulta claro que a análise do dissídio jurisprudencial está prejudicada, tendo em vista que o óbice aplicado ao recurso especial pela alínea a prejudica o exame do especial manejado pela alínea c do permissivo constitucional para questionar a mesma matéria. Não é outro o entendimento desta Turma de Direito Público: AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.152.218/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 7/11/2023, DJe de 10/11/2023; AgInt no AR Esp n. 2.320.819/RJ, relatora Ministra Assus ete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023; e AgInt no AREsp n. 2.079.504/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023. Isso posto, nego provimento ao recurso.