REsp 2037162 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se provimento porque o acórdão recorrido fundamentou a manutenção da qualidade de segurado com base na apreciação do conjunto probatório, e a modificação dessa conclusão exigiria reexame fático-probatório, circunstância vedada em recurso especial pela Súmula 7 do...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS; Recorrida: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial Pelo STJ
- Outcome
- Conheço em parte do recurso especial e nego-lhe provimento
- Legal Topics
- Auxílio Doença, Qualidade De Segurado, Período De Graça, Prova Do Desemprego, Honorários Advocatícios, Correção Monetária E Juros De Mora, Súmula 7/stj
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente
parte autora
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Perda da qualidade de segurado e extensão do período de graça por desemprego involuntário
- 2 Admissibilidade de prova de desemprego sem registro no órgão próprio do Ministério do Trabalho e da Previdência Social
- 3 Alegada omissão/violação dos arts. 489 e 1.022, II, do CPC/2015
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se provimento porque o acórdão recorrido fundamentou a manutenção da qualidade de segurado com base na apreciação do conjunto probatório, e a modificação dessa conclusão exigiria reexame fático-probatório, circunstância vedada em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; não se verificou omissão ou violação dos dispositivos processuais apontados.
Court Disposition
Conheço em parte do recurso especial e nego-lhe provimento
Orders
- Negar provimento ao recurso especial na parte conhecida
- Majorar os honorários advocatícios em 2% com fundamento no art. 85, §11, do CPC/2015, observados os limites do §3º desse dispositivo
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado: PREVIDENCIÁRIO - RESTABELECIMENTO DE AUXÍLIO-DOENÇA OU CONVERSÃO EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ - INCAPACIDADE TOTAL E TEMPORÁRIA - DEMAIS REQUISITOS PREENCHIDOS - TERMO INICIAIL DO BENEFÍCIO - JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA - ENCARGOS DE SUCUMBÊNCIA - APELO PROVIDO - SENTENÇA REFORMADA. 1. Os benefícios por incapacidade. previstos na Lei nº 8.213/91, destinam-se aos segurados que. após o cumprimento da carência de 12 (doze) meses (art. 25, I), sejam acometidos por incapacidade laborai: (i) incapacidade total definitiva para qualquer atividade laborativa. no caso de aposentadoria por invalide/ (art. 42). ou (ii) incapacidade para a atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos, no caso de auxílio-doença (art. 59). 2. Para a obtenção dos benefícios por incapacidade, deve o requerente comprovar o preenchimento dos seguintes requisitos: (i) qualidade de segurado, (ii) cumprimento da carência, quando for o caso, e (iii) incapacidade laboral. 4. No caso dos autos, o exame realizado pelo perito oficial em 08/08/2011 constatou que parte autora, doméstica, idade atual de 59 anos. e portadora de Lombociatalgiu com radiculopatia ativa e está temporariamente incapacitada para o exercício de atividade habitual, como se vê do laudo oficial. 5. Ainda que o magistrado não esteja adstrito às conclusões do laudo pericial, conforme dispõem o artigo 436 do CPC/1973 e o artigo 479 do CPC720I5. estas devem ser consideradas, por se tratar de prova técnica, elaborada por profissional da confiança do Juízo e equidistante das partes. 6. O laudo em questão foi realizado por profissional habilitado, equidistante das partes, capacitado, especializado cm perícia médica, e de confiança do r. Juízo, cuja conclusão encontra-se lançada de forma objetiva e fundamentada, não havendo que falar cm realização de nova perícia judicial. Atendeu, ademais, às necessidades do caso concreto, possibilitando concluir que o perito realizou minucioso exame clínico, respondendo aos quesitos formulados, e lesou em consideração, para formação de seu convencimento, a documentação médica colacionada aos autos. 7. Considerando que a parte autora, conforme concluiu o perito judicial, não pode exercer, de forma temporária, a sua atividade habitual, e possível a concessão do beneficio do auxílio-doença, até porque preenchidos os demais requisitos legais. 8. Comprovado, nos autos, que parte autora é segurada da Previdência Social e cumpriu a carência de 12 (doze) contribuições, exigida pelo artigo 25, inciso I, da Lei nº 8.213/91. 9. Ainda que. entre a data do encerramento do último vinculo empregatício (10/01/2001) e o início da incapacidade constatado pela perícia administrativa (17/05/2002), tenha decorrido período superior ao prazo previsto no inciso II do artigo 15 da Lei nº 8.213/91, não há que se falar cm perda da sua qualidade de segurada, pois. nos termos do parágrafo 2º do referido dispositivo, tal prazo será prorrogado por mais 12 (doze) meses pura o segurado desempregado. 10. A ausência de novas anotações na CTPS da parte autora é indício válido e suficiente para considerar que a parte autora se encontrava na inatividade. tendo em vista que ela, no período que antecedeu o inicio da incapacidade laborai, trabalhou apenas mediante vinculo empregatício. 11. Correta a concessão administrativa do auxílio-doença em 17/05/2002 e indevida a cessação em 30/03/2010, e o caso de se afastar a cobrança dos valores recebidos entre 01/05/2005 e 30/03/2010 e restabelecer o AUXÍLIO-DOENÇA a partir de 31/03/2010. dia seguinte ao da cessação indevida. 12. Para o cálculo dos juros de mora e correção monetária, devem ser aplicados os índices previstos no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pelo Conselho da Justiça Federal, à exceção da correção monetária a partir de julho de 2009, período em que deve ser observado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial - IPCA-e, critério estabelecido pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 870.947/SE, realizado em 20/09/2017, na sistemática de Repercussão Geral, e confirmado em 03/10/2019, com a rejeição dos embargos de declaração opostos pelo INSS. 13. Se a sentença determinou a aplicação de critérios de juros de mora e correção monetária diversos, ou, ainda, se ela deixou de estabelecer os índices a serem observados, pode esta Corte alterá-los ou fixá-los, inclusive de ofício, para adequar o julgado ao entendimento pacificado nos Tribunais Superiores. 14. Vencido o INSS, a ele incumbe o pagamento de honorários advocatícios, fixados em 10% do valor das prestações vencidas até a data da sentença (Súmula nº 111/STJ). 15. A Autarquia Previdenciária, no âmbito da Justiça Federal, está isenta das custas processuais (Lei nº 9.289/96, art. 4º, I), mas (i) não do reembolso das custas recolhidas pela parte autora (artigo 4º, parágrafo único, da Lei nº 9.289/96), inexistentes, no caso, tendo em conta a gratuidade processual que foi concedida à parte autora, (ii) nem do pagamento de honorários periciais ou do seu reembolso, caso o pagamento já tenha sido antecipado pela Justiça Federal, devendo retornar ao erário (Resolução CJF nº 305/2014, art. 32). 16. Apelo provido. Sentença reformada (fls. 444-445). Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. No recurso especial, o recorrente aponta negativa de vigência aos arts. 489 e 1.022, II, do CPC/2015, ao fundamento de que "não foi apreciada pela Corte de origem a tese levantada pelo embargante no sentido de que houve a perda da qualidade segurado, pois a situação de desemprego para prorrogar o período de graça necessita de comprovação do registro no órgão próprio do Ministério do Trabalho e da Previdência Social e que, segundo jurisprudência firmada pelo STJ a dispensa desse registro somente está autorizada se por outras provas ficar comprovada a situação de desemprego, não admitindo a prorrogação com a simples ausência de registro de vínculo de emprego na CTPS" (fl. 506). Alega, ainda, violação aos arts. 15, II, e §2º, 59 e 102 da Lei 8.213/91, pois "o acórdão recorrido considerou indevidamente mantida a qualidade de segurado pela prorrogação do período de graça, nos termos do parágrafo 2º, do artigo 15, da Lei 8213/91, apenas com base na ausência de vínculo posterior ao último registrado na CTPS e no banco de dados da Previdência Social, o que contraria o disposto no referido dispositivo que exige a comprovação do desemprego "pelo registro no órgão próprio do Ministério do Trabalho e da Previdência Social"" (fl. 508). Requer, ao final, o provimento do recurso. O recurso especial foi admitido pelo Tribunal de origem. É o relatório. Passo a decidir. Quanto à apontada violação aos arts. 489 e 1.022, I e II, do CPC/2015, o acórdão recorrido não incorreu em qualquer vício, uma vez que o voto condutor do julgado apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pela parte recorrente. No que diz respeito ao mérito, o acórdão recorrido decidiu em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, firmada no sentido de que a ausência de registros na CTPS, só por si, não é suficiente para comprovar a situação de desemprego da parte autora, admitindo-se, no entanto, que tal demonstração possa ser efetivada por outros meios de prova que não o registro perante o Ministério do Trabalho e da Previdência Social, como a testemunhal. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO-RECLUSÃO. PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO. EXTENSÃO DO PERÍODO DE GRAÇA PELO DESEMPREGO INVOLUNTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. INVERSÃO DO JULGADO. INVIABILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A Corte de origem, após análise dos elementos informativos dos autos, concluiu que o recluso não detinha a qualidade de segurado no momento de sua prisão, requisito indispensável para a concessão do auxílio-reclusão, tampouco havia sido comprovada a situação da extensão do período de graça pelo desemprego involuntário. 2. A orientação do Superior Tribunal de Justiça se firmou no sentido de que "a ausência de registros na CTPS, por si só, não é suficiente para comprovar a situação de desemprego da parte autora, admitindo-se, no entanto, que tal demonstração possa ser efetivada por outros meios de prova que não o registro perante o Ministério do Trabalho e da Previdência Social, como a testemunhal" (REsp n. 1.338.295/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 25/11/2014, DJe de 1º/12/2014). 3. Isso porque "a ausência de anotação laboral na CTPS do autor .. não afasta a possibilidade do exercício de atividade remunerada na informalidade" (AgRg no Ag n. 1.182.277/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Quinta Turma, julgado em 26/10/2010, DJe de 6/12/2010). 4. O acolhimento da pretensão recursal, nos termos em que formulada, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não na valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o seguimento do recurso especial. Sendo assim, incide no caso a Súmula 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 5. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp 1.935.779/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF 5), Primeira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 17/8/2022). No caso , o acórdão recorrido consignou que estavam preenchidos os requisitos para a manutenção da qualidade de segurado, ensejadores da prorrogação do período de graça, não só pela ausência de anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), mas também por outros elementos probatórios constantes dos autos (fls. 439-440). Nesse contexto, a alteração da conclusão do Tribunal a quo, ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: "É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"" (AgInt no AREsp n. 1.964.284/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). Isso posto, conheço em parte do recurso especial e, ness a extensão, nego-lhe provimento. Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Intimem-se. EMENTA