REsp 2168095 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial porque o autor não apresentou, na inicial, as provas basilares (autos de infração) necessárias à comprovação do direito alegado, ônus que lhe compete; e porque a reforma do acórdão exigiria reexame de matéria fática vedado em recurso especial (Súmula n. 07/STJ), além da ausência de...
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- Parties
- Recorrente: RODRIGO GONZAGA PINTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 September 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecimento (decisão Monocrática)
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Carência De Ação, Cerceamento De Defesa, Ônus Da Prova (art. 373, I, Cpc), Prequestionamento (súmula N. 282/stf), Súmula N. 07/stj, Honorários Advocatícios Recursais (art. 85 Cpc/2015)
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Parties
RODRIGO GONZAGA PINTO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecimento (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 ausência de apresentação dos autos de infração essenciais à propositura da ação
- 2 ônus da prova do fato constitutivo do direito cabendo ao autor (art. 373, I, CPC)
- 3 vedação ao reexame de matéria fática em Recurso Especial (Súmula n. 07/STJ)
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial porque o autor não apresentou, na inicial, as provas basilares (autos de infração) necessárias à comprovação do direito alegado, ônus que lhe compete; e porque a reforma do acórdão exigiria reexame de matéria fática vedado em recurso especial (Súmula n. 07/STJ), além da ausência de prequestionamento de fundamentos suficientes.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Não conheço do Recurso Especial.
- Majoro em 1% a título de honorários recursais o percentual dos honorários anteriormente fixado.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por RODRIGO GONZAGA PINTO, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, assim ementado (fl. 343e): CIVIL E PROCESSO CIVIL. APELO CÍVEL. DIREITO TRIBUTÁRIO. PRELIMINARES DE CARÊNCIA DE AÇÃO E CERCEAMENTO DE DEFESA AFASTADAS. PROVAS DO FATO CONSTITUTIVO DE DIREITO. AUSÊNCIA. ÔNUS DE QUEM ALEGA (ART. 373, I, CPC). RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. MAJORAÇÃO DA SUCUMBÊNCIA. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, o Recorrente aponta ofensa a dispositivos legais, alegando, em síntese: - Arts. 320, 434 e 435 do CPC/2015 - trouxe na fase de saneamento -por determinação do juízo -apenas a íntegra dos documentos, não havendo, assim, prejuízo, haja vista que os autos já haviam sido relacionados e, Com contrarrazões, o recurso foi admitido. inclusive, foram objeto de contestação pelo Recorrido, conforme traz o corpo da inicial abaixo destacado Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, IV e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, b e c, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a: i) não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; ii) negar provimento a recurso ou pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ; e iii) dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: "O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". O tribunal de origem, após minucioso exame dos elementos fáticos e probatórios contidos nos autos, assentou Ao não apresentar os elementos probatórios, por ocasião da proposição da ação, recai sobre o apelante-autor a responsabilidade pelas consequências advindas desta omissão, não podendo ser amparada a alegação genérica de carência de ação (fls. 348e): Compulsando os autos, encontra-se a decisão interlocutória que reconhece a não constituição das provas basilares do direito vindicado na exordial(ID 46027041) e que revoga o despacho (a decisão) anterior (ID 46027033) que concedia a possibilidade do autor complementar a inicial, acostando os autos de infração, objetos da irresignação. No argumento trazido pela referida decisão revogada, de concessão de prazo para emenda da inicial, a Magistrada assim argumenta: "O autor alega que houve cobrança excessiva de multa e faz referência na petição inicial a 7(sete) autos de infração, porém, não anexou aos autos nenhum deles, o que inviabiliza o julgamento do feito". Pelo que se apura, toda discussão gira em torno dos autos de infração impostos pelo apelado ao recorrente. Tais documentos que materializam e alicerçam o direito vindicado são elementos fundamentais à proposição da ação, pois sem eles não há como se comprová-lo. Entretanto, cabe ao autor o ônus da prova de fato constitutivo de seu direito (art. 373, I, CPC 1 ). Ao não apresentar os elementos probatórios, por ocasião da proposição da ação, recai sobre o apelante-autor a responsabilidade pelas consequências advindas desta omissão, não podendo ser amparada a alegação genérica de carência de ação. Rever tal entendimento, com o objetivo de acolher a pretensão recursal acerca regularidade da instrução da exordial, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 07 desta Corte, assim enunciada: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse cenário impõe-se a prejudicialidade do exame da divergência jurisprudencial. De fato, os óbices os quais impedem a análise do recurso pela alínea a prejudicam o exame do especial manejado pela alínea c do permissivo constitucional para questionar a mesma matéria. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 282/STF. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADOS. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VIOLADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA A DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DAS SÚMULAS N. 283 E 284/STF. TITULARIDADE DOS CRÉDITOS EXECUTADOS. ACÓRDÃO EMBASADO EM PREMISSAS FÁTICAS E NA INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. REVISÃO. SÚMULAS N. 05 E 07/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INADEQUADA AO CASO CONCRETO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - É entendimento pacífico desta Corte que a ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo tribunal a quo impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 282 do Supremo Tribunal Federal. III - Revela-se deficiente a fundamentação quando a parte deixa de impugnar fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido, apresentando razões recursais dissociadas dos fundamentos utilizados pela Corte de origem, bem como quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica ou não aponta o dispositivo de lei federal violado. Incidência, por analogia, das Súmulas n. 283 e 284/STF. IV - In casu, rever o entendimento do Tribunal de origem acerca da titularidade dos créditos executados demandaria interpretação de cláusula contratual e revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz dos óbices contidos nas Súmulas n. 05 e 07/STJ. V - Os óbices que impedem o exame do especial pela alínea a prejudicam a análise do recurso interposto pela alínea c do permissivo constitucional para discutir a mesma matéria. Precedentes. VI - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp 1883971/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/10/2020, DJe 08/10/2020) Por fim, no que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos enunciados administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos, quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais, em favor do patrono da parte recorrida, está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/15), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil de 2015, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18.05.2017), embora tal elemento pos sa influir na sua quantificação. Assim, nos termos do art. 85, §§ 3º e 11, de rigor a majoração dos honorários anteriormente fixados. Posto isso, com fundamento no art. 932, III, IV, do Código de Processo Civil e art. 34, XVIII, a e b, do Regimento Interno desta Corte, NÃO CONHEÇO DO RECURSO ESPECIAL. Majoro em 1% (um por cento), a título de honorários recursais, o percentual dos honorários advocatícios anteriormente fixado. Publique-se e intimem-se. EMENTA