AREsp 2782022 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem fundamentou-se em prova pericial que não foi infirmada por prova robusta em sentido contrário, de modo que a alteração demandaria reexame fático-probatório proibido pela Súmula 7 do STJ; além disso, parte das alegações não foi prequestionada,...
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- Parties
- Autor: parte autora; Réu: ente estadual; Interessado: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 November 2024
- Procedural Posture
- Ação Acidentária / Agravo Em Recurso Especial Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- conheço do agravo em recurso especial quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo e não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Auxílio Doença Acidentário, Auxílio Acidente, Perícia Médica Judicial, Reexame Fático Probatório (súmula 7/stj), Honorários Periciais, Gratuidade Da Justiça, Prequestionamento
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Parties
parte autora
Autor
ente estadual
Réu
INSS
Interessado
Procedural Posture
Ação Acidentária / Agravo Em Recurso Especial Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 incapacidade laborativa constatada ou não pela perícia judicial
- 2 valoração do laudo pericial e necessidade de prova robusta em sentido contrário
- 3 vedação ao reexame de provas pelo STJ (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem fundamentou-se em prova pericial que não foi infirmada por prova robusta em sentido contrário, de modo que a alteração demandaria reexame fático-probatório proibido pela Súmula 7 do STJ; além disso, parte das alegações não foi prequestionada, inviabilizando seu conhecimento.
Court Disposition
conheço do agravo em recurso especial quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo e não conheço do recurso especial
Orders
- Conhecer do agravo em recurso especial relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conhecer do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação acidentária, visando a prorrogação de benefício de auxílio-doença acidentário ou, alternativamente a concessão de auxílio-acidente. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para determinar ao ente estadual a restituição dos honorários periciais adiantados pelo INSS. O valor da causa foi fixado em R$ 12.506,94 (doze mil, quinhentos e seis reais e noventa e quatro centavos). O recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÕES CÍVEIS SIMULTÂNEAS. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PLEITO DE CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DE AUXÍLIO-DOENÇA POR ACIDENTE DE TRABALHO (B91) OU AUXÍLIOACIDENTE (B94). DESCABIMENTO. CAPACIDADE LABORATIVA CONSTATADA PELA PERÍCIA JUDICIAL. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA EM SENTIDO CONTRÁRIO. NECESSIDADE DE DETERMINAÇÃO DE RESSARCIMENTO DO INSS EM RELAÇÃO AO VALOR ADIANTADO PARA PAGAMENTO DA PERÍCIA. ACIONANTE BENEFICIÁRIO DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA. INTELECÇÃO DO RESP Nº 1.823402, VEICULADOR DO TEMA 1.044, DO STJ. OBSERVÂNCIA DOS LIMITES FIRMADOS NA RESOLUÇÃO Nº 17/2019, DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. RECURSO DA PARTE AUTORA CONHECIDO E NÃO PROVIDO. RECURSO DA PARTE RÉ PARCIALMENTE PROVIDO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: In casu, o expert, no laudo da perícia médica judicial esclareceu que, após a realização do exame físico e análise dos exames complementares, foi constatado o nexo de causalidade entre a patologia diagnosticada e o trauma sofrido pelo autor, contudo, não foi reconhecida a incapacidade laborativa alegada. Vejamos as conclusões e resposta do jusperito : .. Nesta senda, cumpre ressaltar que, tratando-se de controvérsia cuja solução dependa de prova técnica, o juiz só poderá recusar a conclusão do laudo pericial se houver prova robusta em sentido contrário, uma vez que o perito se encontra em posição equidistante das partes, mostrando-se, portanto, imparcial e com mais credibilidade. .. Ademais, inexiste documentação diversa contemporânea à data de realização da perícia, que rebata a conclusão apontada no laudo. Ora, a mera existência de patologia ou lesão não impõe, por si, a concessão de benefício acidentário, pois nem sempre enseja a incapacidade para o trabalho. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às alegações de violação dos arts. 42 a 47, da Lei n. 8213/1991, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majo ração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA