MS 28156 - DECISAO
O mandado de segurança foi liminarmente indeferido porque o acórdão impugnado não demonstrou omissão, ilegalidade manifesta ou teratologia que autorizasse a excepcional utilização do mandado de segurança contra decisão judicial; a reprodução dos fundamentos monocráticos pelo órgão julgador não ensejou nulidade,...
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- Parties
- Impetrante: DOUGLAS POLICARPO; Autoridade Coatora: Colenda Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2021
- Procedural Posture
- Mandado De Segurança / Liminar Indeferida
- Outcome
- Diante do exposto, com fundamento no art. 10 da Lei 12.016/2009 c/c arts. 34, XIX e 212 do RISTJ, indefiro liminarmente o mandamus.
- Legal Topics
- Cabimento Do Mandado De Segurança Contra Ato Judicial, Omissão E Embargos De Declaração, Agravo Interno E Art. 1.021, § 3º Do CPC, Súmula 7/stj (vedação Ao Reexame Fático)
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Parties
DOUGLAS POLICARPO
Impetrante
Colenda Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Mandado De Segurança / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Se o mandado de segurança é cabível contra acórdão que negou provimento ao agravo interno
- 2 Se o acórdão impugnado apresenta omissão, ilegalidade ou teratologia aptas a autorizar mandado de segurança
- 3 Aplicação do art. 1.021, § 3º, do CPC quanto à vedação de mera reprodução de fundamentos
Ratio Decidendi
O mandado de segurança foi liminarmente indeferido porque o acórdão impugnado não demonstrou omissão, ilegalidade manifesta ou teratologia que autorizasse a excepcional utilização do mandado de segurança contra decisão judicial; a reprodução dos fundamentos monocráticos pelo órgão julgador não ensejou nulidade, tendo sido as matérias impugnadas efetivamente enfrentadas, e as hipóteses excepcionais de cabimento do mandado de segurança não restaram comprovadas.
Court Disposition
Diante do exposto, com fundamento no art. 10 da Lei 12.016/2009 c/c arts. 34, XIX e 212 do RISTJ, indefiro liminarmente o mandamus.
Orders
- Indefiro liminarmente o mandamus.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de mandado de segurança impetrado por DOUGLAS POLICARPO contra ato da colenda Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, consubstanciado no acórdão proferido no AREsp 1.825.324/MS, o qual guarda a seguinte ementa: SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AFASTAMENTO PARA CAPACITAÇÃO. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICA. NECESSIDADE. SÚMULA 7/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Não ocorreu omissão no aresto combatido, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. Correto o decisum ao estabelecer que a alteração das conclusões adotadas pela Corte de origem demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido. Salienta o impetrante, em suma, que seu direito líquido e certo emerge do direito de petição, da legítima confiança, dos princípios da cooperação, da boa-fé processual e da paridade de armas, em contraditório, já que o referido acórdão "se mantém ilegal e abusivamente omisso em relação a pedido e obscuro quanto ao fundamento que o levou a contrapor-se a direito subjetivo público do ora impetrante", ofendendo o disposto no inciso IX do art. 93 e nos incisos LIV e LV do art. 5º, todos da Constituição da República. Ao final, "considerando que os fundamentos do presente mandamus ajustam-se aos critérios consagrados pela legislação e pela jurisprudência deste Egr. STJ, pugna-se pela concessão total da segurança, para o fim de cassar o ato decisório/acordão da Colenda Primeira Turma/STJ, proferido em12.10.2021, como EDcl no AgInt no AREsp 1.825.324/MS (e-STJ fl. 554 a 557), determinando-se o reprocessamento do julgado, com a observância dos parâmetros delimitados pela decisão desta Cúpula do STJ, haja vista a flagrante ilegalidade, abusividade e teratologia, tudo como acima expôs-se". É o relatório. Passo a decidir. O mandado de segurança é ação constitucional voltada para a proteção de direito líquido e certo do próprio impetrante contra ato abusivo ou ilegal de autoridade pública ou de agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (CF, art. 5º, LXIX), não podendo, em regra, ser utilizado como sucedâneo recursal. Por essa razão, o art. 5º, II, da antiga Lei do Mandado de Segurança (Lei 1.533/51) dispunha que "não se dará mandado de segurança quando se tratar de despacho ou decisão judicial, quando haja recurso previsto nas leis processuais ou possa ser modificado por via de correição". Também a atual Lei do Mandado de Segurança (Lei 12.016/2009), em seu art. 5º, II, disciplina que "não se concederá mandado de segurança quando se tratar de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo". Além disso, a Súmula 267/STF estabelece que "não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição". Fora das circunstâncias normais, entretanto, a doutrina e a jurisprudência majoritárias admitem o manejo do mandado de segurança contra ato judicial, pelo menos em relação às seguintes hipóteses excepcionais: a) decisão judicial manifestamente ilegal ou teratológica; b) decisão judicial contra a qual não caiba recurso; c) para imprimir efeito suspensivo a recurso desprovido de tal efeito; e d) quando impetrado por terceiro prejudicado por decisão judicial. No caso em exame, o ato judicial impugnado via mandamus, consubstanciado no acórdão da colenda Primeira Turma deste Tribunal, que negou provimento ao agravo interno, não se enquadra em nenhuma das hipóteses acima elencadas, sobretudo porque embasado em normas processuais e regimentais vigentes e em jurisprudência desta Corte Superior. É importante enfatizar que não há flagrante ilegalidade ou teratologia no acórdão que, julgando o agravo interno, utiliza-se dos fundamentos adotados pela decisão monocrática que negara provimento ao recurso especial, mormente porque o recorrente não trouxe, naquela petição recursal, argumentos capazes de infirmar a conclusão do decisum agravado. Com efeito, interpretando o disposto nos arts. 489 e 1.021, § 3º, do CPC/2015, a egrégia Corte Especial, no julgamento dos EDcl no AgRg nos EREsp 1.483.155/BA, Rel. Min. OG FERNANDES (DJe 03/08/2016), consagrou orientação no sentido de que "a vedação constante do art. 1.021, § 3º, do CPC não pode ser interpretada no sentido de se exigir que o julgador tenha de refazer o texto da decisão agravada com os mesmos fundamentos, mas outras palavras, mesmo não havendo nenhum fundamento novo trazido pela agravante na peça recursal". Na ocasião do referido julgamento, concluiu-se que cabe ao recorrente, em suas razões recursais, impugnar os fundamentos do decisum hostilizado, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". A propósito, transcreve-se a ementa do referido acórdão: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. Argumenta-se que as questões levantadas no agravo denegado, capazes, em tese, de infirmar a conclusão adotada monocraticamente, não foram analisadas pelo acórdão embargado (art. 489 do CPC/2015). Entende-se, ainda, que o art. 1.021, § 3º, do CPC/2015 veda ao relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno. 3. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.483.155/BA, Rel. Ministro OG FERNANDES, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/06/2016, DJe 03/08/2016) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração têm ensejo quando há obscuridade, contradição, omissão ou erro material no julgado, a teor do disposto no art. 1.022 do CPC/2015. 2. De acordo com o art. 1.021, § 3º, do CPC/2015, "É vedado ao relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno". 3. Para o Superior Tribunal de Justiça, a vedação constante daquele dispositivo "não pode ser interpretada no sentido de se exigir que o julgador tenha de refazer o texto da decisão agravada com os mesmos fundamentos, mas outras palavras, mesmo não havendo nenhum fundamento novo trazido pela agravante na peça recursal" (EDcl no AgRg nos EREsp 1.483.155/BA, Rel. Min. Og Fernandes, Corte Especial, DJe 03.08.2016). 4. Caso em que as omissões invocadas parte embargante manifestam o seu inconformismo com o desfecho do acórdão embargado, desiderato estranho ao recurso integrativo. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no REsp 1687409/MG, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2019, DJe 25/03/2019) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ART. 1.021, §§ 1º E 3º, DO CPC/2015 E SÚMULA 182/STJ. 1. Uma das principais mudanças de paradigma trazidas pelo Código de Processo Civil/2015 diz respeito a uma maior exigência de motivação das decisões judiciais. Em especial, quanto ao julgamento do Agravo Interno, o art. 1.021, § 3º, do novo diploma adjetivo dispõe que "É vedado ao relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno". 2. Ocorre que, não raro, a parte sucumbente interpõe Agravo Interno tão somente repetindo os argumentos já aduzidos no apelo indeferido monocraticamente. Nessa hipótese, à primeira vista, poderia ter-se a ideia de que o Magistrado deveria fazer uso da sua criatividade para adotar novos fundamentos em face de argumentos repetidos. 3. Entretanto, não foi esse o intento do legislador. Em contrapartida à impossibilidade de o relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada, ficou estabelecido no art. 1.021, § 1º, do novo Codex que, "Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada". 4. Em busca do aperfeiçoamento do sistema processual pátrio, o legislador instituiu como peças de uma mesma engrenagem tanto a obrigação do julgador de explicitar de forma particularizada as razões que ensejaram a prolação do provimento jurisdicional quanto o ônus da parte recorrente de impugnar especificadamente os fundamentos da decisão atacada. 5. In casu, a parte agravante limitou-se basicamente a reiterar as razões do Recurso Especial, alegando, de forma genérica, a ocorrência de violação dos arts. 20, § 3º, e 535 do CPC/1973 (1.022 do CPC/2015) e a não incidência da Súmula 7/STJ, sem contrapor especificadamente os fundamentos que dão supedâneo ao decisum hostilizado. 6. A ausência de impugnação específica faz incidir na espécie a Súmula 182/STJ ("É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada"), que está em consonância com a redação atual do CPC em seu art. 1.021, § 1º. 7. Agravo Interno não conhecido. (AgInt no AREsp 933.639/PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/11/2016, DJe 29/11/2016) Destarte, a reprodução dos fundamentos da decisão monocrática no voto do Relator, proferido em sede de agravo interno, mormente quando ratificado pelo respectivo órgão julgador, não é capaz de gerar a nulidade do aresto, desde que haja o efetivo enfrentamento das matérias impugnadas nas razões recursais, como ocorreu no caso em exame. Considerando o contexto do processo, entende-se que a autoridade apontada como coatora agiu dentro dos limites impostos pela lei, não havendo, pois, falar em excepcionalidade apta a ensejar o cabimento do presente mandado de segurança. Diante do exposto, com fundamento no art. 10 da Lei 12.016/2009 c/c arts. 34, XIX e 212 do RISTJ, indefiro liminarmente o mandamus. Publique-se.