CR 18881 - DECISAO
Concedeu-se o exequatur porque a carta rogatória não ofende a soberania nacional, a dignidade da pessoa humana ou a ordem pública e porque a diligência requerida (intimação pessoal do interessado) foi cumprida por oficial de justiça, tornando consumado o objeto da comissão; assim, por força dos arts. 216-O, 216-P e...
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- Parties
- Justiça Rogante: Supremo Tribunal Federal de Investigação Preparatória da República do Peru; Interessado: ROBERTO CARLOS GOMEZ HERRERA; Curadora Especial: Defensoria Pública da União; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 June 2024
- Procedural Posture
- Carta Rogatória / Decisão De Exequatur
- Outcome
- Exequatur concedido; autos devolvidos à Justiça rogante por intermédio da autoridade central competente, independentemente do trânsito em julgado.
- Legal Topics
- Carta Rogatória, Exequatur, Intimação, Devolução Dos Autos
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Parties
Supremo Tribunal Federal de Investigação Preparatória da República do Peru
Justiça Rogante
ROBERTO CARLOS GOMEZ HERRERA
Interessado
Defensoria Pública da União
Curadora Especial
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Carta Rogatória / Decisão De Exequatur
Legal Issues
- 1 Se deve ser concedido o exequatur à carta rogatória estrangeira
- 2 Se a diligência de notificação solicitada foi cumprida e se há nulidade por ausência de citação pessoal
Ratio Decidendi
Concedeu-se o exequatur porque a carta rogatória não ofende a soberania nacional, a dignidade da pessoa humana ou a ordem pública e porque a diligência requerida (intimação pessoal do interessado) foi cumprida por oficial de justiça, tornando consumado o objeto da comissão; assim, por força dos arts. 216-O, 216-P e 216-X do RISTJ, determinou-se a devolução dos autos à Justiça rogante por intermédio da autoridade central competente, independentemente do trânsito em julgado.
Court Disposition
Exequatur concedido; autos devolvidos à Justiça rogante por intermédio da autoridade central competente, independentemente do trânsito em julgado.
Orders
- Concedo o exequatur.
- Determino a devolução dos autos à Justiça rogante por intermédio da autoridade central competente, independentemente do trânsito em julgado.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de carta rogatória por meio da qual a Justiça peruana (Supremo Tribunal Federal de Investigação Preparatória da República do Peru) solicita que se proceda à notificação pessoal de ROBERTO CARLOS GOMEZ HERRERA, no âmbito da Investigação Preparatória n. 0028-2020-15-5001-JS-PE-01, pela suposta prática de crime contra a administração pública - tráfico de influências em detrimento do Estado peruano. O interessado se encontra custodiado no Complexo Penitenciário Ribeirão das Neves - MG, local em que foi intimado por oficial de justiça, em 12 de junho de 2023 (fls. 4.739). Transcorreu in albis o prazo para apresentar impugnação (fl. 4.751). A Defensoria Pública da União, na qualidade de curadora especial, manifestou-se pela não concessão do exequatur. Afirmou que, de acordo com o art. 370 do Código de Processo Penal, as intimações deveriam observar, no que fosse aplicável, o disposto no Capítulo I do Título X da legislação processual. Invocou a nulidade do procedimento por ausência de citação pessoal do interessado , nos termos dos art. 351 e seguintes do CPP. Assim, requereu a intimação pessoal do interessado, inclusive com a utilização de oficial de justiça (fls. 4.781-4.782). O Ministério Público Federal opinou pela devolução do processo, já que cumprida a diligência rogada (fls. 4.787-4.791). É o relatório. Decido. Não prosperam os argumentos aduzidos pela Defensoria Pública da União. Anoto que a intimação inicial não teve por objeto a própria diligência rogada, mas sim a ciência do requerido quanto à distribuição do pedido cooperatório pela Justiça estrangeira. Assim, é crucial que o requerido tome ciência dos termos da decisão proferida pela autoridade estrangeira, até mesmo para que possa adotar as medidas processuais que considerar necessárias, viabilizando, assim, o exercício de seu direito à ampla defesa. Desse modo, o objeto da presente carta rogatória não atenta contra a soberania nacional, a dignidade da pessoa humana e/ou a ordem pública, razão pela qual, com fundamento no art. 216-O, c/c o art. 216-P do RISTJ, concedo o exequatur. Diante do êxito na intimação pessoal por oficial de justiça da parte interessada (fl. 4.739), considero consumado o objeto da comissão, sendo desnecessária a remessa dos autos à Justiça Federal. Confira-se o seguinte precedente da Corte Especial: AGRAVO INTERNO NA CARTA ROGATÓRIA. INTIMAÇÃO PRÉVIA, VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO ASSINADO PELO PRÓPRIO INTERESSADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À JUSTIÇA ROGANTE ANTE O CUMPRIMENTO DA DILIGÊNCIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Como a parte Interessada assinou o aviso de recebimento da intimação prévia, conclui-se que esteja ciente da notificação objeto da rogatória, uma vez que acompanhada de cópia integral dos autos. 2. Consumada a diligência requerida, desnecessária a remessa dos autos à Justiça Fe deral, motivo pelo qual eles devem ser devolvidos à Justiça rogante, por intermédio da autoridade central competente. 3. Agravo interno desprovido. (AgRg na CR n. 11.262/EX, relatora Ministra Laurita Vaz, DJe de 14/9/2017.) Ante o exposto, com fundamento no art. 216-X do RISTJ, determino a devolução dos autos à Justiça rogante por intermédio da autoridade central competente, independentemente do trânsito em julgado. Publique-se. EMENTA