AREsp 2004551 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais não impugnaram de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido, atraindo a Súmula 284/STF, e porque o acolhimento da pretensão recursal demandaria reexame do acervo fático-probatório, vedado pelo enunciado da Súmula...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MARINETE FELINTRO DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Benefício Acidentário, Recurso Especial, Admissibilidade, Perícia Médica, Nexo De Causalidade, Incapacidade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MARINETE FELINTRO DOS SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação alegada do art. 59 da Lei n. 5.213/1991 quanto ao preenchimento dos requisitos para auxílio-doença acidentário
- 2 Admissibilidade do recurso especial (art. 105, III, alínea "a", CF/88)
- 3 Aplicação da Súmula 284/STF por deficiência na fundamentação do recurso
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais não impugnaram de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido, atraindo a Súmula 284/STF, e porque o acolhimento da pretensão recursal demandaria reexame do acervo fático-probatório, vedado pelo enunciado da Súmula 7/STJ; adicionalmente, o laudo pericial concluiu incapacidade parcial e temporária, insuficiente para concessão da reparação acidentária pleiteada.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo.
- Não conheço do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MARINETE FELINTRO DOS SANTOS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: ACIDENTE DO TRABALHO CLASSIFICADORA - TENDINITE DO MANGUITO ROTADOR NO OMBRO DIREITO - BENEFÍCIO ACIDENTÁRIO IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO PELA PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADA - IMPOSSIBILIDADE PARTE MANTINHA VÍNCULO EMPREGATÍCIO NO MOMENTO EM QUE CONTRAIU A DOENÇA - PROSSEGUIMENTO COM O JULGAMENTO DO FEITO CAUSA MADURA - LAUDO CONCLUSIVO PARA INCAPACIDADE PARCIAL E TEMPORÁRIA INCAPACIDADE DIAGNOSTICADA NÃO AUTORIZA A CONCESSÃO DE QUALQUER BENESSE - PERÍCIA NÃO CONTRARIADA POR NENHUM OUTRO TRABALHO TÉCNICO CIENTÍFICO - IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO, MAS POR MOTIVO DIVERSO DA R. SENTENÇA PROVIDO O RECURSO DA AUTORA PARA AFASTAR A PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADA DECRETADA NA R. SENTENÇA NO PROSSEGUIMENTO DO JULGAMENTO NOS TERMOS DO ARTIGO 1013, § 3º, INCISO I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, NO ENTANTO, O PEDIDO INICIAL FOI JULGADO IMPROCEDENTE ANTE A AUSÊNCIA DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A REPARAÇÃO ACIDENTÁRIA. Quanto à controvérsia recursal, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 59 da Lei n. 5.213/1991, no que concerne ao reconhecimento do preenchimento dos requisitos para concessão do auxílio-doença acidentário, por constar do laudo pericial que a recorrente se encontra incapacitada para o exercício da função de classificadora, trazendo os seguintes argumentos: Urge pois, demonstrar que o laudo pericial produzido de maneira regular no processo atesta que a recorrente é portadora de TENDINITE DO MANGUITO ROTADOR OMBRO DIREITO e conclui que a mesma possui INCAPACIDADE PARCIAL E TEMPORÁRIA, contudo ao responder ao quesito da autarquia de nº 2, às fls. 86, foi categórico: SIM, A DOENÇA A INCAPACITA PARA EXERCER A FUNÇÃO DE CLASSIFICADORA . Dessa forma, preenchidos estão os requisitos do artigo 59, da Lei nº 8123/91, in verbis: (fls. 149, grifo meu). É, no essencial, o relatório. Decido. O acórdão recorrido assim decidiu: O laudo pericial, que, inclusive, contou com a aquiescência da obreira (fls.89), mostra-se suficientemente fundamentado, afigurando-se seguro e convincente, merecendo, destarte, orientar o desfecho da lide. Também não apresenta em seu conteúdo dúvida ou contradição a justificar a realização de nova perícia. Vale lembrar que, conquanto o magistrado não esteja adstrito ao laudo pericial (CPC, art. 479), na hipótese dos autos, não se pode deixar de considerar a perícia médica, cujo laudo se encontra bem fundamentado e conclusivo (fl 141, grifo meu). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ademais, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Realizada a perícia médica (fls. 74/80), ao exame físico da coluna lombar, constatou o experto, ausência de restrições biomecânicas para executar manobras clínicas básicas (extensão, flexão, rotação) e semiológicas para prova funcional estrutural. Ao exame dos membros superiores, verificou o perito, força muscular preservada em membro superior esquerdo, membros superiores hígidos sem deformidades, sem assimetrias musculares, sem déficit neuro-motores. Contudo, no ombro direito, observou dor a movimentação ativa e passiva, discreta dificuldade para realizar as manobras clínicas básicas (extensão, flexão e rotação), força muscular diminuída (fls. 74/75). Diagnosticou o perito que a autora é portadora de tendinite do manguito rotador ombro direito (fls. 75), concluindo que a obreira apresenta incapacidade parcial e temporária (fls. 75). O perito admitiu a existência do nexo de causalidade entre a função desempenhada e a moléstia acometida (quesito D fls. 78). .. Entretanto, as conclusões do laudo, de incapacidade parcial e temporária, não são capazes de justificar a concessão de benesse alguma, pois, repita- se, a aposentadoria por invalidez acidentária visa indenizar a permanente incapacidade laboral, que sequer foi admitida pelo experto. Relembre-se que o benefício acidentário somente dever ser concedido quando comprovada, além do nexo causal, a incapacidade parcial e permanente (auxílio-acidente), total e temporária (auxílio-doença) ou total e permanente (aposentadoria por invalidez). E, conforme referido, para a concessão da aposentadoria por invalidez ou mesmo do auxílio-doença acidentário, necessária a demonstração da existência de incapacidade total e definitiva ou total e temporária para o trabalho habitual, respectivamente, não bastando a simples notícia de diagnóstico da lesão, ou mesmo a indicação da manutenção de eventual tratamento. Assim, ausente os requisitos exigidos à reparação acidentária, nenhuma indenização acidentária é devida (fl. 141, grifo meu). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.