AREsp 2446134 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque falta prequestionamento indispensável (art. 1.022 CPC), configurando a incidência da Súmula 211 do STJ, e porque a apreciação pretendida exigiria reexame de provas e fatos, vedado na instância especial pela Súmula 7; ademais, o STJ não deve decidir sobre alegada violação de...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial; Julgamento Do Agravo
- Outcome
- Negou provimento ao agravo
- Legal Topics
- Citação Por Aviso De Recebimento, Citação Em Condomínio, Domicílio (art. 71 Cc), Prequestionamento (art. 1.022 Cpc), Súmula 7 STJ, Súmula 211 STJ, Embargos De Declaração
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial; Julgamento Do Agravo
Legal Issues
- 1 necessidade de prequestionamento para conhecimento do recurso especial
- 2 validade da citação por AR recebida por terceiro em condomínio
- 3 aplicação do art. 71 do Código Civil sobre múltiplos domicílios
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque falta prequestionamento indispensável (art. 1.022 CPC), configurando a incidência da Súmula 211 do STJ, e porque a apreciação pretendida exigiria reexame de provas e fatos, vedado na instância especial pela Súmula 7; ademais, o STJ não deve decidir sobre alegada violação de dispositivos constitucionais, competência do STF.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo
Orders
- Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo.
- Fica prejudicado o pedido de efeito suspensivo com o julgamento do presente recurso.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão publicada na vigência do CPC/2015, que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência da Súmula n. 7 do STJ (e-STJ fls. 541/543). O acórdão reco rrido encontra-se assim ementado (e-STJ fl. 419): Agravo de Instrumento - Cumprimento de sentença - Decisão que afastou pedido de nulidade da citação - Art. 248, §4º, CPC - Em condomínio edilício, é válida a citação quando a carta for recebida por funcionário da portaria - Caso ainda em que os Recorrentes possuem domicílio em mais de um local, de modo que válida a citação - Inteligência do Art. 71 do CC - Documentos juntados com a contraminuta que infirmam as alegações dos Recorrentes - Citação válida - Decisão mantida - Recurso improvido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 509/513). Nas razões do recurso especial (e - STJ fls. 426/451), interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, a parte recorrente alega violação dos arts. 248, 280, 281, 282, 239 e 437, § 1º, do CPC/2015 e 5º, LIV e LV da CF/88. Aduziu a nulidade do acórdão recorrido ante a necessidade de manifestação pelos Recorrentes ao documento novo juntado pela Recorrida em contraminuta de agravo de instrumento. Defendeu que fica "de forma objetiva a previsão de que a citação de pessoa física (§ 1º, do artigo 248 do CPC/15), pelo correio, dar-se-á com a entrega da carta diretamente ao citando (pessoa física), cuja assinatura deverá constar no aviso de recebimento. O desrespeito desta regra, de pronto, emana nulidade do ato, nos termos do que dispõe o art. 280 do CPC/2015, acima transcrito" (e-STJ fl. 443). Asseverou que "O recebimento por terceiro sem que seja identificado como zelador, porteiro, ou equiparado, impede a aplicação do § 4º, do artigo 248 do CPC, mesmo que o local seja condomínio de apartamento" (e-STJ fl. 446). Consignou que "nem se ouse alegar que os Recorrentes têm vários endereços, não se tendo alusão disto no processo! Endereço comercial e residencial não pode ser lido como vários endereços. Inaplicável o alegado artigo 71 do CPC, em detrimento dos preceitos dos artigo 248 do CPC" (e-STJ fl. 446). Requereu a concessão de efeito suspensivo. No agravo (e-STJ fls. 546/562), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Foi oferecida contraminuta (e-STJ fls. 565/588) . É o relatório. Decido. Cumpre esclarecer que não cabe ao Superior Tribunal de Justiça manifestar-se acerca de suposta violação de dispositivos constitucionais, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. No que diz respeito às teses de necessidade de manifestação sobre documento novo, de que a citação de pessoa física (§ 1º, do artigo 248 do CPC/15), pelo correio, dar-se-á com a entrega da carta diretamente ao citando (pessoa física) e de que o recebimento por terceiro sem que seja identificado como zelador, porteiro, ou equiparado, impede a aplicação do § 4º do artigo 248 do CPC, bem como afronta aos arts. 248, 280, 281, 282, 239 e 437, § 1º, do CPC/2015, as teses e o conteúdo normativo de tais dispositivos não foram apreciados pelo Tribunal a quo, apesar da oposição de embargos declaratórios. Caberia à parte alegar violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, o que não ocorreu. Dessa forma, à falta do indispensável prequestionamento, incide a Súmula n. 211 do Superior Tribunal de Justiça. Quanto à alega ção de que "nem se ouse alegar que os Recorrentes têm vários endereços, não se tendo alusão disto no processo!", a Corte de origem concluiu que (e-STJ fl. 422, negritei): .. Com efeito, como salientado na decisão agravada, ".. os endereços apontados no comprovante de residência e declaração de imposto de renda (fls. 293/295) são diferentes entre si, bem como distintos daquele apontado nos próprios embargos monitórios (fl. 127), sendo este último, por sua vez, também distinto do logradouro constante no contrato que ensejou a presente ação (fl. 12). Nesse sentido, aponto que o artigo 71 do Código Civil deixa bem claro que tendo a pessoa natural diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se- á seu domicílio quaisquer delas, o que claramente é a hipótese dos autos. De mais a mais, destaco ser obrigação dos contratantes, inerente ao dever de informação decorrente da boa-fé contratual, manter atualizado seu endereço, informando ao contratado alterações supervenientes à celebração do negócio jurídico: .." - destaquei Os argumentos e documentos trazidos com a contraminuta infirmam as alegações dos Agravantes, tendo sido comprovado que os Recorrentes estão domiciliados em mais de um local, incluindo a unidade condominial de nº 301 para a qual foi endereçado AR contra o que se insurgiram os Recorrentes (fls. 381). O TJSP entendeu que foi "co mprovado que os Recorrentes estão domiciliados em mais de um local, incluindo a unidade condominial de nº 301 para a qual foi endereçado AR contra o que se insurgiram os Recorrentes". Rever tais conclusões demandaria nova incursão no conjunto probatório dos autos, providência vedada na instância especial, a teor da Súmula n. 7 do STJ. Cumpre asseverar que os referidos óbices aplicam-se ao recurso especial interposto por ambas as alíneas do permissivo constitucional. Fica prejudicado o pedido de efeito suspensivo com o julgamento do presente recurso. Ante o exposto, NEG O PROVIMENTO ao agravo. Publique-se e intimem-se. EMENTA