REsp 2264814 - DECISAO
Dada a multiplicidade de recursos sobre a matéria e sua alta recorribilidade, reconheceu-se a necessidade de uniformização (afetação ao Tema 1.314); provido o agravo interno para converter os autos em recurso especial e determinar a devolução ao Tribunal de origem para que os autos fiquem sobrestados até o...
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- Parties
- Recorrente: UNIMED JOÃO PESSOA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2026
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Agravo Interno Provido; Autos Convertidos Em Recurso Especial E Devolvidos Ao Tribunal De Origem Para Sobrestamento Pendente Julgamento Do Tema 1.314
- Outcome
- Agravo interno provido; autos convertidos em recurso especial; devolução ao Tribunal de origem para sobrestamento até julgamento do Tema 1.314 pelo STJ
- Legal Topics
- Carência Em Planos De Saúde, Atendimento De Urgência E Emergência, Limitação Temporal De Internação Hospitalar, Indenização Por Danos Morais
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Parties
UNIMED JOÃO PESSOA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Agravo Interno Provido; Autos Convertidos Em Recurso Especial E Devolvidos Ao Tribunal De Origem Para Sobrestamento Pendente Julgamento Do Tema 1.314
Legal Issues
- 1 abusividade da cláusula de carência em situações de emergência ou urgência
- 2 abusividade da cláusula que limita no tempo a internação hospitalar do segurado
- 3 ilegalidade da negativa de cobertura em caso de emergência
Ratio Decidendi
Dada a multiplicidade de recursos sobre a matéria e sua alta recorribilidade, reconheceu-se a necessidade de uniformização (afetação ao Tema 1.314); provido o agravo interno para converter os autos em recurso especial e determinar a devolução ao Tribunal de origem para que os autos fiquem sobrestados até o julgamento do tema pelo STJ, com posterior observância do art. 1.040 do CPC/2015 (negação de seguimento ou juízo de retratação conforme o precedente qualificado).
Court Disposition
Agravo interno provido; autos convertidos em recurso especial; devolução ao Tribunal de origem para sobrestamento até julgamento do Tema 1.314 pelo STJ
Orders
- Dar provimento ao agravo interno e determinar a conversão dos autos em recurso especial
- Determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que fiquem sobrestados aguardando o julgamento do Tema 1.314 pelo Superior Tribunal de Justiça
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por UNIMED JOÃO PESSOA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA assim ementado (fls.285): "APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS C/C TUTELA DE URGÊNCIA. PLANO DE SAÚDE. ATENDIMENTO DE URGÊNCIA. PRAZO DE CARÊNCIA. ILEGALIDADE DA NEGATIVA DE COBERTURA. RESOLUÇÃO Nº 13 DA CONSU. LIMITAÇÃO DO TEMPO DE INTERNAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DANO MORAL IN RE IPSA. QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO EM CONFORMIDADE COM OS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. DESPROVIMENTO DO APELO. - Nos termos do artigo 35-C, I, da Lei n.º 9.656/98, é obrigatória a cobertura do atendimento nos casos de emergência, sendo ilegal a recusa da operadora do plano de saúde ao atendimento do paciente que, nessa condição, necessita de internação e tratamento. - Ainda que o art. 2º da Resolução nº 13/19981 do Conselho de Saúde Suplementar (CONSU) estabeleça que a cobertura de urgência e emergência dos planos ambulatoriais limita-se às primeiras 12 (doze) horas de atendimento, a Lei nº 9.656/98 não restringe ou limita o atendimento." Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls.308-309): "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL, OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INDICAÇÃO GENÉRICA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO CONCRETA DOS VÍCIOS ALEGADOS. REJEIÇÃO DOS ACLARATÓRIOS QUE SE IMPÕE. - Os embargos de declaração, quando regularmente utilizados, destinam-se, precipuamente, a desfazer obscuridades, a afastar contradições e a suprir omissões que se registrem, eventualmente, no acórdão proferido pelo Tribunal. Os embargos declaratórios, no entanto, revelam-se incabíveis, quando a parte recorrente - a pretexto de esclarecer uma inexistente situação de erro material, obscuridade ou contradição - vem a utilizá-los com o objetivo de infringir o julgado e de viabilizar, assim, um indevido reexame da causa, com evidente subversão e desvio da função jurídico-processual para que se acha especificamente vocacionada essa modalidade de recurso. - O STJ tem decidido que "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão." Ademais, os "embargos de declaração não se prestam ao reexame de questões já analisadas, com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso, quando a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão". - Ressalte-se, ainda, que o STJ "tem entendimento pacífico de que os embargos declaratórios, mesmo para fins de prequestionamento, só serão admissíveis se a decisão embargada ostentar algum dos vícios que ensejariam o seu manejo (omissão, obscuridade ou contradição)". No presente recurso especial, o recorrente alega, preliminarmente, ofensa ao art. 1.022, do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia. Aduz, no mérito, violação dos arts.12 e 35-c da lei n. 9.656/98, sob o fundamento de que(fl.325): "Cumpre destacar que uma das controvérsias da demanda se restringe à questão da obrigatoriedade ou não de o plano de saúde contratado assegurar cobertura para o tratamento pretendido pelo Recorrido, ainda que não cumprido o período de carência de 180 dias defeso em lei, nas normas regulamentadoras e no contrato que vincula as partes ora litigantes." Sustenta, outrossim, violação dos arts. 186, 188, 927 E 944, do Código Civil, sob o argumento de que (fls.330-333): "De plano, observa-se a inexistência de ato ilícito, isto porque não se pode considerar como ato ilícito aquele praticado de acordo com a Lei ou à ausência de ato comissivo ou omissivo que cause dano, sendo relevante destacar que o artigo 188, do Código Civil é irrefutável quando estabelece que "não constituem atos ilícitos" os praticados "no exercício regular de um direito." Assim, ainda que esta Corte Superior de Justiça entenda pela pertinência da indenização por danos morais perseguida pelo Recorrido e fixada pelo Poder Judiciário estadual, não poderá se afastar do teor do artigo 944, do Código Civil, segundo o qual "a indenização mede-se pela extensão do dano", de forma que, atendo-se aos limites que os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade impõem, deverá evitar o locupletamento ilícito do Recorrido em detrimento da Recorrente, reformando a decisão recorrida para afastar a condenação ao pagamento da verba indenizatória ou, ao menos, reduzir o valor fixado." Sem contrarrazões. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls.380-381 , e-STJ), o que ensejou a interposição de agravo (fls. 384-396). Não apresentada contraminuta do agravo. Este Relator houve por bem dar provimento ao agravo interno para determinar a conversão dos autos em recurso especial (fl. 440). É, no essencial, o relatório. Cinge -se a controvérsia em verificar a abusividade da cláusula contratual de carência em situações de urgência/emergência e da limitação temporal da internação hospitalar, à luz dos arts. 12 e 35-C da Lei n. 9.656/1998, juntamente com a Resolução Normativa n. 13/98 CONSU . A matéria encontra-se afetada à Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, aguardando o julgamento, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 1.314), os Recursos Especiais REsp 2190337/DF e REsp 2190339/RN, de relatoria do Min. Antonio Carlos Ferreira. A propósito, cito a ementa da proposta de afetação: PROPOSTA DE AFETAÇÃO. RITO DOS RECURSO ESPECIAIS REPETITIVOS. DIREITO DO CONSUMIDOR E DIREITO À SAÚDE. INTERNAÇÃO. CLÁUSULA CONTRATUAL. CARÊNCIA PARA UTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA ALÉM DO PRAZO DE 24 (VINTE E QUATRO HORAS) DA CONTRATAÇÃO. LIMITAÇÃO DO TEMPO DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR DO SEGURADO. VERIFICAÇÃO DE ABUSIVIDADE. MULTIPLICIDADE DE RECURSOS. ALTA RECORRIBILIDADE. SISTEMA DE PRECEDENTES. GESTÃO PROCESSUAL. RECURSO AFETADO. 1. Controvérsia relativa à abusividade das cláusulas contratuais em planos de saúde que preveem carência para utilização dos serviços de assistência médica em situações de emergência além do prazo de 24 (vinte e quatro) horas, bem como limitam no tempo a internação hospitalar do segurado. 2. A jurisprudência do STJ orientou-se no sentido de considerar abusivas tais cláusulas, ensejando a edição das Súmulas n. 302 e 597. 3. No entanto, malgrado o STJ tenha fixado orientação jurisprudencial uniforme, tem-se verificado significativa recorribilidade acerca da matéria, com altíssimo índice de repetição, o que tem conduzido à multiplicidade de recursos nesta Corte Superior e nas instâncias ordinárias, o que demonstra a importância de reafirmar da eficácia persuasiva da jurisprudência do STJ por meio da elevação do entendimento a precedente vinculante. 4. Caso concreto em que o Tribunal de origem reconheceu a obrigatoriedade da cobertura durante a vigência do período de carência, se ultrapassadas 24 (vinte e quatro horas) da contratação, na hipótese de emergência médica, bem como a impossibilidade de limitação temporal da contratação. 5. Questões federais afetadas: I) abusividade da cláusula contratual de plano de saúde que prevê carência para utilização dos serviços de assistência médica nas situações de emergência ou de urgência se ultrapassado o prazo máximo de 24 horas contado da data da contratação; e II) abusividade da cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a internação hospitalar do segurado. 6. Recurso especial afetado ao rito dos recursos repetitivos, com determinação de sobrestamento de recursos especiais e agravos nos próprios autos, nos termos do art. 1.037, II, do CPC/2015. (ProAfR no REsp n. 2.190.339/RN, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Segunda Seção, julgado em 25/2/2025, DJEN de 10/3/2025.) Nos termos do art. 34, XXIV, c/c o art. 256-L, I, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, a admissão de recurso especial como representativo da controvérsia impõe a devolução ao Tribunal de origem dos processos em que foram interpostos recursos cuja matéria identifique-se com o tema afetado, para nele permanecerem suspensos até o fim do julgamento qualificado. Ante o exposto, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, para que lá fiquem sobrestados aguardando o julgamento do referido tema pelo Superior Tribunal de Justiça e, após sua publicação, em observância ao art. 1.040 do CPC/2015: a) seja negado seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação desta Corte; ou b) proceda-se ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão vergastado divergir do precedente qualificado. Publique-se. Intimem-se. EMENTA