AREsp 1908574 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem prestou regular prestação jurisdicional e fundamentou o acórdão; e porque, nos termos da jurisprudência, quando a execução individual derivada de ação civil pública é intentada apenas contra o Banco do Brasil, a competência pertence à Justiça Estadual, não...
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- Parties
- Autor Na Ação Originária: Ministério Público Federal; Parte Executada/exequido: Banco do Brasil S. A.; Devedor Solidário: União; Devedor Solidário: Banco Central
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial; Agravo Interno Apreciado
- Outcome
- Negado provimento ao agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Cédula Rural Pignoratícia, Cumprimento Individual De Sentença, Solidariedade Entre Devedores, Litisconsórcio Passivo Necessário, Competência Judicial, Súmulas 508 E 556 Do STF, Decisão Surpresa, Honorários Advocatícios
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Parties
Ministério Público Federal
Autor Na Ação Originária
Banco do Brasil S. A.
Parte Executada/exequido
União
Devedor Solidário
Banco Central
Devedor Solidário
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial; Agravo Interno Apreciado
Legal Issues
- 1 Competência para processamento do cumprimento individual de sentença proferida em ação civil pública quando a execução é direcionada apenas contra o Banco do Brasil
- 2 Necessidade de formação de litisconsórcio passivo necessário para cobrança perante devedores solidários
- 3 Alegação de omissão e de decisão surpresa por ausência de oportunidade de manifestação sobre questão competencial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem prestou regular prestação jurisdicional e fundamentou o acórdão; e porque, nos termos da jurisprudência, quando a execução individual derivada de ação civil pública é intentada apenas contra o Banco do Brasil, a competência pertence à Justiça Estadual, não sendo necessário chamar a União ou o Banco Central nem formar litisconsórcio passivo necessário.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo em recurso especial
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manifestado contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. AÇÃOCIVIL PÚBLICA Nº 94.008514-1. CÉDULA RURAL PIGNORATÍCIA. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. SOLIDARIEDADE ENTREOS DEVEDORES. LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. DESNECESSIDADE. EXECUÇÃO DIRECIONADA APENAS CONTRA OBANCO DO BRASIL. COMPETÊNCIA. ART. 109, I. CF/88. SÚMULAS508 E 556 DO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. Na Ação Civil Pública nº 94.008514-1, ajuizada pelo Ministério Público Federal perante a Justiça Federal do Distrito Federal, foi reconhecida que, para os financiamento rurais pignoratício tomados com recursos da poupança, deveriam ser reajustado, para o mês de março de 1990, pelo BTNF(correspondente ao percentual de 41,28%), e não pelo IPC (de 84,32%). 2. Embora tenha sido reconhecida, na ação civil pública originária, a solidariedade entre o Banco do Brasil, União e Banco Central, não há necessidade de formação de litisconsórcio passivo necessário para buscar a cobrança dos valores devidos com fundamento no título judicial (art. 275 do CC e precedentes desta Corte). 3. Logo, mesmo sendo o caso de solidariedade entre os devedores, porém estando o credor autorizado contra quem deseja direcionar a execução, pois afastada a exigência de formação do litisconsórcio passivo necessário, e tendo optando por ajuizar apenas em face do Banco do Brasil, sociedade de economia mista, não há fundamento, à luz do disposto no art. 109, I, da CF/88, que justifique a atração da demanda para a Justiça Federal. Por outro lado, ainda que se busque apoio no art. 516, inc. II, do CPC/2015, tal dispositivo legal não pode constituir fundamento para superar o comando de natureza constitucional, este aplicável somente aos casos expressamente nele previstos, ou seja, quando houver o interesse dos entes lá elencandos. 4. Na mesma direção do comando constitucional, o STF editou a Súmula nº 508 (Compete à Justiça Estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar as causas em que for parte o Banco do Brasil S. A.) cuja leitura emconjunto com a Súmula 556 do mesmo Tribunal (É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista), confirmam a necessária revisão de entendimento acerca da competência sobrea questão. 5. Embora este Tribunal venha admitindo o processamento na Justiça Federal do cumprimento individual da sentença proferida na Ação Civil Pública nº 94.008514-1, necessário revisar o entendimento para adequar-se à posição do STJ no sentido de atribuir a competência para o julgamento dos feitos em que o exequente optou por ajuizar apenas em face do Banco do Brasil à Justiça Estadual (AREsp 1642795/RS, REsp 1812319/RS, AREsp 1608199/RS, AREsp 1531963/RS, AREsp1361998/SP, AREsp 1608188/RS, AREsp 1518676/D, REsp 1812394/RS, REsp 1822728/RS e AREsp 1532021/RS). Alegou-se, no especial, violação dos artigos2º, IV, da Medida Provisória2.196-3/01; 10, 130, III, 131, 276,516, II, 1.022 e 1.025 do Código de Processo Civil; e93 e 98, § 2º, I, do Código de Defesa do Consumidor, sob o argumento de que o acórdão local é omisso;que nãofoi dada oportunidade ao agravante de se manifestar previamente em relação à questão competencial, o que configura a chamada decisão surpresa; que seria o caso de chamamento ao processo da União e do Banco Central; e que a competência para o julgamento da causa é da Justiça Federal, porquanto se trata de execução fundada em título judicial proferido nesse ramo da Justiça no exame de ação civil pública. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Não é omisso, nem carece de fundamentação a decisão judicial que, embora decida em sentido contrário aos interesses da parte, examina suficientemente as questões que lhe foram propostas, adotando entendimento que ao órgão julgador parecia adequado à solução da controvérsia. Assim: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REGULAR PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INÉPCIA DA INICIAL. HONORÁRIOS. COMPENSAÇÃO. 1. Ausência de violação dos artigos 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, pois, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada. 2. Inviabilidade de acolher a alegação de inépcia da inicial, pois a convicção formada pela Corte local decorreu dos elementos existentes nos autos, os quais não são possíveis de ser reexaminados nesta via especial. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. Fixada a compensação de honorários na vigência do CPC/1973, deve ser mantida já que acolhida até então pelo ordenamento jurídico, conforme elucidado no enunciado da Súmula n. 306/STJ, tendo em vista que a sucumbência é regida pela lei vigente à data da deliberação que a impõe ou modifica. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1131853/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 8/2/2018, DJe 16/2/2018) Quanto à Medida Provisória invocada, não houve argumentos lançados em torno do dispositivo legal, o que atrai a incidência do verbete n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. No que toca à chamada decisão surpresa, tal questão não foi examinada pela Corte regional e nem suscitada nos embargos de declaração opostos ao acórdão de apelação cível, o que traz os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e 211 desta Corte. Quanto à competência e à pretensão de chamamento da União e do Banco Central, esta Corte tem decidido que é mesmo da Justiça Estadual quando a parte opta por ajuizar a execução apenas contra a instituição financeira, sem que haja demonstração de interesse de algum ente constante do artigo 109, I, da Constituição Federal. A saber: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. IMPUGNAÇÃO À FASE DE CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. CÉDULA RURAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Esta Corte tem decidido reiteradamente não se justificar o deslocamento da competência do feito e remessa dos autos à Justiça Federal, quando nenhum dos entes indicados no inciso I do art. 109 da Constituição Federal integram a lide, sendo, pois, competente a Justiça Estadual para o julgamento da demanda, quando figura como parte apenas o Banco do Brasil com instituição financeira que celebrou a avença com a parte. 2. Reconhecida a solidariedade entre União, Banco Central e o banco agravante, é possível o direcionamento do cumprimento provisório a qualquer um dos devedores solidários. É possível que a parte persiga seu crédito contra a instituição financeira com quem celebrou a avença, desde que não haja qualquer prova nos autos sobre a noticiada transferência do crédito à União. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1309643/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 29/4/2019, DJe 2/5/2019) Diante do exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Intimem-se.