AREsp 1948709 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem enfrentou a matéria de forma fundamentada, reconhecendo que o ajuste era contrato de cartão de crédito consignado (Cartão BMG CARD) com cláusula expressa autorizando desconto da fatura, comprovado uso do cartão pela autora e ausência de ato ilícito ou...
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- Parties
- Agravante/recorrente: ADRIANA ESPERANCA E SILVA; Apelado/recorrido: BANCO BMG S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (agravo Interposto Contra Decisão De Inadmissão Do Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo não provido (nego provimento ao agravo)
- Legal Topics
- Cartão De Crédito Consignado, Juros Remuneratórios, Revisão Contratual, Danos Morais, Dever De Informação, Equiparação Contratual
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Parties
ADRIANA ESPERANCA E SILVA
Agravante/recorrente
BANCO BMG S.A.
Apelado/recorrido
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (agravo Interposto Contra Decisão De Inadmissão Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial com base nos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015
- 2 Caracterização do contrato como cartão de crédito consignado ou empréstimo pessoal consignado (equiparação)
- 3 Cumprimento do dever de informação (art. 6º, III, CDC)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem enfrentou a matéria de forma fundamentada, reconhecendo que o ajuste era contrato de cartão de crédito consignado (Cartão BMG CARD) com cláusula expressa autorizando desconto da fatura, comprovado uso do cartão pela autora e ausência de ato ilícito ou violação do dever de informação. Não é admissível, nesta instância especial, desconstituir convicção fundada em prova e interpretação contratual sem reexaminar o substrato fático-probatório (Súmulas 5 e 7/STJ). A abusividade da taxa de juros não foi cabalmente demonstrada, de modo que não se pode limitar a taxa aos parâmetros do empréstimo pessoal consignado neste caso. Por fim, em...
Court Disposition
Agravo não provido (nego provimento ao agravo)
Orders
- Nego provimento ao agravo
- Majoro honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, §11, do Código de Processo Civil
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DECISÃO 1. Cuida-se de agravo interposto por ADRIANA ESPERANCA E SILVA contra decisão que não admitiu o seu recurso especial, por sua vez manejado em face de acórdão proferido peloTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim ementado: CONSUMIDOR -APELAÇÃO -AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO CUMULADA COM INDENIZATÓRIA -CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO -JUROS REMUNERATÓRIOS -EQUIPARAÇÃO À TAXA APLICADA AOS CONTRATOS DE EMPRÉSTIMO PESSOAL CONSIGNADO -IMPOSSIBILIDADE -AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO DEVER DE INFORMAÇÃO -NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DOS NEGÓCIOS -IMPROCEDÊNCIA Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, aponta a parte recorrente, além de dissídio jurisprudencial, ofensa ao disposto nos arts.4º, III, 6º, V e VII, 47, 51, IV, e § 1, III, e 52, IV e V da Lei nº 8.078/90, 113, 187, 421, 422, 423 e 2.035, § único do Código Civil; 5º da LINDB,4º, VI, da Lei nº 4.595/64e489, II e 1.022, II, do Código de Processo Civil. Alegaque o contrato em tela combina operação de cartão de crédito com empréstimo consignado. Sustenta que deveser aplicada a taxa de juros mais favorável ao consumidor, decorrente da equiparação do contrato decartão de crédito consignado às demais operações tradicionais de crédito pessoal consignado.Além disso, busca indenização por "danos morais, levando-se em consideração do quantum à interpretação maliciosa dos art. 47, 51, IV e § 1, inc. III, do CDC; art. 423 do CC e art. 5º da LINDB (Lei nº 19.490/11), ausência de boa-fé negocial, situação econômica do ofensor e a necessidade de punição para que o mesmo não volte a incidir no mesmo erro". Decido. 2.Não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação dos artigos 489 e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. Isso porque, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte recorrente. Não há falar, no caso, em negativa de prestação jurisdicional. A Câmara Julgadora apreciou as questões deduzidas, decidindo de forma clara e conforme sua convicção com base nos elementos de prova que entendeu pertinentes. No entanto, se a decisão não corresponde à expectativa da parte, não deve por isso ser imputado vicio ao julgado. 3. O Tribunal de origem - destinatário da prova - após a análise dos elementos informativos contidos nos autos, assim concluiu: Volvendo ao caso em tela, observa-se ter a autora/apelante celebrado junto à instituição bancária requerida o "Termo de Adesão à Consignação em Folha de Pagamento para Empréstimo e Cartão de Credito - Autorização para Desconto" (evento n. 26). Com efeito, em que pese a argumentação da apelante em sentido diverso, ao exame do acervo probatório encartado aos autos, verifica-se que no ajuste firmado entre as partes há a expressa indicação da modalidade contratual a qual aderiu, isto é, cartão de crédito consignado, vale dizer, "Cartão BMG CARD". Assim, não há que se falar que o apelado deixou de cumprir com o dever de informação previsto no art. 6º, III do CDC, pois consta expressamente na cláusula XI que o cliente autoriza "(..) minha fonte pagadora/empregador, de forma irrevogável e irretratável, a realizar o desconto mensal em minha remuneração/salário, em favor do BANCO BMG S.A, Instituição Financeira Consignatária, para o pagamento correspondente ao mínimo da fatura mensal do meu CARTÃO DE CRÉDITO BMG CARD". Merece destaque que, no contrato em discussão, não existe previsão de pagamento de prestações mensais fixas para quitação de eventual crédito contraído mediante empréstimo pessoal consignado, características típicas desta espécie contratual. Além disso, a companhia ré comprovou que a autora utilizou o cartão de crédito, realizando diversas compras, conforme demonstram as faturas anexadas nos eventos nº 27/29. Nesse contexto, fica claro que a autora estava ciente de que o produto adquirido do demandando tratava-se de contrato de cartão de crédito consignado e não de empréstimo pessoal consignado. .. Ademais, inexistindo ilegalidade na conduta do apelado, resta prejudicada a análise do pedido referente aos danos morais, devendo ser mantida a sentença em sua integralidade. Conforme consignadono acórdão recorrido, o contrato em questão não induz à conclusão de que seu objeto seria de empréstimo consignado, sujeito às menores taxas de juros do mercado. Diante disso não há como acolher a pretensão da parte autora de limitação da taxa de juros remuneratórios pela taxa média de mercado aplicada ao empréstimo pessoal consignado público, uma vez que a contratação cartão de crédito em questão se mostra legítima, tendo efetivamente utilizado do serviço contratado.Nesse prisma, não se constatou qualquer ato ilícito a justificar indenização por danos morais. Dessa forma, para desconstituir a convicção formada pelas instâncias ordinárias a esse respeito, far-se-ia necessário incursionar no substrato fático-probatório dos autos, bem como na interpretação de cláusula contratual, o que é defeso a este Tribunal nesta instância especial, conforme se depreende do teor dos Enunciados sumulares n. 5 e 7 do STJ. A propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CONTRATO BANCÁRIO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO EM CARTÃO DE CRÉDITO. DOCUMENTOS QUE DEMONSTRAM A ASSINATURA DO CONTRATO. FATURAS QUE COMPROVAM SAQUE REALIZADO NO CARTÃO DE CRÉDITO. REEXAME CONTRATUAL E FÁTICO DOS AUTOS. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória e a interpretação de cláusulas contratuais (Súmulas n. 5 e 7/STJ). 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1372140/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 16/05/2019, DJe 21/05/2019) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO C/C REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. EQUIPARAÇÃO AO CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. NÃO CABIMENTO. CONTRATAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO LEGÍTIMA. REVISÃO DESSE ENTENDIMENTO. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Conforme assentado no acórdão recorrido, o contrato em questão não induz à conclusão de que seu objeto seria de empréstimo consignado, sujeito às menores taxas de juros do mercado. Diante disso não há como acolher a pretensão da parte autora de limitação da taxa de juros remuneratórios pela taxa média de mercado aplicada ao empréstimo pessoal consignado público, uma vez que a contratação cartão de crédito em questão se mostra legítima, tendo efetivamente utilizado do serviço contratado. 2. Para desconstituir a convicção formada pelas instâncias ordinárias a esse respeito, far-se-ia necessário incursionar no substrato fático-probatório dos autos, bem como na interpretação de cláusula contratual, o que é defeso a este Tribunal nesta instância especial, conforme se depreende do teor dos Enunciados sumulares n.5 e 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1518630/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 29/10/2019, DJe 05/11/2019) 4. Ademais, ajurisprudência desta Corte é assente no sentido de que os juros remuneratórios cobrados pelas instituições financeiras não sofrem a limitação imposta pelo Decreto nº 22.626/33 (Lei de Usura), a teor do disposto na Súmula 596/STF, de forma que a abusividade da pactuação dos juros remuneratórios deve ser cabalmente demonstrada em cada caso, com a comprovação do desequilíbrio contratual ou de lucros excessivos, sendo insuficiente o só fato de a estipulação ultrapassar 12% ao ano ou de haver estabilidade inflacionária no período. Esse posicionamento foi confirmado no julgamento do Resp n. 1.061.530 de 22.10.2008, afetado à Segunda Seção de acordo com o procedimento da Lei dos Recursos Repetitivos (Lei 11.672/08), sob a relatoria da Ministra Nancy Andrighi, ocasião em que se consolidaram as seguintes teses: a) as instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), Súmula 596/STF; b) a estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica cobrança abusiva; c) são inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591 c/c o art. 406 do CC/2002; d) é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a índole abusiva (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante as peculiaridades do julgamento concreto (REsp 1.061.530/RS, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, 2ª Seção, DJe, 10.3.2009). Do voto condutor do acórdão do repetitivo, merece destaque o seguinte trecho acerca da utilização da taxa média de mercado como parâmetro para avaliação da abusividade: A taxa média apresenta vantagens porque é calculada segundo as informações prestadas por diversas instituições financeiras e, por isso, representa as forças do mercado. Ademais, traz embutida em si o custo médio das instituições financeiras e seu lucro médio, ou seja, um "spread" médio. É certo, ainda, que o cálculo da taxa média não é completo, na medida em que não abrange todas as modalidades de concessão de crédito, mas, sem dúvida, presta-se como parâmetro de tendência das taxas de juros. Assim, dentro do universo regulatório atual, a taxa média constitui o melhor parâmetro para a elaboração de um juízo sobre abusividade. Como média, não se pode exigir que todos os empréstimos sejam feitos segundo essa taxa. Se isto ocorresse, a taxa média deixaria de ser o que é, para ser um valor fixo. Há, portanto, que se admitir uma faixa razoável para a variação dos juros. A jurisprudência, conforme registrado anteriormente, tem considerado abusivas taxas superiores a uma vez e meia (voto proferido pelo Min. Ari Pargendler no REsp 271.214/RS, Rel. p. Acórdão Min. Menezes Direito, DJ de 04.08.2003), ao dobro (Resp 1.036.818, Terceira Turma, minha relatoria, DJe de 20.06.2008) ou ao triplo (REsp 971.853/RS, Quarta Turma, Min.Pádua Ribeiro, DJ de 24.09.2007) da média. Todavia, esta perquirição acerca da abusividade não é estanque, o que impossibilita a adoção de critérios genéricos e universais. A taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central, constitui um valioso referencial, mas cabe somente ao juiz, no exame das peculiaridades do caso concreto, avaliar se os juros contratados foram ou não abusivos.(sem grifos no original) Vale, ainda, conferir: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATOS BANCÁRIOS. JUROS REMUNERATÓRIOS. TAXA MÉDIA DE MERCADO. SÚMULA 83/STJ. ABUSIVIDADE AFASTADA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Consoante a jurisprudência pacífica desta Corte Superior, é possível, de forma excepcional, a revisão da taxa de juros remuneratórios prevista em contratos de mútuo, sobre os quais incide a legislação consumerista, desde que a abusividade fique cabalmente demonstrada, mediante a colocação do consumidor em desvantagem exagerada, de acordo com as peculiaridades do julgamento em concreto. Acórdão recorrido que se alinhou ao entendimento desta Corte Superior. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. Para infirmar as conclusões do aresto combatido seria imprescindível o reexame de provas e a análise das cláusulas contratuais, notadamente acerca da equiparação do contrato de empréstimo consignado e o de cartão consignado, o que é inadmissível nesta instância extraordinária, sob pena de incidirem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1314653/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/10/2018, DJe 25/10/2018) 5. Ante o exposto, nego provimento ao agravo. Havendo nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se.