AREsp 2821742 - DECISAO
O Tribunal manteve a decisão do tribunal de origem quanto à improcedência do pedido por ausência de comprovação de deficiência pela perícia e de atendimento a requisitos da Lei 8.742/93; no STJ não se conhece do recurso especial porque a alteração do decidido exigiria reexame de matéria fático-probatória proibido...
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- Parties
- Requerente: parte autora; Réu: INSS - Instituto Nacional de Seguro Social
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 February 2025
- Procedural Posture
- Ação De Concessão De Benefício Assistencial (loas) / Recurso Especial Não Conhecido (apresentes Agravo Em Recurso Especial Ao Stj)
- Outcome
- Conheço do agravo quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo; Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Benefício De Prestação Continuada (loas), Miserabilidade / Renda Per Capita, Deficiência, Perícia Médica, Gratuidade De Justiça, Honorários Advocatícios, Coisa Julgada
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Parties
parte autora
Requerente
INSS - Instituto Nacional de Seguro Social
Réu
Procedural Posture
Ação De Concessão De Benefício Assistencial (loas) / Recurso Especial Não Conhecido (apresentes Agravo Em Recurso Especial Ao Stj)
Legal Issues
- 1 preenchimento dos requisitos legais para concessão do benefício assistencial (Lei 8.742/93)
- 2 comprovação de deficiência
- 3 afronta a vedação ao reexame de provas pelo STJ (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve a decisão do tribunal de origem quanto à improcedência do pedido por ausência de comprovação de deficiência pela perícia e de atendimento a requisitos da Lei 8.742/93; no STJ não se conhece do recurso especial porque a alteração do decidido exigiria reexame de matéria fático-probatória proibido pela Súmula 7 e porque não há prequestionamento suficiente das matérias invocadas; determinou-se ainda a majoração dos honorários em 1% sobre o valor já fixado, se houver precedente nos autos.
Court Disposition
Conheço do agravo quanto à matéria que não se enquadra em tema repetitivo; Não conheço do recurso especial.
Orders
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios, determino a sua majoração em desfavor da parte recorrente no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de concessão de benefício assistencial (LOAS) em face do INSS - Instituto Nacional de Seguro Social alegando, em apertada síntese, que é portador de hérnia de disco lombar, o que o incapacita ao trabalho. Que são integrantes de seu núcleo familiar ele e a esposa, bem como que possuem renda insuficiente. Pede a concessão do beneficio desde a data do requerimento administrativo (30/8/2013), bem como que os atrasados sejam pagos com correção monetária, acrescidos de juros de 1% ao mês a partir da citação e honorários em 20% do valor da condenação. Na sentença, julgou-se o pedido procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada, para julgar improcedente o pedido. O valor da causa foi fixado em R$ 1.578.469,23. O recurso especial foi interposto no Tribunal Regional Federal d a 6ª Região contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: ASSISTENCIAL. PROCESSUAL CIVIL. BENEFÍCIO DE AMPARO SOCIAL À PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA. LEI Nº 8.742. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. AUSÊNCIA DE DEFICIÊNCIA. SENTENÇA PROCEDENTE REFORMADA. 1. O benefício de prestação continuada é devido à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais, que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. 2. A família com renda mensal per capita inferior a % do salário mínimo não é capaz de prover de forma digna a manutenção do membro idoso ou portador de deficiência física (§ 3o, art. 20, Lei 8.742/93). Contudo, o legislador não excluiu outras formas de verificação da condição de miserabilidade. Precedentes do STJ, da TNU e desta Corte. 3. O Estudo social (fls. 49/51) foi favorável à parte autora. 4. A perícia médica (fls. 60/62) constatou que a parte autora (portadora de lombalgia e redução leve da força muscular dos membros inferiores), não possui deficiência. 5. A ausência de comprovação do atendimento a um dos requisitos exigidos pela Lei 8.742/93 enseja o indeferimento do benefício de amparo social. 6. Deferida a gratuidade de justiça requerida na inicial, fica suspensa a execução dos honorários de advogado arbitrados em R$ 880,00, enquanto perdurar a situação de pobreza da autora pelo prazo máximo de cinco anos, quando estará prescrita. 7. A coisa julgada opera secundum eventum litis ou secundum eventum probationis, permitindo a renovação do pedido ante novas circunstâncias ou novas provas. 8. Apelação do INSS e remessa oficial providas para julgar improcedente o pedido. Recurso adesivo da parte autora prejudicado. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: O artigo 203, inciso V, da Constituição Federal e a Lei nº 8.742/93 no art.20, prevêem a prestação de assistência social a portador de deficiência física ou a idoso, desde que seja constatado não ter ele meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família. Há presunção legal de que a família com renda mensal per capita inferior a % do salário- mínimo não é capaz de promover de forma digna a manutenção do membro idoso ou portador de deficiência física (§ 3o, art. 20, Lei 8.742/93). 4. Assim, comprovada a renda familiar no limite legal estabelecido e ser a pessoa portadora de deficiência, a parte autora fará jus ao benefício assistencial. 5. No que toca a renda familiar per capita, o Plenário do STF manifestou-se, por ocasião da ADIN n. 1.232-1/DF, no sentido de que a lei estabeleceu hipótese objetiva de aferição da miserabilidade, contudo, o legislador não excluiu outras formas de verificação de tal condição. Para tal, cite-se outros benefícios de cunho assistencial instituídos posteriormente com critério objetivo de renda familiar per capita inferior a 1/2 do salário-mínimo (Lei nº 10.689/2003 e Lei n. 9.533/1997). Tais inovações legislativas demonstram o objetivo de salvaguarda do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. 6. Nessa linha de entendimento, a jurisprudência de nossos tribunais tem entendido que, assim como o beneficio assistencial pago a um integrante da família não deve ser considerado para fins de renda per capita, nos termos do parágrafo único do art. 34 da Lei 10.741/2003, os benefícios previdenciários de até um salário-mínimo, pagos a pessoa maior de 65 anos, não deverão ser considerados. Igual sorte, ao meu sentir, deve ser dada ao benefício de aposentadoria por invalidez, de até um salário-mínimo, pago à pessoa de qualquer idade. Sobre a matéria, colaciono o seguinte precedente: .. 7. Assim, a vulnerabilidade social deve ser aferida pelo julgador na análise do caso concreto, de modo que o critério objetivo fixado em lei deve ser considerado como um norte, podendo o julgador considerar outros fatores que viabilizem a constatação da hipossuficiência do requerente. Esse é o entendimento consagrado no âmbito do e. STJ: .. Importante consignar que fora dos requisitos objetivos previstos em lei, a comprovação da miserabilidade deverá ser viabilizada pela parte requerente, a qual incumbe apresentar meios capazes de incutir no julgador a convicção de sua vulnerabilidade social. 9. Registre-se que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento da Reclamação nº 4374/PE sinalizou compreensão no sentido de que o critério de renda per capita de % do salário mínimo não é mais aplicável, motivo pelo qual a miserabilidade deverá ser aferida pela análise das circunstâncias concretas do caso analisado. Confira-se: .. 10. No tocante a deficiência, urge registrar que se considera pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas (art. 20, §2º da Lei nº da Lei nº 8.742/93, com redação dada pela Lei nº 12.435, de 06/07/2011). 11. Nos termos do art. 20, § 1o, da Lei nº 8.742/93, com redação dada pela Lei nº 12.435/2011, a família passou a ser composta pela parte requerente, o cônjuge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto. Considerando à época do ajuizamento da ação, aplicam-se ainda, subsidiariamente, os termos do art. 16 da Lei nº 8.213/91. .. 13. A perícia médica (fls. 60/62), constatou que a parte autora (portadora de lombalgia e redução leve da força muscular dos membros inferiores), não possui deficiência. 14. A ausência de comprovação do atendimento a um dos requisitos exigidos pela Lei 8.742/93 enseja o indeferimento do benefício de amparo social. 15. Deferida a gratuidade de justiça requerida na inicial, fica suspensa a execução dos honorários de advogado arbitrados em R$ 880, enquanto perdurar a situação de pobreza da autora pelo prazo máximo de cinco anos, quando estará prescrita. 16. A coisa julgada opera secundum eventum litis ou secundum eventum probationis, permitindo a renovação do pedido ante novas circunstâncias ou novas provas. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria n ecessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (art. 20, §2º, da Lei n. 8.742/93; no art. 535 do CPC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA