CC 207669 - DECISAO
O juízo deprecado só pode recusar a carta precatória quando presente hipótese do art. 267 do CPC/2015; inexistindo tal hipótese na espécie, a recusa não se justifica, devendo o ato processual deprecado ser cumprido pelo juízo suscitado, independentemente da Resolução CNJ nº 326/2020 que não altera o rol de recusa...
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- Parties
- Suscitante: MM. Juiz Federal da 1ª Vara do Juizado Especial Cível de Itapeva - SJ/SP; Réu: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Suscitado: MM. Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Capão Bonito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2025
- Procedural Posture
- Conflito De Competência / Decisão De Conhecimento E Acolhimento
- Outcome
- Conheço e acolho o conflito de competência para declarar competente o MM. Juiz de Direito da 2ª Vara de Capão Bonito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para cumprimento da carta precatória.
- Legal Topics
- Carta Precatória, Videoconferência, Recusa De Cumprimento, Competência
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Parties
MM. Juiz Federal da 1ª Vara do Juizado Especial Cível de Itapeva - SJ/SP
Suscitante
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Réu
MM. Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Capão Bonito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Suscitado
Procedural Posture
Conflito De Competência / Decisão De Conhecimento E Acolhimento
Legal Issues
- 1 Competência para cumprimento de carta precatória
- 2 Hipóteses de recusa do juízo deprecado previstas no art. 267 do CPC/2015
- 3 Obrigatoriedade versus faculdade da prática de atos por videoconferência
Ratio Decidendi
O juízo deprecado só pode recusar a carta precatória quando presente hipótese do art. 267 do CPC/2015; inexistindo tal hipótese na espécie, a recusa não se justifica, devendo o ato processual deprecado ser cumprido pelo juízo suscitado, independentemente da Resolução CNJ nº 326/2020 que não altera o rol de recusa previsto no CPC.
Court Disposition
Conheço e acolho o conflito de competência para declarar competente o MM. Juiz de Direito da 2ª Vara de Capão Bonito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para cumprimento da carta precatória.
Orders
- Declarar competente o MM. Juiz de Direito da 2ª Vara de Capão Bonito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para cumprimento da carta precatória.
- Intime-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, Conflito de Competência suscitado pelo MM. Juiz Federal da 1ª Vara do Juizado Especial Cível de Itapeva - SJ/SP, nos autos da Ação Previdenciária ajuizada em face do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. Apura-se dos autos que o Juiz Suscitante expediu carta precatória para oitiva de testemunha residente na Comarca do MM. Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Capão Bonito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ora suscitado, afim de instruir ação previdenciária em curso naquele juízo. O MM. Juiz de Direito suscitado recusou o cumprimento da carta precatória, sob fundamento de que, em cumprimento a determinação contida na Resolução CNJ nº 326/2020, colocou a sala passiva da Comarca à disposição do juízo deprecante possibilitando a oitiva de testemunhas lá residentes. O suscitante, por sua vez, defendeu que: i) o Código de Processo Civil, acerca do tema, faculta a possibilidade de realização de oitiva das testemunhas por videoconferência, não se tratando, pois, de imposição legal, de modo que, ao pretender obrigar os juízes a adotarem como regra esse sistema, a Resolução em apreço transborda dos limites regulamentares que lhe são permitidos pela legislação a que se subordina; ii) as situações de recusa de cumprimento ou devolução de carta precatória encontram-se no rol taxativo do art. 267do CPC, inexistentes no presente caso; suscitando o presente conflito. É o relatório. Passo a decidir. Sobre o tema dos autos, a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça está assentada no sentido de que o juízo deprecado não é o da causa, mas o simples executor dos atos deprecados, s omente cabendo recusa e a devolução da precatória nos casos previstos no art. 267 do Código de Processo Civil/2015. Nesse sentido, reiteradamente, vem decidindo este Tribunal: CONFLITO DE COMPETÊNCIA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. OITIVA DE TESTEMUNHA. CARTA PRECATÓRIA. VIDEOCONFERÊNCIA. NÃO OBRIGATORIEDADE. RECUSA INFUNDADA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DEPRECADO. I - O art. 267 do CPC/2015 possui rol taxativo de recusa para o cumprimento de carta precatória. II - A prática de atos processuais por videoconferência é uma faculdade do juízo deprecante, não competindo ao juízo deprecado a determinação de forma diversa da realização de audiência. III - Conflito de competência conhecido para declarar competente para a causa o Juízo Federal da 2ª Vara do Juizado Especial Cível e Criminal de Pouso Alegre/MG. (CC 165.381/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 12/6/2019, DJe de 14/6/2019). AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. CARTA PRECATÓRIA. RECUSA. NÃO CABIMENTO. HIPÓTESE NÃO PREVISTA NO ART. 267 DO CPC. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DEPRECADO. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O Juízo deprecado só pode recusar o cumprimento da carta precatória quando evidenciada uma das hipóteses previstas no art. 267 do Novo Código de Processo Civil, o que não ocorreu na espécie. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no CC 158.878/ES, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Terceira Seção, julgado em 22/8/2018, DJe de 27/8/2018). Assim, da análise dos autos, apura-se que o motivo da devolução da carta precatória não está abarcado pelas possibilidades legais de recusa, razão pela qual, o ato processual deprecado referente à oitiva das testemunhas que residem na Comarca de Capão Bonito/SP, deverá ser cumprido pelo Juiz suscitado. Isso posto, conheço e acolho o presente conflito de competência para declarar competente para o cumprimento da carta precatória, o MM. Juiz de Direito da 2ª Vara de Capão Bonito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Intime-se. EMENTA