CR 21497 - DECISAO
Concedeu-se o exequatur porque a carta rogatória que visa à comunicação de ato processual é admissível e não atenta contra a soberania nacional, a ordem pública ou direitos fundamentais; a intimação preliminar não tinha por objeto a diligência rogada; com fundamento nos arts. 216-O e 216-P do RISTJ, os autos foram...
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- Parties
- Justiça Estrangeira Requerente: Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal - Juízo de Competência Genérica de Sesimbra - Juiz 2; Notificado/interessado: João Paulo Soares; Interveniente: Defensoria Pública da União; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 December 2025
- Procedural Posture
- Carta Rogatória / Exequatur Concedido
- Outcome
- Exequatur concedido
- Legal Topics
- Carta Rogatória, Exequatur, Notificação Pessoal, Intimação, Devido Processo Legal, Ampla Defesa, Contraditório
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Parties
Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal - Juízo de Competência Genérica de Sesimbra - Juiz 2
Justiça Estrangeira Requerente
João Paulo Soares
Notificado/interessado
Defensoria Pública da União
Interveniente
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Carta Rogatória / Exequatur Concedido
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de comunicação de ato processual por carta rogatória
- 2 Se a notificação pessoal mediante carta rogatória atenta contra a soberania nacional, ordem pública ou direitos constitucionais
- 3 Se a intimação preliminar supriu ou não a diligência rogada
Ratio Decidendi
Concedeu-se o exequatur porque a carta rogatória que visa à comunicação de ato processual é admissível e não atenta contra a soberania nacional, a ordem pública ou direitos fundamentais; a intimação preliminar não tinha por objeto a diligência rogada; com fundamento nos arts. 216-O e 216-P do RISTJ, os autos foram remetidos ao Juízo Federal competente para cumprimento da diligência requerida.
Court Disposition
Exequatur concedido
Orders
- Concedo o exequatur.
- Remeta-se a comissão à Justiça Federal, Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, para as providências cabíveis.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Carta Rogatória por meio da qual a Justiça portuguesa (Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal - Juízo de Competência Genérica de Sesimbra - Juiz 2) solicita que se proceda à notificação pessoal de João Paulo Soares dos termos da sentença que o condenou pela prática dos crimes de condução de veículo sem habilitação legal e em estado de embriaguez nos autos do Processo 288/07.6GTSTB, a fim de, se quiser, interpor recurso no prazo de 30 (trinta) dias. As intimações prévias foram infrutíferas, conforme os documentos postais de fls. 30-31, 36-37 e 47-48. A Defensoria Pública da União manifestou-se às fls. 61-63 e requereu a não concessão do exequatur por entender que a intimação pessoal não foi concretizada. O Ministério Público Federal opinou pela concessão da medida com a notificação da parte interessada do seu direito à impugnação tardia. É o relatório. Decido. Não prosperam os argumentos aduzidos pela Defensoria Pública da União. Anoto que a intimação inicial não teve por objeto a própria diligência rogada, mas, sim, a ciência do requerido quanto à distribuição do pedido de cooperação da Justiça estrangeira. De qualquer modo, os autos serão remetidos ao Juízo Federal competente para que se dê cumprimento à diligência requerida, nos termos do art. 216-V do RISTJ. Assim, caso venha a ser pessoalmente notificado, o requerido poderá, caso queira, impugnar os requisitos para o processamento da rogatória. Quanto à diligência, trata-se de comunicação de ato processual, o que não contraria os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. A solicitação de cumprimento de sentença estrangeira não pode ser confundida com Carta Rogatória, que é a hipótese dos autos. Assim, "o mero procedimento citatório não produz qualquer efeito atentatório à soberania nacional ou à ordem pública, apenas possibilita o conhecimento da ação que tramita perante a justiça alienígena e faculta a apresentação de defesa" (AgRg na CR 10.849-7, Relator Ministro Maurício Corrêa, DJ de 21.5.2004). Precedente do STJ: CARTA ROGATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL. OFENSA À ORDEM PÚBLICA E À SOBERANIA NACIONAL. INOCORRÊNCIA. - Não se exige, tanto na legislação brasileira quanto na americana, que o ato citatório venha acompanhado de todos os documentos mencionados na petição inicial. Não há falar, desse modo, em violação dos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. - A prática de ato de comunicação processual é plenamente admissível em carta rogatória. A simples citação, por si só, não apresenta qualquer situação de afronta à ordem pública ou à soberania nacional, destinando-se, apenas, a dar conhecimento da ação em curso para permitir a defesa da interessada. Agravo regimental improvido. (AgRg na CR 535/EX, Relator Ministro Barros Monteiro, DJ de 11.12.2006) Considerando, portanto, que esta Carta Rogatória não atenta contra a soberania nacional, a dignidade da pessoa humana ou a ordem pública e com fundamento nos arts. 216-O e 216-P do RISTJ, concedo o exequatur. Assim, remeta-se a comissão à Justiça Federal, Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais , para as providências cabíveis. Recomenda-se que, na hipótese de o interessado não vir a ser localizado, o Juízo promova as diligências necessárias à obtenção do endereço atualizado, notadamente em órgãos públicos e em concessionárias de serviços públicos (como água, energia e telefonia). Cumpra-se a diligência em 60 dias. Após, devolvam-se os autos ao STJ para que sejam enviados ao país de origem por meio da autoridade central competente. Publique-se. EMENTA