AREsp 1936486 - DECISAO
O agravo não foi conhecido na parte relativa à capitalização de juros por constituir erro grosseiro, nos termos do art. 1.042 do NCPC, pois a decisão do tribunal de origem coincidia com entendimento firmado em recurso repetitivo; quanto ao mérito da descaracterização da mora, manteve-se a decisão recorrida por estar...
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- Parties
- Autor: CATARINA DA SILVA (CATARINA); Réu: BV FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (BV FINANCEIRA)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2021
- Procedural Posture
- Ação De Revisão Contratual Cumulada Com Pedidos De Tutela Provisória E De Restituição De Valores / Decisão Em Agravo Em Recurso Especial (conhecimento Parcial E Negar Provimento Ao Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido em parte para, nessa extensão, negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Capitalização De Juros, Descaracterização Da Mora, Revisão Contratual, Compensação E Repetição De Indébito, Tarifa De Abertura De Crédito (tac) E Tarifa De Emissão De Boleto (teb), Admissibilidade Recursal (agravo Contra Inadmissão)
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Parties
CATARINA DA SILVA (CATARINA)
Autor
BV FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (BV FINANCEIRA)
Réu
Procedural Posture
Ação De Revisão Contratual Cumulada Com Pedidos De Tutela Provisória E De Restituição De Valores / Decisão Em Agravo Em Recurso Especial (conhecimento Parcial E Negar Provimento Ao Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de agravo contra decisão que inadmite recurso especial quando a matéria foi decidida com fundamento em recurso repetitivo (art. 1.042 do NCPC)
- 2 Possibilidade de capitalização de juros (mensal) e necessidade de previsão contratual
- 3 Descaracterização da mora em razão de cobrança de encargos abusivos no período de normalidade contratual
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido na parte relativa à capitalização de juros por constituir erro grosseiro, nos termos do art. 1.042 do NCPC, pois a decisão do tribunal de origem coincidia com entendimento firmado em recurso repetitivo; quanto ao mérito da descaracterização da mora, manteve-se a decisão recorrida por estar em consonância com a jurisprudência consolidada de que a mora somente é descaracterizada se comprovada a cobrança de encargos abusivos no período de adimplência contratual; assim, conheceu‑se em parte do agravo e negou‑se provimento ao recurso especial nessa extensão.
Court Disposition
Agravo conhecido em parte para, nessa extensão, negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço em parte do agravo
- Negar provimento ao recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO CATARINA DA SILVA (CATARINA) ajuizou ação de revisão contratual cumulada com pedidos de tutela provisória e de restituição de valores contra BV FINANCEIRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (BV FINANCEIRA), pleiteando o reconhecimento da existência de cláusulas abusivas e desproporcionais no contrato firmado com BV FINANCEIRA. Em primeira instância, a ação foi julgada parcialmente procedente para limitar, tão somente, os juros remuneratórios de inadimplência ao percentual contratado para o período de normalidade da operação e autorizar a compensação dos valores eventualmente pagos a maior com o débito, extinguindo o feito, com resolução de mérito. Em relação aos pedidos de revisão da alegada tarifa de abertura de crédito (TAC) e/ou tarifa de emissão de boleto (TEB) foram julgados extintos. O indeferimento da tutela de urgência foi mantido. Inconformada, CATARINA apelou da sentença. O aresto encontra-se assim sintetizado: APELAÇÃO CÍVEL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL. 1. Os negócios jurídicos bancários estão sujeitos às normas inscritas no CDC (Súmula n. 297 do STJ), com consequente relativização do ato jurídico perfeito e do princípio pacta sunt servanda. 2. A capitalização de juros em periodicidade inferior à anual é admitida quando expressamente prevista sua incidência em contrato bancário firmado após a vigência da Medida Provisória n. 1963-17/2000, mostrando-se suficiente a indicação de juros anuais superiores ao duodécuplo do índice mensal (STJ, Súmula n. 541), o que foi demonstrado no caso sob comento. 3. Não tendo sido flagrada a cobrança de encargos abusivos no período de normalidade contratual, não há falar em descaracterização da mora debendi. 4. Não há falar em vedação da inscrição do nome da consumidora nos cadastros de restrição ao crédito em caso de inadimplemento e em sua manutenção na posse do veículo financiado. 5. Mantida a ordem de compensação e/ou repetição simples dos valores pagos a maior pela parte autora à instituição financeira, sob pena de enriquecimento sem causa, consoante previsto no artigo 884, caput, do CC/2002, nos termos definidos na sentença. 6. Ônus sucumbenciais mantidos conforme distribuídos e dimensionados na origem, exigibilidade a qual resta suspensa, visto que a parte autora litiga sob o amparo do benefício da gratuidade da justiça. APELAÇÃO DESPROVIDA (e-STJ, fl. 191) Irresignada, CATARINA interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, alínea c, da CF, alegando que o Tribunal de origem interpretou de forma diversa os arts. 47, 51, IV, § 1º, III, 52, I a III, da Lei nº 8.078/90, 28, § 1º, I, da Lei nº 10.931/2004, 1.030, II, do NCPC, insurgindo-se contra a (1) impossibilidade da incidência da capitalização dos juros, por ausência de expressa previsão contratatual; e (2) descaracterização da mora. O apelo nobre não foi admitido, sob os fundamentos de (1) incidência das Súmulas nºs 5, 7 e 83 do STJ; e, (2) aplicação do art. 1.030, I, e 1.040, I, do NCPC, no tocante a capitalização dos juros (REsp nº 973.827/RS). CATARINA então manejou agravo em recurso especial, discorrendo sobre a capitalização mensal dos juros e refutando a incidência das Súmulas nºs 5, 7 e 83 do STJ. É o relatório. Decido. A irresignação não merece conhecimento. De plano, vale pontuar que as disposições do NCPC, no que se refere aos requisitos de admissibilidade dos recursos, são aplicáveis ao caso concreto ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016. Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. (1) Da capitalização dos juros. Do art. 1.042 do NCPC Com o advento do NCPC aos 18/3/2016 passou a existir expressa previsão legal no sentido do não cabimento de agravo contra decisão que inadmite recurso especial quando a matéria nele veiculada já houver sido decidida pela Corte de origem em conformidade com recurso repetitivo, in verbis: Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, salvo quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO CONTRA DECISÃO PUBLICADA NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. 1. IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA (CPC/2015, ART 932, III). NECESSIDADE. 2. PARTE DO RECURSO ESPECIAL NÃO ADMITIDA NA ORIGEM PORQUE AS MATÉRIAS FORAM JULGADAS SEGUNDO O RITO DO ART. 543-C DO CPC: TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATADOS. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. NÃO CABIMENTO DO AGRAVO NESSES PONTOS (CPC/2015, ART. 1.042). 3. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. ERRO GROSSEIRO. CARACTERIZAÇÃO. 4. RECURSO CONHECIDO APENAS QUANTO À ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. MÉRITO. AFASTAMENTO. 5. AGRAVO PARCIALMENTE CONHECIDO PARA, NESSA EXTENSÃO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 85, §§ 8º E 11, DO CPC/2015. 1. Com o advento do Código de Processo Civil de 2015 passou a existir expressa previsão legal no sentido do não cabimento de agravo contra decisão que não admite recurso especial quando a matéria nele veiculada já houver sido decidida pela Corte de origem em conformidade com recurso repetitivo (art. 1.042, caput). Tal disposição legal aplica-se aos agravos apresentados contra decisão publicada após a entrada em vigor do Novo CPC, em conformidade com o princípio tempus regit actum. 2. A interposição do agravo previsto no art. 1.042, caput, do CPC/2015 quando a Corte de origem o inadmitir com base em recurso repetitivo constitui erro grosseiro, não sendo mais devida a determinação de outrora de retorno dos autos ao Tribunal a quo para que o aprecie como agravo interno. 3. Não se configura ofensa ao art. 535 do CPC/73 quando o Tribunal de origem, embora rejeite os embargos de declaração opostos, manifesta-se acerca de todas as questões devolvidas com o recurso e consideradas necessárias à solução da controvérsia, sendo desnecessária a manifestação pontual sobre todos os artigos de lei indicados como violados pela parte vencida. 4. Agravo parcialmente conhecido para, nessa extensão, negar provimento ao recurso especial, com majoração dos honorários advocatícios, na forma do art. 85, §§ 8º e 11, do CPC/2015. (AREsp 959.991/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 16/8/2016, DJe 26/8/2016 - sem destaque no original) No caso dos autos, o apelo nobre, no tocante à capitalização dos juros foi inadmitido nos temos dos arts. 1.030, I, e 1.040, I, do NCPC (antigo art. 543-C, § 7º, do CPC/73), pois a decisão recorrida coincide com a orientação assentada pela Segunda Seção do STJ no julgamento do REsp nº 973.827/RS. Portanto, o agravo não pode ser conhecido por constituir erro grosseiro. (2) Descaracterização da mora. CATARINA pugnou pela descaracterização da mora. A Corte estadual, quanto ao tema, assim se pronunciouNão tendo sido flagrada a cobrança de encargos abusivos no período de normalidade contratual, não merece acolhimento o pedido de descaracterização da mora debendi (e-STJ, fl. 189). Acerca da questão, a Segunda Seção desta Corte, quando do julgamento do Recurso Especial n. 1.061.530/RS (Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, julgado em 22/10/2008, DJe 10/3/2009), submetido à sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC/1973), estabeleceu que: (..) ORIENTAÇÃO 2 - CONFIGURAÇÃO DA MORA a) O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios e capitalização) descaracteriza a mora; b) Não descaracteriza a mora o ajuizamento isolado de ação revisional, nem mesmo quando o reconhecimento de abusividade incidir sobre os encargos inerentes ao período de inadimplência contratual. (..) Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ARRENDAMENTO MERCANTIL. NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INTIMAÇÃO PESSOAL. DESNECESSIDADE. MORA. AUSÊNCIA DE ENCARGOS ABUSIVOS NO PERÍODO DA NORMALIDADE. CARACTERIZAÇÃO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de ser necessária a comprovação da mora mediante notificação extrajudicial do devedor, realizada por carta registrada enviada por Cartório de Títulos e Documentos, entregue no domicílio do devedor, sendo prescindível a notificação pessoal. 2. O entendimento sedimentado em recurso repetitivo pela Segunda Seção do STJ é de que a mora será descaracterizada somente quando for constatada a cobrança de encargos abusivos no período da normalidade, o que não ocorreu na presente hipótese. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 741.192/MS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, DJe 01/02/2017) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ARRENDAMENTO MERCANTIL. ANTECIPAÇÃO DO VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VRG). SÚMULA N. 293/STJ. JUROS REMUNERATÓRIOS. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. JUROS DE MORA. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. MANUTENÇÃO NA POSSE DO BEM. ART. 543-C DO CPC. DECISÃO MANTIDA. 1. "A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil" (Súmula n. 293/STJ). 2. O Tribunal de origem não identificou a cobrança de juros remuneratórios, capitalização de juros e comissão de permanência. Alterar o desfecho conferido à demanda no ponto relativo a esses temas exigiria interpretação das cláusulas contratuais e revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos (Súmulas n. 5 e 7 do STJ). 3. Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês (REsp n. 1.061.530/RS, julgado pelo rito do art. 543-C do CPC). 4. O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual descarateriza a mora, situação não verificada na espécie. No caso concreto, o pedido de antecipação de tutela foi indeferido em razão do resultado de mérito conferido à causa, posicionamento que está de acordo com a jurisprudência desta Corte. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 267.896/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Quarta Turma, DJe 08/05/2014) Dessa forma, verifica-se que o entendimento adotado pelo acórdão recorrido no sentido de manter a mora ante o não reconhecimento da cobrança de encargos abusivos no período da adimplência contratual encontra-se em consonância com a orientação pacificada desta Corte, devendo, assim, ser mantido nos termos em que proferido. Nessas condições, com fundamento no art. 1.042, § 5º, do NCPC c/c o art. 253 do RISTJ (com a nova redação que lhe foi dada pela emenda nº 22 de 16/3/2016, DJe 18/3/2016), CONHEÇO EM PARTE do agravo para, nessa extensão, NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Por oportuno, previno as partes de que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do NCPC Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. INADMISSÃO COM FUNDAMENTO NO ART. 1.030, I, b, DO NCPC (ART. 543-C, PARÁGRAFO 7º, INCISO I DO CPC/73). AGRAVO INVIÁVEL EM HIPÓTESES DE INADMISSÃO COM FUNDAMENTO NA APLICAÇÃO DE ENTENDIMENTO FIRMADO EM JULGAMENTO DE RECURSOS REPETITIVOS (ART.1.042 DO NCPC) POR SE TRATAR DE ERRO GROSSEIRO. DEMAIS PONTOS. CARACTERIZAÇÃO DA MORA. NÃO ABUSIVIDADE NA COBRANÇA DE ENCARGOS NO PERÍODO DA ADIMPLÊNCIA CONTRATUAL. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. AGRAVO CONHECIDO EM PARTE PARA, NESSA EXTENSÃO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.