REsp 2179775 - DECISAO
Verificou-se existência de justa causa para ingresso sem mandado (denúncia anônima corroborada por diligência policial e fuga do acusado), as provas produzidas (apreensões, laudos, áudios e depoimentos) são suficientes para manter as condenações por tráfico, associação, receptação e posse de munição; o princípio da...
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- Parties
- Recorrente: FABIANA CANDIDO BORGES; Recorrente: JOSIEL LEITE DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço em parte do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento
- Legal Topics
- Busca Domiciliar Sem Mandado, Provas Ilícitas, Tráfico De Drogas, Associação Para O Tráfico, Receptação, Posse Ilegal De Munição, Princípio Da Insignificância, Tráfico Privilegiado (art. 33, §4º, Lei 11.343/2006), Súmula 7/stj
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Parties
FABIANA CANDIDO BORGES
Recorrente
JOSIEL LEITE DOS SANTOS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 legalidade do ingresso domiciliar sem mandado e requisitos de justa causa/flagrante permanente
- 2 nulidade das provas obtidas em busca domiciliar sem mandado
- 3 suficiência da prova para condenação por tráfico, associação para o tráfico e receptação
Ratio Decidendi
Verificou-se existência de justa causa para ingresso sem mandado (denúncia anônima corroborada por diligência policial e fuga do acusado), as provas produzidas (apreensões, laudos, áudios e depoimentos) são suficientes para manter as condenações por tráfico, associação, receptação e posse de munição; o princípio da insignificância não se aplica ao caso em contexto de atividade de traficância; a minorante do art.33, §4º não é cabível diante de condenação por associação ao tráfico; e a pretensão absolutória exigiria revolvimento fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ, razão pela qual o recurso especial foi conhecido em parte e negado provimento.
Court Disposition
Conheço em parte do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento
Orders
- Conheço em parte do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por FABIANA CANDIDO BORGES e JOSIEL LEITE DOS SANTOS com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Nas razões recursais, a defesa aponta violação dos artigos 5º, XI e LVI, da Constituição da República; 157, 240, §§1º e 2º, 244 e 245 do Código de Processo Penal; e 33, §4º, e 35 da Lei 11.343/2006. Sustenta que não havia fundadas razões para entrada na residência sem mandado judicial, devendo ser reputadas nulas as provas obtidas e procedida a absolvição dos réus. Argumenta que não ficaram configuradas autoria e materialidade delitivas em relação aos crimes de associação para o tráfico e receptação, que a posse de munições comporta a incidência do princípio da insignificância, e que, subsidiariamente, deve ser aplicada a causa especial de diminuição da pena prevista no artigo 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. Requer o provimento do recurso para decretar a nulidade das provas ilícitas e absolver os recorrentes, ou, subsidiariamente, afastar o crime de associação ao tráfico e aplicar o tráfico privilegiado, além de absolver os recorrentes do crime de receptação e posse de munição. Apresentadas as contrarrazões (e-STJ, fls. 1080-1084). O recurso especial foi admitido às fls. 1088-1090 (e-STJ) e os autos foram encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça. O Ministério Público Federal opina pelo desprovimento do recurso (e-STJ, fls. 1106-1112). É o relatório. Decido. De início, ressalta-se a inviabilidade do debate acerca da contrariedade ao dispositivo constitucional mencionado nas razões recursais (artigo 5º, XI e LVI, da Constituição da República), ainda que por via reflexa, uma vez que não compete a esta Corte Superior o seu enfrentamento, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Ilustrativamente: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS E DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. DESCABIMENTO DE ANÁLISE POR ESTA CORTE. COMPETÊNCIA DO STF. CONDENAÇÃO CRIMINAL COM TRÂNSITO EM JULGADO HÁ MAIS DE 5 ANOS. CONFIGURAÇÃO DE MAUS ANTECEDENTES. PRECEDENTES. ROUBO. CONSUMAÇÃO. DESNECESSIDADE DE POSSE MANSA E PACÍFICA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Compete ao Supremo Tribunal Federal analisar eventual existência de ofensa a princípios ou dispositivos constitucionais, não cabendo a esta Corte se pronunciar acerca de eventual violação à Constituição Federal sob pena de usurpação da competência. .. 4. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp 1.668.004/RJ, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, j. 26/9/2017, DJe 2/10/2017). "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONDENAÇÃO POR PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. ASSERTIVA DE OMISSÃO DA SENTENÇA EM RELAÇÃO À PRELIMINAR. NULIDADE DO FEITO. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF. ANÁLISE DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PREQUESTIONAMENTO. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 2. Não compete ao Superior Tribunal de Justiça se manifestar explicitamente acerca de dispositivos constitucionais, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação de competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental desprovido." (AgRg nos EDcl no AREsp 905.964/SC, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, j. 8/8/2017, DJe 18/8/2017). A preliminar de nulidade da busca domiciliar foi rejeitada pelo Tribunal de origem mediante a seguinte fundamentação (e-STJ, fls. 1028-1029, grifou-se): 3. Preliminar de nulidade da busca domiciliar Sobre a alegação de violação de domicílio, o próprio texto constitucional prevê hipóteses excepcionais à garantia da inviolabilidade domiciliar, consoante preconiza o art. 5º, inc. XI, da Carta Magna: "a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial". No tocante à hipótese de flagrante delito, admite-se a entrada forçada em domicílio em qualquer horário e sem ordem judicial, cujo controle judicial sobre a regularidade do ingresso na moradia deverá ocorrer com base no contexto fático subjacente à situação, a depender da existência de fundadas razões que legitime a ação policial, conforme decidiu o pleno do Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário Representativo de Controvérsia nº 603.616/RO. A questão foi tratada no julgamento do nº 0030129 - Habeas Corpus 98.2022.8.16.0000, ocasião em que se decidiu: "Consta dos autos que os agentes receberam denúncia anônima dando conta de que três residências, uma ao lado da outra, na cidade de Marilena/PR, seriam pontos de comercialização de drogas, conhecido como "boca do cavaquinho", uma equipe policial realizou patrulhamento no local e logrou êxito em identificar dois indivíduos que empreenderam fuga ao avistar a viatura, desacatando a voz de abordagem. Um dos indivíduos que empreendeu fuga foi identificado posteriormente como sendo o paciente Josiel, vulgo "Cavaco", tendo este dispensado um invólucro plástico contendo 12 (doze) invólucros menores de substância análoga ao crack e tomado rumo ignorado, inviabilizando o flagrante. Assim, foi realizada busca na residência do Paciente, onde vive com a esposa Fabiana, corré no feito de origem. No local, foram encontrados diversos pacotes fechados de maços de cigarros oriundos do Paraguai, 01 (um) invólucro contendo 1 (uma) pedra grande de crack, pesando 43 (quarenta e três) gramas - escondida dentro do muro da garagem, em um buraco de tijolo -, considerável quantia de dinheiro em notas diversas, 6 (seis) aparelhos celulares e 1 (uma) uma munição de calibre .32 intacta. Na cozinha da residência foram encontrados pacotes plásticos e papel alumínio, com muito resíduo de entorpecentes. (..) Consta dos autos que inicialmente houve o recebimento de denúncia anônima (anexada ao mov. 1.7 dos autos nº 0000716-65.2022.8.16.0121) indicando a residência do Paciente como sendo ponto de tráfico de drogas. Referida denúncia foi corroborada pela diligência policial, eis que em patrulhamento no local a equipe avistou o Paciente e outro indivíduo, tendo ambos empreendido fuga assim que avistaram a viatura policial. Na oportunidade o Paciente inclusive teria, em tese, dispensado um invólucro contendo crack. Assim, os Policiais adentraram à residência do Paciente e lá localizaram diversas substâncias ilícitas, bem como realizaram a prisão em flagrante de Fabiana, sua esposa, confirmando o teor da denúncia de que no local havia a ocorrência da traficância. Desse cenário, ainda que inexista mandado de busca e apreensão, não há que se cogitar, a ilegalidade da medida, porque presente justa causa para tanto, tratando-se o caso em voga de exceção à garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio." (mov. 25.1/TJ) Infere-se, portanto, que a atuação policial não foi motivada em parâmetros unicamente subjetivos ou em meras conjecturas, mas em elementos concretos que, objetivamente, indicavam a possibilidade da ocorrência de ilícito no interior da residência dos apelantes. Por tais motivos, deve ser afastada a preliminar arguida." Sobre o tema em questão, sabe-se que, na esteira do decidido em repercussão geral pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n. 603.616 - Tema 280/STF - para a adoção da medida de busca e apreensão sem mandado judicial, faz-se necessária a caracterização de justa causa, consubstanciada em razões as quais indiquem a situação de flagrante delito. A propósito: "Recurso extraordinário representativo da controvérsia. Repercussão geral. 2. Inviolabilidade de domicílio - art. 5º, XI, da CF. Busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial em caso de crime permanente. Possibilidade. A Constituição dispensa o mandado judicial para ingresso forçado em residência em caso de flagrante delito. No crime permanente, a situação de flagrância se protrai no tempo. 3. Período noturno. A cláusula que limita o ingresso ao período do dia é aplicável apenas aos casos em que a busca é determinada por ordem judicial. Nos demais casos - flagrante delito, desastre ou para prestar socorro - a Constituição não faz exigência quanto ao período do dia. 4. Controle judicial a posteriori. Necessidade de preservação da inviolabilidade domiciliar. Interpretação da Constituição. Proteção contra ingerências arbitrárias no domicílio. Muito embora o flagrante delito legitime o ingresso forçado em casa sem determinação judicial, a medida deve ser controlada judicialmente. A inexistência de controle judicial, ainda que posterior à execução da medida, esvaziaria o núcleo fundamental da garantia contra a inviolabilidade da casa (art. 5, XI, da CF) e deixaria de proteger contra ingerências arbitrárias no domicílio (Pacto de São José da Costa Rica, artigo 11, 2, e Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, artigo 17, 1). O controle judicial a posteriori decorre tanto da interpretação da Constituição, quanto da aplicação da proteção consagrada em tratados internacionais sobre direitos humanos incorporados ao ordenamento jurídico. Normas internacionais de caráter judicial que se incorporam à cláusula do devido processo legal. 5. Justa causa. A entrada forçada em domicílio, sem uma justificativa prévia conforme o direito, é arbitrária. Não será a constatação de situação de flagrância, posterior ao ingresso, que justificará a medida. Os agentes estatais devem demonstrar que havia elementos mínimos a caracterizar fundadas razões (justa causa) para a medida. 6. Fixada a interpretação de que a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade dos atos praticados. 7. Caso concreto. Existência de fundadas razões para suspeitar de flagrante de tráfico de drogas. Negativa de provimento ao recurso." (RE 603616, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 05/11/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-093 DIVULG 09-05-2016 PUBLIC 10-05-2016). Respaldada pelo precedente acima, surge a controvérsia referente aos elementos idôneos que podem ou não caracterizar "justa causa". Em outras palavras, torna-se necessária a análise caso a caso de quais são as situações concretas aptas a autorizar a busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial em caso de crime permanente. Na hipótese dos autos, está caracterizada a justa causa para o ingresso dos agentes públicos no domicílio dos recorrentes. Conforme decidido no julgamento do HC 761.230/PR, impetrado em favor de Josiel, "as circunstâncias do flagrante evidenciam que, para além da denúncia anônima, houve investigação prévia pelos policiais, os quais observaram negociação de drogas em frente a uma residência e, tendo sido dada voz de abordagem, o agravante empreendeu fuga ao avistar os policiais, sendo por eles perseguido, condição que justifica o ingresso forçado dos milicianos na sua residência, diante do vislumbre externo de possível cometimento de crime, razão pela qual não há flagrante ilegalidade a ser coibida no caso". Ademais, o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias encontra-se em consonância com decisão recente (11/3/2025) da Quinta Turma desta Corte Superior, a saber: "DIREITO PROCESSUAL PENAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA DOMICILIAR SEM MANDADO. FUGA DO RÉU PARA DENTRO DO IMÓVEL. FUNDADAS RAZÕES. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO DA QUINTA TURMA. DECISÕES DO STF EM PLENÁRIO SOBRE O TEMA. SEGURANÇA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE MANIFESTA ILEGALIDADE. CONDENAÇÃO MANTIDA. I. Caso em exame 1. Recurso extraordinário interposto pelo Ministério Público contra acórdão da Quinta Turma que reconheceu a ilicitude do ingresso policial em domicílio sem mandado, com base em denúncia anônima e a fuga do réu para o interior da residência, resultando na anulação das provas obtidas e absolvição do agente pelo delito de tráfico de drogas. 2. O Ministro Vice-Presidente desta Corte, no exame da admissibilidade do extraordinário, nos termos do art. 1.030, II, do CPC, devolveu os autos ao colegiado para eventual juízo de retratação da Turma. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em determinar se o acórdão da Quinta Turma está dissonante do entendimento do STF sobre o tema 280, firmado em repercussão geral, cabendo eventual juízo de retratação. III. Razões de decidir 4. O Supremo Tribunal Federal, em recentes julgados, decidiu que a fuga do réu para dentro do imóvel, apontado em denúncia anônima como local de traficância, ao verificar a aproximação dos policiais, é causa suficiente para autorizar a busca domiciliar sem mandado judicial. 5. A decisão impugnada foi reconsiderada, em atenção ao princípio da segurança jurídica, conferindo à questão análise conforme decisões recentes do STF no tema 280 da repercussão geral, em casos similares. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo regimental provido para restabelecer a decisão condenatória nos autos da ação penal. Tese de julgamento: "a fuga do réu para dentro do imóvel, ao verificar a aproximação dos policiais, configura justa causa para busca domiciliar sem mandado." Dispositivos relevantes citados: CR/1988, art. 5º, XI. Jurisprudência relevante citada: STF, RE 1.491.517, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 14.10.2024; STF, RE 1.492.256, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 17.02.2025." (RE no AgRg no HC n. 931.174/MG, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 11/3/2025, DJEN de 18/3/2025, com destaques.) Com efeito, a Quinta Turma do STJ passou a entender que "a fuga do agravante de dentro de sua residência ao avistar a polícia configura motivo idôneo para autorizar a busca domiciliar, mesmo sem autorização judicial, diante da fundada suspeita de posse de corpo de delito" (AgRg no HC n. 919.943/MG, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 12/2/2025, DJEN de 26/2/2025). Corroboram: "DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCAS PESSOAL E DOMICILIAR. VALIDADE. DESCLASSIFICAÇÃO. REEXAME DE PROVA. REGIME MAIS GRAVOSO. JUSTIFICAÇÃO IDÔNEA. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus impetrado em substituição a recurso próprio, estando ausente constrangimento ilegal que justificasse a concessão da ordem de ofício. 2. A defesa alega nulidade das provas devido à ilegalidade da busca pessoal e domiciliar realizada, sustentando que a apreensão das drogas derivou de atuação ilícita dos policiais militares, baseada apenas em "atitude suspeita". Busca, também, a desclassificação do delito e a fixação de regime prisional mais brando. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se as buscas pessoal e domiciliar realizadas pelos policiais foram legais, considerando a alegação de que a abordagem se baseou apenas em "atitude suspeita" e se houve violação de domicílio. 4. A questão também envolve a análise da possibilidade de desclassificação do crime de tráfico para uso pessoal, sem revolvimento fático-probatório e a fixação do regime prisional semiaberto. III. Razões de decidir 5. As buscas pessoal e domiciliar foram consideradas legais, pois os policiais agiram com justa causa, diante da fuga do agravante ao avistar a viatura e da dispensa de sacola contendo drogas, além de terem autorização de moradores para entrar no domicílio. 6. A desclassificação do crime de tráfico para uso pessoal não é possível na via do habeas corpus, pois requer reexame de provas, o que é inviável nesse tipo de ação. 7. O regime inicial fechado foi justificado pela reincidência do agravante, sendo mantido conforme a legislação aplicável. IV. Dispositivo e tese 8. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A busca pessoal e domiciliar é legal quando há justa causa e autorização dos moradores. 2. O habeas corpus não é substitutivo de recurso próprio e não se presta para reexame de provas. 3. A reincidência justifica a fixação de regime inicial fechado". Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 240, §§ 1º e 2º; CPP, art. 244; Lei nº 11.343/06, art. 33. Jurisprudência relevante citada: STF, RE 603.616/RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 10/5/2016; STJ, AgRg no HC 951.977/ES, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 17/12/2024." (AgRg no HC n. 959.351/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 12/3/2025, DJEN de 18/3/2025.) "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DIREITO PROCESSUAL PENAL. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. FUGA DO ACUSADO AO AVISTAR A GUARNIÇÃO DISPENSANDO DROGAS. JUSTA CAUSA CONFIGURADA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que denegou a ordem de habeas corpus pleiteada, visando à nulidade de diligência realizada mediante ingresso em domicílio, alegadamente infundada e baseada em atitude suspeita, sem elemento objetivo a configurar justa causa. 2. Moldura fática a indicar que, durante patrulhamento, policiais avistaram o acusado diante de sua residência e este, ao avistar a guarnição policial, empreendeu fuga, dispensando uma sacola que continha entorpecentes. Realizadas buscas pessoal e domiciliar, nesta encontradas mais substâncias ilícitas e petrechos. 3. Tendo os fatos ocorrido desde a frente da casa do paciente, verifica-se conjunto de elementos apto ao deslinde de fundadas razões para a busca domiciliar, uma vez que as Turmas que compõem a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça têm o entendimento firmado no sentido de que, quando o acusado é avistado pelos policiais e vem a dispensar drogas que estavam na sua posse, presente está a justa causa que viabiliza a busca pessoal e a consequente busca e apreensão domiciliar sem mandado judicial (AgRg no AREsp n. 2.464.319/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 14/05/2024, DJe de 17/05/2024). 4. Agravo regimental não provido." (AgRg no HC n. 837.551/GO, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do Tjsp), Sexta Turma, julgado em 5/3/2025, DJEN de 11/3/2025.) Por sua vez, a Corte local manteve a condenação dos recorrentes pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas, receptação e posse ilegal de munição de uso permitido, nos seguintes termos (e-STJ, fls. 1029-1037, grifou-se): "4. Do pedido de absolvição 4.1. Crime de tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas (apelantes Fabiana e Josiel) A materialidade delitiva resultou comprovada pelo auto de prisão em flagrante de Fabiana (mov. 1.2), auto de exibição e Apreensão (mov. 1.12), fotografia (mov. 1.12), auto de constatação provisória de droga (mov. 1.17), boletim de ocorrência (mov. 1.19), bem como pela prova oral colhida durante a persecução penal. .. A negativa de autoria dos apelantes não encontra respaldo nas demais provas produzidas. .. Dessa forma, nota-se que não só a Polícia Militar recebeu denúncias em relação aos apelantes, como também o Ministério Público (mov. 1.7/0000716- 65.2022.8.16.0121), em momento anterior aos fatos aqui analisados. Dos dados obtidos a partir dos aparelhos celulares apreendidos em poder do acusado Josiel, verifica-se que: "No áudio PTT-20220405-WA0005.opus do dia 05/04/2022 a pessoa .. solicita um(a) "radinho(a)" e "nave" para Josiel, havendo ele dito que não teria no momento, mas "daria um jeito", conforme PTT20220405-WA0006.opus, PTT-20220405- WA0007.opus e PTT-20220405-WA0008, demonstrando, sem sombra de dúvidas, que o réu praticava a traficância em sua residência e utilizava-se de nomenclaturas cifradas típicas do mundo das drogas, certamente antevendo alguma ação da polícia, já que muitas conversas são excluídas pelo remetente. Ainda, depreende-se da análise do laudo do aparelho celular do réu JOSIEL, que Josiel diz a pessoa de "IVO" para que este venha buscar sua "moeda" 3 sem descrever mais detalhes acerca da informação. Da mesma forma, há a conversa com a pessoa de Leonardo Teles, sendo que este pergunta a JOSIEL "Iai mala, Tem como" Josiel, então responde "Não". (mov. 17.1/TJ) Sendo assim, a quantidade de droga apreendida (56,5 g de crack), a forma de acondicionamento (12 porções e uma "pedra" grande), a existência prévia de denúncias anônimas sobre os réus, a visualização de um usuário de drogas na frente da residência, apetrechos (rolo de papel alumínio), 6 aparelhos celulares (incluindo os dados obtidos nos aparelhos), uma munição e o valor de R$ 1.897 (mil, oitocentos e noventa e sete reais) em notas trocadas são circunstâncias que evidenciam a prática da traficância. Portanto, dúvidas não há quanto ao fato de que o apelante Josiel trazia consigo, e que ambos os réus guardavam, substância entorpecente na residência, para fins de comércio, caracterizando o crime previsto no art. 33 da Lei de Drogas. A associação para o tráfico de drogas também está confirmada. Conforme descrito acima, várias eram as denúncias anônimas sobre a prática reiterada de tráfico de drogas, recebidas em datas anteriores à flagrância. A denúncia recebida pelo Ministério Público, por exemplo, é datada de 18.02.2022 (mov. 1.7/0000716-65.2022.8.16.0121), enquanto que os fatos aqui analisados ocorreram em 07.04.2022. Não há como se falar, portanto, que o tráfico de drogas ocorreu de forma isolada na vida dos agentes. Ao revés, ambos os acusados estavam associados para, reiteradamente, praticarem a traficância na residência do casal. Diante de todo o exposto, a manutenção da condenação pelo crime de tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas de ambos os acusados é medida que se impõe. 4.2 Do pedido de reconhecimento da atipicidade das condutas em relação aos crimes de receptação e de posse ilegal de munição de uso permitido, com incidência do princípio da insignificância Os acusados foram denunciados pelo crime de receptação, porque ocultavam 10 (dez) pacotes de cigarros, com 20 (vinte) maços, da marca palermo e 1 (um) pacote fechado, com 20 (vinte) maços de cigarro, da marca eight, 3 (nove) (sic) maços de cigarros avulsos, da marca palermo e 6 (seis) maços de cigarros avulsos, da marca eight, que sabiam ser produto de crime de contrabando, eis que os referidos cigarros constituem mercadorias proibidas no Brasil. Em relação ao crime de posse ilegal de munição de uso permitido, consta nos autos que o réu Josiel possuía 1 (uma) munição calibre 032,00, intacta. .. Ocorre que, no caso, não se afigura cabível a aplicação do princípio da insignificância. Isso porque, apesar de não ter sido apreendida arma de fogo com o apelante Josiel, a condenação por outros crimes (tráfico, associação para o tráfico de drogas e receptação) revela a inviabilidade do reconhecimento da atipicidade da conduta do delito do art. 12 da Lei Federal nº 10.826/2003, porquanto é necessário se analisar todo o contexto fático probatório e não apenas essa conduta individualmente. Da detida análise dos autos, não se pode concluir que o crime de posse ilegal de munição seria um fato isolado na vida do agente, a justificar a atipicidade da conduta. .. Sobre o crime de receptação, também não incide a insignificância. Não se trata de quantia irrisória de cigarros apreendidos. Conforme visto, foram apreendidos "10 (dez) pacotes fechados de cigarros, com 20 (vinte) maços, da marca palermo e 1 (um) pacote fechado, com 20 (vinte) maços de cigarros, da marca eight, 9 (nove) maços de cigarros avulsos, da marca palermo e 6 (seis) maços de cigarros avulsos, da marca eight." E os cigarros apreendidos são produtos de crime de contrabando, ou seja, são proibidos no Brasil, por não possuírem registro na Anvisa (mov. 43.2). Sobre o contrabando, o bem jurídico tutelado envolve a saúde pública/incolumidade pública, uma vez que o estado, por tais motivos, proíbe a importação ou exportação de determinada mercadoria. Assim, não há que se falar em nenhuma periculosidade social da ação ou reduzido grau de reprovabilidade do comportamento, por se tratar de produto que afeta bens jurídicos relevantes. Inviável, portanto, a incidência do princípio da insignificância quanto a esses delitos." Como se vê, os recorrentes foram condenados com base em provas robustas que demonstraram a prática dos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, receptação e posse ilegal de munição. Durante a instrução, os policiais militares que atuaram no caso relataram que a casa dos réus era conhecida como ponto de venda de drogas. Essa informação foi confirmada pela forma como os entorpecentes foram encontrados: escondidos em um buraco no muro da residência e com indícios de preparo e manipulação na cozinha. Também foram localizados papel alumínio e porções grandes da substância, sugerindo o fracionamento para venda. Além disso, laudos comprovaram a presença de drogas e perícia em um áudio apreendido no celular de Josiel revelou termos cifrados típicos do tráfico de drogas. Assim, os elementos probatórios - depoimentos, apreensões, laudos toxicológicos e áudios interceptados - demonstraram de forma clara que os recorrentes atuavam em conjunto, em um ambiente com evidentes sinais de manipulação e armazenamento de entorpecentes. Além de drogas, encontraram na residência um projétil calibre .32 e diversos pacotes de cigarros, ocultados pelos acusados, que sabiam ser produto de crime de contrabando. Diante do quadro fático acima delineado, para a alteração do julgado, a fim de absolver os recorrentes por insuficiência de provas, ou mesmo verificar se não foram preenchidos os requisitos que caracterizam o delito de associação para o tráfico - quais sejam, o acordo de vontades e a estabilidade e permanência dessa atuação conjunta - seria necessário o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, providência vedada pela Súmula 7 do STJ. Ilustrativamente: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 568 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. ENTENDIMENTO DOMINANTE ACERCA DO TEMA. POSSIBILIDADE. PLEITO ABSOLUTÓRIO. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (..) 3. A revisão do entendimento firmado pelas instâncias ordinárias, no sentido de absolver o agravante da prática criminosa descrita no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06, demanda, necessariamente, o reexame de provas dos autos, providência vedada pela Súmula n. 7 do STJ. 4. Do mesmo modo, a instância ordinária, com base no acervo probatório, apontou elementos que evidenciam a estabilidade e a permanência exigidas para a configuração do crime de associação para o tráfico. Assim, a desconstituição do aludido entendimento exigiria a reanálise do conjunto fático-probatório dos autos, inviável em recurso especial, ante o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.116.199/RJ, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 13/9/2022, DJe de 16/9/2022.) "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE ENTORPECENTES. OPERAÇÃO ARQUIPÉLAGO. PLEITO ABSOLUTÓRIO. DESCABIMENTO. SÚMULA 7/STJ. 1. O Tribunal de origem, alicerçado no contexto fático-probatório, expressamente consignou que ficou plenamente comprovado que a ora agravante praticou os crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, não havendo falar em absolvição ou desclassificação para o crime de favorecimento pessoal. 2. Desse modo, a pretensão absolutória, tal como veiculada no especial, em contraposição à fundamentação adotada pelo Tribunal de origem, demandaria o reexame da matéria fático-probatória dos autos, procedimento vedado nesta sede, a teor da Súmula 7/STJ, e não apenas a sua valoração. 3. Agravo regimental improvido." (AgRg no AREsp n. 1.850.770/ES, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 3/5/2022, DJe de 9/5/2022.) Quanto à pretendida aplicação do princípio da insignificância, o acórdão recorrido encontra-se em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior. A questão controvertida cinge-se à possibilidade de se reconhecer atípica a conduta do indivíduo preso na posse de uma munição, de calibre .32. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça aponta que os crimes previstos nos artigos 12, 14 e 16 da Lei n. 10.826/2003 são de perigo abstrato, sendo desnecessário perquirir sobre a lesividade concreta da conduta, porquanto o objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física e, sim, a segurança pública e a paz social, colocadas em risco com a posse das munições, ainda que desacompanhadas de arma de fogo, revelando-se despicienda a comprovação do potencial ofensivo dos artefatos por meio de laudo pericial. Por esses motivos, via de regra, é inaplicável, nos termos da jurisprudência desta Corte, o princípio da insignificância aos crimes de posse e de porte de arma de fogo ou munição, sendo irrelevante inquirir a quantidade de munição apreendida. Contudo, o Supremo Tribunal Federal, analisando as circunstâncias do caso concreto, reconheceu ser possível aplicar a bagatela na hipótese de apreensão de apenas uma munição de uso permitido desacompanhada de arma de fogo, tendo concluído pela total inexistência de perigo à incolumidade pública (RHC 143.449/MS, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, Dje 9/10/2017). Nesse mesmo sentido, ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte Superior reconheceram a atipicidade da conduta perpetrada por agente, pela incidência do princípio da insignificância, diante da ausência de afetação do bem jurídico tutelado pela norma penal incriminadora (AgRg no HC 434.453/AL, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Rel. p/ Acórdão Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 8/5/2018, DJe 21/5/2018; REsp 1.710.320/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 3/5/2018, DJe 09/5/2018). No caso em exame, entretanto, verifica-se que a apreensão da munição se deu em contexto de tráfico de drogas, ressaltando a instância ordinária que "a condenação por outros crimes (tráfico, associação para o tráfico de drogas e receptação) revela a inviabilidade do reconhecimento da atipicidade da conduta do delito do art. 12 da Lei Federal nº 10.826/2003, porquanto é necessário se analisar todo o contexto fático probatório e não apenas essa conduta individualmente" (e-STJ, fl. 1035). Assim, não é possível a flexibilização do entendimento consolidado nesta Corte, uma vez que as circunstâncias do caso concreto demonstram a efetiva lesividade da conduta. Sobre o tema: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LEI N. 10.826/2003. ESTATUTO DO DESARMAMENTO. AUSÊNCIA DE LAUDO PERICIAL. PRESCINDIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. .. 2. Inviável a aplicação do princípio da insignificância, pois, in casu, além da reincidência do réu, ora agravante, e de responder outras ações penais, "o fato de as munições terem sido apreendidas no contexto de cumprimento a mandado de prisão preventiva e busca e apreensão domiciliar já impediria o reconhecimento da atipicidade material da conduta, dada a periculosidade social da ação". 3. "Na hipótese, embora desacompanhadas de arma de fogo capaz de dispará-las, as circunstâncias do caso não autorizam a incidência do princípio da insignificância, porquanto o fato de o Paciente ostentar duas condenações definitivas pretéritas, sendo que uma delas é pela prática da mesma infração, não permite o reconhecimento da atipicidade da conduta, pois revelada sua contumácia delitiva e, assim, a periculosidade social da ação." (AgRg no HC n. 842.130/MG, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 25/9/2023). 4. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp n. 2.331.276/GO, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, julgado em 16/4/2024, DJe de 19/4/2024.) "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA. TRÁFICO DE DROGAS, ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS E POSSE ILEGAL DE MUNIÇÃO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO PELO DELITO DE ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. IMPOSSIBILIDADE. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO INVIÁVEL NA ESTREITA VIA DO WRIT. CAUSA ESPECIAL DE DIMINUIÇAO DO § 4º DO ART. 33 DA LEI DE DROGAS. DESCABIMENTO. REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO PELO DELITO DE PORTE ILEGAL DE MUNIÇÃO PELA INSIGNIFICÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUNIÇÃO APRENDIDA EM CONTEXTO DE ATIVIDADE DE TRAFICÂNCIA. REDUZIDO GRAU DE REPROVABILIDADE DA CONDUTA NÃO EVIDENCIADO. PRISÃO PREVENTIVA. ADEQUADA. NECESSIDADE DE GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA EM DADOS CONCRETO EXTRAÍDOS DOS AUTOS. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. PLEITO DE EXTENSÃO AOS CORRÉUS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE NOVOS ARGUMENTOS APTOS A DESCONSTITUIR A DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. IV - Quanto ao pedido de absolvição pelo delito de posse irregular de munição, verifico que o pleito não merece provimento, haja visa que, não obstante tenha sido apreendido apenas 2 munições, tem-se que os objetos irregulares foram encontrados no contexto da prática de outros crimes, consistente em tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas; no ponto, consignou o eg. Tribunal de origem que: "As munições foram encontradas em decorrência de mandado de busca e apreensão, diante da investigação de tráfico de entorpecentes e de estelionato, ou seja, em contexto de atividade de traficância. Logo, a meu sentir, demonstrada a lesividade da conduta, motivo pelo qual afasto a alegação de insignificância", não se evidenciando o constrangimento ilegal suscitado. .. Agravo regimental desprovido". (AgRg no HC n. 774.813/RS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023, grifou-se.) Por fim, de acordo com o § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, os condenados pelo crime de tráfico de drogas terão a pena reduzida, de um sexto a dois terços, quando forem reconhecidamente primários, possuírem bons antecedentes e não se dedicarem a atividades criminosas ou integrarem organizações criminosas. No caso, o acórdão recorrido encontra-se em consonância com a jurisprudência pacífica desta Corte Superior, no sentido de que a condenação por associação ao tráfico de drogas (art. 35 da Lei n. 11.343/2006) impede a aplicação da minorante do tráfico privilegiado. Ilustrativamente, com destaques: "PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS, ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS E RECEPTAÇÃO. ABSOLVIÇÃO. INVIABILIDADE DA VIA ELEITA. DOSIMETRIA. NATUREZA E QUANTIDADE DAS DROGAS APREENDIDAS. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE. ART. 42 DA LEI N. 11.343/2006. CAUSA DE AUMENTO DE PENA. EMPREGO DE ARMA DE FOGO. ELEMENTOS CONCRETOS DOS AUTOS. CRIME DE RECEPTAÇÃO. PLEITO DE DECLASSIFICAÇÃO PARA MODALIDADE CULPOSA. REVOLVIMENTO FÁTICO. DESCABIMENTO. TRÁFICO PRIVILEGIADO AFASTADO. CONDENAÇÃO POR ASSOCIAÇÃO AO TRÁFICO. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É inadmissível o enfrentamento das alegações acerca da negativa da materialidade e autoria delitivas relativas aos crimes de tráfico e de associação para o tráfico, ambos mediante o emprego de arma de fogo, ante a necessária incursão probatória, incompatível com a via estreita do writ. 2. O julgador incrementou as sanções básicas, com base no art. 42 da Lei de Drogas, considerando a natureza da droga (cocaína e maconha), bem como a quantidade apreendida em poder dos réus - mais de 340g -, fundamentos concretos e suficientes, estando em conformidade com a jurisprudência desta Corte Superior. 3. A causa de aumento de pena do art. 40, V, da Lei n. 11.343/06 - emprego de arma de fogo - , foi devidamente evidenciada conforme os elementos concretos constantes dos autos, tendo sido destacado, inclusive, que houve confronto armado por ocasião da investida policial. 4. A condenação pelo crime de associação para o tráfico, por si só, já tem o condão de inviabilizar a aplicação do redutor previsto no art. 33, § 4º, da Lei Antidrogas, pois essa circunstância impede que o agente preencha os requisitos legais para a aplicação da minorante (AgRg no HC 338.964/MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 6/ 6/2016). 5. Concluindo a instância a quo que as provas condensadas nos autos evidenciam a autoria do crime previsto no caput do art. 180 do Código Penal - CP, restando comprovado o dolo, não logrando êxito a defesa em comprovar que os réus desconheciam a origem ilícita do bem, ônus que lhe competia, para desconstituir o referido entendimento, a fim de desclassificar a conduta para a modalidade culposa, seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é consabidamente inviável em sede de habeas corpus. 6. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC n. 852.220/RJ, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 3/10/2024.) "AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO AO TRÁFICO. PENAL E PROCESSUAL PENAL. PLEITOS DE ABSOLVIÇÃO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PLEITO DE RECONHECIMENTO E APLICAÇÃO DO REDUTOR ESPECIAL. ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/2006. CONDENAÇÃO POR ASSOCIAÇÃO AO TRÁFICO. DEDICAÇÃO A ATIVIDADE CRIMINOSA. PARTICIPAÇÃO EM ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. INCOMPATIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DA TERCEIRA SEÇÃO. PRECEDENTES. CAUSA DE AUMENTO PREVISTA NO ART. 40, V, DA LEI DE DROGAS. PRETENSO AFASTAMENTO. INTERESTADUALIDADE COMPROVADA PELAS PROVAS DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. 1. A pretensão relativa ao reexame do mérito da condenação proferida pelo Tribunal a quo, ao argumento de ausência de suporte fático do delito em comento, nos termos expostos no recurso em exame, não encontra amparo na via eleita. Para acolher-se as pretensões de absolvição, seria necessário o reexame aprofundado do conjunto fático-probatório, providência incabível na via estreita do recurso especial, em função do óbice constante na Súmula 7/STJ. 2. As instâncias ordinárias, após toda a análise do conjunto fático-probatório amealhado aos autos, concluíram pela existência de elementos concretos e coesos a ensejar a condenação do acusado pelo crime de tráfico de drogas (art. 33 da Lei n. 11.343/2006). Por essas razões, mostra-se inviável a absolvição do réu, sobretudo em se considerando que, no processo penal, vigora o princípio do livre convencimento motivado, em que é dado ao julgador decidir o mérito da pretensão punitiva, para condenar ou absolver, desde que o faça fundamentadamente, tal como ocorreu no caso. .. Uma vez que as instâncias ordinárias - dentro do seu livre convencimento motivado - apontaram elementos concretos, constantes dos autos, que efetivamente evidenciam a estabilidade e a permanência exigidas para a configuração de crime autônomo, deve ser mantida inalterada a condenação do réu em relação ao delito de associação para o narcotráfico. .. Para entender-se de forma diversa e afastar a compreensão das instâncias de origem de que o agravante se associou, com estabilidade e permanência, para o fim de praticar o crime de tráfico de drogas, seria necessário o revolvimento do acervo fático-probatório amealhado aos autos, providência que esbarra no enunciado da Súmula n. 7 do STJ (AgRg no AREsp n. 2.094.319/MG, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 10/6/2022). 3. O entendimento da Terceira Seção deste Tribunal é o de que a condenação pelo crime de associação para o tráfico inviabiliza a aplicação da minorante prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, ante a carência dos requisitos de não dedicação a atividades criminosas e de não participação em organização criminosa. 4. .. consoante entendimento perfilhado por esta Corte, não é possível a incidência da causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, ao réu também condenado pelo crime de associação pra o tráfico de drogas, tipificado no art. 35 da mesma lei. Precedentes (AgRg no AREsp n. 1.243.873/PI, Ministro Sebastião Reis Junior, Sexta Turma, DJe 2/8/2018). .. Considerando a manutenção do decreto condenatório pela prática dos crimes tipificados nos arts. 33 e 35, ambos da Lei 11.343/2006, não há possibilidade de aplicação da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei de Drogas. Isso porque a condenação pela prática do crime de associação para o tráfico obsta o reconhecimento da referida minorante, ante a dedicação à atividade criminosa inerente ao delito (HC n. 459.669/SP, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 12/9/2018 - grifo nosso). .. 7. Agravo regimental provido, reconsiderando a decisão agravada, para conhecer parcialmente do recurso especial, e, nessa extensão, negar-lhe provimento." (AgRg no AREsp n. 2.153.883/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 14/2/2023, DJe de 16/2/2023.) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I e II, do Regimento Interno do STJ, conheço em parte do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA