AREsp 2549335 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem, com base na análise do conjunto fático-probatório nos autos, concluiu pela regularidade da contratação do cartão de crédito consignado, pela existência de termo de adesão assinado e de saque/depósito demonstrando aceitação, pela...
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- Parties
- Recorrente: ANTONIO RODRIGUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Conheceu Do Agravo E Não Conheceu Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Cartão De Crédito Consignado, Ônus Da Prova, Vício De Consentimento, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Dever De Informação, Repetição De Indébito, Indenização Por Danos Morais
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Parties
ANTONIO RODRIGUES
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Conheceu Do Agravo E Não Conheceu Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 regularidade da contratação de cartão de crédito consignado
- 3 cumprimento do dever de informação pelo prestador de serviços
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem, com base na análise do conjunto fático-probatório nos autos, concluiu pela regularidade da contratação do cartão de crédito consignado, pela existência de termo de adesão assinado e de saque/depósito demonstrando aceitação, pela observância do dever de informação e das normas aplicáveis, não havendo provas mínimas de vício de consentimento; a modificação dessa convicção implicaria reexame de fatos e cláusulas contratuais vedado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial
Orders
- Majoro os honorários sucumbenciais em 2% do valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015
- Suspensão da exigibilidade dos honorários em razão do deferimento da gratuidade de justiça ao recorrente
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por ANTONIO RODRIGUES, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, para impugnar o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ANULATÓRIA DE CONTRATO JURIDICO C/C SUSPENSÃO DE DESCONTOS, INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. RECURSO DA PARTE AUTORA. ALEGAÇÃO DO CONSUMIDOR DE QUE PRETENDIA CONTRATAR EMPRÉSTIMO COM MARGEM CONSIGNADA E NÃO CARTÃO DE CRÉDITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGNADA. NÃO ACOLHIMENTO. CONTRATAÇÃO COMPROVADA NOS AUTOS. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.820/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS N. 28/2008. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MÍNIMA DO ALEGADO VÍCIO DE CONSENTIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS INICIAIS QUE SE IMPÕE. HONORÁRIOS RECURSAIS. CABIMENTO. RECURSO DESPROVIDO. Nas razões do recurso especial, o recorrente alegou violação aos arts. 373, I e II, do CPC/2015; 186 e 927 do CC; e 6º e 14 do CDC. Sustentou, em síntese, não ter o recorrido se desincumbido do seu ônus probatório, por ter deixado de apresentar o contrato e termo de ciência aptos a demonstrar que a parte autora aderiu ao contrato de cartão de crédito consignado de forma consciente. Defendeu que "o acórdão guerreado, infringiu o disposto no artigo 6º, inciso III do Código de Defesa do Consumidor, quanto ao dever do prestador de serviço em INFORMAR, de forma CLARA, sobre o contrato que os consumidores vierem a firmar. Pois é cristalino que a instituição recorrida, propositalmente ofertou contrato diverso do qual a recorrente desejava, por assim ser mais vantajoso ao recorrido". Busca, assim, a declaração de nulidade do contrato, com a consequente condenação do recorrido à restituição do valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, bem como ao pagamento de indenização por danos morais. O Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, ao realizar o juízo de admissibilidade, inadmitiu o processamento do apelo especial em virtude da incidência das Súmulas n. 5 e 7/STJ, o que ensejou a interposição do presente agravo. Brevemente relatado, decido. O tribunal de origem, analisando os termos do contrato e as provas constantes dos autos, concluiu que não houve ilegalidade na contratação ou falta de adequadas informações ao consumidor e, por conseguinte, rechaçou o pleito de condenação do banco recorrido, com base nos seguintes fundamentos: No caso, consta nos autos prova da contratação de cartão de crédito consignado com autorização para a reserva da margem consignável com informação clara acerca do negócio jurídico celebrado, das características dessa modalidade de cartão de crédito (doc. 19). Os documentos foram assinados pela parte aderente e não há impugnação quanto à autenticidade da assinatura. Além disso, também restou comprovado saque realizado por meio de depósito na conta da parte apelante, conforme comprovante de Transferência Eletrônica Disponível (doc 20). Afasto, desde já, eventual alegação de que os saques não foram solicitados, pois, não tendo o contratante devolvido o numerário depositado em sua conta tampouco consignado o valor em juízo, conclui-se que houve a aceitação, ainda que tácita. De outro lado, não há nos autos indícios mínimos de que tenha ocorrido divergência entre a vontade real da parte contratante e a vontade declarada no contrato do Cartão de Crédito com Reserva de Margem Consignável. Vale dizer, não há provas no sentido de que tenha ocorrido qualquer modalidade de vício de consentimento capaz de gerar a anulabilidade do contrato (Código Civil, arts. 138 a 157). Nesse passo, oportuno mencionar que o simples fato de se tratar de relação regida pelo Código de Defesa do Consumidor não conduz à procedência dos pedidos iniciais, tampouco isenta a consumidora de provar, mesmo que minimamente, os fatos alegados (vício de consentimento e existência de margem consignável para a contratação do empréstimo). Nessa toada, é o teor da Súmula 55 do TJSC: "A inversão do ônus da prova não exime o consumidor de trazer aos autos indícios mínimos do direito alegado na inicial quando a prova lhe diga respeito". Todas as circunstâncias dos autos apontam para a regularidade da contratação e a observância do dever de informação, haja vista a confecção de termo de adesão com cláusulas claras e compreensíveis. De mais a mais, a incidência de encargos, quando não há o correspondente pagamento total da fatura, não pode ser imputada como abusividade praticada pela instituição bancária. Primeiro porque sempre estará à disposição da consumidora a possibilidade de pagamento integral do valor indicado na fatura, hipótese em que estaria afastada a incidência de referidos encargos. Segundo porque, ainda que não ocorra o pagamento voluntário, o desconto da margem consignável (5%) irá, ao fim e ao cabo, quitar o valor da totalidade do cartão, nada obstante possa isso demorar algum tempo em razão da renda da consumidora ou mesmo da utilização do cartão para compras/saques complementares. Vale lembrar, ainda, que o financiamento automático do débito remanescente é regra geral estabelecida pela Resolução n. 4.549/2017 do Bacen. E, "de acordo com essa normativa, o cliente do cartão de crédito só pode pagar a fatura mínima uma única vez, sendo necessário que, nos meses subsequentes, caso não tenha condições de pagar a integralidade da dívida, contraia financiamento bancário com essa finalidade" (STJ, REsp n. 1.358.057/PR, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 22-5-2018, DJe 25-6-2018). Por fim, importante consignar que eventual não utilização do cartão de crédito "de plástico" não conduz à nulidade do pacto, pois basta uma leitura conjugada dos arts. 16 e 22 da Instrução Normativa INSS n. 28/2008 para concluir pela possibilidade do uso do cartão com a finalidade de saque, sendo dispensável o cartão de "plástico" quando o banco deposita o valor do crédito do cartão diretamente na conta do beneficiário. Isso posto, impõe-se a improcedência dos pedidos formulados na inicial, mantendo-se incólume a sentença objurgada, em conformidade com a jurisprudência da Corte Superior de Justiça que reconhece a legalidade da contratação de crédito consignado por aposentados e pensionistas .. . Nesse contexto, alterar as conclusões alcançadas pelo acórdão recorrido, acerca da ausência de ilícito praticado pela instituição financeira e, por conseguinte, da inexistência do dever de indenizar os prejuízos alegados pelo recorrente, demandaria a interpretação de cláusulas contratuais e o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado na via recursal especial conforme orientam as Súmulas 5 e 7 do STJ. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO C/C REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. CONTRATAÇÃO LEGÍTIMA. REVISÃO DESSE ENTENDIMENTO. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO AGRAVO. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. .. 2. O acórdão recorrido, amparado na análise dos elementos fático-probatórios dos autos, concluiu que o contrato em questão não induz à conclusão de que seu objeto seria de empréstimo consignado, tendo constado de forma clara e transparente a informação de que o crédito se referia a saque no cartão de crédito consignado e a utilização da margem consignável do consumidor seria para a amortização ou liquidação do saldo devedor do cartão, se mostrando legítima a contratação do cartão de crédito em questão, tendo a parte efetivamente utilizado do serviço contratado, não havendo falar em abusividade ou ausência de informação. 3. Para desconstituir a convicção formada pelas instâncias ordinárias a esse respeito, seria necessário incursionar no substrato fático-probatório dos autos, bem como na interpretação de cláusula contratual, o que é defeso a este Tribunal nesta instância especial, conforme se depreende do teor das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 3. Agravo interno a que se dá provimento para reconsiderar a decisão da Presidência desta Corte e negar provimento ao agravo em recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.980.044/SP, Relator o Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021.) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro os honorários sucumbenciais em 2% (dois por cento) do valor atualizado da causa, suspensa a exigibilidade em razão do deferimento da gratuidade de justiça ao recorrente. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO E EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. REEXAME DE FATOS E PROVAS E DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.