AREsp 2703259 - DECISAO
O agravo foi conhecido, mas o recurso especial não foi conhecido em razão da deficiência na fundamentação recursal (ausência de indicação específica dos dispositivos federais supostamente contrariados) e da não impugnação de fundamento suficiente do acórdão recorrido (fundamentação baseada, entre outros, no Decreto...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: GRAN ROYALLE BETIM EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade: Conhecido Do Agravo E Não Conhecido Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Capitalização De Juros, Contratos De Financiamento Imobiliário, Sistema Financeiro Imobiliário (sfi), Aplicação Do Código De Defesa Do Consumidor, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmulas 283 E 284/stf, Decreto 22.626/1933, Lei 9.514/1997
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Parties
GRAN ROYALLE BETIM EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade: Conhecido Do Agravo E Não Conhecido Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência do Código de Defesa do Consumidor no contrato imobiliário
- 2 legalidade da capitalização mensal de juros em contrato do SFI
- 3 inadmissibilidade do recurso especial por deficiência de fundamentação
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido, mas o recurso especial não foi conhecido em razão da deficiência na fundamentação recursal (ausência de indicação específica dos dispositivos federais supostamente contrariados) e da não impugnação de fundamento suficiente do acórdão recorrido (fundamentação baseada, entre outros, no Decreto nº 22.626/1933 que não foi atacado), aplicando-se por analogia as Súmulas 284/STF e 283/STF; adicionalmente reconheceu-se que a capitalização de juros no SFI somente é admissível em periodicidade anual.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Majorada a verba honorária atribuída à parte recorrente em 5% sobre o valor já arbitrado pelas instâncias de origem, em favor do patrono do recorrido, observados os limites do §2º do art.85 do CPC e o benefício da gratuidade de justiça, se for o caso.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por GRAN ROYALLE BETIM EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S.A. contra decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO IMOBILIÁRIO - SISTEMA FINANCEIRO IMOBILIÁRIO - CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS - IMPOSSIBILIDADE - SENTENÇA MANTIDA. - Entre os direitos básicos do consumidor elencados no art. 6º, do CDC, encontra-se o direito a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais. - É vedada a capitalização mensal dos juros nos contratos de financiamento imobiliário, devendo esta observar a periodicidade anual" (e-STJ fl. 283). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. No recurso especial, a recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts. 219, 220, 221, 421 e 421-A do Código Civil, 5º da Lei nº 9.514/1997, 25 da Lei nº 6.766/1979, 35-A da Lei nº 4.591/1964, 1º, § 1º, 2º e 3º da Lei nº 1.3874/2019 e 6º do Código de Defesa do Consumidor. Insurge-se contra a incidência do Código de Defesa do Consumidor à hipótese dos autos. Defende a legalidade da cobrança da capitalização de juros na forma pactuada no contrato e a impossibilidade de revisão das cláusulas contratuais. Com as contrarrazões, foi negado seguimento ao recurso especial, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. Em relação à aplicação das normas do Código de Defesa do Consumidor ao caso concreto, a deficiência na fundamentação recursal restou evidenciada, visto que a recorrente não indicou especificamente quais os artigos de lei federal teriam sido contrariados ou interpretados de forma divergente pelo acórdão recorrido. Quanto à impossibilidade de revisão das cláusulas contratuais, verifica-se que a parte recorrente, apesar de indicar os arts. 421, 422, 475 e 884 do Código Civil como malferidos, não especifica de que forma eles teriam sido contrariados pelo acórdão recorrido, inviabilizando a compreensão da controvérsia posta nos autos. Consectariamente, incide em ambos os pontos a Súmula nº 284/STF, aplicada por analogia: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO NCPC. INEXISTÊNCIA. DECISÃO EXTRA PETITA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. RESPONSABILIDADE CIVIL POR INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. HABITE-SE TOTAL E EDIFICAÇÃO DE MEZANINO. PRESCRIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL (ART. 205 DO CC). NÃO OCORRÊNCIA. ATRASO OCASIONADO POR EXIGÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RISCO INERENTE À ATIVIDADE. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. CITAÇÃO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não se verifica a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, na medida em que a eg. Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a questão que lhe foi submetida, não sendo possível confundir julgamento desfavorável, como no caso, com negativa de prestação jurisdicional ou ausência de fundamentação. 2. É inadmissível o recurso especial, por deficiência na fundamentação, com a incidência da Súmula 284/STF, quando ausente a indicação do dispositivo de lei eventualmente violado ou, ainda, quando há a indicação de dispositivo legal tido por violado, todavia sem normatividade ou sem a demonstração de como se consubstancia a alegada ofensa. 3. O fortuito interno, fato imprevisível e inevitável ocorrido no momento da realização do serviço ou da fabricação do produto e relacionado à atividade empresarial desenvolvida e seus inerentes riscos, como é o caso de óbice criado por exigência da Administração Pública para a liberação do Habite-se, não exclui a responsabilidade do fornecedor. Precedentes. 4. Os juros moratórios, nos casos de responsabilidade contratual, fluem a partir da data de citação. Precedente da Corte Especial. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt nos EDcl no AREsp 1.528.474/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe 17/5/2024 - grifou-se) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOAÇÃO DO ART. 489, § 1º, VI, DO CPC. NÃO INDICAÇÃO D O DISPOSITIVO LEGAL COM INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. SÚMULA N. 284/STF. 1. A apontada violação do art. 489 do CPC não se sustenta, uma vez que o Tribunal de origem examinou, de forma fundamentada, todas as questões que foram submetidas à apreciação judicial na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que tenha decidido contrariamente à pretensão da parte recorrente. 2. "A regra do art. 489, §1º, VI, do CPC/15, segundo a qual o juiz, para deixar de aplicar enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, deve demonstrar a existência de distinção ou de superação, somente se aplica às súmulas ou precedentes vinculantes, mas não às súmulas e aos precedentes apenas persuasivos" (REsp n. 1.698.774/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 1º/9/2020, DJe de 9/9/2020). 3. Não se conhece do recurso especial quando ausente a indicação expressa do dispositivo legal a que se teria dado interpretação divergente. Incidência da Súmula n. 284 do STF. Agravo interno improvido." (AgInt no AREsp 2.453.973/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, TERCEIRA TURMA, DJe 22/5/2024 - grifou-se) No que tange à possibilidade de cobrança de capitalização de juros, o acórdão estadual reconhece que o contrato em questão está subordinado à Lei nº 9.514/1997, podendo o encargo incidir na periodicidade anual. No entanto, veda a cobrança de forma mensal, sob os seguintes argumentos: "(..) com relação à alegada capitalização dos juros, vale registrar que o contrato em espeque se subsome ao regulamentado pela Lei nº 9.514/97, tratando-se de contrato do Sistema Financeiro Imobiliário. No que tange a prática de capitalização de juros, a Lei Federal nº 9.514/97, que dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, em seu art. 5º, II, III e § 2º, assim prevê: Art. 5º - As operações de financiamento imobiliário em geral, no âmbito do SFI, serão livremente pactuadas pelas partes, observadas as seguintes condições essenciais: .. II - remuneração do capital emprestado às taxas convencionadas no contrato; III - capitalização dos juros; .. § 2º As operações de comercialização de imóveis, com pagamento parcelado, de arrendamento mercantil de imóveis e de financiamento imobiliário em geral poderão ser pactuadas nas mesmas condições permitidas para as entidades autorizadas a operar no SFI. No entanto, não há disposição acerca da periodicidade da capitalização, motivo pelo qual se observam as disposições do Decreto nº 22.626/33, que limita a possibilidade de incidência à anual. Portanto, a capitalização de juros é permitida nos contratos de financiamento imobiliário, com fundamento na Lei nº 9.514/97 c/c o art. 4º, do Decreto nº 22.626/33, e o art. 591, do Código Civil, apenas em periodicidade anual" (e-STJ fls. 287/288). Entretanto, o fundamento relacionado com o Decreto nº 22.626/1933 não foi objeto de impugnação pela parte recorrente, atraindo a incidência da Súmula nº 283/STF, por analogia: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Nesse sentido: "CIVIL E RESPONSABILIDADE CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS N. 282 E 356/STF. DISPOSITIVOS VIOLADOS. CONTEÚDO NORMATIVO. INSUFICIÊNCIA. SÚMULA N. 284/STF. SUBSISTÊNCIA DE FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA N. 283/STF. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N.7/STJ. RECURSO DESPROVIDO. (..) 3. O recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido suficiente para mantê-lo não deve ser admitido, a teor da Súmula n. 283/STF. (..) 5. Recurso especial não conhecido." (REsp 1.740.077/CE, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe 14/5/2024) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CARACTERIZADA. CONTRATO DE FRANQUIA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO PRÉVIO E IDÔNEO. NECESSIDADE. EXCEÇÃO. DOCUMENTO COMUM ÀS PARTES. SÚMULA Nº 83/STJ. DISTINGUISHING REALIZADO. NECESSIDADE DO DOCUMENTO. SÚMULA Nº 7/STJ. FUNDAMENTOS. NÃO IMPUGNADOS. SUFICIÊNCIA. SÚMULA Nº 283/STF. (..) 4. A ausência de impugnação de fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido incólume atrai o óbice da Súmula nº 283/STF. 5. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.976.621/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe 3/11/2023) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Em observância ao art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro a verba honorária atribuída à parte recorrente em 5% (cinco por cento) sobre o valor já arbitrado pelas instâncias de origem, em favor do patrono do recorrido, observando-se os limites estabelecidos no § 2º do mesmo dispositivo legal, bem como o benefício da gratuidade de justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA