REsp 2153918 - DECISAO
Não conheço do recurso especial porque o acórdão recorrido assentou em fundamento suficiente não impugnado especificamente (interpretação do art. 51 do Código Civil quanto aos efeitos do cancelamento administrativo da sociedade), havendo ainda ausência de prequestionamento sobre outros dispositivos invocados e...
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- Parties
- Autor (polo Ativo): INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS GADENS LTDA; Recorrente: MARY ENEIDE CABRAL BANDEIRA DE MELLO; Recorrente: MARISA ILAIRE NEPOMUCENO FERRAZ; Recorrente: ISAAC NEPOMUCENO FILHO; Recorrente: CLAUDINOR ISAAC PINTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Ação De Obrigação De Fazer Cumprimento De Sentença / Recurso Especial Interposto; Recurso Não Conhecido (art. 932, Iii, Cpc)
- Outcome
- Não conheço do recurso especial (art. 932, III, CPC)
- Legal Topics
- Capacidade Postulatória, Cancelamento Administrativo De Sociedade, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Fundamento Não Impugnado
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Parties
INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS GADENS LTDA
Autor (polo Ativo)
MARY ENEIDE CABRAL BANDEIRA DE MELLO
Recorrente
MARISA ILAIRE NEPOMUCENO FERRAZ
Recorrente
ISAAC NEPOMUCENO FILHO
Recorrente
CLAUDINOR ISAAC PINTO
Recorrente
Procedural Posture
Ação De Obrigação De Fazer Cumprimento De Sentença / Recurso Especial Interposto; Recurso Não Conhecido (art. 932, Iii, Cpc)
Legal Issues
- 1 alegação de violação aos arts. 11, 70, 75 e 1.022, II, do CPC
- 2 interpretação e aplicação do art. 51 do Código Civil quanto aos efeitos do cancelamento administrativo
- 3 ausência de prequestionamento acerca de dispositivos invocados
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial porque o acórdão recorrido assentou em fundamento suficiente não impugnado especificamente (interpretação do art. 51 do Código Civil quanto aos efeitos do cancelamento administrativo da sociedade), havendo ainda ausência de prequestionamento sobre outros dispositivos invocados e deficiência na demonstração do dissídio jurisprudencial por falta de cotejo analítico, nos termos do art. 932, III, do CPC.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial (art. 932, III, CPC)
Orders
- Deixo de majorar os honorários sucumbenciais, por ausente arbitramento nas instâncias ordinárias
- Previno as partes acerca das penalidades previstas nos arts. 1.021, §4º, e 1.026, §2º, do CPC
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Examina-se recurso especial interposto por MARY ENEIDE CABRAL BANDEIRA DE MELLO, MARISA ILAIRE NEPOMUCENO FERRAZ, ISAAC NEPOMUCENO FILHO e CLAUDINOR ISAAC PINTO, fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Recurso especial interposto em: 27/3/2024. Concluso ao gabinete em: 5/7/2024. Ação: obrigação de fazer, em fase de cumprimento de sentença, ajuizada por INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS GADENS LTDA em face dos recorrentes. Decisão interlocutória: o Juízo de primeiro grau manteve a pessoa jurídica autora no polo ativo da ação e revogou a deliberação anterior para habilitação dos sócios. Acórdão: negou provimento ao agravo de instrumento interposto por MARY ENEIDE PINTO CABRAL BANDEIRA DE MELO, ISAAC NEPOMUCENO FILHO, MARISA ILAIRE NEPOMUCENO FERRAZ e CLAUDINOR ISAAC PINTO, nos termos da seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. CANCELAMENTO ADMINISTRATIVO DE SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA E CAPACIDADE POSTULATÓRIA. DECISÃO QUE DISPENSA SUBSTITUIÇÃO PELOS SÓCIOS. AGRAVO DE INSTRUMENTO. 1. O mero registro do cancelamento administrativo na Junta Comercial, sem maiores informações quanto à efetiva dissolução da sociedade, não é suficiente para extinção da sua personalidade jurídica. Inteligência do art. 51 do CC. 2. Admitida a capacidade postulatória da empresa autora, é dispensável sua substituição pelos sócios e, neste momento processual, a renovação de outorga de procuração, o que igualmente afasta a alegação de irregularidade de representação processual. RECURSO NÃO PROVIDO. (e-STJ fls. 68) Embargos de declaração: opostos, foram rejeitados. Recurso especial: alegam violação aos arts. 11, 70, 75 e 1.022, II, do CPC, bem como dissídio jurisprudencial. Além da negativa de prestação jurisdicional, sustentam a irregularidade da representação processual da pessoa jurídica autora, que nunca foi regularizada. Requerem a reforma do decisum. Juízo prévio de admissibilidade: o TJPR admitiu o recurso especial (e-STJ fl. 226). RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação ao art. 1.022 do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt no REsp 1.726.592/MT, 3ª Turma, DJe 31/8/2020; e AgInt no AREsp 1.518.178/MG, 4ª Turma, DJe 16/3/2020. - Da existência de fundamento não impugnado No particular, constata-se que o recorrente não impugnou de modo específico o fundamento utilizado pelo Tribunal de origem para manter a pessoa jurídica no polo ativo da ação, isto é, a interpretação conferida ao art. 51 do Código Civil. Confira-se, por oportuno, o seguinte trecho do acórdão recorrido: "Desse breve histórico processual se depreende que a controvérsia instaurada quanto à regularidade do polo ativo por força do longo tempo transcorrido desde o ajuizamento da ação (em outubro de 1998) diz respeito, em verdade, à capacidade postulatória da sociedade com registro cancelado perante a Junta Comercial. Vale registrar que o último arquivamento de registros da sociedade perante a Junta se deu em 13/06/2012 (mov. 55.2) e que não se discute a regularidade de sua representação na data de ingresso da ação. A celeuma a respeito se instalou após a informação de cancelamento do registro perante a Junta, cancelamento este que, como dito, se deu em razão da ausência de arquivamento de atos no período de dez anos consecutivos e da ausência de comunicação à Junta da intenção de se manter em funcionamento. Partindo-se desta premissa tem-se que a controvérsia reside nos efeitos que o cancelamento administrativo do registro tem para o processo, especificamente no que diz respeito à capacidade postulatória da parte autora. De rigor, assim, estabelecer inicialmente que o cancelamento administrativo não gera a automática dissolução da personalidade jurídica da sociedade, a qual depende do encerramento dos procedimentos de liquidação. É o que dispõe o art. 51 do Código Civil" (e-STJ fl. 72). No mais, foi a partir dessa fundamentação - não refutada pelos recorrentes - que o TJPR decidiu pela regularização da situação do polo ativo, nos seguintes termos: "Destaque-se, ademais, e no que diz respeito à regularidade da representação da sociedade (atualidade da procuração - mov. 1.7 e substabelecimento - mov. 1.43), que, tendo o Juízo de primeiro grau admitido sua capacidade postulatória, conclui- se, revendo o contido na decisão provisória do mov. 27.1, que, de forma tácita, reputou desnecessária a renovação de outorga de procuração" (e-STJ fl. 75). Como consequência, deve ser mantido o acórdão recorrido ante a aplicação da Súmula 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". - Da ausência de prequestionamento Verifica-se também que o acórdão recorrido não decidiu especificamente acerca dos demais dispositivos legais indicados como violados, o que acarreta a inadmissibilidade do recurso especial. Aplica-se, na hipótese, a Súmula 211/STJ. - Da divergência jurisprudencial Por fim, a parte não apresentou adequadamente o dissídio jurisprudencial, devido à ausência de cotejo analítico entre os julgados, sendo certo que para a demonstração da divergência não basta apenas a transcrição de ementas. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.978.728/SP, 3ª Turma, DJe 5/10/2022 e AgInt no REsp n. 1.972.586/PA, 4ª Turma, DJe 25/8/2022. Desse modo, não deve ser conhecido o recurso especial, uma vez que a falta de cotejo analítico, requisito indispensável à demonstração da divergência, inviabiliza a análise do dissídio. Forte nessas razões, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Deixo de majorar os honorários sucumbenciais, pois ausente o seu arbitramento pelas instâncias ordinárias. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO. AUSÊNCIA. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. Ação de obrigação de fazer, em fase de cumprimento de sentença. 2. A ausência de decisão acerca dos dispositivos invocados pelo recorrente em suas razões recursais impede o conhecimento do recurso especial. 3. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado especificamente, quando suficiente para a manutenção de suas conclusões, impede a apreciação do recurso especial. Aplicação, por analogia, da Súmula 283/STF. 4. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 5. Recurso especial não conhecido.