AREsp 1877804 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo, por entender que a limitação dos juros remuneratórios a 12% ao ano em cédulas de crédito industrial é aplicável na hipótese, em consonância com o enunciado I do Grupo de Câmaras de Direito Comercial do STJ, com a legislação (Decreto n. 22.626/1933) e com precedentes desta Corte;...
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- Parties
- Apelante: parte apelante; Recorrida: parte recorrida
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos (cpc/2015, Art. 1.042) / Julgamento Do Agravo Nos Próprios Autos Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial; majoro em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor da parte recorrida.
- Legal Topics
- Cédula De Crédito Industrial, Juros Remuneratórios, Teoria Finalista Aprofundada / Consumidor Por Equiparação, Limitação De Juros (lei Da Usura), Multa Contratual, Repetição De Indébito, Honorários Advocatícios
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Parties
parte apelante
Apelante
parte recorrida
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos (cpc/2015, Art. 1.042) / Julgamento Do Agravo Nos Próprios Autos Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência do Código de Defesa do Consumidor a pessoa jurídica por equiparação (art. 29 CDC)
- 2 limitação dos juros remuneratórios em cédula de crédito industrial a 12% ao ano com base no Decreto n. 22.626/1933 e jurisprudência do STJ
- 3 caracterização ou descaracterização da mora diante da abusividade de encargos
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo, por entender que a limitação dos juros remuneratórios a 12% ao ano em cédulas de crédito industrial é aplicável na hipótese, em consonância com o enunciado I do Grupo de Câmaras de Direito Comercial do STJ, com a legislação (Decreto n. 22.626/1933) e com precedentes desta Corte; majoraram-se os honorários advocatícios em 20% nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial; majoro em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor da parte recorrida.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majorar em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015.
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DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos (CPC/2015, art. 1.042) interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial porincidência da Súmula n. 83 do STJ (e-STJ fls. 673/675). O acórdão recorrido está assim ementado (e-STJ fls. 627/628): APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. REVISIONAL DE CÉDULAS DE CRÉDITOS INDUSTRIAIS. PROCEDENCIA PARCIAL NA ORIGEM. INSURGÊNCIA DA CASA BANCÁRIA. MÉRITO. DEMANDA LASTREADA EM CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. QUALIDADE DE DESTINATÁRIO FINAL DESNATURADA. APLICAÇÃO DA TEORIA FINALISTA APROFUNDADA. VULNERABILIDADE TÉCNICA E DE INFORMAÇÃO VERIFICADA. CONSUMIDOR POR EQUIPARAÇÃO. EXEGESE DO ARTIGO 29 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. RELAÇÃO DE CONSUMO CARACTERIZADA. PRECEDENTES DESTE RELATOR. " .. 3. A jurisprudência do STJ, tomando por base o conceito de consumidor por equiparação previsto no art. 29 do CDC, tem evoluído para uma aplicação temperada da teoria finalista frente às pessoas jurídicas, num processo que a doutrina vem denominando finalismo aprofundado, consistente em se admitir que, em determinadas hipóteses, a pessoa jurídica adquirente de um produto ou serviço pode ser equiparada à condição de consumidora, por apresentar frente ao fornecedor alguma vulnerabilidade, que constitui o princípio-motor da política nacional das relações de consumo, premissa expressamente fixada no art. 4º, I, do CDC, que legitima toda a proteção conferida ao consumidor. 4. A doutrina tradicionalmente aponta a existência de três modalidades de vulnerabilidade: técnica (ausência de conhecimento específico acerca do produto ou serviço objeto de consumo), jurídica (falta de conhecimento jurídico, contábil ou econômico e de seus reflexos na relação de consumo) e fática (situações em que a insuficiência econômica, física ou até mesmo psicológica do consumidor o coloca em pé de desigualdade frente ao fornecedor). Mais recentemente, tem se incluído também a vulnerabilidade informacional (dados insuficientes sobre o produto ou serviço capazes de influenciar no processo decisório de compra). 5. A despeito da identificação in abstracto dessas espécies de vulnerabilidade, a casuística poderá apresentar novas formas de vulnerabilidade aptas a atrair a incidência do CDC à relação de consumo. Numa relação interempresarial, para além das hipóteses de vulnerabilidade já consagradas pela doutrina e pela jurisprudência, a relação de dependência de uma das partes frente à outra pode, conforme o caso, caracterizar uma vulnerabilidade legitimadora da aplicação da Lei nº 8.078/90, mitigando os rigores da teoria finalista e autorizando a equiparação da pessoa jurídica compradora à condição de consumidora. .. " (Resp 1195642/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, j. 13-11-2012). JUROS REMUNERATÓRIOS. CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. LIMITAÇÃO A TAXA DE 12% AO ANO. EXEGESE DO ENUNCIADO I DO GRUPO DE CÂMARAS DE DIREITO COMERCIAL DESTA CORTE. DECISÃO ACERTADA. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. EXIGÊNCIA DE JUROS REMUNERATÓRIOS ABUSIVOS NO PERÍODO DA NORMALIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA LATENTE. "ORIENTAÇÃO 2 - CONFIGURAÇÃO DA MORA a) O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios e capitalização) descarateriza a mora; b) Não descaracteriza a mora o ajuizamento isolado de ação revisional, nem mesmo quando o reconhecimento de abusividade incidir sobre os encargos inerentes ao período de inadimplência contratual." MULTA CONTRATUAL. INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR À ESPÉCIE. LIMITAÇÃO DA PENALIDADE EM 2% ACERTADA. INTELIGÊNCIA DO ART. 52, § 1º, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE ENCARGOS ABUSIVOS. DEVER DE PROMOVER A DEVOLUÇÃO DOS VALORES COBRADOS INDEVIDAMENTE, NA FORMA SIMPLES, DIANTE DE ENGANO JUSTIFICÁVEL DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. ÔNUS SUCUMBENCIAL. PARTES VENCEDORAS E VENCIDAS EM IGUAL PROPORÇÃO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA CORRETADA FIXADA. RECURSO IMPROVIDO. Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 644/649), fundamentado no art. 105, III, "a", da CF, arecorrente alegou ofensa aoart. 1º do Decreto n. 22.626/1933, sustentando, em síntese, que "o referido artigo de Lei permite a aplicação do DOBRO DA TAXA LEGAL, que atualmente seria lastreada de 12%, seria permitida, portanto, a prática de 24% ao ano, situação não observada pelo acórdão combatido"(e-STJ fl. 646). No agravo (e-STJ fls. 689/694), afirma a presença de todos os requisitos de admissibilidade do especial. Foi apresentada contraminuta (e-STJ fls. 704/706). É o relatório. Decido. Extraem-se as seguintes razões de decidir do aresto impugnado(e-STJ fl. 623): Busca a parte apelante a manutenção dos juros remuneratórios, conforme pactuado, argumentando, para tanto, que se encontram abaixo da taxa média de mercado. Conforme consta dos autos, as partes firmaram duas cédulas de crédito industrial (evento 161), sendo pactuado na de n. 030657-00-8 juros remuneratórios de 12,14% ao ano, e na de n. 2005000500 juros remuneratórios n. 14,05%. Acerca do tema, o grupo de Câmaras de Direito Comercial desta Corte promulgou o enunciado I, que dispõe: - Nos contratos bancários, com exceção das cédulas e notas de crédito rural, comercial e industrial, não é abusiva a taxa de juros remuneratórios superior a 12 % (doze por cento) ao ano, desde que não ultrapassada a taxa média de mercado à época do pacto, divulgada pelo Banco Central do Brasil. Logo, considerando que a hipótese em tela amolda-se a exceção citada, é acertada a decisão que limitas os juros remuneratórios a 12% ao ano. Por isso, afasta-se esta tese recursal. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência desta Corte, conforme se verifica dos seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LIMITAÇÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS EM CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. OMISSÃO DO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. APLICAÇÃO DA LEI DE USURA. LIMITAÇÃO A 12% AO ANO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. As cédulas de crédito rural, comercial e industrial estão sujeitas a legislação própria (Lei 6.840/80 e Decreto-Lei 413/69), que confere ao Conselho Monetário Nacional o dever de fixar os juros a serem praticados, razão pela qual, diante da omissão do CMN, ficam sujeitas à limitação de 12% ao ano, prevista no Decreto 22.626/33 (Lei da Usura). 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 414.457/ES, RelatorMinistro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 7/2/2019, DJe 19/2/2019.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL.CÉDULA DE CRÉDITO INDUSTRIAL. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. LIMITAÇÃO.SÚMULA Nº 568/STJ. TERMOS PACTUADOS. REVISÃO. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ.INOVAÇÃO RECURSAL. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. A jurisprudência desta Corte admite a capitalização mensal de juros nos contratos celebrados a partir de 31/3/2000, desde que expressamente pactuada, e prevê a limitação dos juros bancários de 12% (doze por cento) ao ano para as cédulas de crédito rural, comercial e industrial. 3. Alterar o entendimento firmado nas instâncias ordinárias quanto aos termos pactuados pelas partes implicaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusula contratual, procedimentos inviáveis nesta instância especial diante da incidência das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 4. Não é possível a análise de tese alegada apenas nas razões do agravo interno por se tratar de evidente inovação recursal. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1094048/CE, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 6/2/2018, DJe 15/2/2018.) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 20% (vinte por cento) o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se.