Rcl 35254 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo interno por entender que a reclamação constitucional (art. 105, I, f, CF) não se presta a reformar acórdão de Turma Recursal do Juizado Especial Federal que supostamente diverge da jurisprudência do STJ; a via adequada é o pedido de uniformização de interpretação de lei federal previsto na...
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- Parties
- Recorrente: Maria Edileuza Cândido Confessor de Souza
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Em Sessão Virtual De 28/02/2024 a 05/03/2024
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Cabimento Da Reclamação, Pedido De Uniformização De Interpretação De Lei Federal, Competência E Autoridade Do STJ, Fungibilidade Recursal, Vedação À Reformatio in Pejus
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Parties
Maria Edileuza Cândido Confessor de Souza
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Em Sessão Virtual De 28/02/2024 a 05/03/2024
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação contra acórdão de Turma Recursal do Juizado Especial Federal
- 2 possível contrariedade à jurisprudência dominante do STJ como fundamento de reclamação
- 3 procedimento adequado para uniformização de interpretação de lei federal (Lei 10.259/2001)
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo interno por entender que a reclamação constitucional (art. 105, I, f, CF) não se presta a reformar acórdão de Turma Recursal do Juizado Especial Federal que supostamente diverge da jurisprudência do STJ; a via adequada é o pedido de uniformização de interpretação de lei federal previsto na Lei n. 10.259/2001, sendo portanto incabível a reclamação na hipótese.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Ficarão as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 28/02/2024 a 05/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Marco Buzzi e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO PROFERIDO POR TURMA RECURSAL DE JUIZADO ESPECIAL FEDERAL SOB O FUNDAMENTO DE INOBSERVÂNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. DESCABIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A reclamação amparada no art. 105, I, f, da Constituição Federal é um remédio destinado a preservar a competência do Superior Tribunal de Justiça sempre que haja indevida usurpação por parte de outros órgãos ou para garantir a autoridade de suas decisões, não sendo admissível o seu uso para reforma de acórdão proferido por Turma Recursal de Juizado Especial Federal em desconformidade, alegadamente, com a jurisprudência dominante desta Casa. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por Maria Edileuza Cândido Confessor de Souza contra decisão monocrática desta relatoria assim ementada (e-STJ, fl. 167): RECLAMAÇÃO APRESENTADA COM BASE NO ART. 105, I, "F", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ACÓRDÃO PROFERIDO POR TURMA RECURSAL DE JUIZADO ESPECIAL FEDERAL QUE DESTOARIA DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. FALTA DE CABIMENTO DO RECLAMO. HIPÓTESE DE PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO DE LEI FEDERAL, NOS TERMOS DA LEI N. 10.259/2001. Reclamação não conhecida. Em suas razões, a recorrente defende o cabimento da reclamação, sob a assertiva de que a decisão proferida pela Turma Recursal da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte teria violado o princípio da vedação à reformatio in pejus, em contrariedade ao entendimento do STJ. Impugnação às fls. 183-185 (e-STJ). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO PROFERIDO POR TURMA RECURSAL DE JUIZADO ESPECIAL FEDERAL SOB O FUNDAMENTO DE INOBSERVÂNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. DESCABIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A reclamação amparada no art. 105, I, f, da Constituição Federal é um remédio destinado a preservar a competência do Superior Tribunal de Justiça sempre que haja indevida usurpação por parte de outros órgãos ou para garantir a autoridade de suas decisões, não sendo admissível o seu uso para reforma de acórdão proferido por Turma Recursal de Juizado Especial Federal em desconformidade, alegadamente, com a jurisprudência dominante desta Casa. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O inconformismo não merece prosperar. Conforme consignado na decisão agravada, a reclamação de que trata o art. 105, I, f, da CF, é cabível quando se fizer necessária a preservação da competência do STJ e a garantia da autoridade de suas decisões. Na espécie, verifica-se que a parte invoca o cabimento da subjacente reclamação, valendo-se do supracitado dispositivo legal, argumentando, em suma, que a Turma Recursal Federal negou autoridade ao posicionamento adotado por esta Corte de Justiça por ocasião do julgamento do REsp 761.011/MT. Todavia, para tal escopo, como assentado na deliberação unipessoal, o reclamo não se presta. Efetivamente, a reclamação não se destina à reforma de decisões proferidas por Turma Recursal de Juizado Especial Federal em desconformidade, alegadamente, com a jurisprudência dominante desta Casa, as quais devem ser objeto de impugnação por meio do pedido de uniformização de interpretação de lei federal, a teor do art. 14, § 2º, da Lei n. 10.259/2001. Oportunamente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. AUSÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO DESTA CORTE SUPERIOR PROFERIDA NO CASO CONCRETO. HIPÓTESE NÃO PREVISTA NO ARTIGO 988 DO CPC/2015. AJUIZAMENTO CONTRA ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL INADEQUAÇÃO. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A reclamação, tal como concebida nos arts. 105, I, "f", da Constituição Federal e 187 do RISTJ, é medida de caráter restrito destinada a preservar a competência do Tribunal ou garantir a autoridade de decisão tomada em caso concreto, envolvendo as partes postas no litígio do qual ela é originada. Não tem cabimento para avaliar o acerto ou desacerto das decisões proferidas pelo Tribunal de origem, nem é adequada à preservação da jurisprudência do STJ ou, ainda, como sucedâneo recursal. 3. In casu, a Reclamação foi proposta com a pretensão de demonstrar que o acórdão proferido pela 5ª Turma Recursal do Juizado Especial Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul não está em consonância com a jurisprudência desta do STJ. Todavia, nos termos da orientação consolidada nesta Corte Superior de Justiça "é incabível a reclamação contra decisão de Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais com a finalidade de discutir contrariedade à jurisprudência dominante ou sumulada do STJ" (AgInt na Rcl n. 31.462/SP, rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do Trf5), Primeira Seção, DJe de 31/3/202). 4. Agravo regimental não provido. (AgInt na Rcl n. 43.296/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 25/10/2022, DJe de 27/10/2022.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HIPÓTESE DE CABIMENTO. JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. LEI 10.259/2001. FUNGIBILIDADE. INVIABILIDADE. ERRO GROSSEIRO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O ajuizamento da reclamação, para a garantia da autoridade de suas decisões (art. 988, II do CPC), pressupõe a existência de um comando positivo deste Superior Tribunal de Justiça cuja eficácia deva ser assegurada e que tenha sido proferida em processo que envolva as mesmas partes ou que possa produzir efeitos em relação jurídica diretamente dependente. 2. Não cabe reclamação contra decisões proferidas em demandas que tramitam Juizados Especiais Federais, Lei 10.259/2001, vez que o recurso cabível, nesses hipóteses, seria o Pedido de Uniformização. 3. Com efeito, "apresenta-se incabível reclamação contra acórdão de turma recursal de juizado especial federal, com a finalidade de discutir contrariedade à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça", pois "há previsão legal de pedido de uniformização de interpretação de lei federal quando houver divergência entre decisões sobre questões de direito proferidas por turmas recursais. Se as turmas integrarem a mesma região, o pedido será julgado em reunião conjunta dos órgãos fracionários em conflito, se entre turmas de regiões distintas, a questão será dirimida pela Turma Nacional de Uniformização - TNU". Somente caberá reclamação para o STJ "se a orientação adotada pela TNU contrariar súmula ou jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça", nos temos do art. 14 da Lei 10.259/2001 (AgRg na Rcl 5.510/DF, Primeira Seção, Relator o eminente MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe de 17/6/2011). 4. A "aplicação do princípio da fungibilidade dependeria do preenchimento de dos seguintes requisitos: i) dúvida objetiva quanto ao recurso a ser interposto; ii) inexistência de erro grosseiro; e iii) que tenha sido tempestiva a medida. E, no caso, não existe dúvida objetiva quanto à impossibilidade de propositura de reclamação no caso concreto, configurando-se erro grosseiro" (AgInt na Rcl 40.972/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/06/2021, DJe 18/06/2021). 5. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 42.239/PR, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 30/11/2021, DJe de 7/12/2021.) Nesse contexto, por não se enquadrar a pretensão da reclamante nas hipóteses de cabimento previstas no art. 105, I, f, da Constituição Federal, era mesmo de rigor o não conhecimento da reclamação constitucional. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É como voto.