Rcl 49531 - DECISAO
A reclamação é inadmissível porque a Lei 12.153/2009 instituiu regime próprio para uniformização de interpretação entre Turmas Recursais (art. 18), cabendo o tratamento por meio das Turmas ou do próprio Tribunal de Justiça, e a Resolução STJ/GP 3/2016 consolidou essa competência; assim, não cabe ao STJ processar...
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- Parties
- Reclamante: KARINA REIS DA SILVA; Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido: Turma Recursal Provisória da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 July 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente a Reclamação.
- Legal Topics
- Cabimento Da Reclamação, Uniformização De Jurisprudência, Lei 12.153/2009, Competência, Resolução Stj/gp 3/2016, Súmula 585/stj, Gratuidade Da Justiça, Liminar
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Parties
KARINA REIS DA SILVA
Reclamante
Turma Recursal Provisória da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido
Procedural Posture
Reclamação / Decisão Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento de reclamação dirigida ao STJ contra acórdão proferido por Turma Recursal de Juizado da Fazenda Pública
- 2 aplicação do art. 18 da Lei 12.153/2009 e regime próprio de solução de divergência entre Turmas Recursais
- 3 possibilidade de utilização excepcional da reclamação em face da ausência de Turma Nacional de Uniformização (precedente STF)
Ratio Decidendi
A reclamação é inadmissível porque a Lei 12.153/2009 instituiu regime próprio para uniformização de interpretação entre Turmas Recursais (art. 18), cabendo o tratamento por meio das Turmas ou do próprio Tribunal de Justiça, e a Resolução STJ/GP 3/2016 consolidou essa competência; assim, não cabe ao STJ processar reclamação contra acórdão de Turma Recursal do Juizado da Fazenda Pública, motivo pelo qual a liminar foi indeferida e a reclamação não foi conhecida.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a Reclamação.
Orders
- Defiro o pedido de gratuidade da justiça.
- Indefiro liminarmente a Reclamação.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Reclamação, com pedido de liminar, ajuizada por KARINA REIS DA SILVA contra acórdão proferido pela Turma Recursal Provisória da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, em que se alega a incompatibilidade entre o que ficou decidido no acórdão reclamado e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. A parte reclamante alega que a responsabilidade do adquirente por infrações cometidas após a tradição é reiteradamente reconhecida pela jurisprudência pátria, inclusive em Recursos Repetitivos. Aponta a Súmula 585 do STJ. Aduz que a exigência imposta pela decisão recorrida de comparecimento da autora ao CRVA, apresentação do CRV e do veículo configura violação aos princípios da razoabilidade, legalidade e inafastabilidade da jurisdição. Sustenta que o entendimento jurisprudencial dominante, inclusive do STJ, é no sentido de ser possível que o Poder Judiciário determine diretamente ao Detran a realização da transferência de propriedade, mitigando as formalidades administrativas, quando comprovada a boa-fé do alienante e a impossibilidade de cumprimento dos atos por causas externas e não imputáveis à sua vontade. É o relatório. Decido. Defiro o pedido de gratuidade da justiça. Consoante a jurisprudência desta Corte, não se admite o ajuizamento da Reclamação dirigida ao STJ contra acórdão proferido pela Turma Recursal de Juizado da Fazenda Pública, pois para casos tais existe mecanismo específico, previsto na Lei 12.153/2009: Art. 18. Caberá pedido de uniformização de interpretação de lei quando houver divergência entre decisões proferidas por Turmas Recursais sobre questões de direito material. § 1º O pedido fundado em divergência entre Turmas do mesmo Estado será julgado em reunião conjunta das Turmas em conflito, sob a presidência de desembargador indicado pelo Tribunal de Justiça. § 2º No caso do § 1º, a reunião de juízes domiciliados em cidades diversas poderá ser feita por meio eletrônico. § 3º Quando as Turmas de diferentes Estados derem a lei federal interpretações divergentes, ou quando a decisão proferida estiver em contrariedade com súmula do Superior Tribunal de Justiça, o pedido será por este julgado. No ponto, destaco o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. CASO CONCRETO QUE NÃO SE AMOLDA A NENHUMA DAS HIPÓTESES AUTORIZATIVAS DA VIA ELEITA. DECISÃO RECORRIDA PROFERIDA POR TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA (LEI 12.153/2009). REGIME PRÓPRIO DE SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA (ARTS. 18 E 19 DA LEI REFERIDA). NÃO CABIMENTO DA RECLAMAÇÃO PREVISTA NA RESOLUÇÃO 12/2009 DO STJ. 1. A Primeira Seção/STJ, a partir do julgamento do RCDESP na Rcl 8.718/SP (Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 29.8.2012), adotou orientação no sentido de que a Lei 12.153/2009, que disciplina o Juizado Especial da Fazenda Pública, estabelece sistema próprio para solucionar divergência sobre questões de direito material, razão pela qual não é cabível o ajuizamento da reclamação prevista na Resolução 12/2009 do STJ. 2. Cumpre registrar que a ausência de previsão, na Lei 12.153/2009, no que se refere ao pedido de uniformização fundado em divergência entre a decisão recorrida e precedentes do Superior Tribunal de Justiça, não autoriza a utilização da reclamação prevista na Resolução 12/2009 do STJ. Isso porque, em se tratando de juizado especial, impõe-se a observância dos princípios que lhe são peculiares, especialmente o princípio da celeridade, o qual não se compatibiliza com a instauração de incidentes não previstos na lei. 3. Ademais, a orientação desta Corte pacificou-se no sentido de que, "para fins de cabimento de reclamação ajuizada com fundamento na Resolução n. 12/2009-STJ, a jurisprudência tida como desrespeitada deve ser referente a direito material e estar consolidada no âmbito do STJ por meio de súmula ou do julgamento de recurso repetitivo, nos moldes do art. 535-C do CPC" (AgRg na Rcl 12.697/RO, 1ª Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 20.11.2013), de modo que não é suficiente o confronto da decisão impugnada com precedentes deste Tribunal. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg na Rcl n. 15.462/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 11/12/2013, DJe de 17/12/2013.) Com efeito, a utilização das Reclamações para a uniformização da jurisprudência nos Juizados Especiais foi medida excepcional decorrente de julgamento proferido pelo STF nos EDcl no RE 571.572-8/BA. Naquela oportunidade, decidiu-se que, diante da ausência de instituição de Turma Nacional de Uniformização no âmbito dos Juizados Especiais Cíveis dos Estados, seria possível, em caráter temporário, valer-se da Reclamação dirigida ao STJ, a fim de se preservar o entendimento desta Corte Superior em questões de direito material. Desse modo, a Reclamação, na esfera dos Juizados Especiais, não configura novo mecanismo para abranger situações não previstas na legislação específica de regência, mas apenas um meio de impugnação excepcional para suprir a ausência da Turma de Uniformização, situação que não ocorre no presente caso. Ademais, ainda que se tratasse da situação descrita acima, a Reclamação deveria ser proposta perante a Corte de origem, uma vez que a Resolução STJ 12/2009 foi revogada pela Resolução STJ 3/2016. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO CONTRA DECISÃO PROFERIDA POR TURMA RECURSAL. RESOLUÇÃO 3/2016 STJ/GP. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO INTERNO DO PARTICULAR DESPROVIDO. 1. Não compete ao Superior Tribunal de Justiça apreciar e julgar Reclamação dirigida contra acórdão proferido pela Turma Recursal de Juizado da Fazenda Pública, visto que há mecanismo específico para tal fim, consoante previsão do art. 18 da Lei 12.153/2009. Definição da competência dos Tribunais de Justiça com o advento da Resolução STJ/GP 3/2016. 2. Hipótese em que a Reclamação foi protocolada aos 24.12.2018, quando já em vigor a Resolução STJ/GP 3, de 7.4.2016, que atribuiu às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de Justiça a competência para processar e julgar o pedido aqui formulado. 3. Agravo Interno do Particular desprovido. (AgInt na Rcl 37.189/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 20/8/2019, DJe de 26/8/2019; sem destaque no original.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a Reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA