REsp 1921037 - DECISAO
Conheceu-se em parte do Recurso Especial, mas negou-se-lhe provimento porque o recurso impugna decisão interlocutória que julgou questão de tutela de urgência e o Recorrente não demonstrou violação direta ao art. 300 do CPC/2015 necessária para afastar o óbice da Súmula 735/STF (aplicada por analogia). Além disso, o...
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- Parties
- Recorrente: DILTON PEREIRA DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática De Relator (conhecimento Em Parte E Negação De Provimento)
- Outcome
- CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO.
- Legal Topics
- Cassação De Aposentadoria, Tutela De Urgência/antecipação De Tutela, Precedentes Vinculantes E Erga Omnes, Controle Difuso De Constitucionalidade, Repercussão Geral, Embargos De Declaração, Admissibilidade De Recurso Especial, Art. 300 Do Cpc/2015, Súmula 735/stf
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Parties
DILTON PEREIRA DOS SANTOS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática De Relator (conhecimento Em Parte E Negação De Provimento)
Legal Issues
- 1 Se a pena de cassação de aposentadoria é constitucional e se precedentes do STF proferidos em controle difuso possuem efeitos vinculantes e erga omnes aplicáveis ao caso
- 2 Se houve omissão no acórdão recorrido/embargos de declaração quanto ao princípio da não surpresa e à adoção de precedentes do STF
- 3 Se é cabível Recurso Especial contra decisão que analisa pedido de tutela de urgência/antecipação de tutela
Ratio Decidendi
Conheceu-se em parte do Recurso Especial, mas negou-se-lhe provimento porque o recurso impugna decisão interlocutória que julgou questão de tutela de urgência e o Recorrente não demonstrou violação direta ao art. 300 do CPC/2015 necessária para afastar o óbice da Súmula 735/STF (aplicada por analogia). Além disso, o tribunal de origem enfrentou o tema e os embargos de declaração não demonstraram omissão ou erro material nos termos do art. 1.022 do CPC/2015, justificando a manutenção do julgado que acolheu precedentes do STF sobre a matéria.
Court Disposition
CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO.
Orders
- Conheço em parte do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
- Publique-se e intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por DILTON PEREIRA DOS SANTOScontra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais no julgamento de agravo de instrumento, assim ementado (fls. 2859e): AGRAVO DE INSTRUMENTO -AÇÃO ANULATÓRIA -SERVIDOR PÚBLICO -CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA -POSSIBILIDADE -PRECEDENTES. 1 -A tutela de urgência reclama a presença de pressupostos objetivos claros que sinalizem a pertinência da pretensão de fundo. 2 -A aplicação de pena de cassação de aposentadoria de servidor não encerra inconstitucionalidade, porque ela não pode servir de escudo para impunidade de quem pratica faltas gravíssimas. Precedente. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 2899/2904e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: i) Arts. 489, §1º, IV, 937e 1.022, II, do Código de Processo Civil- houve omissão no acórdão recorrido, que acabou por ocasionar um erro material, ao terem deixado de intimar as partes para se manifestarem acerca da possibilidade de atribuição de efeito vinculante e erga omnes aos precedentes do Supremo Tribunal, proferidos em sede de controle difuso, que declararam a constitucionalidade da pena de cassação de aposentadoria. No caso, a Turma Julgadora deu prevalência aos precedentes do Supremo Tribunal Federal citados pelo relator em detrimento dos julgados oriundos do Órgão Especial do TJMG, que haviam reconhecido a inconstitucionalidade da penalidade de cassação de aposentadoria; e ii) Art. 927 do Código de Processo Civil - a Turma Julgadora deu prevalência aos precedentes do Supremo Tribunal Federal citados pelo relator em detrimento aos julgados oriundos do Órgão Especial do TJMG, que haviam reconhecido a inconstitucionalidade da penalidade de cassação de aposentadoria. Ademais,ainda que se entendesse que algum dos precedentes citados enfrentou o tema à luz das Emendas Constitucionais nº 20/1998 e 41/2003, é certo que nenhum deles seria vinculante, como entendeu a Turma Julgadora, com esteio no julgamento das ADIns nº 3.406 e 3.470. Para ter força vinculante,é necessário que a decisão se dê em âmbito derepercussão geral ou de recurso extraordinário repetitivo. No que se refere à constitucionalidade da penalidade de cassação de aposentadoria,não há qualquer julgado formado no âmbito da sistemática da repercussão geral e dos recursos extraordinários repetitivos que tenha julgado a matéria, sobretudo à luz da contributividade. Comcontrarrazões (fls. 2955/2974e), o recurso foi inadmitido (fl. 2978/2982e), tendo sido interposto Agravo, convertido, posteriormente, em Recurso Especial (fls. 3178e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a negar provimento a recurso ou a pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Não obstante impugne acórdão proferido em agravo de instrumento, entendo relevante registrar o cabimento do presente recurso especial, porquanto ausente a possibilidade de modificação do decisum originário, considerando não se tratar de decisão precária. Portanto, a insurgência endereçada à Corte é o caminho apropriado para impedir a preclusão da matéria. O Recorrente sustenta a existência de omissão no acórdão recorrido, não sanada no julgamento dos embargos de declaração, porquanto não houve manifestação quanto ao princípio da não surpresa que ocasionou erro material consistente na inaplicabilidade dos precedentes do STF, por não possuírem caráter vinculante, e nem terem analisado a pena de cassação de aposentadoria à luz da contributividade. Ao prolatar o acórdão mediante o qual os embargos de declaração foram analisados, o tribunal de origem enfrentou a controvérsia no sentido de que(fls. 2899/2904e): No caso, não se vislumbra a presença de quaisquer vícios no acórdão vergastado. Inexiste ofensa ao princípio da não surpresa, pois, no agravo de instrumento, o Embargante ancorou sua tese no precedente que lhe favoreceu, oriundo do Órgão Especial deste Tribunal de Justiça, ao passo que o Embargado suscitou, em contraminuta recursal,o entendimento do Supremo Tribunal Federal. (..) O Colegiado, ao analisar o caso, apreciando as questões levantadas, acolheu a tese apresentada pelo Embargado. Também não merece prosperar o argumento de que há erro material no acórdão. Primeiramente, porque o acórdão trabalhou especificamente o tema debatido na irresignação do Embargante: "(..)É bem verdade que a orientação do Órgão Especial deste Tribunal é no sentido de que é inconstitucional a aplicação da pena de cassação de aposentadoria ao servidor público inativo, em virtude do caráter contributivo do regime próprio de previdência. Nesta linha de raciocínio, como afirma o agravante, a observância deste entendimento seria, em princípio, vinculante, a teor do art. 927, V, do CPC. Nada obstante, conforme bem pontuado no voto condutor, a orientação dos Tribunais de Superposição é firme no sentido exatamente contrário, de que é constitucional a pena de cassação de aposentadoria, ainda que o regime previdenciário esteja revestido de caráter contributivo. Em vários precedentes, o Supremo Tribunal Federal realizou controle incidental de constitucionalidade, declarando a compatibilidade desta sanção administrativa com o art. 40 da CF/88. Nesta toada, em verdadeira mutação constitucional ao conteúdo e alcance da norma incerta no art. 52, X, da CF/88, quando do julgamento das paradigmáticas ADIns nº. ADIns 3.406 e 3.470 (Info. Nº. 886), aquela Corte Suprema alterou o seu entendimento no sentido de que o controle de constitucionalidade difuso por ela exercido também teria efeitos vinculantes e erga omnes. (..)" No ponto, salienta-se que não constou nas ADIns nº. 3.406 e 3.470as restrições à aplicabilidade do entendimento nelas fixado, que foram aventadas pelo Embargante. Em segundo lugar, o Embargante sustentou a inaplicabilidade dos precedentes do Supremo Tribunal Federal com base na premissa de que, apesar de recentes, nunca levaram em consideração alterações proporcionadas pelas Emendas Constitucionais nº 20/1998 e 41/2003. A própria análise dessa questão extrapola o escopo dos embargos de declaração. Isso mostra que não foram apontados erros materiais, mas supostas incorreções do próprio conteúdo decisório. Ora, eventual inconformismo com os termos da decisão colegiada deve ser externado em recurso próprio, que não se confunde com a estreita via dos embargos. No caso, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da controvérsia e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, o precedente da Primeira Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). E depreende-se da leitura do acórdão integrativo que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgRg nos EREsp 1.431.157/PB, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de 29.06.2016; 1ª Turma, EDcl no AgRg no AgRg no REsp 1.104.181/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe de 29.06.2016; e 2ª Turma, EDcl nos EDcl no REsp 1.334.203/PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 24.06.2016). Por outro lado, verifico que o Recorrente busca o reexame de decisão cujo objeto é a concessão de provimento de urgência, o que é vedado pela aplicação analógica da Súmula n. 735 do Supremo Tribunal Federal (não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar). Com efeito, esta Corte encampa orientação segundo a qual, em regra, não é cabível recurso especial contra decisão proferida em sede de liminar ou antecipação de tutela, porquanto sua natureza é precária, conforme os julgados assim ementados: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONCURSO PÚBLICO. CARGO DE ENGENHEIRO DE PETRÓLEO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA CONCEDIDA PARA PARTICIPAÇÃO EM CURSO DE FORMAÇÃO. PRETENSÃO DE REEXAME DA VEROSSIMILHANÇA DA ALEGAÇÃO E DE FUNDADO RECEIO DE DANO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL REPARAÇÃO QUE IMPLICA NO REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PRONUNCIAMENTO DEFINITIVO. APLICAÇÃO ANALÓGICA DA SÚMULA 735/STF. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. AGRAVO REGIMENTAL DA PETROBRÁS DESPROVIDO. 1. Não se configura violação ao art. 535 do CPC quando o Tribunal de Origem aprecia fundamentadamente a controvérsia, não estando obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram, mas apenas as questões relevantes e imprescindíveis à resolução da causa. 2. Analisar a satisfação dos requisitos necessários para a concessão da tutela antecipada - verossimilhança da alegação e fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação - depende de revolvimento do conjunto fático-probatório da causa, o que não prospera na via especial por força do óbice estatuído na súmula 7 do STJ . 3. Esta Corte, em sintonia com o disposto na Súmula 735 do STF, entende que, via de regra, não é cabível Recurso Especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em razão da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo, não havendo pronunciamento definitivo que possa configurar violação à legislação federal. 4. Agravo Regimental da PETROBRÁS desprovido. (AgRg no AREsp 235.239/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2015, DJe 05/02/2016 - destaque meu). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MILITAR TEMPORÁRIO. REINTEGRAÇÃO COMO ADIDO, PARA TRATAMENTO MÉDICO. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. REQUISITOS. QUESTÃO DE MÉRITO AINDA NÃO JULGADA, EM ÚNICA OU ÚLTIMA INSTÂNCIA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 735/STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Trata-se de Agravo interno interposto em 12/04/2016, contra decisão monocrática, publicada em 07/04/2016. II. Na origem, trata-se de Agravo de Instrumento, interposto pela UNIÃO, contra decisão que, nos autos de ação ordinária, proposta pelo ora agravante, deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, para determinar a reintegração do demandante militar temporário, como agregado, na condição de adido, para continuar recebendo tratamento médico-hospitalar. III. Na forma da jurisprudência desta Corte, "não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em razão da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmada ou revogada pela sentença de mérito" (STJ, AgRg no AREsp 438.485/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 17/02/2014). Aplica-se, na espécie, por analogia, a Súmula 735 do STF: "Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar". IV. Com efeito, "o apelo especial interposto contra acórdão que julga antecipação de tutela ou liminar deve limitar-se aos dispositivos relacionados aos requisitos da tutela de urgência. É que nessa fase processual, os normativos apenas são submetidos a um juízo precário de mera verossimilhança, sendo passível de modificação em momento oportuno, somente havendo "causa decidida em única ou última instância" após o julgamento definitivo. Incidência do enunciado da Súmula 735/STF: "Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar"" (STJ, AgRg no REsp 1.371.015/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/12/2015). V. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.554.028/PE, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/06/2016, DJe 24/06/2016 - destaque meu). Oportuno sublinhar ser possível, em tese, a mitigação desse enunciado sumular e, por conseguinte, a admissibilidade do Recurso Especial, especificamente na hipótese em que indicada a ofensa direta à lei federal que disciplina a tutela provisória (art. 300 do CPC/2015, correspondente ao art. 273 do CPC/1973), como espelham os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. CONCESSÃO DE USO. INDEFERIMENTO DE LIMINAR. PRONUNCIAMENTO NÃO DEFINITIVO INIDÔNEO À VIOLAÇÃO DA LEGISLAÇÃO FEDERAL. APLICAÇÃO ANALÓGICA DA SÚMULA 735/STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Esta Corte, em sintonia com o disposto na Súmula 735 do STF (Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar), entende que, via de regra, não é cabível Recurso Especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em razão da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmada ou revogada pela sentença de mérito. Apenas violação direta ao dispositivo legal que disciplina o deferimento da medida autorizaria o cabimento do Recurso Especial, no qual não é possível decidir a respeito da interpretação dos preceitos legais que dizem respeito ao mérito da causa. 2. No caso concreto, veiculou o Apelo Nobre a violação ao art. 42, §§ 2º e 3º da Lei 8.987/95, que traz disciplina da concessão de uso, argumentando-se ser cabível a concessão da liminar pleiteada com base nesses dispositivos, o que é incabível apreciar em sede de Apelo Especial, nos termos do óbice explicitado. 3. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no REsp 1.262.943/RJ, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 31/03/2016 - destaque meu). AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ACÓRDÃO QUE DEFERIU ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. ANÁLISE DO MÉRITO DA DEMANDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 735/STF. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. 1. Em recurso especial contra acórdão que nega ou concede medida cautelar ou antecipação da tutela, a questão federal passível de exame é apenas a que diz respeito aos requisitos da relevância do direito e do risco de dano, previstos nos arts. 804 e 273 do Código Processo Civil. 2. Segundo a jurisprudência pacífica deste Tribunal, a verificação da presença ou não dos pressupostos para o deferimento da antecipação de tutela demanda a incursão no conjunto fático-probatório dos autos, diligência vedada na via especial, em razão do óbice contido na Súmula 7 do STJ. 3. Aplicação analógica da Súmula 735 do Supremo Tribunal Federal: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 406.477/MA, Relator Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe 27/03/2014 - destaque meu). AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 535 DO CPC/73. VIOLAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. TEORIA DA ASSERÇÃO. TUTELA. ANTECIPAÇÃO. REEXAME. SÚMULAS NS. 7/STJ E 735/STF. REVALORAÇÃO DA PROVA. PRETENSÃO. REEXAME. NÃO PROVIMENTO. (..) 3. O STJ, em sintonia com o disposto no enunciado da Súmula 735 do STF, entende que, via de regra, não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em razão da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmada ou revogada pela sentença de mérito. Apenas violação direta ao dispositivo legal que disciplina o deferimento da medida autorizaria o cabimento do recurso especial, no qual não é possível decidir a respeito da interpretação dos preceitos legais que dizem respeito ao mérito da causa. Precedentes. (..) 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.179.223/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 09/03/2017, DJe 15/03/2017 - destaque meu). O presente recurso, entretanto, não pode ser conhecido, porquanto não apontada violação ao art. 300 do Código de Processo Civil de 2015, consoante aduz o próprio Recorrente, às fls. 2909/2911e, nos seguintes termos: Trata-se de Agravo de Instrumento interposto contra a decisão proferida pelo juízo da 2º Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, que, nos autos da Ação Anulatória nº5032544.8.13.0024, indeferiu o pedido de tutela de urgência, formulado pelo autor, ora recorrente, com o intuito de ser restabelecido o pagamento de seus proventos, suspenso por conta da aplicação da sanção de cassação de aposentadoria. (..) Nesse contexto é que se interpõe o presente Especial, sustentando: (..) E, NO MÉRITO, a ofensa ao art. 927do CPC/15, por ter o órgão julgador deixado de observar os precedentes oriundos de seu Órgão Especial acerca da constitucionalidade da pena de cassação de aposentadoria. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do RISTJ, CONHEÇO EM PARTE do Recurso Especial, e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Publique-se e intimem-se.