CC 208244 - DECISAO
Conforme o art. 267 do CPC/2015, a recusa do cumprimento de carta precatória só pode ocorrer nas hipóteses taxativas ali previstas (falta de requisitos legais, falta de competência por matéria ou hierarquia, dúvida sobre autenticidade), não estando presente qualquer desses óbices nos autos; por conseguinte, a carta...
Source-derived case information.
- Parties
- Suscitante: Juízo Federal da 39ª Vara do Juizado Especial de Itapeva SJ/SP; Suscitado: Juízo de Direito da Segunda Vara Cível de Capão Bonito - SP; Interveniente (opinou Pela Competência Do Juízo Suscitado): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2024
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Decisão (conhecimento E Declaração De Competência)
- Outcome
- Conheço do presente conflito e DECLARO COMPETENTE o Juízo de Direito da Segunda Vara Cível de Capão Bonito para o cumprimento da carta precatória.
- Legal Topics
- Carta Precatória, Competência, Cumprimento De Carta Precatória, Recusa De Cumprimento (art. 267 Cpc/2015), Cooperação Judiciária, Videoconferência, Resolução CNJ N. 326/2020
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Juízo Federal da 39ª Vara do Juizado Especial de Itapeva SJ/SP
Suscitante
Juízo de Direito da Segunda Vara Cível de Capão Bonito - SP
Suscitado
Ministério Público Federal
Interveniente (opinou Pela Competência Do Juízo Suscitado)
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Decisão (conhecimento E Declaração De Competência)
Legal Issues
- 1 se o juízo deprecado pode declinar do cumprimento de carta precatória para oitiva de testemunhas quando disponibiliza sala passiva para videoconferência
- 2 interpretação e aplicação do art. 267 do CPC/2015 quanto às hipóteses taxativas de recusa de cumprimento de carta precatória
- 3 se a carta precatória altera a competência do juízo deprecado
Ratio Decidendi
Conforme o art. 267 do CPC/2015, a recusa do cumprimento de carta precatória só pode ocorrer nas hipóteses taxativas ali previstas (falta de requisitos legais, falta de competência por matéria ou hierarquia, dúvida sobre autenticidade), não estando presente qualquer desses óbices nos autos; por conseguinte, a carta precatória deve ser cumprida pelo juízo deprecado. Com fundamento no art. 34, XXII, do RISTJ, conheceu-se do conflito e declarou-se competente o Juízo de Direito da Segunda Vara Cível de Capão Bonito para o cumprimento da carta precatória.
Court Disposition
Conheço do presente conflito e DECLARO COMPETENTE o Juízo de Direito da Segunda Vara Cível de Capão Bonito para o cumprimento da carta precatória.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de conflito negativ o de competência instaurado entre o Juízo Federal da 39ª Vara do Juizado Especial de Itapeva SJ/SP e o Juízo de Direito da Segunda Vara Cível de Capão Bonito - SP no tocante ao cumprimento de carta precatória oriunda de demanda previdenciária. Segundo se colhe dos autos, o Juízo suscitado declinou da competência para cumprir a carta precatória para realização de oitiva de testemunhas, em cumprimento à determinação contida na Resolução CNJ n. 326/2020, colocando uma "sala passiva" da aludida Comarca para o juízo deprecante realizar a oitiva por videoconferência (e-STJ fl. 98). O Juízo Federal, por sua vez, suscitou o presente conflito, por entender que o juízo deprecado deve ser responsável pelo cumprimento de carta precatória, nos termos do art. 267 do CPC/2015, o qual dispõe, taxativamente, sobre as hipóteses de recusa de cumprimento ou devolução das precatórias (e-STJ fls. 4/7). O Ministério Público Federal opinou pela competência do juízo suscitado (e-STJ fls. 50/54). Passo a decidir. A dicção do art. 34, XXII, do RISTJ permite ao relator "decidir o conflito de competência quando for inadmissível, prejudicado ou quando se conformar com tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral, a entendimento firmado em incidente de assunção de competência, a súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal, a jurisprudência dominante acerca do tema ou as confrontar". Considerado isso, é cediço que a carta precatória "é um meio de cooperação judiciária para a prática de atos judiciais, nos termos do que se depreende do art. 237, III, do CPC/2015, que não tem o condão de modificar a competência" (CC 186.137/PR, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgado em 8/11/2023, DJe de 16/11/2023.) Nesse contexto, o Superior Tribunal de Justiça possui a compreensão de que o art. 267 do CPC/2015 é taxativo nas hipóteses de recusa para o cumprimento de carta precatória: Art. 267. O juiz recusará cumprimento a carta precatória ou arbitral, devolvendo-a com decisão motivada quando: I - a carta não estiver revestida dos requisitos legais; II - faltar ao juiz competência em razão da matéria ou da hierarquia; III - o juiz tiver dúvida acerca de sua autenticidade. No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CARTA PRECATÓRIA EXPEDIDA PELO JUÍZO FEDERAL. OITIVA DE TESTEMUNHAS. RECUSA INFUNDADA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DEPRECADO. SÚMULA 3/STJ. INAPLICABILIDADE. 1. A competência conferida aos juízos estaduais pelo art. 237, parágrafo único, do CPC/2015 para o cumprimento ou efetivação de cartas precatórias expedidas por juízos federais, constitui, em verdade, ato de cooperação limitado a uma finalidade específica, não se confundindo com a delegação para o julgamento da causa na forma do art. 109, §3º, da Carta Magna. Inaplicabilidade da Súmula 3/STJ. 2. Nos termos do art. 267 do CPC/2015 a carta precatória pode ser recusada pelo Juízo deprecado, por decisão motivada, caso: (i) não esteja revestida dos requisitos legais; (ii) falte ao juiz competência em razão da matéria ou da hierarquia; ou, ainda, (iii) o juiz tenha dúvida acerca de sua autenticidade. Na hipótese dos autos, nenhum desses óbices foi apontado pelo Juízo Suscitado. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no CC n. 196.646/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 17/10/2023, DJe de 20/10/2023.) (Grifos acrescidos). Assim, não estando presente nenhuma hipótese legal de recusa, a carta precatória deve ser cumprida pelo juízo deprecado. Ante o exposto, com base no art. 34, XXII, do RISTJ, CONHEÇO do presente conflito para DECLARAR COMP ETENTE o Juízo de Direito da Segunda Vara Cível de Capão Bonito para o cumprimento da carta precatória . Publique-se. Intimem-se. EMENTA