AREsp 2733587 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão recursal exigiria revolvimento de matéria fático-probatória e reanálise de cláusulas contratuais, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ; além disso, não se reconheceu identidade fática suficiente para fins da alínea c...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ARMAZENS GERAIS SUDOESTE LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo, Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Boa Fé Objetiva, Obrigação De Fazer, Alienação Fiduciária, Danos Morais, Honorários Advocatícios, Reexame De Prova (súmulas 5 E 7/stj), Admissibilidade De Recurso Especial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ARMAZENS GERAIS SUDOESTE LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo, Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Existência de obrigação de liberar ônus de alienação fiduciária decorrente de Instrumento Particular apesar de omissão na Escritura Pública
- 2 Violação dos arts. 113 e 422 do Código Civil (boa-fé objetiva)
- 3 Impossibilidade de reexame de matéria fático-probatória e contractual em Recurso Especial (Súmulas 5 e 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão recursal exigiria revolvimento de matéria fático-probatória e reanálise de cláusulas contratuais, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ; além disso, não se reconheceu identidade fática suficiente para fins da alínea c do art.105 da CF/88, razão pela qual o recurso especial não foi conhecido, sendo ainda majorados os honorários advocatícios conforme art.85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art.85, §11, CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por ARMAZENS GERAIS SUDOESTE LTDA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, assim resumido: APELAÇÃO CIvEL - AÇÃO ORDINÁRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA - SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS INICIAIS - INSURGÊNCIA DA RÉ - PLEITO PELA NÃO CONDENAÇÃO Ã OBRIGAÇÃO DE FAZER DE LIBERAÇÃO DO ÔNUS QUE RECAI SOBRE O IMÓVEL (ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA), TENDO EM VISTA A AUSÊNCIA DE PACTO QUE DETERMINE TAL OBRIGAÇÃO - NÃO ACOLHIMENTO - INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA COM CLÁUSULA QUE OBRIGA A APELANTE A LIBERAR O ÔNUS EM QUESTÃO EM ATÉ 60 DIAS APÓS A QUITAÇÃO DAS PARCELAS PELO APELADO - QUITAÇÃO QUE FOI REALIZADA - ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA POSTERIOR AO INSTRUMENTO PARTICULAR QUE NÃO PRE Ê A CLÁUSULA SUPRACITADA - FATO QUE CARACTERIZA VIOLÊNCIA AO PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA, VISTO QUE FOI GERADA EXPECTATIVA DE COMPORTAMENTO FUTURO (LIBERAÇÃO DO ÔNUS), MAS NÃO FOI FEITO COMO ESPERADO - VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM - VIGÊNCIA DO PACTO QUE OBRIGA A APELANTE Á LIBERAR O IMÓVEL DA ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - PLEITO PELO RECONHECIMENTO DE QUE A LIBERAÇÃO DO ÔNUS SE TRATA DE OBRIGAÇÃO IMPOSSÍVEL, BEM COMO AFASTAMENTO OU REDUÇÃO DA MULTA DLÂRIA - NÃO ACOLHIMENTO - APELANTE QUE É INTERVENIENTE GARANTIDORA E POSSUI RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PELA DÍVIDA ADQUIRIDA - QUITAÇÃO DESSA DÍVIDA QUE DISPONIBILIZARÁ O TERMO DE QUITAÇÃO/CARTA DE ANUÊNCIA NECESSÁRIOS PARA A LIBERAÇÃO DO IMÓVEL - OBRIGAÇÃO DE FAZER POSSÍVEL - VALOR DA MULTA QUE NÃO SE MOSTRA ABUSIVA - PLEITO PELA NÃO CONDENAÇÃO (OU REDUÇÃO) AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS AO APELADO - NÃO ACOLHIMENTO - SITUAÇÃO QUE ULTRAPASSA O MERO DISSABOR - APELADO QUE QUITOU TODAS AS PARCELAS E ESTÁ HÁ MAIS DE 04 ANOS SEM PODER USUFRUIR DO IMÓVEL DEVIDO Ã RESTRIÇÃO EXISTENTE - VALOR DE RS10.000,00 QUE SE MOSTRA PROPORCIONAL E ADEQUADO AO CASO CONCRETO - PLEITO PELA REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PARA 10% DO VALOR DA CAUSA - NÃO ACOLHIMENTO - TEMPO DE TRAMITAÇÃO DO FEITO SUPERIOR Á MÉDIA NACIONAL - DECISÃO MANTIDA - RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente sustenta violação e dissídio jurisprudencial dos arts. 113 e 422 do CC, no que tange à violação do princípio da boa-fé contratual em virtude da determinação de liberação do ônus existente na matrícula do imóvel objeto da lide, trazendo a seguinte argumentação: Melhor dizendo, Senhores Ministros, a Recorrente agiu e age de acordo com o que restou pactuado na Escritura Pública de Compra e Venda, e o fato de não ter sido pactuado um prazo para liberação do ônus que recai sobre a matrícula do imóvel em referido instrumento não pode ser interpretado como se a Recorrente não honrasse com o pactuado. Na realidade, o E. TJPR contraria e viola os artigos 113 e 422, do Código Civil, ao interpretar que não foi observado o princípio da boa-fé que rege os negócios jurídicos e, por óbvio, os contratos. Diante disso, requer seja reformado o v. acórdão que julgou o Recurso de Apelação, para o fim de reconhecer a violação aos artigos 113 e 422, do Código Civil, ou seja, o que se busca é o reconhecimento de que não há pacto de liberação do ônus que recai sobre a matrícula do imóvel. Por consequência, não há qualquer obrigação a ser cumprida pela Recorrente, devendo a ação ser julgada improcedente (fl. 429). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Em análise aos autos, verifica-se que, na data de 25/05/2018, foi firmado Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda (mov. 1.3), sendo que a cláusula quarta indicava que, em até 60 dias após a quitação das parcelas, o vendedor (apelante) realizaria o levantamento da constrição do bem em questão, que estava alienado fiduciariamente. Vejamos: .. Posteriormente, na data de 18/06/2018, foi realizada Escritura Pública de Compra e Venda (mov. 1.5), na qual não mais indicava a cláusula supracitada, apenas indicando que as partes deveriam apresentar Termo de Quitação e/ou Carta de Anuência, da alienação fiduciária. Observa-se: .. Assim, analisa-se que houve violação do princípio da boa-fé objetiva por parte da apelante. .. Dessa forma, verifica-se que o objetivo/intenção do contrato firmado era a venda do imóvel em questão, sem qualquer ônus recaindo sobre este, para que o apelado pudesse usufruir do mesmo. Por tais razões, percebe-se que a ausência da cláusula quarta do Instrumento Particular na Escritura Pública foi um ato que violou o princípio da boa-fé objetiva, visto que o apelante firmou o contrato com a promessa de que, no prazo de 60 dias após a quitação de todas as parcelas, a apelante realizaria o levantamento da constrição do imóvel em questão, que estava alienado fiduciariamente, o que não ocorreu até o momento, mais de 04 anos após ter quitado todas as parcelas. Dessa forma, o apelado acabou por criar expectativa de comportamento futuro (liberação do ônus que recai sobre o bem após a quitação de todas as parcelas), mas agiu de maneira diferente do esperado (realização da Escritura Pública sem esta garantia). .. Por tais motivos, analisa-se que a apelante não pode argumentar ausência de pacto em vigência que a obrigue a liberar o ônus da alienação fiduciária que recai sobre o bem, posto que o comportamento assumido anteriormente não foi honrado, tendo a apelante agido de maneira contraditória ao combinado, gerando prejuízo ao apelado que até hoje não conseguiu usufruir do imóvel. Dessa maneira, resta evidente a pactuação da obrigação de fazer da apelante em relação à liberação do ônus que recai sobre a matrícula do imóvel, devendo a r. sentença ser mantida neste ponto (fls. 406-408, grifos meus). Assim, incidem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ, porquanto a pretensão recursal demanda reexame de cláusulas contratuais e reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Portanto, "a pretensão de alterar tal entendimento, considerando as circunstâncias do caso concreto, demandaria o revolvimento de matéria fático-probatória e reanálise de cláusulas contratuais, o que é inviável em sede de recurso especial, conforme dispõem as Súmulas 5 e 7, ambas do STJ". (AgInt no AREsp 1.227.134/SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 9.10.2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp 1.716.876/SP, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 3.10.2019; AgInt no AREsp 1.165.518/DF, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 4.10.2019; AgInt no AREsp 481.971/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 25.9.2019; AgInt no REsp 1.815.585/DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 23.9.2019; e AgInt no AREsp 1.480.197/MG, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 25.9.2019. Doutra banda, quanto à alínea "c" do permissivo constitucional, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Destarte: "A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ também impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido". (AgInt no AREsp 1.402.598/RS, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22.5.2019.) A propósito: AgInt no AREsp 1.521.181/MT, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 19.12.2019; AgInt no AgInt no REsp 1.731.585/SC, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 26.9.2018; e AgInt no AREsp 1.149.255/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 13.4.2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA