REsp 2214429 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a análise da validade da citação exigiria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ, o que também prejudica o exame do dissídio jurisprudencial; quanto à prescrição intercorrente, a nova sistemática da Lei 14.195/2021 não retroage e a questão não foi...
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- Parties
- Agravante: Mebras - Metais do Brasil Ltda - em Recuperação Judicial
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (quarta Turma, Sessão Virtual)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Citação, Prescrição Intercorrente, Súmula 7/stj, Dissídio Jurisprudencial, Lei 14.195/2021
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Parties
Mebras - Metais do Brasil Ltda - em Recuperação Judicial
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (quarta Turma, Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Validade da citação recebida por parente próximo
- 2 Aplicação da Súmula 7/STJ e vedação ao reexame de matéria fático-probatória em recurso especial
- 3 Aplicabilidade temporal (não retroatividade) da Lei 14.195/2021 à prescrição intercorrente
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a análise da validade da citação exigiria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ, o que também prejudica o exame do dissídio jurisprudencial; quanto à prescrição intercorrente, a nova sistemática da Lei 14.195/2021 não retroage e a questão não foi analisada pela Corte de origem sob essa perspectiva, tornando impossível seu exame no recurso especial.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão agravada por seus próprios fundamentos
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/11/2025 a 01/12/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Antonio Carlos Ferreira, Marco Buzzi, João Otávio de Noronha e Raul Araújo votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. CITAÇÃO RECEBIDA POR PARENTE PRÓXIMO. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO. PRESCRIÇÃO. LEI 14.195/2021. APLICAÇÃO. 1. Rever as conclusões do acórdão recorrido quanto ao recebimento da citação por parente próximo ensejaria o reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ). 2. A incidência da Súmula 7 do STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial acerca do mesmo tema. 3. A sistemática introduzida pela Lei n. 14.195/2021, segundo a qual a prescrição intercorrente deixa de estar atrelada à inércia do credor e passa a ter como termo inicial a ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis, não retroage, sendo somente aplicável a partir de sua publicação. 4. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por Mebras - Metais do Brasil Ltda - em Recuperação Judicial contra decisão de fls. 557-559 que deu parcial provimento ao recurso especial, a fim de restituir os autos à Corte de origem para que reanalise a ocorrência da prescrição sob a perspectiva do precedente indicado, pelos seguintes fundamentos: a) quanto à tese de validade da citação recebida por parente próximo, a revisão das conclusões do Tribunal de origem demandaria reexame do conjunto fático-probatório, incidindo o óbice da Súmula 7/STJ; e b) relativamente à prescrição intercorrente, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que, iniciado o prazo na vigência do Código Civil de 1916 e havendo sua redução pelo Código Civil de 2002, aplica-se a regra de transição do art. 2.028 do novo diploma, sendo o termo inicial 11 de janeiro de 2003; que o reconhecimento da prescrição intercorrente pressupõe a inércia do exequente por prazo superior ao da prescrição do direito material; e que a sistemática introduzida pela Lei 14.195/2021 não retroage, sendo aplicável apenas a partir de sua publicação, razão pela qual o acórdão recorrido não está em consonância com esse entendimento. Nas razões do presente recurso, a agravante defende que a decisão singular, ao aplicar a Súmula 7/STJ para afastar a análise da validade da citação recebida por parente do executado (art. 248 do Código de Processo Civil), incorreu em equívoco, pois a controvérsia é exclusivamente jurídica e foi demonstrado dissídio jurisprudencial sobre o tema no recurso especial. Argumenta que, quanto à prescrição intercorrente, o precedente citado (AgInt nos EDcl no AREsp 2.367.589/GO) afastou a prescrição e, portanto, a decisão agravada deveria ter reconhecido, desde logo, a inaplicabilidade da prescrição no caso, em vez de determinar o retorno dos autos para reanálise, havendo obscuridade na conclusão (fls. 568-569). Requer o provimento do agravo interno para, em consequência, dar provimento ao recurso especial, reformando o acórdão do Tribunal de origem, reconhecendo a validade da citação e a inaplicabilidade da prescrição intercorrente, com prosseguimento do feito. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. CITAÇÃO RECEBIDA POR PARENTE PRÓXIMO. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO. PRESCRIÇÃO. LEI 14.195/2021. APLICAÇÃO. 1. Rever as conclusões do acórdão recorrido quanto ao recebimento da citação por parente próximo ensejaria o reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ). 2. A incidência da Súmula 7 do STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial acerca do mesmo tema. 3. A sistemática introduzida pela Lei n. 14.195/2021, segundo a qual a prescrição intercorrente deixa de estar atrelada à inércia do credor e passa a ter como termo inicial a ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis, não retroage, sendo somente aplicável a partir de sua publicação. 4. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Com o merecido respeito às objeções articuladas no agravo interno, penso que nenhuma delas procede, de modo que a decisão agravada deve ser mantida por seus próprios fundamentos. O Tribunal de origem concluiu pela inexistência de citação, pois de acordo com informação do oficial de justiça o executado teria se mudado. Com efeito, não há falar em valoração de prova, ou questão de direito, mas em reexame do conjunto fático-probatório da demanda, no caso em questão, providência vedada em sede de recurso especial, ante a Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. A incidência da Súmula 7/STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido, inviabilizando o conhecimento do recurso especial também com base na alínea "c" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. Outrossim, a Corte estadual concluiu que a ausência de citação do devedor não se deu por desídia da parte autora. Assim, é certo que a decisão recorrida não está em consonância com o entendimento perfilhado nesta Corte, no sentido de que para a ocorrência da prescrição intercorrente é necessária a comprovação de desinteresse ou desídia por parte do credor, até a publicação da Lei 14.195/2021. Após a introdução da nova sistemática, a prescrição intercorrente passa a ter como termo inicial a ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis. A análise da ocorrência da prescrição sob essa perspectiva não foi analisada pela Corte de origem, não podendo esta Casa analisar a matéria em sede de recurso especial em razão do óbice da Súmula 7/ STJ. Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.